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Professora da UFRJ cria monitoramento diário de incêndios florestais

Repro­dução: © Arqui­vo pes­soal

Plataforma Alarmes tem dados calculados por inteligência artificial


Pub­li­ca­do em 22/03/2023 — 07:10 Por Viní­cius Lis­boa — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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Imag­ine com­bat­er um incên­dio com ima­gens de satélite de dois meses atrás ou inves­ti­gar a origem de uma queima­da que só foi cap­ta­da por essas ima­gens 20 dias depois de seu iní­cio. Foram as difi­cul­dades no dia a dia dos órgãos que fis­cal­izam e com­bat­em incên­dios flo­restais no Brasil que impul­sion­aram o tra­bal­ho da mete­o­rol­o­gista Rena­ta Libon­ati, pesquisado­ra da Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio de Janeiro (UFRJ) e coor­de­nado­ra do Lab­o­ratório de Apli­cações de Satélites Ambi­en­tais (Lasa/UFRJ). Em vez de com­para­ções de fotos com mais de um mês de difer­ença, o pro­je­to cri­a­do por ela, a platafor­ma Alarmes, ofer­ece atu­al­iza­ções diárias, cal­cu­ladas por inteligên­cia arti­fi­cial por meio de fotos tiradas do espaço.

Rio de Janeiro (RJ) - Professora Renata Libonati, da UFRJ, cria monitoramento diário de incêndios florestais. Foto: Arquivo Pessoal
Repro­dução: Rio de Janeiro (RJ) — Pro­fes­so­ra Rena­ta Libon­ati, da UFRJ, cria mon­i­tora­men­to diário de incên­dios flo­restais. Foto: Divulgação/Artur Môes (SGCOM/UFRJ)

A pro­fes­so­ra da UFRJ foi hom­e­nagea­da pela empre­sa 3M como uma das oito mul­heres brasileiras incluí­das em uma lista de 25 pesquisado­ras que estão mudan­do as áreas de ciên­cia, tec­nolo­gia, engen­haria e matemáti­ca na Améri­ca Lati­na. Docente e pesquisado­ra da insti­tu­ição des­de 2015, ela defende que a uni­ver­si­dade públi­ca não está desco­la­da da real­i­dade do país. Pelo con­trário, seus pesquisadores estão bus­can­do soluções para os prob­le­mas da sociedade.

“A gente estu­da, pesquisa e for­ma pes­soas para jus­ta­mente ten­tar solu­cionar ess­es prob­le­mas nas mais vari­adas áreas exatas, áreas soci­ais, áreas de saúde, áreas biológ­i­cas. A ciên­cia é muito útil e necessária para o desen­volvi­men­to de qual­quer país”, afir­ma ela, em entre­vista à Agên­cia Brasil.

Além de explicar o fun­ciona­men­to de seu pro­je­to, usa­do para com­bat­er os históri­cos incên­dios do Pan­tanal em 2020, Rena­ta Libon­ati con­ta na entre­vista que vê avanços na par­tic­i­pação das mul­heres nas áreas de ciên­cias exatas, mas defende que a pari­dade, em qual­quer área, pas­sa por recon­hecer desigual­dades estru­tu­rais que colo­cam a mul­her em posição de desvan­tagem no mer­ca­do, e cor­ri­gi-las.

O mon­i­tora­men­to dos incên­dios real­iza­do no lab­o­ratório coor­de­na­do por ela se dá por meio do sis­tema Alarmes, que foi desen­volvi­do com recur­sos de um edi­tal do Con­sel­ho Nacional de Desen­volvi­men­to Cien­tí­fi­co e Tec­nológi­co (CNPQ) de 2018. Des­de 2020, porém, o tra­bal­ho con­ta ape­nas com o apoio de orga­ni­za­ções não gov­er­na­men­tais estrangeiras, a Wet­lands Inter­na­tion­al e o Green­peace. A mete­o­rol­o­gista con­sid­era bas­tante pre­ocu­pante a fal­ta de recur­sos públi­cos no pro­je­to.

