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Pandemia teve impactos diretos para bebês e crianças, diz estudo

Repro­dução: © Arquivo/Agência Brasil

Dados são da Epicovid-19, pesquisa da UFPel e do Ibope


Pub­li­ca­do em 06/10/2021 — 09:22 Por Mar­i­ana Tokar­nia — Repórter da Agên­cia Brasil  — Rio de Janeiro

A pan­demia teve impacto na vida de bebês e cri­anças brasileiras: pobreza, sub­nu­trição, fal­ta de assistên­cia em saúde e edu­cação, além da per­da da mãe, do pai ou de respon­sáveis para a covid-19. Diante da crise san­itária e econômi­ca, as cri­anças deixaram até mes­mo de ser vaci­nadas e, assim, cumprir o esque­ma pre­vis­to para a infân­cia, fican­do vul­neráveis a diver­sas enfer­mi­dades. As infor­mações fazem parte da Epi­covid-19, pesquisa real­iza­da pela Uni­ver­si­dade Fed­er­al de Pelotas (UFPel) em parce­ria com o Ibope.

Dados inédi­tos da Epi­covid-19, a maior pesquisa epi­demi­ológ­i­ca sobre a doença fei­ta no Brasil, são apre­sen­ta­dos hoje (6), no IX Sim­pó­sio Inter­na­cional de Desen­volvi­men­to da Primeira Infân­cia, real­iza­do pelo Núcleo Ciên­cia Pela Infân­cia (NCPI). A pan­demia teve impactos indi­re­tos e dire­tos na vida das cri­anças. Até setem­bro deste ano, 867 cri­anças de até 4 anos e 194 cri­anças de 5 a 9 anos mor­reram no Brasil por covid-19. O estu­do mostra ain­da que tam­bém foram víti­mas da doença 273 ado­les­centes de 10 a 14 anos e 808, de 15 a 19 anos.

“Temos que pen­sar em ter­mos amp­los, em políti­cas públi­cas de com­bate à pobreza, de estim­u­lação int­elec­tu­al, de assistên­cia médi­ca — por exem­p­lo, as vaci­nações que foram per­di­das -, de esco­lar­i­dade, e assim por diante. Pro­gra­mas poten­cial­mente efe­tivos como o Cri­ança Feliz pre­cisam ser revi­tal­iza­dos, pois a pan­demia afe­tou mar­cada­mente a fre­quên­cia das vis­i­tas domi­cil­iares visan­do a estim­u­lar a inter­ação entre cri­anças e seus famil­iares”, defende o pro­fes­sor eméri­to de Epi­demi­olo­gia na UFPel e coor­de­nador do Epi­covid, Cesar Vic­to­ra.

Tan­to a covid quan­to out­ras doenças infec­ciosas, em cri­anças peque­nas, segun­do Vic­to­ra, são mais pre­ocu­pantes, pois elas “têm um sis­tema imunológi­co imaturo e mor­rem mais do que cri­anças maiores dev­i­do a pneu­mo­nia, diar­reia e muitas out­ras infecções”, diz.

De acor­do com a pesquisa, as cri­anças tam­bém deixaram de ser vaci­nadas. Durante o perío­do pandêmi­co, 22,7% das cri­anças mais pobres deixaram de ser vaci­nadas. Entre as mais ric­as, o índice é de 15%. O maior impacto é o fato de que as cri­anças que já estão frag­ilizadas pela sub­nu­trição resul­tante do aumen­to na pobreza, ficam ain­da mais suscetíveis a out­ras doenças infec­ciosas que podem ser pre­venidas pela imu­niza­ção”, diz o coor­de­nador do estu­do.

O pesquisador defende uma atenção espe­cial à infân­cia e o reforço de políti­cas públi­cas: “Inve­stir na primeira infân­cia e min­i­mizar os efeitos da pan­demia é essen­cial para garan­tir não ape­nas a saúde das próx­i­mas ger­ações, mas tam­bém o cap­i­tal humano que per­mi­tirá o desen­volvi­men­to de nos­so país nas próx­i­mas décadas”.

Nacional­mente, o Pro­gra­ma Cri­ança Feliz é uma das prin­ci­pais ini­cia­ti­vas voltadas para a infân­cia. O pro­gra­ma atende a famílias com cri­anças entre zero e 6 anos. Por meio de vis­i­tas domi­cil­iares às famílias par­tic­i­pantes do Cadas­tro Úni­co, as equipes do Cri­ança Feliz acom­pan­ham e ori­en­tam o desen­volvi­men­to delas.

Vic­to­ra apre­sen­ta tam­bém dados de entre­vista com par­tic­i­pantes do pro­gra­ma Cri­ança Feliz que mostram que 11% das cri­anças deixaram de ser vaci­nadas em setem­bro de 2020. Em janeiro de 2021, o índice foi para 10%. Além dis­so, 6% das grávi­das fal­taram às con­sul­tas pré-natais em setem­bro de 2020. Em janeiro, o per­centu­al pas­sou para 10%.

Ministério da Cidadania

Em nota, o Min­istério da Cidada­nia diz que, em decor­rên­cia da neces­si­dade de iso­la­men­to social, o atendi­men­to remo­to foi autor­iza­do e os vis­i­ta­dores do Cri­ança Feliz pas­saram a desen­volver ativi­dades por meio de videochamadas e encam­in­har o con­teú­do aos pais e respon­sáveis por meio de platafor­mas dig­i­tais.

“Em casos de famílias com difi­cul­dade de aces­so à tec­nolo­gia, os encon­tros pres­en­ci­ais foram man­ti­dos, seguin­do todos os pro­to­co­los de segu­rança. Even­tual­mente, as ativi­dades foram entregues na por­ta da casa dos ben­efi­ciários e recol­hi­das pos­te­ri­or­mente. Além de abor­dar temas rela­ciona­dos à primeira infân­cia, as vis­i­tas incluíram tam­bém infor­mações e ori­en­tações para com­bat­er a covid-19”, diz a pas­ta.

De acor­do com o min­istério, em 2020 o pro­gra­ma bateu o recorde de 1,1 mil­hão de aten­di­dos pelos 26 mil vis­i­ta­dores espal­ha­dos pelo país. Ao lon­go do ano, foram real­izadas 40 mil­hões de vis­i­tas. Em agos­to deste ano, ultra­pas­sou a mar­ca de 50 mil­hões de vis­i­tas e está pre­sente nos lares de mais de 1,2 mil­hão de brasileiros.

Edição: Graça Adju­to

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