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Caminhos da Reportagem mostra goiaba brasileira que ganhou o mundo

Repro­dução: © TV Brasil

Fruta é produzida na cidade de Carlópolis, no norte do Paraná


Pub­li­ca­do em 08/01/2023 — 11:13 Por EBC — Brasília

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Grande, cro­cante, saborosa, resistente e pro­duzi­da numa região com bom poten­cial turís­ti­co: a goia­ba paranaense de Car­lópo­lis con­quis­tou, em 2016, o selo de Indi­cação Geográ­fi­ca (IG), con­ce­di­do a pro­du­tos recon­heci­dos por tradição e qual­i­dade, o que os tor­na úni­cos no mun­do. O Cam­in­hos da Reportagem, que será reprisa­do neste domin­go (8), vai mostrar quais são os difer­en­ci­ais da goia­ba, as histórias dos pro­du­tores e as belezas, aven­turas e delí­cias gas­tronômi­cas da região pro­du­to­ra da fru­ta.

A Indi­cação Geográ­fi­ca (IG) de Car­lópo­lis ates­ta a goia­ba de dois municí­pios do Paraná: Car­lópo­lis e Ribeirão Claro. Hoje, 36 fru­tic­ul­tores são asso­ci­a­dos à Coop­er­a­ti­va Agroin­dus­tri­al e 10 deles já têm o selo da IG.

A vis­i­bil­i­dade alcança­da com a Indi­cação Geográ­fi­ca e com a cer­ti­fi­cação Glob­al G.A.P (Good Agri­cul­ture Prac­tices) ala­van­cou as expor­tações da goia­ba de Car­lópo­lis, que cresce­r­am 1.142% em dois anos.  Um salto de 5,2 toneladas de janeiro a jun­ho de 2020 para 65,2 toneladas no mes­mo perío­do deste ano. Inglater­ra, Por­tu­gal, Canadá e Ori­ente Médio são os prin­ci­pais des­ti­nos da fru­ta.

A ger­ente de ven­das da Coop­er­a­ti­va Agroin­dus­tri­al de Car­lópo­lis e tam­bém pro­du­to­ra de goia­ba cer­ti­fi­ca­da, Inês Sasa­ki, tem par­tic­i­pa­do de feiras inter­na­cionais. “Eu fui para Espan­ha. E a gente lev­ou a nos­sa goia­ba. Fica­va todo mun­do admi­ra­do com a qual­i­dade que a gente tem”, se orgul­ha.

Ela expli­ca que o mer­ca­do exter­no estip­u­la um preço fixo para a fru­ta maior que o mer­ca­do inter­no que, além de tudo, apre­sen­ta oscilação ao lon­go dos meses. “Em janeiro e fevereiro de 2022, o preço den­tro do Brasil ficou em torno de R$ 2. A par­tir de maio mel­horou o val­or e oscilou entre R$ 2 e R$ 3, até que em agos­to atingiu R$ 4,50, enquan­to, no exte­ri­or, foi ven­di­da por R$ 4, de janeiro a agos­to, sem qual­quer vari­ação.”

Inês expli­ca que a redução do agrotóx­i­co foi essen­cial. “Todo ano, a gente faz um teste de lab­o­ratório com as fru­tas, para ver se não está con­stan­do resí­duo e tam­bém na água para ver se não está con­t­a­m­i­na­da”.

O resul­ta­do pos­i­ti­vo foi pos­sív­el com a téc­ni­ca do ensaca­men­to, para evi­tar a mosca da goia­ba. “A par­tir do momen­to que a gente ensaca, a gente não pas­sa mais nada, ela fica em torno de 60 dias ensaca­da sem agrotóx­i­cos. Então, a gente faz todo esse tra­bal­ho, que é man­u­al, difí­cil, mas é uma segu­rança tan­to para o pro­du­tor como tam­bém para o con­sum­i­dor”, avalia Inês.

Além dis­so, out­ros fatores que difer­en­ci­am a goia­ba de Car­lópo­lis são a espes­sura da cas­ca e o taman­ho da fru­ta.

“Ela tem uma cas­ca mais grossa que per­mite um trans­porte maior, mel­hor com­er­cial­iza­ção, o espaço dela na gôn­dola do mer­ca­do, faz com ela resiste mais”, expli­ca o pro­du­tor cer­ti­fi­ca­do Rodri­go Viana. Ele diz que a var­iedade de goia­ba cul­ti­va­da nes­sa IG pode pesar em média 500 gra­mas ou mais e que, dev­i­do ao taman­ho, é con­sid­er­a­da uma goia­ba de mesa.

O Sebrae nacional e o Sebrae em cada esta­do têm aju­da­do a mapear e a imple­men­tar as IGs pelo Brasil. Atual­mente, são 92 recon­heci­das pelo Insti­tu­to Nacional da Pro­priedade Indus­tri­al (INPI).

