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Veja as dicas para proteger crianças e adolescentes nas redes sociais

Especialistas entrevistados orientam pais, mães e responsáveis

Mar­i­ana Tokar­nia – Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 16/08/2025 — 08:56
Rio de Janeiro
Brasília (DF) 28/01/2025 - Os irmãos Clara Santana (10) e Pedro Santana (13), são vistos com celular na mão embaixo de um cobertor. Uma a cada 3 crianças tem perfil aberto em redes, alerta pesquisa Dados foram divulgados nesta terça pela Unico e Instituto Locomotiva Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Repro­dução: © Joéd­son Alves/Agência Brasil

As denún­cias feitas pelo influ­en­ci­ador Fel­ca Bress, em vídeo pub­li­ca­do na sem­ana pas­sa­da, colo­caram em foco os riscos que as redes soci­ais rep­re­sen­tam para cri­anças e ado­les­centes e como não há uma reg­u­lação sobre o uso de ima­gens de menores de idade ness­es espaços vir­tu­ais. As cenas expostas por Fel­ca chocaram e provo­caram a reação do Con­gres­so Nacional, da Presidên­cia da Repúbli­ca e de diver­sos setores da sociedade.

Espe­cial­is­tas entre­vis­ta­dos pela Agên­cia Brasil ori­en­tam pais, mães e respon­sáveis sobre como pro­te­ger cri­anças e ado­les­centes em ambi­entes vir­tu­ais. Além dis­so, ressaltam o papel das esco­las, da assistên­cia social de out­ros equipa­men­tos públi­cos na defe­sa dos dire­itos dessa parcela da pop­u­lação.

Classificação indicativa

Segun­do a escrito­ra, palestrante e ativista pela errad­i­cação da vio­lên­cia sex­u­al e online, Sheyl­li Cal­ef­fi, é necessário con­hecer e respeitar a clas­si­fi­cação indica­ti­va das platafor­mas. O Insta­gram, por exem­p­lo, não é recomen­da­do para menores de 16 anos. O Tik­tok e o What­sApp não devem ser usa­dos por menores de 13 anos.

Brasília (DF), 14/08/2025- A escritora, palestrante e ativista pela erradicação da violência sexual e online, Sheylli Caleffi, fala sobre perfis fechados e controle do uso do celular; veja dicas para proteger crianças nas redes. Foto: Helton Nobrega/Divulgação
Repro­dução: Brasília (DF), 14/08/2025 — Escrito­ra e ativista pela errad­i­cação da vio­lên­cia sex­u­al Sheyl­li Cal­ef­fi, lem­bra que algo que é bacana, até sagra­do para mui­ta gente, é ero­ti­za­do por out­ras pes­soas”. Foto: Hel­ton Nobrega/Divulgação — Hel­ton Nobrega/Divulgação

Os respon­sáveis devem garan­tir que as idades infor­madas estão cor­re­tas, uma vez que as próprias platafor­mas não pedem nen­hum tipo de ver­i­fi­cação. Além dis­so, devem obser­var as con­fig­u­rações, para impedir que qual­quer pes­soa ten­ha aces­so ao per­fil dos menores de 18 anos e que eles rece­bam men­sagens de pes­soas descon­heci­das.

“Quan­do você decide dar aces­so aos seus fil­hos nos ambi­entes dig­i­tais, você pre­cisa tam­bém olhar a con­fig­u­ração daqui­lo que você escol­heu dar aces­so”, diz.

“O ide­al é uma con­ta pri­va­da se existe qual­quer imagem de cri­ança. E, obvi­a­mente, os ado­les­centes, quan­do tiverem a idade de começarem a ter as con­tas, têm que ter suas con­tas pri­vadas, tam­bém, para que só acessem con­teú­do as pes­soas sele­cionadas por eles”.

De acor­do com a pesquisa do Cen­tro Region­al de Estu­dos para o Desen­volvi­men­to da Sociedade da Infor­mação (Cetic.br), 93% da pop­u­lação brasileira, de 9 a 17 anos, são usuárias de inter­net, o que rep­re­sen­ta 24,5 mil­hões de pes­soas. A pesquisa TIC Kid Online mostra ain­da que 83% dess­es ado­les­centes têm per­fil próprio nas redes soci­ais. Além dis­so, 30% relataram que tiver­am con­ta­to com alguém online que não con­heci­am pes­soal­mente.

