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Festival inovador fomenta experiências criativas e seduz brasileiros

Repro­dução: © Divul­gação

Evento multidisciplinar surgiu em 2016 na Romênia


Pub­li­ca­do em 24/10/2021 — 09:13 Por Léo Rodrigues — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

Um even­to mul­ti­dis­ci­pli­nar ino­vador, que surgiu em 2016 na Romê­nia e rap­i­da­mente gan­hou adep­tos em diver­sos lugares do mun­do, vem se tor­nan­do um atra­ti­vo entre artis­tas e int­elec­tu­ais brasileiros inter­es­sa­dos na tro­ca de exper­iên­cias com pes­soas de out­ros país­es e no desen­volvi­men­to de pro­je­tos cria­tivos. Apoia­do pelo Par­la­men­to Europeu, o Fes­ti­val Unfin­ished  [Inacaba­do, em tradução livre] ini­cia hoje (22), em for­ma­to total­mente online, a sua sex­ta edição.

O even­to, que ocorre anual­mente, colo­ca em questão mod­e­los de fes­ti­vais de arte e cul­tura onde os par­tic­i­pantes são meros espec­ta­dores. Sua pro­pos­ta é pro­mover uma inter­ação cria­ti­va, tro­cas de exper­iên­cias e conexões por meio da músi­ca, da poe­sia, da arte e da explo­ração de con­hec­i­men­tos. A pro­gra­mação de oito dias inclui momen­tos de bate-papo, de apre­sen­tações e de per­for­mances, de práti­cas como ioga e med­i­tação e até mes­mo de almoço, de jan­tar e de café, quan­do os pre­sentes se reúnem em pequenos gru­pos e se sen­tam jun­tos em mesas vir­tu­ais onde podem con­ver­sar.

A par­tic­i­pação é gra­tui­ta, mas exige-se inscrição prévia: é necessário preencher um ques­tionário, cujas reflexões são a por­ta de entra­da para o even­to. Mais de 4 mil pes­soas de 64 país­es par­tic­i­param da últi­ma edição e a expec­ta­ti­va dos orga­ni­zadores é que esse número pos­sa dobrar neste ano. A platafor­ma cri­a­da exclu­si­va­mente para o even­to ofer­ece a pos­si­bil­i­dade tan­to de ativi­dades real­izadas ao vivo como de atrações que podem ser adap­tadas con­forme o fuso horário e a roti­na de cada par­tic­i­pante. Entre os con­vi­da­dos para com­por a pro­gra­mação, estão pes­soas cria­ti­vas de diver­sos país­es aber­tas à ino­vação e à rein­venção de práti­cas artís­ti­cas e soci­ais.

Participantes famosos

A sen­sação do fes­ti­val entre a comu­nidade artís­ti­ca e int­elec­tu­al europeia e mundi­al já fez com que diver­sas fig­uras de fama inter­na­cional desem­bar­cassem na sua pro­gra­mação. Edições ante­ri­ores rece­ber­am, por exem­p­lo, a artista per­for­máti­ca Mari­na Abramović e o pio­neiro da com­putação grá­fi­ca Alvy Ray Smith, cofun­dador do estú­dio de ani­mação Pixar.

Repro­dução: A design­er de exper­iên­cias Isabel­la Nar­di­ni é uma das curado­ras do even­to — Isabel­la Nardini/Arquivo pes­soal

Nos últi­mos anos, o cres­cente inter­esse de brasileiros chamou atenção dos romenos. Eles con­vi­daram a design­er de exper­iên­cias Isabel­la Nar­di­ni para par­tic­i­par da curado­ria. Como con­se­quên­cia, esta será a edição que tem a maior par­tic­i­pação de brasileiros con­vi­da­dos. São pes­soas dos mais vari­a­dos per­fis, entre elas a psi­canal­ista Maria Homem, a jor­nal­ista e antropólo­ga Néli Pereira e a ilustrado­ra Ing Lee. Na músi­ca, os brasileiros estarão rep­re­sen­ta­dos pelo can­tor Mac­ul, pela ban­da Fran­cis­co El Hom­bre e pelas duplas Duo Àvuà e Baby.

“Quan­do falam­os da indús­tria cria­ti­va, há grandes fes­ti­vais globais con­heci­dos, mas uma coisa que existe no Unfin­ished que é difer­ente é o sen­so da comu­nidade. Todos os dias, o fes­ti­val começa com uma sessão de bem-estar: ioga, med­i­tação, pilates. E, neste ano, nós não vamos faz­er palestras em que as pes­soas vão no pal­co. São con­ver­sas ínti­mas entre as pes­soas. Grava­mos com elas no mun­do inteiro. Por exem­p­lo, pes­soas con­ver­san­do enquan­to cam­in­havam no High Line Park de Nova York ou sen­ta­dos na beira de um lago. Bus­camos tirar esse for­ma­to entre o palestrante e o espec­ta­dor. A ideia era cri­ar um ambi­ente para a entre­ga de um con­teú­do mais intimista”, expli­ca Isabel­la Nar­di­ni, que inte­gra a curado­ria pelo segun­do ano segui­do.