“O cus­to do lab­o­ratório tem duas ver­tentes: a primeira são os recur­sos humanos. O sis­tema não tem nen­hum téc­ni­co da uni­ver­si­dade tra­bal­han­do nis­so. Sou eu, como pro­fes­so­ra, e uma dezena de pes­soas tra­bal­han­do, alunos, com bol­sas, para que man­ten­ham o sis­tema. E todo esse mon­i­tora­men­to pre­cisa de um apara­to com­puta­cional muito grande que nós não temos. O que faze­mos é alu­gar tem­po e máquina na nuvem para que o sis­tema fun­cione. E não é bara­to proces­sar dados do Brasil todo, todos os dias”.

Agên­cia Brasil: O seu tra­bal­ho une ima­gens de satélite, focos de calor e inteligên­cia arti­fi­cial nesse mod­e­lo de mon­i­tora­men­to. De onde você par­tiu?

Rena­ta Libon­ati: O satélite pode obser­var várias car­ac­terís­ti­cas dos incên­dios flo­restais, e uma delas é a área que foi queima­da. Até bem pouco tem­po atrás, para obter infor­mações sobre a área que foi per­di­da por um incên­dio, nós tín­hamos que esper­ar um mês, dois meses, para ter essa quan­tifi­cação. Isso era um prob­le­ma para os órgãos que lidam com a gestão do fogo no Brasil, porque a infor­mação de quan­to queimou em deter­mi­na­do even­to é impor­tante para a toma­da de decisão durante a ocor­rên­cia. Se eu sou­ber de for­ma ráp­i­da o quan­to e onde já queimou durante um deter­mi­na­do even­to, eu pos­so, por exem­p­lo, colo­car o meu con­tin­gente de com­bate posi­ciona­do em out­ro local, porque o fogo já não vai para a direção que ele já con­sum­iu. E eu tam­bém pos­so faz­er estu­dos de perí­cia para saber onde o incên­dio começou sem ter que esper­ar muito tem­po.

Agên­cia Brasil: Então, foi algo pen­sa­do com base em um prob­le­ma do dia a dia desse tra­bal­ho.

Rena­ta Libon­ati: Em 2018, hou­ve um edi­tal inédi­to do CNPQ e do Pre­vfo­go [Cen­tro Nacional de Pre­venção e Com­bate aos Incên­dios Flo­restais] para traz­er as uni­ver­si­dades e a acad­e­mia para per­to dos prob­le­mas que esse órgão pre­cisa­va resolver. Fui con­tem­pla­da com um pro­je­to den­tro deste edi­tal, e foi aí que surgiu o sis­tema Alarmes, que nada mais é que um sis­tema de aler­ta rápi­do de infor­mações das áreas afe­tadas pelo fogo. E o que sig­nifi­ca rápi­do? Infor­mações em tem­po quase real. O satélite pas­sa e, 12 horas depois, nós já temos todo o proces­sa­men­to feito, indi­can­do as áreas que foram con­sum­i­das pelos incên­dios. Isso foi pos­sív­el através da junção de apren­diza­do de máquina pro­fun­do, da uti­liza­ção de ima­gens de satélites da Nasa, os mais recentes lança­dos, com infor­mações de focos de calor. Então, nós desen­volve­mos um algo­rit­mo com esse apren­diza­do de máquina que per­mite esse proces­sa­men­to, fornecen­do infor­mações todos os dias sobre o avanço dessas áreas.

Agên­cia Brasil: Como esse sis­tema começou a ser uti­liza­do?

Rena­ta Libon­ati: No iní­cio, esse pro­je­to foi desen­volvi­do com foco no Cer­ra­do, porém, quan­do começaram aque­les incên­dios em 2020, no Pan­tanal, nós rap­i­da­mente percebe­mos a neces­si­dade de aux­il­iar com infor­mações tam­bém para aque­le bio­ma. Naque­la altura, essas infor­mações foram cru­ci­ais para a toma­da de decisão durante aque­les even­tos cat­a­stró­fi­cos, que acome­ter­am quase um terço do bio­ma. Isso é muito supe­ri­or à média que aque­le bio­ma queima todos anos, que é aprox­i­mada­mente ape­nas 8% de sua área. Havia a neces­si­dade desse tipo de infor­mação, e nós colo­camos rap­i­da­mente à dis­posição.

