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Agosto Dourado: amamentação previne doenças da infância

Profissionais de saúde orientam sobre amamentação na Semana Mundial de Aleitamento Materno, no Palácio do Catete.
Repro­dução: © Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Iniciativa, da OMS e o Unicef, simboliza luta pelo incentivo à prática


Pub­li­ca­do em 15/08/2021 — 11:49 Por Lud­mil­la Souza — Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

Con­sid­er­a­do o ali­men­to mais com­ple­to para os bebês, o leite mater­no sacia a fome, con­tribui para a mel­ho­ra nutri­cional, reduz a chance de obesi­dade, hiperten­são e dia­betes, diminui os riscos de infecções e aler­gias, além de provo­car um efeito pos­i­ti­vo na inteligên­cia e no vín­cu­lo entre mãe e bebê.

O leite mater­no é reple­to de anti­cor­pos, fun­da­men­tais para a saúde e a resistên­cia do bebê a doenças, por isso é fun­da­men­tal que a cri­ança o rece­ba como úni­ca fonte de ali­men­to até os seis meses. Espe­cial­is­tas, no entan­to, sug­erem que ele deve con­tin­uar até os dois anos ou mais, ou seja, não há lim­ite de idade para a ama­men­tação.

A importân­cia da ama­men­tação para o pleno desen­volvi­men­to das cri­anças é tema da cam­pan­ha Agos­to Doura­do, cri­a­da em 1992 pela Orga­ni­za­ção Mundi­al da Saúde (OMS) em parce­ria com o Fun­do das Nações Unidas para a Infân­cia (Unicef).

O Agos­to Doura­do sim­boliza a luta pelo incen­ti­vo à ama­men­tação – a cor doura­da está rela­ciona­da ao padrão ouro de qual­i­dade do leite mater­no. De acor­do com a OMS e o Unicef, cer­ca de 6 mil­hões de vidas são sal­vas anual­mente por causa do aumen­to das taxas de ama­men­tação exclu­si­va até o sex­to mês de idade.

O Min­istério da Saúde man­tém este mês a cam­pan­ha “Todos pela ama­men­tação. É pro­teção para a vida inteira”. O even­to ocorre anual­mente em parce­ria com a Sociedade Brasileira de Pedi­a­tria (SBP).

Os bene­fí­cios do aleita­men­to mater­no são inúmeros, no entan­to, segun­do a OMS, ape­nas 39% dos bebês brasileiros são ama­men­ta­dos com exclu­sivi­dade até os cin­co meses de vida.

Mes­mo com a intro­dução da ali­men­tação com­ple­men­tar após o sex­to mês, a ama­men­tação e o leite mater­no con­tin­u­am a ter van­ta­gens para a cri­ança e para a família, diz o pedi­atra Rober­to Mário Issler, mem­bro do Depar­ta­men­to Cien­tí­fi­co de Aleita­men­to Mater­no da SBP e pro­fes­sor de Pedi­a­tria da Fac­ul­dade de Med­i­c­i­na da Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio Grande do Sul (UFRGS).

“Para muitas cri­anças, é uma impor­tante e sig­ni­fica­ti­va fonte de nutri­entes, espe­cial­mente na fal­ta de out­ros ali­men­tos para serem ofer­ta­dos; tem ain­da efeitos pro­te­tores con­tra infecções mais comuns, como a diar­reia e a infecção res­pi­ratória, além de min­i­mizar o risco de aler­gias e obesi­dade. É muito mais práti­co e tem menor cus­to, além de pro­mover o con­ta­to mais ínti­mo entre mãe e fil­ho”.

Para a cri­ança, o aleita­men­to mater­no pro­move menor prevalên­cia de doenças infec­ciosas como otite, pneu­mo­nia, gas­troen­terite. Os efeitos a médio e lon­go pra­zo para a saúde da cri­ança ama­men­ta­da são a menor prevalên­cia de obesi­dade, dis­lipi­demias, doenças alér­gi­cas.

“É um ali­men­to especí­fi­co, com todos os nutri­entes, pro­teí­nas, fatores de pro­teção imunológ­i­ca, gor­du­ra e micronu­tri­entes. Pesquisas mais recentes têm mostra­do que existe quase uma uni­ci­dade entre o leite da mãe e a cri­ança, ou seja, tra­ta-se de uma secreção quase que per­son­al­iza­da indi­vid­ual­mente em seus com­po­nentes. A mul­her que ama­men­ta tem menor prevalên­cia de câncer de mama e de ovário. Ofer­ece uma série de estí­mu­los sen­so­ri­ais pelo con­ta­to entre mãe e fil­ho, com efeitos na for­mação de vín­cu­los afe­tivos entre os dois”, reforça o pedi­atra.

