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Black Friday deve movimentar R$ 5,4 bilhões no comércio do país

Maior fatia ficará com hiper e supermercados, prevê CNC

Bruno de Fre­itas Moura — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 19/11/2025 — 17:46
Rio de Janeiro
São Paulo, (SP), 22.11.2023 - Fachada de lojas na Avenida Paulista com ofertas da Black Friday. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Repro­duão: © Paulo Pinto/Agência Brasil

O comér­cio deve rece­ber vol­ume recorde de R$ 5,4 bil­hões com a Black Fri­day deste ano, tem­po­ra­da de com­pras que terá como mar­co a sex­ta-feira da próx­i­ma sem­ana (28). A esti­ma­ti­va é da Con­fed­er­ação Nacional do Comér­cio de Bens, Serviços e Tur­is­mo (CNC).

A pro­jeção da CNC rep­re­sen­ta cresci­men­to de 2,4% em com­para­ção com o ano pas­sa­do (R$ 5,27 bil­hões), já descon­ta­da a inflação do perío­do.

O econ­o­mista-chefe da CNC, Fabio Bentes, expli­cou à Agên­cia Brasil que a pesquisa não se ref­ere a um dia especí­fi­co, mas ao impacto ao lon­go do mês de novem­bro. “Isso é uma car­ac­terís­ti­ca da Black Fri­day brasileira”, diz.

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A Black Fri­day já é a quin­ta data mais impor­tante para o comér­cio, fican­do atrás do Natal, Dia das Mães, Dia das Cri­anças e Dia dos Pais.

Os setores que podem ter maiores ven­das são:

  • hiper e super­me­r­ca­dos: R$ 1,32 bil­hão
  • eletroeletrôni­cos e util­i­dades domés­ti­cas: R$ 1,24 bil­hão
  • móveis e eletrodomés­ti­cos: R$ 1,15 bil­hão
  • ves­tuário, calça­dos e acessórios: R$ 950 mil­hões
  • far­má­cias, per­fumarias e cos­méti­cos: R$ 380 mil­hões
  • livrarias, papelar­ias, infor­máti­ca e comu­ni­cação: R$ 360 mil­hões

Influências

Ao apon­tar motivos para o vol­ume recorde, a CNC lem­bra que a econo­mia brasileira tem viven­ci­a­do desval­oriza­ção do dólar (que deixa pro­du­tos impor­ta­dos mais baratos), per­da de força da inflação e cresci­men­to de emprego e ren­da média do tra­bal­hador.

A taxa de desem­prego no país alcançou 5,6% no trimestre encer­ra­do em setem­bro, o nív­el mais baixo já apu­ra­do pela série históri­ca do Insti­tu­to Brasileiro de Geografia e Estatís­ti­ca (IBGE), ini­ci­a­da em 2002.

Por out­ro lado, a CNC apon­ta fatores que impe­dem um cresci­men­to ain­da maior nas ven­das: o nív­el ele­va­do dos juros e o pata­mar de famílias endi­vi­dadas.

O estu­do cita um lev­an­ta­men­to do Ban­co Cen­tral que apon­ta taxa média de juros das oper­ações de crédi­tos livres des­ti­nadas às pes­soas físi­cas em 58,3% ao ano, maior nív­el para essa época do ano des­de 2017.

Em relação ao endi­vi­da­men­to, a enti­dade rep­re­sen­ta­ti­va do comér­cio cita pesquisa própria que mostra 30,5% das famílias com con­tas em atra­so.

Out­ro fator que pesa con­tra é a con­cor­rên­cia com o setor exter­no, por meio de impor­tações. Ou seja, pes­soas que pref­er­em com­prar de lojas estrangeiras.

Descontos

A CNC fez um acom­pan­hamen­to diário de 150 preços de itens de 30 cat­e­go­rias para medir os descon­tos médios. O lev­an­ta­men­to apon­ta que 70% delas rev­e­laram “ele­va­do poten­cial de redução”, quan­do o preço já acusa­va tendên­cia de que­da supe­ri­or a 5%.

