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Tecnologia 3D é usada para recuperar peças indígenas

Repro­dução: © Tomaz Silva/Agência Brasil

Acervo pode ser visto no Museu Emílio Goeldi, em Belém


Pub­li­ca­do em 17/05/2023 — 07:15 Por Fran­cis­co Eduar­do Fer­reira — estag­iário da Agên­cia Brasil * — Rio de Janeiro

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A dig­i­tal­iza­ção de peças arque­ológ­i­cas vem per­mitin­do que ceramis­tas do Pará pro­duzam tra­bal­hos em sin­to­nia com a arte de anti­gas comu­nidades indí­ge­nas brasileiras. Um acer­vo em 3D — pro­duzi­do por um estú­dio bel­ga — está disponív­el para con­sul­ta no Museu  Emílio Goel­di, em Belém. Ao mes­mo tem­po, um pro­je­to bus­ca repro­duzir, através de uma impres­so­ra 3D, peças ances­trais.

O acer­vo está reunido na platafor­ma Atlas of Lost Finds, do estú­dio bel­ga de design Unfold, espe­cial­iza­do na cri­ação dig­i­tal e impressão de peças em cerâmi­ca. Ini­cial­mente, esta­va volta­do para a reunião de obje­tos do Museu Nacional e tin­ham sido escanea­d­os ao lon­go de 20 anos antes do incên­dio de 2018. Pos­te­ri­or­mente, pas­saram a incluir no acer­vo ima­gens 3D de peças cerâmi­cas ances­trais da cul­tura mara­joara que estão dis­per­sas pelo mun­do.

Colab­o­rado­ra do tra­bal­ho, a artista visu­al Ani­ta Ekman con­sid­era que a dig­i­tal­iza­ção 3D pos­si­bili­ta um repa­tri­a­men­to sim­bóli­co. Segun­do ela, há parce­rias com difer­entes museus onde se encon­tram as coleções, tais como o Peabody Muse­um de Har­vard, o Museu do Quai Bran­ly, da França, e o Museu Etnológi­co de Berlim, além de oito museus brasileiros, como o Museu de Arque­olo­gia e Etnolo­gia da Uni­ver­si­dade de São Paulo (USP).

Patrimônio material

“O repa­tri­a­men­to deste patrimônio de povos indí­ge­nas, que está dis­per­so pelo mun­do, ain­da não se trans­for­mou em uma pau­ta. Ain­da não foi feito nen­hum pedi­do ofi­cial. A ideia do pro­je­to é saber onde estão e como ele está sendo trata­do e exibido. Mais do que recu­per­ar o patrimônio mate­r­i­al, pre­cisamos com­preen­der e ressig­nificar o sen­ti­do desse patrimônio arque­ológi­co a par­tir da visão e da sal­va­guar­da do patrimônio ima­te­r­i­al das comu­nidades, dos povos da flo­res­ta”, expli­cou Ani­ta.

Para ela, as peças poderão ser recri­adas através do pro­je­to Repli­can­do o Pas­sa­do, desen­volvi­do pelo Museu Emílio Goel­di, con­sid­er­a­do o maior museu amazôni­co com coleções arque­ológ­i­cas.

A ini­cia­ti­va é desen­volvi­da em parce­ria com o Ate­lier Mangue Mara­jó. “Os ceramis­tas da região vão ao museu visu­alizar e estu­dar essas dig­i­tal­iza­ções em 3D e replicar as peças. Esta­mos chaman­do de rema­tri­a­men­to, ou seja, voltar para a mãe ter­ra, voltar à origem” expli­cou.

Um exem­p­lo desse tra­bal­ho é a Urna de Berlim, uma urna mara­joara em for­ma­to de mul­her grávi­da, que se encon­tra no Museu Etnológi­co de Berlim, e foi repro­duzi­da por ceramis­tas do pro­je­to.

A tec­nolo­gia tam­bém pode ser usa­da na repro­dução de peças. No últi­mo fim de sem­ana, Ani­ta Ekman foi uma das curado­ras da mostra Ore ypy rã-Tem­po de Origem, real­iza­da no Museu de Arte Mod­er­na do Rio de Janeiro (MAM).

Na ocasião, usou-se uma impres­so­ra 3D cri­a­da para tra­bal­har com argi­la. Desen­volvi­da pelo artista Chico Simões, o equipa­men­to uti­liza tec­nolo­gia brasileira de soft­ware livre. “Para esse pro­je­to adaptei uma impres­so­ra de sete anos para uma impres­so­ra 3D que pudesse tra­bal­har com argi­la”, expli­cou.

Museu Nacional

Aos olhos do públi­co, foi repli­ca­da uma urna mara­joara per­di­da no incên­dio do Museu Nacional. A recri­ação ocor­reu em uma escala menor, 50% do orig­i­nal. A peça é uma urna funerária encon­tra­da na Ilha do Mara­jó, no Pará, e data de 1.400 a 400 AC (antes de Cristo). Chico per­maneceu ao lado de seu inven­to durante todo o proces­so. “É um tra­bal­ho demor­a­do. Acred­itá­va­mos que con­seguiríamos faz­er tudo em um dia. Mas, para que saísse da maneira que pre­tendíamos, fize­mos a primeira parte na sex­ta-feira e o restante no sába­do”, expli­cou.

A mostra Ore ypy rã-Tem­po de Origem é um des­do­bra­men­to do mapea­men­to de artefatos arque­ológi­cos de indí­ge­nas do Brasil espal­ha­dos em museus dos Esta­dos Unidos e da Europa. É um tra­bal­ho desen­volvi­do des­de 2021 por San­dra Ben­ites (Guarani Nhade­va), que assi­nou a curado­ria do even­to ao lado de Ani­ta Ekman.

Sua pesquisa resul­tou no mapea­men­to, com o auxílio da arqueólo­ga Cris­tiana Bar­reto, espe­cial­ista em coleções mara­joaras, de urnas funerárias da Ilha de Mara­jó e de zoól­i­tos sam­baquis (artefatos esculpi­dos em pedra) prove­nientes de San­ta Cata­ri­na, espal­hadas em mais de 20 insti­tu­ições pelo mun­do.

*Estag­iário sob a super­visão de Léo Rodrigues

 

Edição: Kle­ber Sam­paio

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