Entre tan­tos profis­sion­ais que atu­am na pro­moção, pro­teção e apoio ao aleita­men­to mater­no, os pedi­atras têm papel fun­da­men­tal pela sua atu­ação dire­ta­mente com a dupla mãe-cri­ança.

A SBP, com a par­tic­i­pação ati­va do Depar­ta­men­to Cien­tí­fi­co de Aleita­men­to Mater­no, tem bus­ca­do pro­por­cionar aos pedi­atras infor­mações atu­al­izadas para qual­i­ficar o atendi­men­to às mães, seus fil­hos e suas famílias. “Essa atu­ação ocorre em diver­sos momen­tos: na con­sul­ta pediátri­ca de pré-natal, no atendi­men­to em sala de par­to, pro­por­cio­nan­do o con­ta­to pele a pele na primeira hora pós-par­to — quan­do a mãe e a cri­ança apre­sen­tam condições sat­is­fatórias para isso —  depois, no acom­pan­hamen­to no alo­ja­men­to con­jun­to e, após a alta da mater­nidade, nas con­sul­tas de puer­i­cul­tura nos primeiros anos de vida”, afir­ma Issler.

Desafio

A ama­men­tação é impor­tante, porém pode ser um desafio. As espe­cial­is­tas aler­tam que, ape­sar das difi­cul­dades que podem ocor­rer, é pre­ciso insi­s­tir o tem­po que for necessário para que se crie esse vín­cu­lo entre mãe e fil­ho e a ama­men­tação acon­teça.

Um dos pas­sos fun­da­men­tais para ter suces­so na ama­men­tação é estar bem infor­ma­da e cri­ar uma rede de apoio, acon­sel­ha a gine­col­o­gista e obste­tra Lau­ra Pen­tea­do, dire­to­ra da Theia, clin­i­ca de saúde cen­tra­da na mul­her ges­tante. “Pesquise sobre os bene­fí­cios, as téc­ni­cas e difi­cul­dades fre­quentes da ama­men­tação. Tire suas dúvi­das durante o pré-natal, con­sulte profis­sion­ais espe­cial­iza­dos e peça aju­da a ami­gos e famil­iares”.

Ela tam­bém sug­ere à ges­tante se preparar, con­hecen­do seu próprio cor­po. “Obser­var como é seu seio, sua aréo­la e prin­ci­pal­mente seu mami­lo: pro­tu­so, plano ou inver­tido. Mami­los inver­tidos podem difi­cul­tar a ama­men­tação, então con­verse com sua médi­ca ou con­sul­to­ra de ama­men­tação e sai­ba o que faz­er para gan­har mais bico”.

Out­ra ori­en­tação é não hidratar os mami­los. “Cremes hidratantes podem afi­nar a pele dos mami­los e facil­i­tar fis­sur­as”, afir­ma a médi­ca, que com­ple­ta. “Tome ban­ho de sol: O sol aju­da a tornar a pele do mami­lo um pouco mais espes­sa e previne fis­sur­as. Tome dez  min­u­tos por dia, das 8h às 10h, para evi­tar tem­per­at­uras ele­vadas e não causar queimaduras”.  Escol­ha um sutiã ade­qua­do, acres­cen­ta. “Uma boa sus­ten­tação mamária reduz o inchaço das mamas, pro­move maior con­for­to e diminui a mastal­gia (dor mamária)”.

Um mito comum é sobre o “leite fra­co”. “Não existe leite fra­co. Até o leite de mul­heres desnu­tri­das con­tém o essen­cial para o desen­volvi­men­to do bebê. Mas, para mel­hor qual­i­dade do leite, o recomen­da­do é que a mãe ten­ha uma ali­men­tação saudáv­el e equi­li­bra­da. Ela não deve ingerir bebi­da alcoóli­ca e deve con­ver­sar com sua médi­ca sobre medica­men­tos de uso con­tín­uo, se podem pas­sar para o leite e se devem ser sub­sti­tuí­dos”, afir­ma a gine­col­o­gista.

Tipos de leite materno

O colostro é o primeiro leite, ele é rico em anti­cor­pos e é fun­da­men­tal para o sis­tema imunológi­co do bebê, pro­duzi­do em peque­na quan­ti­dade, mas alta­mente nutri­ti­vo.

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Repro­dução: Fas­es da ama­men­tação — Daniel Dresch/ Arte Agên­cia Brasil

Leite de tran­sição: da apo­jadu­ra (desci­da do leite) e até 15 dias após o par­to. Há um aumen­to da pro­dução e maior teor de gor­du­ra. Leite maduro: apre­sen­ta difer­entes car­ac­terís­ti­cas ao lon­go da mama­da e pos­sui vit­a­m­i­nas, min­erais e pro­teí­nas essen­ci­ais.

