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Seis anos após incêndio, Museu Nacional faz apelo por doações

Repro­dução: © Tomaz Silva/Agência Brasil

Reconstrução precisa de R$ 95 milhões até fevereiro

Publicado em 02/09/2024 — 07:28 Por Bruno de Freitas Moura — Repórter da Agência Brasil — Rio de Janeiro

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Ape­sar de clas­si­ficar o rit­mo do tra­bal­ho de recon­strução como exce­lente, o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, dev­as­ta­do por um incên­dio que com­ple­ta seis anos nes­ta segun­da-feira (2), faz um ape­lo por mais doações da sociedade para con­seguir reabrir à vis­i­tação o palá­cio históri­co den­tro do pra­zo esti­ma­do — abril de 2026.

“O tra­bal­ho está exce­lente, no sen­ti­do de que as obras estão andan­do, elas nun­ca pararam”, afir­mou à Agên­cia Brasil o dire­tor do Museu Nacional, Alexan­der Kell­ner. Ele desta­cou, no entan­to, a neces­si­dade de con­seguir mais recur­sos a cur­to e médio pra­zos.

“Pre­cisamos cap­tar até novem­bro R$ 50 mil­hões e, até fevereiro do ano que vem, mais R$ 45 mil­hões. São R$ 95 mil­hões. Se a gente não tiv­er, a obra não vai acon­te­cer e não vamos entre­gar o museu”, aler­tou.

O orça­men­to esti­ma­do para a recon­strução do museu, incluin­do o que já foi arrecada­do, é de R$ 491,7 mil­hões. Os recur­sos adquiri­dos têm ori­gens no setor públi­co e na ini­cia­ti­va pri­va­da.

São patroci­nadores do pro­je­to o Ban­co Nacional de Desen­volvi­men­to Econômi­co e Social (BNDES), Min­istério da Edu­cação (MEC), Min­istério da Ciên­cia, Tec­nolo­gia e Ino­vação (MCTI), Con­gres­so Nacional, Brade­sco e a Vale.

“Ape­sar do grande apoio que temos do MEC, que recen­te­mente con­cedeu R$ 14 mil­hões para as obras que envolvem uma parte do palá­cio, é fun­da­men­tal a par­tic­i­pação da sociedade brasileira”, afir­mou Kell­ner.

Rio de Janeiro (RJ), 29/08/2024 – O diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner fala durante inauguração de novo espaço da instituição com a exposição “Um Museu de Descobertas”, em São Cristóvão, zona norte da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Repro­dução: Rio de Janeiro — O dire­tor do Museu Nacional, Alexan­der Kell­ner fala durante inau­gu­ração de novo espaço da insti­tu­ição — Foto Tomaz Silva/Agência Brasil

O dire­tor do museu clas­si­fi­ca o tra­bal­ho de recu­per­ação como “árduo”, incluin­do a con­fecção dos roteiros e novos cir­cuitos expos­i­tivos.

A pre­visão da direção é entre­gar o Blo­co 1 (históri­co) do Museu Nacional em abril de 2026. A reaber­tu­ra total está pre­vista para 2028.

Enquan­to as entre­gas à pop­u­lação não chegam, o museu faz, anual­mente, o Fes­ti­val Museu Nacional Vive. A últi­ma edição foi nesse domin­go (1º), com diver­sas ativi­dades gra­tu­itas na Quin­ta da Boa Vista, enorme área verde que serve como jardim da insti­tu­ição.

Depois de seis anos sem um espaço per­ma­nente para vis­i­tação, o Museu Nacional inau­gurou, na últi­ma quin­ta-feira (29), uma área viz­in­ha ao pré­dio históri­co para rece­ber alunos de esco­las.

Incêndio

O Paço de São Cristóvão, palá­cio históri­co que sedi­a­va o Museu Nacional, foi destruí­do pelas chamas na noite de um domin­go. O prin­ci­pal museu de história nat­ur­al da Améri­ca Lati­na perdeu cer­ca de 80% do acer­vo de 20 mil­hões de itens. De acor­do com a Polí­cia Fed­er­al, o fogo começou em um apar­el­ho de ar-condi­ciona­do.

As obras emer­gen­ci­ais — reti­ra­da dos escom­bros, esco­ra­men­to do pré­dio, insta­lação de tel­ha­do pro­visório e de con­têineres para apoio ao res­gate do acer­vo – começaram ain­da em setem­bro de 2018 e foram até agos­to de 2019. As obras na facha­da e tel­ha­do foram ini­ci­adas em novem­bro de 2021.