Cuidados ao postar fotos

Mes­mo que as cri­anças não ten­ham con­tas em platafor­mas dig­i­tais, Cal­ef­fi aler­ta que os próprios famil­iares podem colocá-las em risco quan­do post­am fotos ou vídeos delas nos próprios per­fis.

“Não são redes soci­ais, são redes de comér­cio. Tudo que está lá é para vender. A gente tem que perder essa ideia ingênua de que a rede social é um álbum de foto”, diz.

“Algo que é bacana, até sagra­do para mui­ta gente, é ero­ti­za­do por out­ras pes­soas. Então você tem que imag­i­nar que quan­do você colo­ca uma imagem em um local vis­i­ta­do por bil­hões de pes­soas e por muitos, muitos crim­i­nosos, aqui­lo pode ser tira­do facil­mente do con­tex­to”, acres­cen­tou.

Isso deve ser lev­a­do em con­sid­er­ação por qual­quer pes­soa que deci­da divul­gar a imagem de uma cri­ança. “Ao divul­gar con­teú­do com cri­anças e ado­les­centes, primeiro você tem que garan­tir que você é o respon­sáv­el legal por essa cri­ança. Se eu sou avó, eu não sou respon­sáv­el legal por essa cri­ança. Se eu sou tio, eu não sou respon­sáv­el legal. Se eu sou o pro­fes­sor, eu tam­bém não sou”, ori­en­ta.

Para Cal­ef­fi, “ninguém, fora os respon­sáveis legais pela cri­ança, pode decidir se essa cri­ança terá qual­quer imagem expos­ta ness­es ambi­entes com­er­ci­ais que são as platafor­mas dig­i­tais”, ressalta.

No enten­der da ativista, qual­quer con­ta que ten­ha ima­gens de cri­anças ou ado­les­centes, mes­mo que seja de um adul­to divul­gan­do as fotos do fil­ho, deve ser fecha­da. Isso fará com que ape­nas pes­soas autor­izadas pos­sam ter aces­so aos con­teú­dos.

Adultização dentro e fora das redes

As denún­cias de Fel­ca evi­den­cia­ram tam­bém o papel das redes para a chama­da adul­ti­za­ção de cri­anças, ou seja, cri­anças e ado­les­centes colo­ca­dos em con­tex­tos de adul­tos. Segun­do Cal­ef­fi, isso ocorre nas redes e tam­bém fora delas e podem causar enormes danos psi­cológi­cos.

“Muitas coisas adul­ti­zam a cri­ança e podem faz­er pare­cer que a sex­u­al­iza­ção pre­coce é algo comum. Roupas muito ousadas para a idade, cri­anças usan­do maquiagem, usan­do ele­men­tos que são de adul­tos. Muitas cri­anças peque­nas estão se maquian­do, a gente tem prob­le­mas de cri­anças com 9, 10 anos fazen­do dieta. Cri­anças de 4 anos insat­is­feitas com o próprio cor­po. Onde é que ela está ven­do isso?”, inda­ga.

Para além da exposição na inter­net, a mod­er­ação dos respon­sáveis sobre o que é aces­sa­do é fun­da­men­tal para que não se ten­ha con­ta­to a con­teú­dos que pos­sam ser danosos à for­mação.

“Os pais podem tam­bém, além de ter uma con­ver­sa muito fran­ca com as cri­anças sobre quais são os peri­gos, quais são os riscos, com­bi­nar que vai olhar o que está fazen­do no grupo do What­sApp, com quem está con­ver­san­do. Pode tam­bém baixar um aplica­ti­vo de medi­ação parental”, recomen­da.

Con­forme Cal­ef­fi, esse tipo de aplica­ti­vo per­mite, por exem­p­lo, que os respon­sáveis con­trolem o tem­po que cri­anças e ado­les­centes pas­sam diante da tela, per­mitem o ras­trea­men­to da local­iza­ção deles e pro­duzem relatórios do que estão aces­san­do nos dis­pos­i­tivos eletrôni­cos.

Além das famílias

A pro­fes­so­ra asso­ci­a­da do Depar­ta­men­to de Psi­colo­gia da Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Ceará (UFC) Vlá­dia Jucá, desta­ca que além do papel das famílias, o cuida­do das cri­anças e ado­les­centes cabe ao poder públi­co e à sociedade em ger­al, como está pre­vi­so em lei, no Estatu­to da Cri­ança e do Ado­les­cente (ECA).

