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Brasil assume G20 com foco em fome, clima e governança global

Repro­dução: Comis­são Nacional para a Coor­de­nação da Presidên­cia do G20 é insta­l­a­da no Palá­cio do Planal­to, em jun­ho. Foto:  Marce­lo Camargo/Agência Brasil

Mandato terá duração de um ano


Pub­li­ca­do em 01/12/2023 — 10:54 Por Felipe Pontes — Agên­cia Brasil — Brasília

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O Brasil assume hoje (1º), pela primeira vez, a presidên­cia do G20, grupo que reúne as 19 maiores econo­mias do mun­do mais a União Europeia e a União Africana. O manda­to tem duração de um ano, encer­ran­do-se em 30 de novem­bro de 2024. 

For­ma­do em 1999, com o obje­ti­vo de bus­car soluções após uma grave crise finan­ceira inter­na­cional, o G20 cor­re­sponde hoje a cer­ca de 85% do PIB mundi­al, 75% do comér­cio inter­na­cional e 2/3 da pop­u­lação mundi­al.

O Brasil inte­gra o grupo des­de o iní­cio, quan­do o foco prin­ci­pal ain­da era a chama­da Tril­ha das Finanças, que reúne os min­istros de finanças e pres­i­dentes de ban­cos cen­trais. A par­tir de 2008, quan­do uma nova crise finan­ceira abalou o mun­do, o grupo pas­sou a ter o for­ma­to atu­al, con­gre­gan­do tam­bém chefes de Esta­do e de gov­er­no.

Brasília (DF), 23/11/2023 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva instala a Comissão Nacional para a Coordenação da Presidência do G20, no Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Repro­dução: Comis­são Nacional para a Coor­de­nação da Presidên­cia do G20 é insta­l­a­da no Palá­cio do Planal­to, em jun­ho. Foto:  Marce­lo Camargo/Agência Brasil

Enquan­to o país estiv­er na presidên­cia, o gov­er­no do Brasil será respon­sáv­el por decidir e imple­men­tar a agen­da de atu­ação do G20, com apoio dire­to da Índia, últi­ma ocu­pante da presidên­cia, e da África do Sul, país que exercerá o manda­to em 2025. Esse sis­tema é con­heci­do como troi­ka e é um dos difer­en­ci­ais do grupo em relação a out­ros organ­is­mos inter­na­cionais.

A par­tir des­ta sex­ta-feira (1º), o site ofi­cial e as redes soci­ais do G20 tam­bém pas­sarão a ser admin­istradas pelo gov­er­no brasileiro. A pági­na estará disponív­el em três idiomas (por­tuguês, inglês e espan­hol) e vai con­ter, além de infor­mações sobre o grupo e sua história, detal­h­es sobre os gru­pos de tra­bal­ho, gru­pos téc­ni­cos, forças-tare­fa, reuniões e demais ini­cia­ti­vas da Presidên­cia brasileira do G20.

Para mar­car a data, o gov­er­no orga­ni­zou ain­da uma cam­pan­ha de mídia nos aero­por­tos de Guarul­hos (São Paulo), Galeão (Rio de Janeiro) e Jusceli­no Kubitschek (Brasília). Além dis­so, no fim da tarde de sex­ta-feira, uma pro­jeção será fei­ta no Museu da Repúbli­ca, em Brasília, com as prin­ci­pais men­sagens da Presidên­cia brasileira do G20.

Foi lança­do tam­bém o e‑book Brasil na presidên­cia do G20, que expli­ca o que é o G20 e quais a respon­s­abil­i­dades do país à frente do grupo.

Três eixos prioritários

Des­de o primeiro momen­to, o pres­i­dente Luiz Iná­cio Lula da Sil­va colo­cou como pri­or­i­dade da presidên­cia do Brasil a atu­ação em três eixos: a inclusão social e a luta con­tra a desigual­dade, a fome e a pobreza; o enfrenta­men­to das mudanças climáti­cas e a pro­moção do desen­volvi­men­to sus­ten­táv­el em suas dimen­sões econômi­ca, social e ambi­en­tal; e a defe­sa da refor­ma das insti­tu­ições de gov­er­nança glob­al, que refli­ta a geopolíti­ca do pre­sente.

Em vídeo pub­li­ca­do nas redes soci­ais do G20, Lula reforçou essas pri­or­i­dades. “Não é pos­sív­el que tan­to din­heiro con­tin­ue na mão de tão pou­cas pes­soas e tan­tas pes­soas não ten­ham din­heiro para com­er o mín­i­mo necessário”, disse o pres­i­dente, sobre a fome.

“Com­pro­mis­so de con­vencer os país­es ricos que não exis­tem dois plan­e­tas Ter­ra, que é urgente enfrentar com deter­mi­nação a crise climáti­ca”, acres­cen­tou Lula. Ele voltou a defend­er a com­pen­sação finan­ceira para os país­es mais pobres, que poluem menos.

“Nos­so ter­ceiro com­pro­mis­so é enga­jar o G20 na luta do Brasil por uma nova gov­er­nança glob­al”, afir­mou. “Não é pos­sív­el que orga­ni­za­ções finan­ceiras cri­adas há quase 80 anos con­tin­uem fun­cio­nan­do com os mes­mos par­a­dig­mas, sem levar em con­ta as alter­ações estru­tu­rais do sécu­lo 21”.

Em dis­cur­sos ante­ri­ores, Lula vem cobran­do a repag­i­nação de out­ros organ­is­mos mul­ti­lat­erais, com mais par­tic­i­pação de país­es emer­gentes nas decisões do Fun­do Mon­etário Inter­na­cional (FMI) e do Ban­co Mundi­al, por exem­p­lo. O pres­i­dente tam­bém já men­cio­nou a Orga­ni­za­ção Mundi­al de Comér­cio (OMC) e a própria Orga­ni­za­ção das Nações Unidas (ONU).

Trilhas

À frente do G20, o Brasil terá desafios de ordem políti­ca e logís­ti­ca. Entre dezem­bro de 2023 e novem­bro de 2024, o país dev­erá orga­ni­zar mais de 100 reuniões ofi­ci­ais em várias cidades, que incluem cer­ca de 20 reuniões min­is­te­ri­ais, 50 reuniões de alto nív­el e even­tos para­le­los. O pon­to alto será a 19ª Cúpu­la de chefes de Esta­do e gov­er­no do G20, nos dias 18 e 19 de novem­bro de 2024, no Rio de Janeiro.

Lula ori­en­tou a diplo­ma­cia a aprox­i­mar as duas tril­has que norteiam os tra­bal­hos do G20 —  a Tril­ha dos Sher­pas, que reúne emis­sários dos exec­u­tivos de cada país e tem o papel de elab­o­rar políti­cas, e a Tril­ha das Finanças, com rep­re­sen­tantes das equipes econômi­cas e na qual se dis­cute o finan­cia­men­to a essas políti­cas e temas macro­econômi­cos mundi­ais.

Para lid­er­ar a tril­ha dos sher­pa, o indi­ca­do pelo gov­er­no brasileiro é o embaix­ador Mau­rí­cio Lyrio, secretário de Assun­tos Econômi­cos e Finan­ceiros do Ita­ma­raty. Já a Tril­ha das Finanças será coor­de­na­da pela econ­o­mista e diplo­ma­ta Tatiana Ros­i­to, secretária de Assun­tos Inter­na­cionais do Min­istério da Fazen­da.

Uma primeira reunião entre rep­re­sen­tantes de cada tril­ha deve ocor­rer em 11 de dezem­bro.

Edição: Maria Clau­dia

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