Segun­do Isabel­la, não é um fes­ti­val só para artis­tas cria­tivos. “Abrange tudo. Há, por exem­p­lo, cien­tis­tas e pes­soas da área da saúde. E nem só grandes nomes, mas pes­soas que estão explo­ran­do out­ras per­spec­ti­vas de vida, de mun­do”, acres­cen­ta. Ela con­ta como fun­cionam as salas vir­tu­ais para as refeições, que poderão reunir até qua­tro par­tic­i­pantes. Uma per­gun­ta intro­dutória pro­pos­ta pela orga­ni­za­ção do fes­ti­val fomen­ta o iní­cio do bate-papo.

A exper­iên­cia vivi­da pelo músi­co brasileiro Mac­ul é um exem­p­lo bem-suce­di­do desse for­ma­to. Na edição do ano pas­sa­do, ele era um dos par­tic­i­pantes que ouvia e inter­a­gia com os con­vi­da­dos do fes­ti­val. Em uma pausa para um café online, ele con­heceu a can­to­ra paulista Sarah Ros­ton, que era uma das artis­tas con­vi­dadas. Desse encon­tro vir­tu­al, sur­gi­ram pro­postas de parce­ria: de par­tic­i­pante, Mac­ul pas­sou ao pos­to de con­vi­da­do na edição deste ano. Rad­i­ca­do em Munique, na Ale­man­ha, ele vai se apre­sen­tar com sua ban­da em uma exibição na qual cada músi­ca é grava­da em um cômo­do de sua casa.

Out­ra for­ma de socia­bi­lizar é por meio de um botão em que o par­tic­i­pante infor­ma sua dis­posição para con­ver­sar. Ele pode sinalizar inter­esse por um bate-papo com pes­soas de per­fil mais pare­ci­do ao seu ou com out­ras que apre­sen­tem per­spec­ti­vas com­ple­ta­mente dis­tin­tas.

Presencial e virtual

O even­to, que surgiu em 2016 de for­ma total­mente pres­en­cial, foi ide­al­iza­do pela Fun­dação Eidos, sedi­a­da em Bucareste, cap­i­tal da Romê­nia. Tra­ta-se de uma orga­ni­za­ção sem fins lucra­tivos volta­da para apoiar novas for­mas cul­tur­ais a nív­el inter­na­cional. Até 2019, a pro­gra­mação se desen­rola­va no Museu de Arte Nacional da Romê­nia.

“Tudo é inacaba­do. Existe algu­ma coisa no mun­do que não está em movi­men­to? Do cos­mos aos áto­mos, dos humanos às opiniões, somos ape­nas minús­cu­las especi­fi­cações em lon­gas lin­has pon­til­hadas, infini­tas e incom­ple­tas”, diz o man­i­festo do fes­ti­val. Emb­o­ra toda edição seja plur­al e mul­ti­dis­ci­pli­nar, a cada ano um tema prin­ci­pal dá o tom do even­to. Em 2021, a temáti­ca pro­pos­ta é “meia-noite”, palavra que car­regaria uma atmos­fera ambiva­lente: rep­re­sen­ta a pas­sagem de um dia para o out­ro, a mescla entre os medos da noite e as esper­anças dos con­tos de fadas.

Repro­dução: O músi­co brasileiro Mac­ul pas­sou de par­tic­i­pante a con­vi­da­do nes­ta edição — Macul/Arquivo pes­soal

“Tam­bém traze­mos a meia-noite como emergên­cia”, pon­tua Isabel­la Nar­di­ni. Sua entra­da na curado­ria ocorre jus­ta­mente na tran­sição para o mod­e­lo 100% online, o que era inevitáv­el diante da pan­demia de covid-19. A brasileira, que par­ticipou do desen­volvi­men­to da start­up brasileira Mesa e é cri­ado­ra da platafor­ma de rela­ciona­men­tos Love is in the Cloud, já havia sido palestrante na últi­ma edição pres­en­cial do fes­ti­val, em 2019.

No ano seguinte, quan­do os fun­dadores começaram a pen­sar no even­to a par­tir de uma platafor­ma vir­tu­al de exper­iên­cia, apos­taram nos con­hec­i­men­tos de Isabel­la e a con­vi­daram para assumir o design de exper­iên­cia. “Meu tra­bal­ho é cri­ar exper­iên­cias que trans­formem as pes­soas, que ativem o novo den­tro na gente. Me inter­es­so pelo fator humano, pelos detal­h­es, pelos rit­u­ais, pelas dinâmi­cas, em como as pes­soas vão exper­i­men­tar o even­to. Bus­camos faz­er com que seja um lugar de aven­tu­ra, de descober­ta e de explo­ração”, diz Isabel­la.

A expec­ta­ti­va, no entan­to, é de que seja nova­mente pos­sív­el realizar o even­to de for­ma pres­en­cial em 2022. A exper­iên­cia online, no entan­to, não deve ser aban­don­a­da, emb­o­ra Isabel­la con­sidere que ain­da será pre­ciso avaliar mais pro­fun­da­mente como ela será aproveita­da. “Na últi­ma edição, nos momen­tos de café, tin­ha uma pes­soa da Malásia, falan­do com out­ra da Ale­man­ha e out­ra da África do Sul. São pes­soas que talvez não iri­am nun­ca pra Romê­nia. E a ideia é que a platafor­ma vire uma comu­nidade. Ain­da não sabe­mos como vamos linkar o even­to físi­co com a platafor­ma. Mas essa platafor­ma seguirá existin­do”, pon­tua.

Edição: Fábio Mas­sal­li

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