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PrEP: tratamento preventivo é alternativa no combate ao HIV no Brasil

Repro­dução: © Vini­cus Marinho/Fiocruz

Método é considerado seguro e eficaz, mas é preciso compromisso


Pub­li­ca­do em 09/07/2023 — 08:05 Por Paula Labois­sière – Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

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A Agên­cia Nacional de Vig­ilân­cia San­itária (Anvisa) aprovou recen­te­mente o reg­istro do primeiro medica­men­to injetáv­el para pre­venção do HIV. O Apre­tude (cabote­gravir) é um antir­retro­vi­ral da classe dos inibidores da enz­i­ma inte­grase, que impede a inserção do DNA viral do HIV no DNA humano. Em out­ras palavras, é um mecan­is­mo de ação que evi­ta a repli­cação ou a repro­dução do vírus e sua capaci­dade de infec­tar novas célu­las.

O medica­men­to injetáv­el pas­sa a rep­re­sen­tar uma nova opção na pro­fi­lax­ia pré-exposição (PrEP) no Brasil, que con­sis­tia, até então, na toma­da de com­prim­i­dos diários no intu­ito de per­mi­tir ao organ­is­mo estar prepara­do para enfrentar um pos­sív­el con­ta­to com o HIV. A estraté­gia começou a ser ofer­e­ci­da pelo Sis­tema Úni­co de Saúde (SUS) no final de 2017 por meio da com­bi­nação de dois antir­retro­vi­rais, o teno­fovir e a entric­itabi­na.

Arte Agência BRasil para matéria sobre profilaxia pré-exposição. PREP
Repro­dução: Arte/Agência Brasil

Entenda

A PrEP, atual­mente, é indi­ca­da para pes­soas sex­ual­mente ati­vas, não infec­tadas, mas com risco aumen­ta­do de exposição ao HIV, em difer­entes con­tex­tos soci­ais. No Brasil, essas pop­u­lações incluem profis­sion­ais do sexo, pes­soas que usam dro­gas, gays, mul­heres trans e trav­es­tis, além de casais sorodis­cor­dantes (quan­do um par­ceiro é soropos­i­ti­vo e o out­ro não), como for­ma com­ple­men­tar de pre­venção e para o plane­ja­men­to repro­du­ti­vo.

Modalidades

No Brasil, exis­tem duas modal­i­dades de PrEP indi­cadas: diária: con­siste na toma­da diária dos com­prim­i­dos, de for­ma con­tínua, indi­ca­da para qual­quer pes­soa em situ­ação de vul­ner­a­bil­i­dade ao HIV; sob deman­da: con­siste na toma­da dos medica­men­tos somente quan­do a pes­soa tiv­er uma pos­sív­el exposição de risco ao HIV. Deve ser uti­liza­da com a toma­da de dois com­prim­i­dos de duas a 24 horas antes da relação sex­u­al, além de um com­prim­i­do 24 horas após a dose ini­cial de dois com­prim­i­dos e um novo com­prim­i­do 24 horas após a segun­da dose.

A PrEP sob deman­da é indi­ca­da para pes­soas que ten­ham habit­ual­mente relação sex­u­al com fre­quên­cia menor do que duas vezes por sem­ana e que con­sigam plane­jar quan­do a relação sex­u­al irá ocor­rer.

Cuidados

De acor­do com o Min­istério da Saúde, a PrEP só tem efeito pro­te­tor se o medica­men­to for uti­liza­do con­forme a ori­en­tação de um profis­sion­al de saúde. Caso con­trário, pode não haver con­cen­tração sufi­ciente das sub­stân­cias ati­vas na cor­rente san­guínea do indi­ví­duo para blo­quear o vírus.

Além dis­so, todos os tipos de pro­fi­lax­ia pré-exposição só devem ser pre­scritos para indi­ví­du­os con­fir­ma­dos como HIV neg­a­tivos. “Para a indi­cação do uso de qual­quer ter­apia PrEP, deve-se excluir, clíni­ca e lab­o­ra­to­rial­mente, o diag­nós­ti­co prévio de infecção pelo HIV”, reforçou a agên­cia.

Quem pode usar

Ain­da segun­do a pas­ta, a PrEP é indi­ca­da para qual­quer pes­soa em situ­ação de vul­ner­a­bil­i­dade para o HIV. Algu­mas situ­ações que podem indicar o uso são: o indi­ví­duo fre­quente­mente deixa de usar camis­in­ha em suas relações sex­u­ais (anais ou vagi­nais); o indi­ví­duo faz uso repeti­do de pro­fi­lax­ia pós-exposição (PEP); o indi­ví­duo apre­sen­ta históri­co de episó­dios de infecções sex­ual­mente trans­mis­síveis (IST).