Um mito anti­go é que alguns ali­men­tos aju­dam a aumen­tar o leite. A médi­ca, no entan­to, afir­ma que não. “Nen­hum ali­men­to irá aumen­tar os hor­mônios rela­ciona­dos com a pro­dução e ejeção do leite. O que real­mente estim­u­la a pro­dução é a sucção do bebê: quan­to maior a fre­quên­cia maior a pro­dução hor­mon­al”.

A mãe tam­bém deve faz­er a hidratação mater­na ade­qua­da: o leite mater­no é rico em água e a desidratação ou baixa ingestão de líqui­dos pode inter­ferir na quan­ti­dade de leite a ser pro­duzi­da. O des­can­so mater­no e o ambi­ente cal­mo tam­bém con­tribuem para a ama­men­tação. “O estresse pode reduzir os hor­mônios respon­sáveis pela pro­dução e ejeção do leite. A rede de apoio é impor­tante, a mãe deve cer­car-se de pes­soas que incen­ti­vam a ama­men­tação”.

Rede de apoio

A con­sul­to­ra de ama­men­tação da Theia, Aman­da Sena, expli­ca o papel da rede de apoio. “A ama­men­tação leva um tem­po para se esta­b­ele­cer — para que a mul­her con­si­ga se envolver e se dedicar ao proces­so sem pre­ocu­pações desnecessárias, ter pes­soas com ela real­izan­do out­ras tare­fas da casa, aux­il­ian­do nos cuida­dos com o bebê e cuidan­do tam­bém da mul­her, apoian­do e incen­ti­van­do a ama­men­tação e até mes­mo afa­s­tan­do pes­soas com comen­tários inde­se­ja­dos. Tudo isso aju­dará a blindar a ama­men­tação para que ela con­si­ga alcançar seus obje­tivos”.

A recomen­dação de enti­dades e espe­cial­is­tas é o aleita­men­to mater­no exclu­si­vo por seis meses e com­ple­men­ta­do até os dois anos ou mais. Mas, na opinião da con­sul­to­ra, até um ano de idade o leite humano é o prin­ci­pal ali­men­to do bebê, a ali­men­tação sól­i­da é que é com­ple­men­tar nesse perío­do.

“Tan­to que é comum perce­ber ali­men­tos inteiros nas fezes do bebê, ou seja, seu organ­is­mo ain­da não con­segue digerir aque­le ali­men­to para usar os nutri­entes. Após esse perío­do, emb­o­ra a cri­ança já pos­sa estar acei­tan­do bem a comi­da sól­i­da, o leite humano ain­da é impor­tante fonte de ali­men­to, fornecen­do nutri­entes e ener­gias de fácil absorção”, obser­va a con­sul­to­ra.

Ela cita os anti­cor­pos que con­tin­u­am pas­san­do da mãe para o fil­ho, aju­dan­do na pre­venção de infecções. “O cor­po da mul­her con­tin­ua pro­duzin­do um leite nutri­ti­vo durante toda a ama­men­tação, ele nun­ca será só água. Assim, a ama­men­tação pro­lon­ga­da vai ser uma exce­lente fonte de ener­gia, nutri­entes e pro­teção para a cri­ança, e tam­bém uma con­tinuidade da relação mãe-bebê. Não há motivos para indicar o des­mame quan­do mãe e cri­ança estão bem e felizes”, defende Aman­da.

Bebês de alta complexidade

A pre­sença do leite mater­no na recu­per­ação da Luísa, de 2 anos e 4 meses é fun­da­men­tal para a sua recu­per­ação. Ela foi diag­nos­ti­ca­da com  leucemia lin­foide agu­da (LLA) quan­do tin­ha 1 ano e 4 meses, e começou o trata­men­to. Recen­te­mente pre­cisou pas­sar por uma ECMO (téc­ni­ca de suporte de vida extra­cor­po­ral) onde ficou 12 dias no apar­el­ho, 11 na unidade de ter­apia inten­si­va (UTI) e,  mes­mo inter­na­da, rece­bia o leite mater­no. Assim que foi extuba­da, voltou a ama­men­tar.

