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“Conhecer demência é conhecer Alzheimer” é tema de campanha

Repro­dução: © Tomaz Silva/Agência Brasil

Dia Mundial do Alzheimer é lembrado hoje


Pub­li­ca­do em 21/09/2021 — 08:43 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro
Atu­al­iza­do em 21/09/2021 — 08:30

A ini­cia­ti­va glob­al “Setem­bro: Mês Mundi­al da Doença de Alzheimer” com­ple­ta, este ano, o déci­mo aniver­sário da cam­pan­ha que bus­ca desmisti­ficar o pre­con­ceito e a desin­for­mação que cer­cam a doença. O tema da cam­pan­ha em 2021 é “Con­hecer Demên­cia, Con­hecer Alzheimer”. 

Hoje (21), quan­do se comem­o­ra o Dia Mundi­al do Alzheimer, o mestre em psiquia­tria e psi­colo­gia médi­ca pela Uni­ver­si­dade Fed­er­al de São Paulo (Unife­sp) e pesquisador do Insti­tu­to de Psiquia­tria da Uni­ver­si­dade de São Paulo (USP), Adiel Rios, expli­cou à Agên­cia Brasil que o Alzheimer é uma doença degen­er­a­ti­va do cére­bro. Ela acomete algu­mas funções cere­brais, entre elas a memória, o cál­cu­lo, a lin­guagem e o com­por­ta­men­to.

“Todas essas funções são com­pro­meti­das de for­ma pro­gres­si­va e lenta­mente, de maneira que isso inter­fere na vida diária do paciente”, expli­cou. Os primeiros sinais podem sur­gir de alter­ações com­por­ta­men­tais. Nem sem­pre são alter­ações de memória.

Adiel Rios disse que, de modo ger­al, como se tra­ta de uma doença que acomete mais o indi­ví­duo idoso, aci­ma de 65 anos de idade, os primeiros sinais podem ser depressão, alter­ação no com­por­ta­men­to, mais agi­tação, delírio, mudança na per­son­al­i­dade, agres­sivi­dade e até mes­mo alu­ci­nações. “Essas podem ser mudanças fre­quentes no iní­cio da doença, quan­do o paciente sequer tem alter­ação da memória. Depois, podem sur­gir essas alter­ações”.

O psiquia­tra esclare­ceu que o Alzheimer, con­tu­do, não envolve qual­quer per­da de memória. “A gente deve ficar aten­to porque, todos nós temos esquec­i­men­to, o que é nat­ur­al. Mas a per­da de memória no Alzheimer é uma per­da de memória que se repete e com­pro­m­ete o dia a dia, inter­ferindo, muitas vezes, nas funções e no fun­ciona­men­to das ativi­dades pes­soais”.

Sem cura

Como exem­p­lo, ele citou o caso da pes­soa que esquece que está no shop­ping e não lem­bra como voltar para casa, repeti­das vezes. Tra­ta-se de um esquec­i­men­to mais grave, que pas­sa a ser tam­bém recor­rente. A pes­soa começa a ter difi­cul­dade para se ori­en­tar no tem­po e espaço. Segun­do Adiel Rios, com o evoluir da doença, esse esquec­i­men­to pas­sa a ser maior. As memórias do paciente acabam sendo dete­ri­o­radas, prin­ci­pal­mente as memórias da vida, auto­bi­ográ­fi­cas. “O paciente começa a esque­cer nome de fil­hos, de netos e, por fim, até dele mes­mo, nos está­gios finais”.

O Alzheimer não tem cura. Exis­tem med­icações que esta­bi­lizam a doença ou dimin­uem, pelo menos, a veloci­dade de pro­gressão. “Mas isso durante um inter­va­lo de cin­co anos ou mais. Durante esse tem­po, essas med­icações podem ofer­e­cer ao paciente e ao famil­iar mel­hor qual­i­dade de vida, menos alter­ações no com­por­ta­men­to, menos per­das de memórias, mas cura ain­da não. Ofer­e­cem um con­for­to muito grande e uma qual­i­dade de vida muito maior do que se não tomadas [as med­icações]”.

Rios infor­mou que a med­i­c­i­na vem pesquisan­do várias alter­na­ti­vas, mas ain­da não existe nada mila­groso, nem um pro­ced­i­men­to defin­i­ti­vo que faça com que a doença pos­sa ser inter­romp­i­da. Atual­mente, exis­tem áreas em que o médi­co pode atu­ar para inter­vir pre­co­ce­mente e, talvez, adi­ar o iní­cio da doença ou, até mes­mo, evi­tar. Para isso, a pes­soa deve realizar ativi­dade físi­ca; ter uma ali­men­tação bal­ancea­da (dieta do Mediter­râ­neo), com ali­men­tos ricos em ômega 3; con­tro­lar fatores de risco car­dio­vas­cu­lares, como dia­betes, pressão alta, coles­terol; evi­tar o tabag­is­mo e o con­sumo de álcool em exces­so; realizar ativi­dades int­elec­tu­ais, como testes, exer­cí­cios; man­ter ativi­dade profis­sion­al; habil­i­tação cog­ni­ti­va.