Os maiores descon­tos ficaram com as seguintes cat­e­go­rias:

  • Papelar­ia: 10,14%
  • Livros: 9,02%
  • Joias e Biju­te­rias: 9,01%
  • Per­fumaria: 8,20%
  • Util­i­dades Domés­ti­cas: 8,18%
  • Higiene Pes­soal: 8,11%
  • Moda: 7,82%
  • História

A Black Fri­day brasileira é inspi­ra­da na tradi­cional queima de esto­ques real­iza­da pelos com­er­ciantes dos Esta­dos Unidos após a cel­e­bração do Dia de Ação de Graças, feri­ado amer­i­cano comem­o­ra­do sem­pre na últi­ma quin­ta-feira de novem­bro.

Em 2010, segun­do a CNC, a movi­men­tação foi de R$ 1,52 bil­hão. À época, ape­nas os seg­men­tos de móveis e eletrodomés­ti­cos, livrarias e papelar­ias e as lojas de util­i­dades domés­ti­cas e eletroeletrôni­cos estavam envolvi­dos com o even­to.

Cuidados

A tem­po­ra­da de pro­moções e ape­lo de ven­das é acom­pan­ha­da por armadil­has de golpis­tas e frau­dadores, o que exige atenção dos con­sum­i­dores.

A Sec­re­taria Nacional do Con­sum­i­dor (Sena­con), vin­cu­la­da ao Min­istério da Justiça e Segu­rança Públi­ca, disponi­bi­liza um guia para diminuir a chance de ser engana­do.

Confira algumas orientações:

  • Descon­fie de descon­tos irreais: pro­moções podem escon­der preços infla­dos pre­vi­a­mente. É pos­sív­el acom­pan­har e com­parar os val­ores dos pro­du­tos dese­ja­dos ao lon­go do tem­po, usan­do fer­ra­men­tas on-line
  • Cheque a rep­utação da loja: espe­cial­mente em platafor­mas descon­heci­das, pesquise em sites de recla­mações
  • Atenção à entre­ga e aos reem­bol­sos: ver­i­fique os pra­zos e políti­cas antes de fechar a com­pra
  •  Pre­fi­ra sites seguros: veja se o endereço começa com “https” e se há um cadea­do ao lado do URL (endereço vir­tu­al)
  • Dire­ito de arrependi­men­to: com­pras on-line têm até sete dias para arrependi­men­to com reem­bol­so total
  • Caso sus­peite de pro­pa­gan­da enganosa ou se sin­ta lesa­do em uma com­pra, denun­cie no por­tal consumidor.gov.br ou no Pro­con do seu esta­do

Golpe por IA

Uma pesquisa recente pub­li­ca­da pelo site Reclame Aqui apon­tou que 63% dos con­sum­i­dores não con­seguem iden­ti­ficar golpes com inteligên­cia arti­fi­cial (IA).

O escritório Baptis​ta Luz Advo­ga­dos, par­ceiro do site, apon­tou alguns cam­in­hos que aju­dam a iden­ti­ficar pos­síveis golpes elab­o­radas por IA:

  • Vídeos e vozes arti­fi­ci­ais, falas descom­pas­sadas, pis­cadas fora de rit­mo ou vozes com enton­ação robóti­ca
  • Anún­cios com cele­bri­dades ou influ­en­ci­adores em con­tex­tos inco­muns: quan­do o ros­to ou a voz de uma pes­soa famosa aparece pro­moven­do algo que ela nun­ca divul­gou ofi­cial­mente, por exem­p­lo
  • Men­sagens muito for­mais, com fras­es repet­i­ti­vas ou erros sutis de con­cordân­cia e pon­tu­ação
  • Per­fis fal­sos com aparên­cia profis­sion­al, con­tas recém-cri­adas em redes soci­ais, sem históri­co de posta­gens ou com comen­tários autom­a­ti­za­dos
  • Ima­gens ou logoti­pos dis­tor­ci­dos: a IA ain­da fal­ha em pequenos detal­h­es, logos ligeira­mente difer­entes, som­bras inco­er­entes, mãos ou obje­tos com pro­porções estra­nhas em ima­gens pro­mo­cionais são pis­tas de manip­u­lação dig­i­tal
  • Comu­ni­cações que sim­u­lam atendi­men­to humano: chats, e‑mails ou men­sagens com aten­dentes que pare­cem reais, mas respon­dem de for­ma genéri­ca.
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