“O leite foi extraí­do da mãe e pas­sa­do por meio de son­da. A gente viu que real­mente aju­dou bas­tante na recu­per­ação dela e na aceitação das próprias med­icações que pode­ri­am ser feitas por son­da para que aju­dassem no trata­men­to. A gente tin­ha ten­ta­do out­ras dietas e dar somente med­icação pela son­da, sem suces­so. A par­tir do momen­to em que colo­camos o leite da mãe bem deva­gar, jun­to com as med­icações e depois com um pouco da out­ra dieta, vimos que tudo começou a dar cer­to, que ela aceitou as med­icações e depois a out­ra dieta, de for­ma ple­na. Mes­mo ten­do um diag­nós­ti­co tão grave, a pre­sença do leite mater­no na recu­per­ação da Luísa foi fun­da­men­tal”, rela­tou a car­di­ol­o­gista pediátri­ca Rafael­la Gato, dire­to­ra do pro­gra­ma de ECMO do Depar­ta­men­to de Car­di­olo­gia do Sabará Hos­pi­tal Infan­til.

A mãe de Luísa con­ta que insiste no aleita­men­to mater­no porque sabe dos bene­fí­cios. “Sei que mes­mo depois de anos ama­men­tan­do, o leite mater­no não perde suas pro­priedades. Con­tin­uo tam­bém porque, por meio dess­es momen­tos de ama­men­tação, con­struí uma conexão com a min­ha fil­ha muito grande e ela ado­ra esse momen­to só nos­so. Ele foi um grande ali­a­do no trata­men­to, durante e depois de pro­ced­i­men­tos dolori­dos é “maman­do” que min­ha fil­ha encon­tra con­for­to”, disse a enfer­meira de for­mação Nádia Cristi­na Oliveira Lima.

Nádia Cristina Oliveira Lima
Repro­dução: Nádia Cristi­na Oliveira Lima — Nádia Cristi­na Oliveira Lima/Arquivo pes­soal

O apoio emo­cional do mari­do tem sido impor­tante no aleita­men­to da Luísa, rela­ta o bancário Luiz Hen­rique de Souza San­tos. “Nesse proces­so sou coad­ju­vante. Porém, quan­do vejo que está difí­cil para ela, procuro incen­tivá-la, elogiá-la, pro­pon­ho algum pro­gra­ma para que pos­sa se dis­trair, pois sei o quan­to elas gostam desse momen­to e é notáv­el o quan­to o aleita­men­to mater­no faz bem para a Luísa”.

“Todo bebê, mes­mo de alta com­plex­i­dade, está apto a rece­ber o leite mater­no. Por isso, acom­pan­hamos pais e bebês para ajus­tar­mos a mel­hor dinâmi­ca de acor­do com as condições neu­rológ­i­cas, de sucção, gástri­ca e qual a mel­hor via, se é necessário o uso da son­da para que a cri­ança rece­ba o ali­men­to”, expli­ca a coor­de­nado­ra do Setor de Fonoau­di­olo­gia do Sabará Hos­pi­tal Infan­til.

Entre todas as van­ta­gens da ama­men­tação, ela tam­bém pro­por­ciona ao bebê o cresci­men­to e o desen­volvi­men­to da face e das estru­turas oro­fa­ci­ais: lábios, lín­gua, mandíbu­la, boche­chas, garan­ti­n­do sua har­mo­nia como em nen­hum out­ro  uten­sílio para ali­men­tar o bebê, com­ple­tou o fonoaudiólo­ga.

“E, como con­se­quên­cia, a ama­men­tação pode pre­venir dis­funções oro­fa­ci­ais que lev­am  a alter­ações da res­pi­ração, da deg­lu­tição e da fala. Dessa maneira, ao ser expos­to à sucção pro­movi­da pela ama­men­tação, o bebê apre­sen­tará as mel­hores condições para desen­volver futu­ra­mente a masti­gação e a fala, funções que deman­dam o mús­cu­lo muito desen­volvi­do no exer­cí­cio da ama­men­tação”, disse Denise.

Incentivo

Des­de 1981, o Min­istério da Saúde coor­de­na estraté­gias para pro­te­ger e pro­mover a ama­men­tação no Brasil. Segun­do a pas­ta, o país tem 301 hos­pi­tais Ami­gos da Cri­ança que pro­movem dez pas­sos para o suces­so do aleita­men­to mater­no. São repas­sa­dos, por ano, R$ 18,2 mil­hões para as unidades.

Além dis­so, o Brasil tem 222 ban­cos de leite humano e 219 pos­tos de cole­ta. Em 2020, cer­ca de 181 mil mul­heres doaram mais de 226 mil litros de leite mater­no. Neste ano, até jun­ho, foram doa­d­os 111,4 mil litros.

