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Máscaras não afetam respiração ou trazem risco à prática de exercícios

Repro­dução: © Rove­na Rosa/Agência Brasil

Pesquisa da Faculdade de Medicina da USP avaliou adultos saudáveis


Pub­li­ca­do em 08/01/2022 — 09:45 Por Daniel Mel­lo – Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

Uma pesquisa da Fac­ul­dade de Med­i­c­i­na da Uni­ver­si­dade de São Paulo apon­ta que o uso de más­caras não afe­ta a res­pi­ração ou traz riscos para pes­soas saudáveis na práti­ca de exer­cí­cios físi­cos. Para o estu­do foram avali­a­dos 17 home­ns com idade média de 30 anos e 18 mul­heres com faixa etária média de 28 anos, todos saudáveis.

“A gente fez com o obje­ti­vo de inves­ti­gar se o uso das más­caras durante o exer­cí­cio atra­pal­ha­va o desem­pen­ho, o fun­ciona­men­to do cor­po em pes­soas que fazem ativi­dade físi­ca reg­u­lar, mas não são atle­tas”, expli­ca o pro­fes­sor Bruno Gualano, respon­sáv­el pelo estu­do. Para isso, os par­tic­i­pantes da pesquisa cor­reram em uma esteira com e sem más­cara de pro­teção, com mon­i­tora­men­to da res­pi­ração, oxi­ge­nação do sangue e função cardía­ca.

Para o tra­bal­ho, os par­tic­i­pantes usaram uma más­cara de pano com três camadas, seguin­do as recomen­dações da Orga­ni­za­ção Mundi­al de Saúde. Os exer­cí­cios foram real­iza­dos em diver­sas inten­si­dades.

Nos níveis de esforço mod­er­a­do e inten­so foi ver­i­fi­ca­da ape­nas uma peque­na alter­ação no esforço de inspi­ração. “Nós obser­va­mos, especi­fi­ca­mente, com o uso da más­cara um aumen­to na capaci­dade inspi­ratória. O indi­ví­duo tin­ha que inspi­rar mais com a más­cara do que sem ela”, expli­ca Gualano. Fora isso, porém, o cor­po se adap­ta ao item de pro­teção e não hou­ve mudanças na respos­ta do cor­po das pes­soas. “Não alter­ou débito cardía­co ou sat­u­ração de oxigênio, que era uma pre­ocu­pação que se tin­ha”, acres­cen­ta o pro­fes­sor.

No esforço con­sid­er­a­do críti­co, que é a máx­i­ma car­ga de exer­cí­cio que a pes­soa con­segue desen­volver, o estu­do apon­tou que hou­ve per­da de desem­pen­ho. De acor­do com Gualano, ao con­trário do que acon­tece nas out­ras inten­si­dades, o cor­po não con­segue com­pen­sar a difi­cul­dade adi­cional que a más­cara impõe à res­pi­ração. Assim, as pes­soas acabam chegan­do ao lim­ite mais rápi­do do que chegari­am sem o uso da pro­teção facial.

Porém, nem mes­mo nesse nív­el de esforço foram con­statadas alter­ações sig­ni­fica­ti­vas na oxi­ge­nação do sangue ou na função cardía­ca. “Não tem nen­hu­ma alter­ação fisi­ológ­i­ca sug­es­ti­va que pos­sa incor­rer em risco à saúde do prat­i­cante”, enfa­ti­za o pro­fes­sor da Fac­ul­dade de Med­i­c­i­na.

O nív­el chama­do de críti­co de esforço é quan­do, expli­ca Gualano, a pes­soa que está se exerci­tan­do é inca­paz de falar durante a tare­fa. Nos níveis mod­er­a­do e inten­so, o prat­i­cante con­seguiria falar, ain­da que ofe­gante.

Para man­ter a boa saúde e até por razões estéti­cas, os níveis mod­er­a­do e inten­so são, segun­do o pro­fes­sor sufi­cientes. “Essa inten­si­dade é sufi­ciente para pro­mover todos os bene­fí­cios que a gente con­hece do exer­cí­cio físi­co”, ressalta.

Ape­sar dos resul­ta­dos dos testes mostrarem que o uso de más­cara afe­ta pouco fisi­ca­mente os prat­i­cantes de exer­cí­cio, no ques­tionário apli­ca­do aos par­tic­i­pantes foram reg­istradas diver­sas queixas em relação ao item de pro­teção.

“No ger­al eles se sen­ti­am muito mal com o uso da más­cara. As pes­soas recla­mavam que com a más­cara sen­ti­am mais calor, descon­for­to, maior fadi­ga, resistên­cia”, enu­mera o pesquisador.

Edição: Denise Griesinger

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