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Censo: falta de endereço em favelas dificulta registro de domicílios

Repro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

IBGE volta a locais com baixos índices de moradias visitadas


Pub­li­ca­do em 22/03/2023 — 06:35 Por Ana Cristi­na Cam­pos – Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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O Insti­tu­to Brasileiro de Geografia e Estatís­ti­ca (IBGE) está revis­i­tan­do todos os lugares que ain­da apre­sen­tam índices altos de entre­vis­tas não real­izadas, por ausên­cia dos moradores ou por recusa, para o Cen­so Demográ­fi­co 2022. Segun­do o IBGE, nas áreas de fave­las e comu­nidades urbanas, além de ausên­cia e recusa, há out­ros desafios: muitas vezes não existe endereço, o que difi­cul­ta o per­cur­so dos recenseadores e o reg­istro dos domicílios.

“Nas áreas mais den­sas, a cole­ta tam­bém pode ser difi­cul­ta­da, pois há maiores chances de omis­são de domicílios (de fun­dos ou na laje) por parte do recenseador. Há ain­da prob­le­mas de aces­so e cir­cu­lação em algu­mas comu­nidades por causa de descon­hec­i­men­to do recenseador e receio do morador em rece­ber [o recenseador]”, infor­mou o insti­tu­to.

“Para que todos os domicílios sejam vis­i­ta­dos, o IBGE está fazen­do ampla divul­gação da cole­ta em fave­las e comu­nidades urbanas, para que os próprios moradores rece­bam e aux­iliem o recenseador, indi­can­do as mel­hores rotas e o local de mora­dias”, acres­cen­tou o órgão.

Este mês, o IBGE fechou parce­ria com o Insti­tu­to Pereira Pas­sos (IPP), órgão de pesquisa da Prefeitu­ra do Rio, para reduzir o per­centu­al de domicílios que não respon­der­am ao Cen­so nos aglom­er­a­dos sub­nor­mais da cidade, que está em torno de 9%.

A parce­ria envolve a con­tratação de ex-agentes de Ter­ritórios Soci­ais, pro­gra­ma da prefeitu­ra com o ONU-Habi­tat — Pro­gra­ma das Nações Unidas para os Assen­ta­men­tos Humanos, em que são real­izadas pesquisas domi­cil­iares em grandes fave­las do Rio, como Rocin­ha e Maré.

“Ter infor­mações qual­i­fi­cadas das fave­las da cidade é de suma importân­cia para o desen­volvi­men­to de políti­cas públi­cas efe­ti­vas, basea­do em dados e evidên­cias. Por isso o Cen­so é tão impor­tante. O IPP já tem uma parce­ria de lon­ga data com o IBGE e apoiá-lo nes­sa cor­ri­da final é dev­er da casa”, afir­mou, em nota, o pres­i­dente do Insti­tu­to Pereira Pas­sos, Car­los Krikhtine.

“Com nos­sa exper­iên­cia com o Pro­gra­ma Ter­ritórios Soci­ais, for­mamos recenseadores comu­nitários muito espe­cial­iza­dos no ter­ritório car­i­o­ca. Além dis­so, podemos apoiar o IBGE com uma rede de con­hec­i­men­tos locais insti­tu­cionais muito potentes”, acres­cen­tou.

Os novos recenseadores tra­bal­haram em fas­es ante­ri­ores do Ter­ritórios Soci­ais e têm exper­iên­cia com pesquisas domi­cil­iares nas local­i­dades pri­or­itárias. Na sem­ana pas­sa­da, eles foram treina­dos pelo IBGE para um con­hec­i­men­to mais pro­fun­do sobre o ques­tionário uti­liza­do no Cen­so.

“Ter­ritórios é um pro­gra­ma que visa encon­trar as famílias mais vul­neráveis e, por isso, pre­cisa estar diari­a­mente nes­sas comu­nidades. Temos uma exce­lente artic­u­lação ness­es ter­ritórios, os nos­sos agentes de cam­po são moradores e con­hecem mui­ta gente. Além de disponi­bi­lizar uma lista de pes­soas expe­ri­entes para tra­bal­har, esta­mos ofer­e­cen­do todo suporte ao IBGE, deslo­can­do nos­sos coor­de­nadores de cam­po para acom­pan­har as equipes com o obje­ti­vo de alcançar as famílias que ain­da não respon­der­am ao Cen­so”, infor­mou, em nota, a coor­de­nado­ra téc­ni­ca de Pro­je­tos Espe­ci­ais do IPP, Andrea Puli­ci.

Des­de quin­ta-feira (16), eles estão indo a cam­po na últi­ma fase da oper­ação cen­sitária, a eta­pa de apu­ração, que abrange os tra­bal­hos de análise dos dados cole­ta­dos. Assim, eles irão bus­car por moradores que estavam ausentes no momen­to da visi­ta ou que se recusaram a respon­der o ques­tionário.

Data Favela

A pesquisa Data Favela 2023, divul­ga­da sex­ta-feira (17), mostrou que se as fave­las brasileiras for­massem um esta­do, seria o ter­ceiro maior do Brasil em pop­u­lação. Segun­do o estu­do, o número de fave­las dobrou na últi­ma déca­da, total­izan­do 13.151 mapeadas pelo país. São esti­ma­dos 5,8 mil­hões de domicílios em fave­las com 17,9 mil­hões de moradores.

A pesquisa quan­ti­ta­ti­va foi real­iza­da entre 6 e 13 de março de 2023 e entre­vis­tou 2.434 moradores de favela dis­tribuí­dos em todas as regiões do país.

“A favela já é um ter­ritório clara­mente invis­i­bi­liza­do e ficar fora do Cen­so seria aumen­tar esse cenário, além de não pos­si­bil­i­tar que políti­cas públi­cas que atu­am na redução da pobreza e pro­moção de opor­tu­nidades cheguem nesse ter­ritório. É exata­mente por isso que nós enx­erg­amos que o Data Favela e o IBGE podem tra­bal­har em parce­ria para o cor­re­to mapea­men­to das fave­las brasileiras pelo Cen­so”, disse o fun­dador do Data Favela, Rena­to Meirelles.

Ele atribui o prob­le­ma do IBGE em recensear nas fave­las à difi­cul­dade de con­hecer um ter­ritório que muitas vezes não tem CEP, rua e sanea­men­to bási­co. “São locais que estavam fora do mapa. O estig­ma de medo em relação às fave­las tam­bém é uma das razões, além da fal­ta da pre­sença do Esta­do nas fave­las”, com­ple­tou Meirelles.

Edição: Graça Adju­to

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