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Lula determina socorro urgente e humanitário aos Yanomami

Repro­dução: © Ricar­do Stuckert/Palácio do Planal­to

Profissionais da Força Nacional do SUS chegam na segunda-feira


Pub­li­ca­do em 21/01/2023 — 15:20 Por Andréia Verdélio — Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

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O pres­i­dente Luiz Iná­cio Lula da Sil­va disse hoje (21) que a situ­ação dos povos yanomamis, em Roraima, é desumana. Lula esteve em Boa Vista e viu de per­to a crise san­itária que atinge os indí­ge­nas, víti­mas de desnu­trição e out­ras doenças, como malária e pneu­mo­nia.

A situ­ação já lev­ou à morte 570 cri­anças nos últi­mos anos, sendo que 505 tin­ham menos de 1 ano. No ano de 2022, foram reg­istra­dos 11.530 casos con­fir­ma­dos de malária na ter­ra Yanoma­mi.

“Se alguém me con­tasse que aqui em Roraima tin­ham pes­soas sendo tratadas da for­ma desumana como o povo yanoma­mi é trata­do aqui, eu não acred­i­taria”, disse. “Nós vamos tratar os nos­sos indí­ge­nas como seres humanos, respon­sáveis por parte daqui­lo que nós somos”, desta­cou.

Lula vis­i­tou o hos­pi­tal e a Casa de Apoio à Saúde Indí­ge­na, em Boas Vista, e argu­men­tou que as mel­ho­rias podem acon­te­cer a par­tir de mudanças de com­por­ta­men­to. “Uma das for­mas de resolver isso é mon­tar o plan­tão da saúde nas aldeias, para cuidar deles lá. Fica mais fácil a gente trans­portar dez médi­cos do que 200 indí­ge­nas que estão aqui”, disse. “Nós quer­e­mos mostrar que o SUS [Sis­tema Úni­co de Saúde] é capaz de faz­er um tra­bal­ho que hon­ra e orgul­ha o povo brasileiro como fez na [pan­demia de] covid-19”, com­ple­tou.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita o hospital indígena e a Casa de Apoio à Saúde Indígena em Boa Vista, capital de Roraima
Repro­dução: O pres­i­dente Luiz Iná­cio Lula da Sil­va visi­ta o hos­pi­tal indí­ge­na e a Casa de Apoio à Saúde Indí­ge­na em Boa Vista, cap­i­tal de Roraima — Ricar­do Stuckert/Palácio do Planal­to

Hoje, cer­ca de 700 indí­ge­nas estão sendo aten­di­dos na casa de apoio, a maio­r­ia cri­anças com desnu­trição grave.

Umas das ações pri­or­itárias, para o pres­i­dente, é orga­ni­zar a rede logís­ti­ca para o trans­porte de supri­men­tos e das pes­soas entre as aldeias e a cidade, como a mel­ho­ria de pis­tas de pouso de aeron­aves em regiões mais próx­i­mas às comu­nidades. “Não pode ser feito em pou­cas horas, mas meu com­pro­mis­so é de faz­er”, disse Lula.

Cer­ca de 200 indí­ge­nas que estão na casa de apoio em Boa Vista já tiver­am alta, mas não pud­er­am retornar ain­da por fal­ta de trans­porte. “Fiz o com­pro­mis­so com os irmãos [indí­ge­nas] que vamos dar a eles a dig­nidade que eles mere­cem na saúde, na edu­cação, na ali­men­tação, no dire­ito de ir e vir para faz­er as coisas que eles neces­si­tam na cidade”, com­ple­tou Lula.

O pres­i­dente criti­cou ain­da o gov­er­no ante­ri­or por per­mi­tir que a situ­ação se agravasse. “Sin­ce­ra­mente, o pres­i­dente que deixou a presidên­cia ess­es dias, se ao invés de faz­er tan­ta moto­ci­a­ta, tivesse ver­gonha e viesse aqui uma vez, quem sabe esse povo não tivesse aban­don­a­do como está”, argu­men­tou.

Lula via­jou acom­pan­hado de vários min­istros de Esta­do e da primeira-dama, Jan­ja Sil­va.

Emergência em saúde

Ontem (20), Lula insti­tui o Comitê de Coor­de­nação Nacional para Enfrenta­men­to à Desas­sistên­cia San­itária das Pop­u­lações em Ter­ritório Yanoma­mi. O obje­ti­vo do grupo é dis­cu­tir as medi­das a serem ado­tadas e aux­il­iar na artic­u­lação inter­poderes e interfed­er­a­ti­va.

No mes­mo sen­ti­do, o Min­istério da Saúde declar­ou Emergên­cia em Saúde Públi­ca de Importân­cia Nacional para com­bate à desas­sistên­cia san­itária dos povos que vivem no ter­ritório indí­ge­na Yanoma­mi.

Profis­sion­ais da Força Nacional do SUS começam a chegar a Roraima na segun­da-feira (23) para ofer­e­cer atendi­men­to mul­ti­dis­ci­pli­nares, prin­ci­pal­mente foca­dos na read­e­quação ali­men­tar, já que o prin­ci­pal prob­le­ma é a desnu­trição grave.

As Forças Armadas tam­bém mon­tarão um hos­pi­tal de cam­pan­ha próx­i­mo à casa de apoio, em Boa Vista. Além dis­so, o gov­er­no enviará insumos médi­cos e ali­men­tos para as comu­nidades.

Des­de a últi­ma segun­da-feira (16), equipes do Min­istério da Saúde se encon­tram no ter­ritório indí­ge­na Yanoma­mi e devem apre­sen­tar um lev­an­ta­men­to com­ple­to sobre a críti­ca situ­ação de saúde dos indí­ge­nas.  A região tem mais de 30,4 mil habi­tantes.

Garimpo

A ter­ra indí­ge­na Yanoma­mi é a maior do país, em exten­são ter­ri­to­r­i­al, e sofre com a invasão de garimpeiros. A con­t­a­m­i­nação da ter­ra e da água pelo mer­cúrio uti­liza­do no garim­po impacta na disponi­bil­i­dade de ali­men­to nas comu­nidades.

O pres­i­dente Lula se com­pro­m­e­teu a com­bat­er as ile­gal­i­dades nas ter­ras indí­ge­nas. “Sei da difi­cul­dade de tirar o garim­po ile­gal, já se ten­tou out­ras vezes e eles voltam”, argu­men­tou.

“Mas nós vamos levar muito a sério de acabar com qual­quer garim­po ile­gal e mes­mo que seja uma ter­ra que ten­ha autor­iza­ção da agên­cia para faz­er pesquisa, eles podem faz­er pesquisa sem destru­ir a água, a flo­res­ta e sem colo­car em risco a vida das pes­soas que depen­dem da água para sobre­viv­er”, afir­mou Lula. “É impor­tante as pes­soas saberem que esse país mudou de gov­er­no e o gov­er­no ago­ra vai agir com a seriedade no trata­men­to do povo que esse país tin­ha esque­ci­do”, com­ple­tou.

Em 2022, o Min­istério Públi­co Fed­er­al (MPF) pediu a retoma­da de ações de pro­teção e oper­ações poli­ci­ais con­tra o garim­po ile­gal na Ter­ra Indí­ge­na Yanoma­mi. Em novem­bro, o órgão tam­bém apre­sen­tou ao Min­istério da Saúde pedi­do de inter­venção em um dos dis­tri­tos san­itários locais por sus­pei­ta de desvios de recur­sos públi­cos.

Assista na TV Brasil:

Edição: Clau­dia Fel­czak

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