Agên­cia Brasil: E, a par­tir dis­so, as autori­dades con­seguiram otimizar os recur­sos?

Rena­ta Libon­ati: Exata­mente. Eles já não estavam mais tra­bal­han­do às escuras. Tin­ham uma infor­mação atu­al­iza­da diari­a­mente sobre o avanço dos even­tos de fogo e, assim, eles podi­am plane­jar mel­hor os recur­sos e o pes­soal e tomar as decisões cabíveis para com­bat­er os even­tos que estavam ocor­ren­do. É pos­sív­el, com esse sis­tema, tam­bém iden­ti­ficar não só de onde começou, mas todo o per­cur­so que ele teve des­de o seu iní­cio. Com infor­mações atu­al­izadas todos os dias, então, é pos­sív­el faz­er um históri­co diário do com­por­ta­men­to do fogo, des­de o seu iní­cio até o seu fim.

Agên­cia Brasil: E esse sis­tema con­tin­ua à dis­posição das autori­dades para aju­dar nas respostas aos incên­dios e na iden­ti­fi­cação de respon­sáveis?

Rena­ta Libon­ati: Des­de 2020, essas infor­mações são repas­sadas aos órgãos com­pe­tentes de duas for­mas: nós disponi­bi­lizamos essas infor­mações para que essas insti­tu­ições uti­lizem nos próprios sis­temas de infor­mação. Além dis­so, nós desen­volve­mos um site em que essas infor­mações tam­bém são dis­sem­i­nadas para a sociedade de for­ma livre, o que tam­bém é uma questão inter­es­sante de se falar, porque, até o momen­to, a infor­mação que a sociedade tin­ha sobre os even­tos era em número de focos de calor, o que não é pro­pri­a­mente uma quan­ti­dade que todas as pes­soas com­preen­dem. O que sig­nifi­ca um foco de calor, dois focos de calor ou 30 mil­hões de focos de calor? A par­tir do momen­to que nós traze­mos a infor­mação da área afe­ta­da, em quilômet­ros e em hectares, e em cam­pos de fute­bol, isso agre­ga uma infor­mação muito impor­tante para a sociedade. Isso qual­i­fi­ca como a sociedade recebe a infor­mação.

Agên­cia Brasil: Que infor­mações estão disponíveis?

Rena­ta Libon­ati: Hoje em dia, a platafor­ma já atende toda Ama­zo­nia, todo o Pan­tanal e todo o Cer­ra­do. Não só no con­tex­to do bio­ma, mas ela traz infor­mações em níveis mais abaixo, como níveis do municí­pio, das unidades de con­ser­vação e das ter­ras indí­ge­nas. Isso basi­ca­mente é 75% do ter­ritório brasileiro mon­i­tora­do de for­ma diária, em todos ess­es locais, fornecen­do essas infor­mações em tem­po quase real. Mon­i­toramos tam­bém o pan­tanal bina­cional, com infor­mações da Bolívia e do Paraguai.

Agên­cia Brasil: As mudanças climáti­cas já têm impacta­do mod­e­los de mon­i­tora­men­to de desas­tres nat­u­rais e pre­visão mete­o­rológ­i­ca?

Rena­ta Libon­ati: Elas impactam ess­es mod­e­los de pre­visão do tem­po. Quan­do a gente está falan­do em mudanças climáti­cas, isso está asso­ci­a­do ao aumen­to da tem­per­atu­ra média glob­al. Só que esse aumen­to da tem­per­atu­ra média não vem soz­in­ho. Os extremos e a vari­abil­i­dade do cli­ma tam­bém vão se alteran­do. A gente começa a ver que even­tos que antes eram raros pas­sam a ocor­rer de for­ma mais fre­quente e duradoura, e isso gera uma difer­ença em relação ao que era con­heci­do. Quan­do você vai faz­er uma pre­visão do tem­po, para pre­v­er deter­mi­na­do even­to, você vai pre­cis­ar saber como ele se com­por­tou no pas­sa­do para enten­der os proces­sos físi­cos e dinâmi­cos que levaram à ocor­rên­cia dele. Então, à medi­da que ess­es even­tos começam a ter um com­por­ta­men­to difer­ente, eles vão ser mais difí­ceis de pre­v­er, até que a gente con­si­ga enten­der como eles real­mente estão acon­te­cen­do.

