...
quinta-feira ,15 janeiro 2026
Home / Direitos Humanos / Latinidades discute políticas públicas para mulheres afro-latinas

Latinidades discute políticas públicas para mulheres afro-latinas

Repro­dução: © Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Festival começou quinta-feira (6) e vai até domingo (9)


Pub­li­ca­do em 06/07/2023 — 22:31 Por Daniel­la Almei­da — Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

ouvir:

A 16ª edição do Fes­ti­val Latinidades de Mul­heres Negras, Lati­no-amer­i­canas, Cariben­has e da Diás­po­ra Negra teve iní­cio nes­ta quin­ta-feira (6), no auditório do Museu da Repúbli­ca, em Brasília, pro­movi­do pelo Insti­tu­to Latinidades e que tem apoio da Empre­sa Brasil de Comu­ni­cação (EBC). Este ano, o tema do fes­ti­val é “Bem viv­er” dessas mul­heres. A pro­du­to­ra cul­tur­al e dire­to­ra ger­al do Fes­ti­val Latinidades, Jaque­line Fer­nan­des, desta­cou a relevân­cia dos debates den­tro do even­to.

“Quan­do olhamos para os indi­cadores da condição da mul­her negra na sociedade, vemos que ain­da tem mui­ta coisa para mudar. É isso que ten­ta­mos provo­car aqui, com o tema do bem viv­er, com ativi­dades e ten­tan­do expandir o 25 de jul­ho, que é o Dia da Mul­her Negra, Lati­no-amer­i­cana e Cariben­ha”, disse.

“O obje­ti­vo é ir além dos movi­men­tos soci­ais. Para que toda a pop­u­lação em ger­al e a grande mídia pos­sam olhar para essa data. Dese­jo que ela seja um mar­co de luta e que pos­samos cel­e­brar a potên­cia de mul­heres negras, mas tam­bém denun­ciar a condição que a mul­her negra vive na sociedade racista e machista”, com­ple­tou.

O primeiro painel do even­to dial­o­gou sobre o Bem Viv­er, políti­cas públi­cas e urgên­cias soci­ais. E con­tou com a par­tic­i­pação das min­is­tras da Igual­dade Racial, Anielle Fran­co; e da Cul­tura, Mar­gareth Menezes. Tam­bém estiver­am pre­sentes a secretária Exec­u­ti­va do Min­istério dos Dire­itos Humanos e da Cidada­nia (MDHC), Rita Cristi­na de Oliveira, e a dep­uta­da fed­er­al Celia Xakri­abá (PSOL-MG). A medi­ação da roda de con­ver­sas foi fei­ta pela asses­so­ra políti­ca do Insti­tu­to de Estu­dos Socioe­conômi­cos (Inesc), Carmela Zigo­ni.

Anielle Fran­co enfa­ti­zou que a rep­re­sen­ta­tivi­dade é trans­for­mado­ra e que políti­cas públi­cas estão sendo traçadas de for­ma inter­se­to­r­i­al em temas como raça, gênero, ren­da e religião. “As mul­heres negras brasileiras, lati­nas e cariben­has são for­mu­lado­ras, execu­toras e ben­efi­ciárias de políti­cas públi­cas. São múlti­plas com deman­das com­plexas e fazem a econo­mia do país girar. O Brasil feito com mul­heres negras é um Brasil muito mel­hor para todos”, con­cluiu Anielle.

Mar­gareth Menezes, que já se apre­sen­tou no pal­co da edição de 2011 do Fes­ti­val Latinidades, hoje falou na condição de min­is­tra da Cul­tura. Ela lis­tou os edi­tais de pro­je­tos aber­tos pelo min­istério para val­orizar a cul­tura do povo brasileiro, em espe­cial das mul­heres negras, além de out­ros recur­sos fed­erais disponíveis para fomen­tar o setor, como a Lei Paulo Gus­ta­vo, o edi­tal Ruth de Souza para via­bi­lizar pro­je­tos de audio­vi­su­al; e o edi­tal literário Prêmio Car­oli­na Maria de Jesus, para pro­mover a lit­er­atu­ra brasileira escri­ta por mul­heres.

“Quan­do a mul­her negra se movi­men­ta, tudo se movi­men­ta, porque é a base que se movi­men­ta. Ao mes­mo tem­po, essa potên­cia e a tec­nolo­gia que temos de sobre­vivên­cia for­t­alece o Brasil, porque ago­ra, que esta­mos chegan­do nos lugares de poder, é uma rev­olução que se faz, sem armas na mão, que faze­mos com a nos­sa com­petên­cia, com mui­ta luta, com muito sangue. É uma rev­olução inteligente”, comem­o­rou Mar­gareth Menezes.

Celia Xakri­abá, repu­diou hom­e­na­gens feitas a per­son­al­i­dades con­sid­er­adas escrav­ocratas de negros e indí­ge­nas, opres­sores e col­o­nizadores europeus, em mon­u­men­tos e nomes de locais públi­cos, como ruas, praças e pontes. Por out­ro lado, a par­la­men­tar apon­tou que as mul­heres indí­ge­nas e negras sem­pre estiver­am orga­ni­zadas con­tra o con­ser­vadoris­mo e o machis­mo vigente na sociedade brasileira.

“A luta não começa só quan­do cheg­amos a um min­istério ou ao par­la­men­to. Começa quan­do, lá no ter­ritório, eu falo que para enfrentar a min­er­ação e a col­o­niza­ção, somente ‘mul­her­ação’. Nós cheg­amos para ‘mul­herizar’, para reflo­restar e para indi­g­e­nizar essa políti­ca”.

Por fim, a sec­re­taria-exec­u­ti­va do Min­istério dos Dire­itos Humanos e da Cidada­nia (MDHC), Rita Oliveira, repetiu tre­chos do dis­cur­so de posse como min­istro dos Dire­itos Humanos e da Cidada­nia, Sil­vio Almei­da, em janeiro deste ano. E exal­tou: “Home­ns e mul­heres pre­tos e pre­tas do Brasil, vocês exis­tem e são valiosos para nós”.

A sec­re­taria do MDHC relem­brou a par­tic­i­pação de mul­heres negras em momen­tos históri­cos do país. “Assim como as mul­heres negras foram fun­da­men­tais na luta con­tra a escravidão, para inde­pendên­cia desse país, para con­strução do SUS, para a ciên­cia, para edu­cação, para a políti­ca, para o meio ambi­ente, em todos os espaços soci­ais, ape­sar da vio­lên­cia, da invis­i­bi­liza­ção, nós esta­mos aqui, nós sem­pre estive­mos aqui e nós resis­ti­mos. Nós, do Min­istério dos Dire­itos Humanos e da Cidada­nia, con­ta­mos com vocês para faz­er do Brasil o país do bem viv­er para todas, para todos e para todes”, final­i­zou Rita Oliveira.

O Fes­ti­val Latinidades tem pro­gra­mação no Museu Nacional da Repúbli­ca até domin­go. Estão pre­vis­tos debates, palestras, ofic­i­nas, vivên­cias, painéis, con­fer­ên­cias, lança­men­tos literários, roda­da de negó­cios, des­files e apre­sen­tações de dança, teatro e músi­ca, nos difer­entes espaços inter­nos e exter­nos do com­plexo cul­tur­al, no cen­tro de Brasília. Con­fi­ra no site do even­to.

Edição: Marce­lo Brandão

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Defensorias acionam Justiça por medidas para enfrentar calor no Rio

Órgão atenta para sofrimento da população de rua Mar­i­ana Tokar­nia — Repórter da Agên­cia Brasil* …

3b2c09210a068c0947d7d917357ae19d