Tam­bém são can­didatos à PrEP indi­ví­du­os inseri­dos em con­tex­tos de relações sex­u­ais em tro­ca de din­heiro, obje­tos de val­or, dro­gas e mora­dia; indi­ví­du­os que prati­cam chem­sex (sexo sob a influên­cia de dro­gas psi­coa­t­i­vas como metan­fe­t­a­m­i­nas, GHB, cocaí­na e pop­pers) com a final­i­dade de mel­ho­rar e facil­i­tar as exper­iên­cias sex­u­ais.

Acesso

A ori­en­tação do min­istério é que inter­es­sa­dos em aces­sar a PrEP pro­curem um serviço de saúde e informem-se para saber se há indi­cação. A lista dos serviços que ofer­tam a pro­fi­lax­ia pré-exposição pode ser aces­sa­da no site do Min­istério da Saúde.

Proteção

Mul­heres, pes­soas trans ou não binárias des­ig­nadas como sexo fem­i­ni­no ao nascer e qual­quer pes­soa em uso de hor­mônio a base de estra­di­ol, que façam uso de PrEP oral diária, devem tomar o medica­men­to por pelo menos sete dias para atin­gir níveis de pro­teção ideais. Antes dos sete dias ini­ci­ais de intro­dução da PrEP, medi­das adi­cionais de pre­venção devem ser ado­tadas.

Home­ns, pes­soas não binárias des­ig­nadas como do sexo mas­culi­no ao nascer e trav­es­tis e mul­heres tran­sex­u­ais – que não este­jam em uso de hor­mônios à base de estra­di­ol – e que usem PrEP, seja ela diária ou sob deman­da, devem tomar uma dose de dois com­prim­i­dos de duas a 24 horas antes da relação sex­u­al para alcançar níveis pro­te­tores do medica­men­to no organ­is­mo para relações sex­u­ais anais.

“É fun­da­men­tal a testagem reg­u­lar, a inves­ti­gação de sinais e sin­tomas para out­ras IST. A PrEP previne con­tra o HIV e per­mite o diag­nós­ti­co e trata­men­to de out­ras IST, inter­rompen­do a cadeia de trans­mis­são. O uso do preser­v­a­ti­vo previne do HIV e out­ras IST”, aler­ta o min­istério.

Análise

Para o coor­de­nador-ger­al da orga­ni­za­ção não gov­er­na­men­tal GTP+, Wladimir Car­doso Reis, a PrEP facili­ta a pre­venção em meio a pou­cas opções. “Só tín­hamos a camis­in­ha como estraté­gia. Por isso, a PrEP está sendo bem acol­hi­da. A gente tem perce­bido isso entre casais het­ero e bi, trav­es­tis, trans­sex­u­ais e gays”, disse, em entre­vista à Agên­cia Brasil.

A enti­dade, sedi­a­da em Recife, atua por uma edu­cação e saúde pre­ven­ti­va, cidadã e democráti­ca, trans­for­man­do a real­i­dade de pes­soas que vivem com HIV. Em 20 anos de existên­cia, a ONG aten­deu mais de 42 mil pes­soas.

Um dos prin­ci­pais pro­je­tos da GTP+, o Mer­cadores de Ilusões, capaci­ta profis­sion­ais do sexo como agentes mul­ti­pli­cadores. Den­tre os temas trata­dos nas ruas da cap­i­tal per­nam­bu­cana está jus­ta­mente a PrEP.

Sobre o novo medica­men­to injetáv­el aprova­do pela Anvisa, o coor­de­nador-ger­al avalia que o antir­retro­vi­ral, assim que incor­po­ra­do ao SUS, deve facil­i­tar o aces­so e a adesão das pes­soas à PrEP, uma vez que não haverá, por exem­p­lo, a neces­si­dade de deslo­ca­men­to diário para a toma­da do remé­dio.

“Esse é um momen­to impor­tante de a gente divul­gar isso jun­to a pop­u­lações com menos condições soci­ais e de ter serviços que aten­dam a essas pop­u­lações e disponi­bi­lizem a PrEP. Afi­nal, você já vai estar pro­te­gi­do antes mes­mo de ter a relação sex­u­al. Facili­ta muito”.

“O país inteiro pre­cisa estar mobi­liza­do, isso pre­cisa ser divul­ga­do cada vez mais. Divul­gar entre os pares, entre as pes­soas. Falar de sexo ain­da é algo muito con­ser­vador no nos­so país. Quan­to mais divul­ga­da a PrEP, a imple­men­tação vai ser cada vez mais saudáv­el e pre­sente na vida sex­u­al do povo brasileiro”, disse.

Edição: Fer­nan­do Fra­ga

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