Agên­cia Brasil: As mudanças climáti­cas podem causar mais incên­dios no Brasil? O sis­tema já indi­ca algu­ma mudança de com­por­ta­men­to?

Rena­ta Libon­ati: Os incên­dios na veg­e­tação são resul­ta­do de três fatores: o cli­ma, o tipo de veg­e­tação e as ativi­dades humanas naque­la região. Você pode gerir essa veg­e­tação, reduzin­do a quan­ti­dade de mate­r­i­al com­bustív­el em uma área. A ação humana tam­bém pode ser geri­da no sen­ti­do de edu­car, fis­calizar e punir para que aque­las ignições não ocor­ram. Mas o cli­ma a gente não vai con­seguir gerir. Com o cli­ma fican­do cada vez mais favoráv­el à ocor­rên­cia de incên­dios, mais quente e mais seco, maior a prob­a­bil­i­dade de eu ter mais incên­dios. Por exem­p­lo, o Cer­ra­do está fican­do mais quente e seco, e a mes­ma coisa com o Pan­tanal e na parte sul da Amazô­nia. Essas regiões vão ficar cada vez mais propen­sas a incên­dios flo­restais, por isso, é pri­mor­dial que o Brasil ten­ha uma políti­ca integra­da volta­da para a gestão da pais­agem em relação ao fogo. E, em relação ao cli­ma, pre­cisamos tra­bal­har para que essa propen­são ao aumen­to de condições climáti­cas favoráveis aos incên­dios no futuro não se con­cretize, com políti­cas para diminuir o uso de com­bustíveis fós­seis e o lança­men­to de gas­es do efeito est­u­fa.

Agên­cia Brasil: Enti­dades de defe­sa do meio ambi­ente, porém, denun­ci­am que hou­ve desmonte de políti­cas, leis e órgãos de fis­cal­iza­ção ambi­en­tal nos últi­mos anos, que causaram aumen­to do des­mata­men­to. Você tam­bém viu isso no mon­i­tora­men­to dos incên­dios durante o gov­er­no Bol­sonaro?

Rena­ta Libon­ati: Em relação aos incên­dios flo­restais, percebe­mos que nos prin­ci­pais bio­mas brasileiros hou­ve aumen­to nos últi­mos qua­tro anos, e isso é decor­rente de vários fatores, como enfraque­c­i­men­to dos órgãos de fis­cal­iza­ção e das leis ambi­en­tais, muito asso­ci­a­dos à políti­ca nega­cionista de mudanças climáti­cas. Foram qua­tro anos muito difí­ceis em ter­mos ambi­en­tais, e o fogo é mais uma dessas var­iáveis em que a gente con­segue quan­tificar o prob­le­ma que a gente teve.

Agên­cia Brasil: Como você vê o papel da edu­cação públi­ca na for­mação de mais mul­heres cien­tis­tas?

Rena­ta Libon­ati: Sem edu­cação, não há pro­gres­so em nen­hu­ma área de um país. A min­ha inserção na ciên­cia veio de uma esco­la téc­ni­ca fed­er­al, o Cefet, no Rio de Janeiro, em que pude apren­der com os mel­hores pro­fes­sores e um ensi­no de qual­i­dade. Acabei fazen­do min­ha grad­u­ação fora, mas, des­de 2015, sou pro­fes­so­ra da Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio de Janeiro, e a gente tem sofri­do tam­bém, nos últi­mos anos, o enfraque­c­i­men­to da edu­cação no país, e isso é tão pre­ocu­pante quan­to o enfraque­c­i­men­to da questão ambi­en­tal. Sobre a parte das questões de gênero, real­mente as ciên­cias exatas não tem muitas mul­heres, e isso ain­da pre­cisa mudar. A gente pre­cisa de maior par­tic­i­pação, porque, como esse prêmio mostra, é pos­sív­el que mul­heres tragam ino­vação, tec­nolo­gia e res­olução de prob­le­mas na sociedade atu­al. E tam­bém mostra que a uni­ver­si­dade públi­ca tra­bal­ha para desen­volver soluções. Ela não se limi­ta ape­nas a for­mar profis­sion­ais. Ela está foca­da nos grandes prob­le­mas da sociedade brasileira nesse momen­to.