No ano pas­sa­do, o Min­istério da Saúde investiu R$ 16,9 mil­hões, em caráter excep­cional, na pro­teção e apoio ao aleita­men­to mater­no e na ali­men­tação com­ple­men­tar ade­qua­da para cri­anças menores de dois anos na Estraté­gia Ama­men­ta e Ali­men­ta Brasil (EAAB), da Atenção Primária à Saúde.

A estraté­gia para incen­ti­var a ama­men­tação vem apre­sen­tan­do resul­ta­dos. Os índices nacionais do aleita­men­to mater­no exclu­si­vo entre cri­anças menores de seis meses aumen­taram de 2,9%, em 1986, para 45,7% em 2020. Já o aleita­men­to para cri­anças menores de qua­tro anos pas­sou de 4,7% para 60% no mes­mo perío­do.

“Pas­sar de um aumen­to de 4% para 60% é mui­ta coisa. A gente que tra­bal­ha com a saúde sabe que um aumen­to desse tipo em poucos anos é algo que mostra a robustez, a for­t­aleza das cam­pan­has que vêm acon­te­cen­do nos últi­mos anos”, desta­cou o secretário de Atenção Primária à Saúde, Rafael Câmara Par­ente.

Leite materno e covid-19

Atual­mente, muitas mães ficam em dúvi­da se o ato de ama­men­tar impli­ca risco de infecção pelo leite mater­no para mul­heres que tes­taram pos­i­ti­vo para o novo coro­n­avírus. Segun­do a Sociedade Brasileira de Pedi­a­tria, não há risco de trans­mis­são do SARS-CoV­‑2 pelo leite mater­no, por isso não há razão para evi­tar ou inter­romper a ama­men­tação.

“Lac­tantes ass­in­tomáti­cas devem per­manecer com seu recém-nasci­do em regime de alo­ja­men­to con­jun­to para for­t­ale­cer o aleita­men­to mater­no, muito impor­tante neste momen­to de pan­demia”, infor­mou, em nota, a a enti­dade.

“Até o momen­to, não exis­tem evidên­cias da trans­mis­são do vírus pelo leite mater­no. A recomen­dação da OMS é que a mãe infec­ta­da pelo novo coro­n­avírus man­ten­ha a ama­men­tação exclu­si­va até os seis meses”, reforça a gine­col­o­gista Lau­ra Pen­tea­do. No entan­to, é necessário man­ter as dev­i­das pre­cauções, como lavagem das mãos com sabão ou álcool em gel antes e depois de tocar o bebê e o uso de más­cara.

Para as mães que con­traíram a covid-19 é indi­ca­do sus­pender a doação de leite humano, respei­tan­do o pro­to­co­lo de segu­rança téc­ni­ca e o con­t­role de qual­i­dade deter­mi­na­do pela Agên­cia Nacional de Vig­ilân­cia San­itária (Anvisa) para a seleção de doado­ras.

Doação

Espe­cial­is­tas do Ban­co de Leite do Hos­pi­tal do Servi­dor Públi­co Estad­ual (HSPE) têm obser­va­do aumen­to no número de mães inter­es­sadas em doar leite mater­no, além dos cuida­dos rela­ciona­dos à ama­men­tação. No iní­cio da pan­demia de covid-19, o setor rece­beu 147 lig­ações em seis meses, que rep­re­sen­tam 93,6% do total de lig­ações rece­bidas em um ano se com­para­do a 2019. Segun­do o HSPE, boa parte das lig­ações foi fei­ta por mães em bus­ca de ori­en­tações sobre o proces­so de doação do leite mater­no e do fornec­i­men­to do pro­du­to doa­do aos bebês.

O Ban­co de Leite Humano do HSPE recebe doações e faz cole­ta exter­na na região. Bas­ta a doado­ra entrar em con­ta­to pelos tele­fones (11) 4573–8172 ou (11) 4573–8247 e faz­er um agen­da­men­to. A equipe do hos­pi­tal vai até a residên­cia dela para entre­vistá-la e avaliar. Na ocasião, ela recebe toda a ori­en­tação de higiene, como orden­har o leite, con­servá-lo ade­quada­mente, além de fornecer o mate­r­i­al necessário para a cole­ta.

Qual­quer mul­her em fase de ama­men­tação pode ser uma doado­ra, bas­ta ser saudáv­el e não tomar medica­men­to con­traindi­ca­do para essa fase. É impor­tante ressaltar que todo leite doa­do é anal­isa­do e pas­sa por testes de qual­i­dade, proces­sa­men­to, pas­teur­iza­ção e só então é ofer­ta­do aos bebês pre­matur­os.

As inter­es­sadas em leite mater­no podem procu­rar como doar em sua cidade no site da Rede Brasileira de Ban­cos de Leite Humano.

Edição: Graça Adju­to

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