A ger­ente exec­u­ti­va do Pro­je­to Museu Nacional Vive, Lucia Bas­to, expli­ca que as inter­venções de recon­strução começaram pelas fachadas, cober­turas e esquadrias.

Rio de Janeiro (RJ), 29/08/2024 – A coordenadora do projeto Museu Nacional Vive, Lúcia Bastos fala durante inauguração de novo espaço da instituição com a exposição “Um Museu de Descobertas”, em São Cristóvão, zona norte da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Repro­dução: Rio de Janeiro – A coor­de­nado­ra do pro­je­to Museu Nacional Vive, Lúcia Bas­tos — Tomaz Silva/Agência Brasil

“Cinquen­ta por cen­to do pré­dio já estão recu­per­a­dos. Esta­mos avançan­do, con­tin­u­amos com esse proces­so e ago­ra, no segun­do semes­tre de 2024, vamos dar iní­cio às obras do inte­ri­or”, detal­hou.

No site do Pro­je­to Museu Nacional Vive são pub­li­ca­dos boletins sobre o anda­men­to da recu­per­ação. Um dos avanços mais recentes é o tra­bal­ho para insta­lação da futu­ra claraboia do pátio da escadaria.

Foram içadas mais de 5 toneladas de vigas e pilares. A claraboia é uma das ino­vações do pro­je­to de arquite­tu­ra e restau­ro e con­ta com a aprovação do Insti­tu­to do Patrimônio Históri­co e Artís­ti­co Nacional (Iphan).

Doações

Ao ressaltar a neces­si­dade de empre­sas e pes­soas físi­cas con­tribuírem para a recon­strução do museu, o dire­tor Alexan­der Kell­ner apon­ta duas for­mas de colab­o­rar: finan­ceira­mente e com doação de acer­vo.

Ele desta­ca que no fim do ano pas­sa­do foi incluí­da na Lei Rouanet – que incen­ti­va doações para incen­ti­vo à cul­tura – a cap­tação de R$ 90 mil­hões para serem dis­tribuí­dos ao pro­je­to de recu­per­ação. É uma for­ma de empre­sas e tam­bém pes­soas físi­cas des­tinarem para a recon­strução din­heiro que dev­e­ria ser pago em impos­tos.

“É fun­da­men­tal que as empre­sas ven­ham [nos procu­rar para doar], porque elas pagam impos­tos e, por meio da Lei Rouanet, con­seguem abater ess­es impos­tos, sendo mais uma aju­da do gov­er­no, já que deixa de arrecadar”, expli­cou.

Kell­ner afir­mou que a insti­tu­ição está avançan­do na doação de itens de acer­vo por pes­soas e insti­tu­ições. “Esti­mamos que vamos pre­cis­ar de 10 mil exem­plares. Já con­seguimos 1.815, que farão parte da exposição no primeiro momen­to, e pre­cisamos de mais”.

Dinossauro

Além de con­vo­car a sociedade para colo­car em fun­ciona­men­to nova­mente a parte expos­i­ti­va do Museu Nacional — a insti­tu­ição, lig­a­da à Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio de Janeiro (UFRJ), tam­bém real­iza pesquisas e ofer­ece cur­sos de pós-grad­u­ação -, Alexan­der Kell­ner pede adesão à cam­pan­ha Res­gate o Gigante.

O obje­ti­vo é remon­tar o Max­akalisaurus topai, primeiro dinos­sauro de grande porte mon­ta­do no país, apel­i­da­do de Dino­pra­ta. Antes do incên­dio, o esquele­to, de 13,5 met­ros de com­pri­men­to, pre­cisou ser desmon­ta­do por causa de prob­le­mas de cupim na base que o sus­ten­ta­va.

A insti­tu­ição ten­ta obter R$ 300 mil em colab­o­ração cole­ti­va para pré-pro­dução, pro­dução e exposição do crânio e final­iza­ção de toda a col­u­na ver­te­bral. Alcançan­do essa meta, o Museu Nacional se com­pro­m­ete a apor­tar mais R$ 200 mil, val­or necessário para finalizar a mon­tagem com­ple­ta e pin­tu­ra do Dino­pra­ta. A colab­o­ração pode ser fei­ta no site Res­gate o gigante.

“Não é pos­sív­el que a gente abra em 2026 sem o nos­so dinos­sauro mon­ta­do”, disse Kell­ner.

Edição: Graça Adju­to

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