Dessas 92, a anal­ista de ino­vação do Sebrae Nacional, Hul­da  Gies­brecht, expli­ca que 69 são da modal­i­dade indi­cação de pro­cedên­cia, que tem o reg­istro basea­do na rep­utação da região em pro­duzir deter­mi­na­do pro­du­to, e 23 são da modal­i­dade denom­i­nação de origem, em que se há uma com­pro­vação por estu­do téc­ni­co cien­tí­fi­co das car­ac­terís­ti­cas e qual­i­dades do pro­du­to com os fatores nat­u­rais e humanos da região. No caso da IG Car­lópo­lis, a goia­ba é uma Indi­cação de Pro­cedên­cia.

Área turística

 

Riquezas da Nossa Terra: A goiaba que ganhou o mundo
Repro­dução: Riquezas da Nos­sa Ter­ra: Área Espe­cial de Inter­esse Turís­ti­co chama­da de Angra Doce — TV Brasil

A região denom­i­na­da norte pio­neiro do Paraná, que inclui Car­lópo­lis e Ribeirão Claro, tem a IGs da goia­ba e tam­bém do café, além de uma repre­sa. Em dezem­bro de 2019, foi insti­tuí­da por lei como Área Espe­cial de Inter­esse Turís­ti­co e chama­da ofi­cial­mente de Angra Doce, em com­para­ção à beleza da marí­ti­ma Angra dos Reis (RJ). Angra Doce, por sua vez, com­preende o reser­vatório da Usi­na Hidrelétri­ca de Cha­vantes e seu entorno, nos esta­dos do Paraná e de São Paulo.

Um dos locais que ofer­e­cem ativi­dades de laz­er, aven­tu­ra e con­tem­plação é a Estân­cia Pedra do Índio, em Ribeirão Claro. A Estân­cia tem voo de para­pente, pas­seio de escu­na e a maior tirole­sa do Paraná, com um quilômetro de exten­são e 128 met­ros de altura.

O con­sul­tor do Sebrae Paraná Odemir Capel­lo desta­ca a relação das Indi­cações Geográ­fi­cas com o tur­is­mo: “A rota das IGs, nós já esta­mos pen­san­do nis­so, como uma for­ma tam­bém de agre­gar val­or às peque­nas pro­priedades. Na Itália, na região da Emil­ia Romagna, que tem aprox­i­mada­mente 400 indi­cações geográ­fi­cas, é pos­sív­el ver os pro­du­tos sendo con­sum­i­dos”.

E já exis­tem empreende­dores em Car­lópo­lis que aproveitam o poten­cial turís­ti­co-gas­tronômi­co da goia­ba, do café e da repre­sa.

Bernadete Gar­cia Ribeiro Dyniewicz é pro­pri­etária do Par­que Vila do Café, um sítio à beira da repre­sa que per­tence à família des­de a déca­da de 1950 e que hoje é aber­to a vis­i­tantes, com agen­da­men­to.

Quitutes de goia­ba e de café deixaram a visi­ta do Cam­in­hos da Reportagem ao local ain­da mais deli­ciosa. O pais­ag­is­mo tam­bém é destaque no Par­que Vila do Café, onde foram plan­tadas 3 mil mudas de 20 espé­cies nati­vas, além de um jardim com 2 mil pés de rosas.

“Com certeza o café e a goia­ba estão sendo uma mola propul­so­ra do tur­is­mo na região. E a gente vê que a situ­ação social da pop­u­lação está mel­ho­ran­do bas­tante, isso é muito grat­i­f­i­cante”, obser­va Bernadete.

Grad­u­a­do em Tec­nolo­gia da Infor­mação (TI) em Curiti­ba, Rodri­go Ama­r­al largou o tra­bal­ho em uma empre­sa de TI na cap­i­tal paranaense e voltou a Car­lópo­lis, cidade natal, para aju­dar o pai, pro­pri­etário do Cal­do de Cana Ama­r­al.

Ele acred­i­tou no poten­cial dos pro­du­tos com Indi­cação Geográ­fi­ca e criou o pas­tel Romeu e Juli­eta, rec­hea­do de goiaba­da e quei­jo, mas com a inusi­ta­da mas­sa de café.

“Jun­to com o fornece­dor de mas­sa, nós fomos chegar nesse pon­to, deu um pouco de tra­bal­ho, às vezes fica­va muito forte, às vezes muito fra­co, até equi­li­brar mes­mo o gos­to do café”, relem­bra Rodri­go. Ele já chegou a vender mais de 2 mil pastéis em um final de sem­ana. Antes da ino­vação, ven­dia em torno de 150 no máx­i­mo.

O casal Agostin­ho João Lon­go e Rosana Mene­gon decid­iu, há dois anos, dar um des­ti­no às fru­tas maduras des­perdiçadas em Car­lópo­lis. Eles cri­aram uma cachaça de goia­ba e aproveitam a qual­i­dade dos recur­sos hídri­cos da região para garan­tir boa des­ti­lação. “Tudo rús­ti­co, na beira da mata”, com­ple­men­ta Agostin­ho, sobre a Cachaçaria G&R.

O pro­gra­ma Cam­in­hos da Reportagem será reprisa­do hoje (8), às 22h, na TV Brasil.

Edição: Valéria Aguiar

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