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Na Espanha, Lula defende criação de um G20 da Paz

Repro­dução: © Ricar­do Stuckert/PR

Presidente também vê contradição em críticas ao crescimento da China


Pub­li­ca­do em 26/04/2023 — 09:17 Por Pedro Peduzzi – Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

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O pres­i­dente Luiz Iná­cio Lula da Sil­va disse, nes­ta quar­ta-feira (26), que a pre­ocu­pação de alguns país­es com o cresci­men­to econômi­co da Chi­na rep­re­sen­ta uma con­tradição aos princí­pios defen­di­dos pelo Con­sen­so de Wash­ing­ton, na déca­da de 1980. O con­sen­so é um con­jun­to de recomen­dações neolib­erais visan­do o desen­volvi­men­to econômi­co. Sobre a guer­ra entre Rús­sia e Ucrâ­nia, o pres­i­dente brasileiro defend­eu a cri­ação de um G20 da Paz.

A afir­mação foi fei­ta durante encon­tro com o pres­i­dente espan­hol, Pedro Sánchez, no Palá­cio da Mon­cloa, em Madri, na Espan­ha, após a assi­natu­ra de três mem­o­ran­dos de entendi­men­to: sobre coop­er­ações no Ensi­no Supe­ri­or Uni­ver­sitário; entre os min­istérios do Tra­bal­ho dos dois país­es; e uma car­ta de intenções na área de ciên­cia, tec­nolo­gia e ino­vações.

“Quan­do vejo alguns país­es pre­ocu­pa­dos com o cresci­men­to da Chi­na, fico me per­gun­tan­do se a gente está lem­bra­do do dis­cur­so que era feito nos anos 80, depois do famoso Con­sen­so de Wash­ing­ton, quan­do se criou a ideia de que o mun­do não teria mais prob­le­ma se fos­se glob­al­iza­do. Mes­mo as min­is­tras mais jovens lem­bram de um dis­cur­so feito há 43 anos, de que a glob­al­iza­ção era a saí­da para humanidade”, disse o pres­i­dente brasileiro.

Lula acres­cen­tou que, por con­ta do Con­sen­so de Wash­ing­ton, “todas as megaem­pre­sas amer­i­canas inve­sti­ram, não para desen­volver a Chi­na, mas para uti­lizar a mão de obra bara­ta que a Chi­na ofer­e­cia naque­le instante. Os chi­ne­ses sou­ber­am tirar proveito do inves­ti­men­to. Mas quan­do o Trump foi can­dida­to [à presidên­cia dos EUA], começou a diz­er que era pre­ciso reti­rar as empre­sas que estavam na Chi­na. Já era tarde, porque a Chi­na já é a segun­da econo­mia mundi­al e pos­sivel­mente, no próx­i­mo ano, seja a primeira econo­mia do mun­do”, acres­cen­tou.

O pres­i­dente brasileiro disse que o cresci­men­to chinês se difer­en­cia do de out­ros país­es pelo fato de ter ocor­ri­do sem que o país pas­sasse por guer­ra.

“Isso é uma demon­stração de que somente com mui­ta paz é pos­sív­el você aproveitar o din­heiro pro­duzi­do pelo povo para poder ger­ar emprego e bem-estar social. Por isso eu estou inco­moda­do com a guer­ra que está acon­te­cen­do entre a Rús­sia e a Ucrâ­nia. Ninguém pode ter dúvi­da de que nós brasileiros con­de­n­amos a vio­lação ter­ri­to­r­i­al que a Rús­sia fez con­tra a Ucrâ­nia. O erro acon­te­ceu e a guer­ra começou. Ago­ra não adi­anta ficar dizen­do quem tá cer­to e quem tá erra­do. Ago­ra o que pre­cisa é faz­er a guer­ra parar.”

Segun­do Lula, só se dis­cute um “acer­to de con­tas” quan­do se para de dar tiros. “É assim nes­sa guer­ra e foi assim em todas as out­ras guer­ras. Mas nós vive­mos um mun­do muito esquisi­to, onde todos os mem­bros per­ma­nentes do Con­sel­ho de Segu­rança da ONU [Orga­ni­za­ção das Nações Unidas] são os maiores pro­du­tores e vende­dores de arma do mun­do. E são os maiores par­tic­i­pantes de guer­ra do mun­do”.

“Fico, por­tan­to, me per­gun­tan­do se não cabe a nós, out­ros país­es que não são [mem­bros] per­ma­nentes do Con­sel­ho de Segu­rança da ONU, faz­er­mos uma mudança. Por que Brasil, Espan­ha, Japão, Ale­man­ha, Índia, Nigéria, Egi­to, África do Sul não estão [como mem­bros per­ma­nentes]? Quem deter­mi­na atual­mente são os vence­dores da 2ª Guer­ra, mas o mun­do mudou. Pre­cisamos con­stru­ir um novo mecan­is­mo inter­na­cional que faça a coisa difer­ente. Acho que tá na hora da gente começar a mudar as coisas e tá na hora da gente cri­ar um tal de G20 da Paz, que dev­e­ria ser a ONU”, acres­cen­tou.

Edição: Denise Griesinger

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