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Festival de música brasileira promove mais de 300 shows em todo país

Artistas fazem shows de encerramento em Paraty

Cami­la Boehm — Repórter da Agên­cia Brasil*
Pub­li­ca­do em 28/11/2025 — 19:37
Paraty (RJ)
Mãe Beth de Oxum. Festival de Comunicação, Culturas e Jornalismo de Causas. Foto: Divulgação
Repro­dução: © Divul­gação

O fes­ti­val de músi­ca brasileira Sono­ra Brasil encer­ra sua 27ª edição na cidade de Paraty (RJ), com shows gra­tu­itos até domin­go (30). Recon­heci­da como Patrimônio Vivo em Per­nam­bu­co, a per­cus­sion­ista Mãe Beth de Oxum cele­brou a ances­tral­i­dade negra e a diver­si­dade cul­tur­al do país durante apre­sen­tação, na últi­ma quar­ta-feira (26), ao lado da can­to­ra líri­ca Sura­ma Ramos e do mae­stro e mul­ti-instru­men­tista Hen­rique Albi­no.

Pro­movi­do pelo Sesc, o pro­je­to Sono­ra Brasil per­corre o país levan­do uma com­bi­nação de artis­tas ou gru­pos de difer­entes tendên­cias musi­cais que rep­re­sen­tam a diver­si­dade region­al da músi­ca brasileira. No biênio 2024–2025, cir­cu­laram pelo Brasil dez dessas com­bi­nações de artis­tas, fru­to de uma curado­ria do Sesc. Eles apre­sen­taram shows inédi­tos, mis­tu­ran­do refer­ên­cias, esti­los e instru­men­tos, nas cin­co regiões do país.

“Os teatros lota­dos. As pes­soas vin­ham para os shows da cul­tura pop­u­lar. Essa é uma pos­si­bil­i­dade da gente ‘desescon­der’, descorti­nar nos­sa cul­tura, que é uma cul­tura sec­u­lar. A zabum­ba que eu esta­va tocan­do ontem tem mais de 100 anos, foi dos bisavós. Isso é memória. Isso é a ances­tral­i­dade. No entan­to, essa músi­ca não é vista, não é con­heci­da”, disse Mãe Beth de Oxum, em entre­vista à Agên­cia Brasil.

O show que resul­tou do encon­tro da dupla Sura­ma e Hen­rique com Mãe Beth de Oxum e sua família lev­ou o nome de Ape­jó, que sig­nifi­ca “encon­tro” em Iorubá. “É o encon­tro da músi­ca de uma can­to­ra líri­ca com um mae­stro e os tam­bores ances­trais da min­ha casa. É o encon­tro de uma mul­her negra que vem da igre­ja — que já recon­heceu todos seus val­ores a par­tir da uni­ver­si­dade — comi­go, uma mul­her que me recon­heço negra no ter­reiro”, con­tou Mãe Beth.

Jun­to da fil­ha Alice Ialodê e do mari­do Mestre Quin­ho, Mãe Beth trouxe para o fes­ti­val o coco de umbi­ga­da, uma man­i­fes­tação do tradi­cional coco de roda, que gan­hou novos arran­jos e as vozes de Sura­ma e Hen­rique. A dupla, por sua vez, trouxe com­posições próprias, que incor­po­raram a per­cussão do coco de umbi­ga­da.

Para Mãe Beth, o país pre­cisa de pro­je­tos como esse, que pos­sam mostrar a beleza, a força e a diver­si­dade da cul­tura brasileira. “Prin­ci­pal­mente a cul­tura negra, a cul­tura das tradições, dos ter­reiros de matriz africana e afro-indí­ge­nas no nos­so país. E tam­bém traz­er a músi­ca ances­tral, a músi­ca da min­ha família, que é a músi­ca do coco de roda, [jun­to a] essa músi­ca con­tem­porânea, da uni­ver­si­dade, de orques­tras, com os arran­jos.”

“A gente, de fato, tem certeza que é uma sonori­dade nova per­nam­bu­cana, porque nun­ca hou­ve uma mis­tu­ra de coco de umbi­ga­da com músi­ca eletrôni­ca e com har­mo­nias. Então a gente sabe que rev­olu­cio­nou nesse tem­po de cri­ação do nos­so espetácu­lo Ape­jó”, cele­brou Sura­ma Ramos.

A can­to­ra, que entre seus tra­bal­hos tem um duo for­ma­do com Hen­rique Albi­no, disse que o encon­tro com Mãe Beth de Oxum surgiu como uma for­ma de se reconec­tar com sua ances­tral­i­dade.

“Tudo que eu não fui ensi­na­da reli­giosa­mente na infân­cia por uma família que me negou tudo de cul­tura afro-brasileira, Mãe Beth vem e me pre­sen­teia.”

Tempos e Territórios

Uma das respon­sáveis pelo fes­ti­val e anal­ista de músi­ca do Depar­ta­men­to Nacional do Sesc, Rena­ta Pimen­ta expli­cou que o tema da edição deste ano — Encon­tros, tem­pos e ter­ritórios — teve o obje­ti­vo de reunir difer­entes ger­ações de artis­tas e que dividis­sem o mes­mo esta­do. 