“A gente tem um con­jun­to de setores e de equipa­men­tos que, artic­u­la­dos, com­põem a Rede de Assistên­cia e de Pro­teção a Cri­anças e Ado­les­centes. Essa rede, tan­to tem uma função pro­te­ti­va e de atu­ação antes da cri­ança e do ado­les­cente se encon­trar em uma situ­ação de risco, como tam­bém pode ser aciona­da quan­do já está numa situ­ação de risco”, ressalta Jucá, que é uma das autoras do Guia para a artic­u­lação entre as esco­las e a Rede de Pro­teção à Cri­ança e ao Ado­les­cente.

Brasília (DF), 14/08/2025- A professora associada do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Ceará (UFC) Vládia Jucá fala sobre perfis fechados e controle do uso do celular; veja dicas para proteger crianças nas redes. Foto: Vládia Jucá/Arquivo Pessoal
Repro­dução: Brasília (DF), 14/08/2025- A pro­fes­so­ra asso­ci­a­da do Depar­ta­men­to de Psi­colo­gia da Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Ceará (UFC) Vlá­dia Jucá con­sid­era impor­tante autori­dades públi­cas e a sociedade civ­il atu­arem em con­jun­to para garan­tir a pro­teção das cri­anças e ado­les­centes. Foto: Vlá­dia Jucá/Arquivo Pes­soal — Vlá­dia Jucá/Arquivo Pes­soal

Essa rede envolve esco­las – onde as cri­anças pas­sam grande parte do tem­po -, equipa­men­tos de saúde, de assistên­cia social, Justiça, Min­istério Públi­co, entre out­ros. Todos eles devem atu­ar em con­jun­to para garan­tir a pro­teção das cri­anças e ado­les­centes. Ou seja, caso a esco­la iden­ti­fique a cri­ança está pas­san­do por algum prob­le­ma, a assistên­cia social deve estar pronta para acom­pan­har o caso, assim como a Justiça, se for necessário.

Ela expli­ca que as redes de assistên­cia devem atu­ar onde as cri­anças e ado­les­centes estão, onde estu­dam, onde brin­cam, onde cir­cu­lam e isso inclui a atu­ação na inter­net. “Inclu­sive aju­dan­do as famílias, no sen­ti­do de faz­er com que as famílias pos­sam enten­der o que é esse espaço vir­tu­al, que muitas vezes é uti­liza­do pelas famílias como um espaço de ‘olha como meu fil­ho é lin­do, né? Olha como meu fil­ho é sábio’, como se fos­se assim um álbum de retratos. Sem uma noção exa­ta de que aqui­lo ali cai no domínio públi­co e que essas ima­gens podem ser uti­lizadas das mais diver­sas for­mas”, diz.

Espaços de escuta

Segun­do a pro­fes­so­ra, além de reg­u­lar a atu­ação das próprias platafor­mas dig­i­tais, empre­sas de tec­nolo­gia e redes soci­ais, o país pre­cisa for­t­ale­cer as redes de assistên­cia e os equipa­men­tos públi­cos, que enfrentam, muitas vezes, fal­ta de infraestru­tu­ra e carên­cia de profis­sion­ais.

A gente ain­da pre­cisa cam­in­har, e isso é para ontem, com essa reg­u­lação das redes, das big techs, das platafor­mas. Mas não descon­sid­er­ar, nem perder de vista, que a edu­cação tem um lugar impor­tante, que a saúde tem um lugar impor­tante e todos ess­es equipa­men­tos onde cri­anças e ado­les­centes cir­cu­lam, são escu­ta­dos, onde se fala com eles, todos ess­es espaços são espaços de con­strução dessa pro­teção inte­gral”, diz.

»Câmara vai pau­tar pro­je­to con­tra ‘adul­ti­za­ção’ de cri­anças nas redes

Ela ressalta ain­da que, em todos ess­es ambi­entes, é pre­ciso escu­tar aten­ta­mente as cri­anças e ado­les­centes, até mes­mo para que se pos­sa iden­ti­ficar se estão pas­san­do por algum prob­le­ma, por algu­ma situ­ação de vio­lên­cia.

“Eu tra­bal­ho muito com a ado­les­cente. E uma coisa que os ado­les­centes falam muito é o quan­to eles são pouco escu­ta­dos”.

Denúncias

Para denun­ciar situ­ações de abu­so ou explo­ração de cri­anças e ado­les­centes, além de out­ras vio­lações dos dire­itos humanos, ligue 100 de tele­fones fixos ou celu­lares. O Disque 100 é um serviço tele­fôni­co gra­tu­ito, disponív­el 24 horas por dia.

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