...
quinta-feira ,15 janeiro 2026
Home / Noticias / Estudo com formigas revela efeitos do pasto na diversidade amazônica

Estudo com formigas revela efeitos do pasto na diversidade amazônica

Repro­dução: © Sandeep Handa/Pixabay

Artigo foi publicado na revista Insect Conservation and Diveristy


Pub­li­ca­do em 22/02/2023 — 06:26 Por Agên­cia Brasil — Brasília

ouvir:

A con­ver­são de porções da flo­res­ta amazôni­ca em áreas de agri­cul­tura itin­er­ante e de pastagem para cri­ação de gado reduz a diver­si­dade de formi­gas, que por sua vez pas­sam a predar mais inse­tos. Esse proces­so, no entan­to, ocorre de for­ma mais inten­sa no caso dos pas­tos. A con­clusão é de um estu­do real­iza­do por um grupo de nove pesquisadores das uni­ver­si­dades Fed­er­al de Lavras (UFLA) e Fed­er­al do Acre (UFAC), e estão em um arti­go pub­li­ca­do na revista Insect Con­ser­va­tion and Diveristy, per­iódi­co cien­tí­fi­co refer­ên­cia inter­na­cional em ento­molo­gia, ramo da zoolo­gia que estu­da os inse­tos.

“Formi­gas são óti­mas bioindi­cado­ras de impactos ambi­en­tais. Bioindi­cadores são organ­is­mos que podem ser uti­liza­dos para avaliar a qual­i­dade dos ambi­entes. Eles indicam como está a saúde dos ecos­sis­temas. Isso se deve à alta sen­si­bil­i­dade das formi­gas frente as alter­ações nos ecos­sis­temas e à grande diver­si­dade de suas espé­cies. Só no Brasil, exis­tem cer­ca de 1,5 mil [espé­cies]. Elas real­izam impor­tantes funções ecos­sistêmi­cas, como predação de inse­tos, dis­per­são de sementes, revolvi­men­to do solo e defe­sa de plan­tas con­tra her­bívoros”, expli­ca Icaro Wilk­er, pesquisador da UFLA, que lid­er­ou o estu­do.

A agri­cul­tura itin­er­ante tam­bém é con­heci­da como roça­do ou corte-e-queima. Tra­ta-se de uma práti­ca comum em reser­vas extra­tivis­tas, unidades de con­ser­vação des­ti­nadas à pro­teção do meio ambi­ente e dos meios de vida de pop­u­lações tradi­cionais que sobre­vivem do extra­tivis­mo e, com­ple­men­tar­mente, do cul­ti­vo de sub­sistên­cia e da cri­ação de ani­mais de pequeno porte.

“Na agri­cul­tura itin­er­ante, o ambi­ente nat­ur­al é cor­ta­do e queima­do. Durante 4 ou 5 anos, são cul­ti­va­dos diver­sos tipos de cul­turas, como arroz, fei­jão, man­dio­ca e pimen­ta. Quan­do as áreas são enfim aban­don­adas, ocorre a regen­er­ação da flo­res­ta secundária. Mas dev­i­do ao baixo gan­ho econômi­co com essas ativi­dades, as áreas de agri­cul­tura itin­er­ante, de onde tradi­cional­mente as pop­u­lações locais pro­duzem ali­men­to, e as áreas de flo­res­ta, de onde orig­i­nal­mente reti­ravam seu sus­ten­to, vêm sendo trans­for­madas em áreas de pasta­gens para cri­ação de gado”, expli­ca Icaro.

Para realizar o estu­do, foi feito um tra­bal­ho de cam­po na Reser­va Extra­tivista Chico Mendes, cri­a­da em 1990, no Acre. A imer­são ocor­reu em 2019. Nesse mes­mo ano, dados do Insti­tu­to Nacional de Pesquisas Espa­ci­ais (Inpe) apon­taram que o des­mata­men­to ocor­ri­do den­tro da unidade de con­ser­vação havia cresci­do 203% na com­para­ção com 2018.

Ao todo, 255 espé­cies de formi­gas foram obser­vadas. Algu­mas se mostraram mais sen­síveis à per­da de veg­e­tação nati­va e só foram encon­tradas nas flo­restas, estando ausentes tan­to em áreas de agri­cul­tura itin­er­ante como em áreas de pastagem. “Na Flo­res­ta Amazôni­ca, a maio­r­ia delas está adap­ta­da para sobre­viv­er em um ambi­ente com baixa incidên­cia solar e mudanças mais ame­nas de tem­per­atu­ra e umi­dade. Quan­do a cober­tu­ra flo­re­stal é per­di­da, a incidên­cia solar aumen­ta e a tem­per­atu­ra e umi­dade do local muda dras­ti­ca­mente. Há maior vari­ação, fican­do mais quente durante o dia e mais frio à noite. São fil­tros que afe­tam a sobre­vivên­cia de boa parte das espé­cies”, disse Icaro.

O estu­do rev­el­ou que as formi­gas remanes­centes pas­sam a predar out­ros inse­tos com mais fre­quên­cia. Segun­do os pesquisadores, isso ocorre provavel­mente em respos­ta às mudanças na disponi­bil­i­dade de recur­sos nat­u­rais — como diminuição das fontes de ali­men­to e dos locais para con­struírem nin­hos — e às alter­ações nas condições ambi­en­tais tais como tem­per­atu­ra e umi­dade.

Ape­sar de obser­varem que impactos do mes­mo tipo ocor­rem tan­to pela práti­ca de agri­cul­tura itin­er­ante como nas áreas de pastagem, os pesquisadores obser­varam que a inten­si­dade dos efeitos é bem dis­tin­ta. Ao com­parar os dois ambi­entes, eles apon­tam que os locais onde ocor­rem o cul­ti­vo itin­er­ante é mais het­erogê­neo e diver­si­fi­ca­do em recur­sos, o que lhe per­mite abri­gar mais espé­cies de formi­gas. Nesse sen­ti­do, o estu­do con­clui que sua sub­sti­tu­ição por pas­tos traz pre­juí­zos para a bio­di­ver­si­dade.

“O aban­dono das áreas de agri­cul­tura para for­mação de flo­res­ta secundária pode ger­ar um mosaico de áreas em difer­entes está­gios de regen­er­ação, per­mitin­do a coex­istên­cia de vari­a­dos ecos­sis­temas e aux­il­ian­do na con­ser­vação da bio­di­ver­si­dade da região. Já em relação às formi­gas, ape­sar da per­da em espé­cies ness­es ambi­entes, o aumen­to da predação de inse­tos pode favore­cer os pequenos pro­du­tores, prin­ci­pal­mente nesse sis­tema com baixo uso de pro­du­tos quími­cos”, acres­cen­ta Icaro.

Edição: Fer­nan­do Fra­ga

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Toffoli envia material apreendido no caso Master para análise da PGR

Decisão ocorre após pedido do procurador-geral da República Pedro Rafael Vilela — Repórter da Agên­cia …

3b2c09210a068c0947d7d917357ae19d