“Os tem­pos difer­entes que é a coisa das ger­ações. Mas o ter­ritório, que foi o mais inter­es­sante, porque em alguns encon­tros a gente tem uma ter­ri­to­ri­al­i­dade com­ple­ta­mente difer­ente, vin­do da mes­ma cidade às vezes”, ressaltou Rena­ta.

No even­to de encer­ra­men­to, em Paraty, hou­ve ain­da o lança­men­to da série doc­u­men­tal Sono­ra Brasil — Encon­tros, Tem­pos e Ter­ritórios, pro­duzi­da pelo SescTV. Cada episó­dio mostra um dess­es encon­tros de artis­tas que o pro­je­to Sono­ra Brasil prop­i­ciou. Eles pud­er­am con­tar um pouco da tra­jetória na músi­ca e o que os lev­ou para o pal­co do fes­ti­val. Os episó­dios da série estão disponíveis no Sesc Dig­i­tal, com aces­so gra­tu­ito.

“Em out­ros anos, a gente fez muito back­stage [basti­dores]. Esse ano a gente quis faz­er de uma maneira mais poéti­ca mes­mo, [ques­tio­nan­do] ‘o que te guia? O que te dá von­tade de tocar? O que te liga com a músi­ca?’ No sen­ti­do de [enten­der] qual foi o cam­in­ho que [o artista] fez para chegar até aqui nesse pal­co”, disse Rena­ta.

No biênio 2024–2025, perío­do des­ta 27ª edição, foram mais de 300 apre­sen­tações musi­cais em cer­ca de 70 cidades do país. Ela con­tou que a logís­ti­ca na região Norte do país foi um dos ele­men­tos desafi­adores do pro­je­to, mas trans­por essa difi­cul­dade é jus­ta­mente um dos obje­tivos do fes­ti­val.

“É difí­cil não citar o Norte nesse sen­ti­do de cir­cu­lação, porque a gente vê na pele o quan­to a nos­sa infraestru­tu­ra de trans­porte [no país] é com­plexa. É super desafi­ador, então não tem mui­ta gente fazen­do”, disse Rena­ta, acres­cen­tan­do que, em um mod­e­lo de cir­cuito com­er­cial, esse pro­je­to não exi­s­tiria. “Ele existe numa lóg­i­ca de uma empre­sa que é social e que val­oriza a cul­tura.”

Para o mul­ti-instru­men­tista Hen­rique Albi­no, via­jar pelo Brasil se apre­sen­tan­do é uma das mel­hores coisas que exis­tem enquan­to artista.

“Porque o Brasil é um país tão diver­so, tão gigan­tesco e parece que são vários Bra­sis que a gente vai con­hecen­do.”

“Quan­do a gente se apre­sen­ta nos lugares, a gente faz uma relação com o públi­co, que foi uma das coisas mais incríveis. Todo mun­do tem um pez­in­ho em Olin­da. Em todos os shows, a gente per­gun­ta­va: ‘Alguém aqui já foi para Olin­da?’ Sem­pre lev­an­ta­va a mão um monte de gente”, con­tou.

Em relação a desen­volver out­ros pro­je­tos em parce­ria com Mãe Beth, ele con­ta que já con­vi­dou a per­cus­sion­ista para inter­pre­tar e com­por em seu novo dis­co. Além dis­so, eles pre­ten­dem gravar um dis­co do espetácu­lo mon­ta­do espe­cial­mente para o Sono­ra Brasil, e que teve boa reper­cussão nas apre­sen­tações. “Ago­ra a gente colou e não desco­la mais, não”, disse.

Os shows de encer­ra­men­to ocor­rem no Sesc Caborê, em Paraty (RJ), até domin­go (30), com entra­da gra­tui­ta.

Sex­ta-feira (28/11)

18h — Exibição de episó­dio da série doc­u­men­tal sobre Mestre Negoa­t­i­vo & Dou­glas Din (MG)

19h — Apre­sen­tação musi­cal Mestre Negoa­t­i­vo (MG)

Sába­do (29/11)

10h — Roda de con­ver­sa com artis­tas Manoel Cordeiro, Felipe Cordeiro e grupo Mundiá Carim­bó

18h- Exibição de episó­dio da série doc­u­men­tal sobre Ger­al­do Espín­dola & Marce­lo Loureiro (MS)

19h- Apre­sen­tação musi­cal Ger­al­do Espín­dola & Marce­lo Loureiro (MS)

Domin­go (30/11)

16h — Exibição de episó­dio da série doc­u­men­tal sobre Manoel Cordeiro & Felipe Cordeiro (PA)

17h — Apre­sen­tação musi­cal Manoel Cordeiro & Felipe Cordeiro (PA)

18h30 — Apre­sen­tação musi­cal Mundiá com par­tic­i­pação de Manoel Cordeiro (PA)

*A repórter via­jou a con­vite do Sesc

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