Out­ra coisa essen­cial durante a pan­demia de covid-19 é a preser­vação das relações soci­ais e famil­iares. Estu­dos indicam que o iso­la­men­to pode levar com maior pre­co­ci­dade à doença de Alzheimer. “O iso­la­men­to não seria algo bom”.

Diagnóstico

Nes­ta terça-feira (21), a Asso­ci­ação Inter­na­cional da Doença de Alzheimer (ADI, a sigla em inglês) lançará o Relatório Mundi­al de Alzheimer que, neste ano, se con­cen­trará no aspec­to do diag­nós­ti­co, lev­an­tan­do questões impor­tantes para sis­temas de saúde, gov­er­nos, gestores e pesquisadores.

Adiel Rios afir­mou que quan­to mais pre­coce é feito o diag­nós­ti­co, mais fácil é, para o médi­co, inter­vir e con­tro­lar os fatores de risco, o declínio cog­ni­ti­vo, que podem pio­rar o cur­so da doença, ofer­e­cen­do ao paciente ativi­dades de ter­apia ocu­pa­cional, entre out­ras, uti­lizan­do mais pre­co­ce­mente med­icações anti­co­l­inesterási­cas; “É uma maneira de a gente ofer­tar maior qual­i­dade de vida a essas pes­soas que terão, inex­o­rav­el­mente, a doença”.

A coor­de­nado­ra do Depar­ta­men­to de Neu­rolo­gia Cog­ni­ti­va e do Envel­hec­i­men­to da Acad­e­mia Brasileira de Neu­rolo­gia (ABN), Jerusa Smid, con­cor­dou que o diag­nós­ti­co pre­coce é impor­tante para que os médi­cos come­cem a inter­ferir em alguns a fim de que a evolução da doença seja mais lenta. Além de con­tro­lar pressão alta e dia­betes, a neu­rol­o­gista citou a real­iza­ção de ativi­dade físi­ca aeróbi­ca reg­u­lar, con­tro­lar sin­tomas de depressão. “São várias medi­das em que você vai atu­ar que podem retar­dar a pro­gressão da doença”. Lem­brou tam­bém de cuidar de per­da audi­ti­va e evi­tar iso­la­men­to social.

Envolvimento

O Alzheimer é doença que envolve a família inteira, porque o paciente vai per­den­do a autono­mia e pre­cisa de aju­da para faz­er peque­nas coisas.À medi­da que a doença pro­gride, o indi­ví­duo vai per­den­do a autono­mia e fican­do cada vez mais difí­cil ele faz­er as ativi­dades soz­in­ho. “É pre­ciso envolver toda a família”. Segun­do Jerusa Smid, a prin­ci­pal con­tribuição dos médi­cos é cuidar do paciente e tratar os sin­tomas com­por­ta­men­tais que são fre­quentes, cau­san­do muito estresse nas fas­es mod­er­a­da e grave, “e ori­en­tar o cuidador, diz­er como as coisas vão evoluir, o que esper­ar da evolução dessa doença”.

As med­icações mais comu­mente usadas e que estão no rol do Sis­tema Úni­co de Saúde (SUS), disponíveis gra­tuita­mente inclu­sive, são os inibidores da acetil­co­l­inesterase (Donepezi­la, Rivastig­mi­na e galan­t­a­m­i­na, não usa­dos em asso­ci­ação) e Meman­ti­na, nas fas­es mod­er­a­da e grave da doença, para tratar os sin­tomas cog­ni­tivos (per­da de memória, con­fusão men­tal, lentidão do raciocínio e jul­ga­men­to). Ess­es medica­men­tos devem ser usa­dos até o fim da vida.

Covid-19

De acor­do com o Min­istério da Saúde, cer­ca de 1,2 mil­hão de brasileiros sofrem com a doença e 100 mil novos casos são diag­nos­ti­ca­dos a cada ano. Em todo o mun­do, o número chega a 50 mil­hões de pes­soas. Segun­do esti­ma­ti­vas da ADl, os números poderão evoluir para 74,7 mil­hões em 2030 e para 131,5 mil­hões em 2050, dev­i­do ao envel­hec­i­men­to da pop­u­lação. O psiquia­tra Adiel Rios disse que a doença tende a aumen­tar no pós-pan­demia.

Alguns estu­dos mostram que pode ocor­rer uma asso­ci­ação com o novo coro­n­avírus em pacientes que tiver­am a doença ou que sofr­eram com o iso­la­men­to. “Mas não é nada defin­i­ti­vo. Isso está ain­da em pesquisa. Alguns estu­dos indicaram, porém, uma relação entre ansiedade, depressão, insô­nia e tam­bém o Alzheimer”, con­cluiu Rios. Jerusa Smid avaliou, por out­ro lado, que o iso­la­men­to social pode acel­er­ar na pop­u­lação idosa o iní­cio da doença. “Não no sen­ti­do de causar [a doença], mas de acel­er­ar, traz­er os sin­tomas mais para per­to do momen­to atu­al do que pode­ria ser mais para a frente”.

A doença de Alzheimer foi descri­ta pela primeira vez em 1906, pelo psiquia­tra e neu­ropa­tol­o­gista alemão Alois Alzheimer.

Edição: Graça Adju­to

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