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Movimento negro realizará atos como resposta a casos de violência

Repro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

Manifestações estão marcadas para o dia 24


Pub­li­ca­do em 20/08/2023 — 16:02 Por Lety­cia Bond — Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

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Rep­re­sen­tantes do movi­men­to negro real­izam, na próx­i­ma quin­ta-feira (24), a Jor­na­da Nacional de Luta Pelas Vidas Negras, mobi­liza­ção para rea­gir aos episó­dios mais recentes de vio­lên­cia poli­cial e assas­si­natos de pes­soas negras, como o do ado­les­cente Thi­a­go Menezes Flausi­no, de 13 anos de idade, mor­to a tiros em uma oper­ação na Cidade de Deus, Rio de Janeiro. Os orga­ni­zadores já con­fir­maram man­i­fes­tações em São Paulo, Limeira, inte­ri­or do esta­do de São Paulo, Belo Hor­i­zonte, Curiti­ba, Recife, Rio de Janeiro, Ara­ca­ju, Vitória e em Brasília.

Em São Paulo, o ato fará con­cen­tração no vão do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), a par­tir das 18h.

Os gru­pos que vão às ruas ain­da fazem ajustes para definir protestos nos esta­dos do Rio Grande do Sul, Pará, Piauí, Maran­hão e Bahia. No dia 24 de agos­to, comem­o­ra-se o aniver­sário de morte do advo­ga­do soteropoli­tano Luiz Gama, um ícone da resistên­cia negra.

Um exem­p­lo de como a vio­lên­cia atinge, de modo ger­al, mais forte­mente a pop­u­lação negra, estão apon­ta­dos nos dados do Fórum Brasileiro de Segu­rança Públi­ca (FBSP) sobre o índice de mortes vio­len­tas inten­cionais em todo o país. Em 2022, foram reg­istra­dos 47.508 casos e 76,5% das víti­mas eram negras. Os dados con­stam da últi­ma edição do Anuário Brasileiro de Segu­rança Públi­ca. A enti­dade desta­ca que os negros são o prin­ci­pal grupo viti­ma­do pela vio­lên­cia, inde­pen­den­te­mente da ocor­rên­cia reg­istra­da, e rep­re­sen­taram 83,1% das víti­mas de inter­venções poli­ci­ais.

O encar­ce­ra­men­to em mas­sa de pes­soas negras tam­bém segue a todo o vapor. No ano pas­sa­do, o Brasil atingiu pro­porção recorde de negros no sis­tema carcerário, um total de 442.033 pes­soas. A parcela equiv­ale a 68,2%.

Para o pesquisador Den­nis Pacheco, do FBSP, as dire­trizes que gov­er­nos têm definido, em ter­mos de segu­rança públi­ca, são “o retro­ces­so delib­er­a­do”.

“Ati­va­mente, se tem pro­duzi­do essas mortes como uma platafor­ma de vis­i­bil­i­dade políti­ca”, afir­ma sobre as oper­ações que mul­ti­pli­cam expo­nen­cial­mente a letal­i­dade poli­cial.

Pacheco avalia que o bol­sonar­is­mo con­tribuiu para que gru­pos ampliassem a insti­tu­cional­iza­ção do racis­mo no país e que o que se tem à frente, como desafio, é a rad­i­cal­iza­ção de tal pos­tu­ra, que se reflete nas forças de segu­rança públi­ca.

Per­gun­ta­do sobre o aparente para­doxo de se ter poli­ci­ais negros tiran­do a vida de out­ros negros, ele disse que “é para­dox­al, mas nem tan­to”, já que quem está na base das cor­po­rações e, por­tan­to, vai às ruas para realizar as oper­ações, é negro e, por­tan­to, tem pou­ca margem para inter­vir nas decisões. “O per­fil dos ofi­ci­ais, das pes­soas que gerem a polí­cia, é bem bran­co e bem desin­ter­es­sa­do em dis­cu­tir as questões que dizem respeito ao enfrenta­men­to ao racis­mo”.

Edição: Fer­nan­do Fra­ga

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