Agên­cia Brasil: Nes­sa fala, você se con­trapõe a algu­ma ideia de que há esse desco­la­men­to entre uni­ver­si­dade e sociedade? Como vencer essa ideia em um con­tex­to de cresci­men­to de vários nega­cionis­mos?

Rena­ta Libon­ati: Nesse momen­to que a gente está pas­san­do da história, em que somos diari­a­mente colo­ca­dos em dúvi­da em relação ao que uma uni­ver­si­dade faz, o que um cien­tista faz e o que ciên­cia pro­duz, é muito impor­tante a gente divul­gar o quan­to é impor­tante o tra­bal­ho de um cien­tista. A gente estu­da, pesquisa e for­ma pes­soas para jus­ta­mente ten­tar solu­cionar ess­es prob­le­mas nas mais vari­adas áreas exatas, áreas soci­ais, áreas de saúde, áreas biológ­i­cas. A ciên­cia é muito útil e necessária para o desen­volvi­men­to de qual­quer país.

Agên­cia Brasil: Você hoje vê maior pari­dade de gênero hoje do que quan­do começou?

Rena­ta Libon­ati: Acred­i­to que esta­mos em um movi­men­to ascen­dente de diminuir essa dis­pari­dade, mas a gente ain­da está muito longe do ide­al. Já vi muitas mel­ho­rias, como agên­cias de fomen­to que já lev­am em con­sid­er­ação o tem­po de licença mater­nidade e a quan­ti­dade de fil­hos que a mul­her tem quan­do vai con­cor­rer a um edi­tal, levan­do em con­sid­er­ação o tem­po de mater­nidade. Isso é muito impor­tante porque, como eu falei, a ciên­cia é muito dinâmi­ca, e no pouco tem­po que você fica para­do, você já perde muito. Então, imag­i­na uma mul­her ficar um ano para­da na licença mater­nidade, e é essen­cial, obvi­a­mente, que isso ocor­ra, e depois, ela ten­tar con­cor­rer com uma pes­soa que nun­ca parou. Isso já é lev­a­do em con­sid­er­ação em vários edi­tais de várias agên­cias de fomen­to. Inclu­sive o CNPQ, no Cur­rícu­lo Lattes, incluiu a opção das mul­heres que são mães infor­marem isso para ser lev­a­do em con­sid­er­ação. Mas ain­da existe mui­ta coisa a ser fei­ta para que esse tipo de bar­reira desa­pareça e pos­sa haver uma equidade de gênero.

Agên­cia Brasil: A gente ouve muito sobre a neces­si­dade de incen­ti­vo às meni­nas entrarem na ciên­cia, e sua respos­ta acres­cen­ta um pon­to que é a neces­si­dade de per­mi­tir que elas con­tin­uem.

Rena­ta Libon­ati: Isso, na ver­dade, está muito lig­a­do, porque a gente vem de uma cul­tura patri­ar­cal em que a mul­her não era muito incen­ti­va­da a estu­dar, é incen­ti­va­da mais para a mater­nidade. Então, isso é um proces­so muito lon­go e difí­cil de ser que­bra­do de uma hora para out­ra. Aí entram todos ess­es movi­men­tos, não só de apoiar as mul­heres que já estão, mas tam­bém de incen­ti­var aque­las que não estão a entrar e dar con­tinuidade à car­reira delas.

Edição: Heloisa Cristal­do

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