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Álcool no trânsito mata 1,2 brasileiro por hora, revela pesquisa

Repro­dução: © Arqui­vo Agên­cia Brasil

Hospitalizações causadas por álcool e direção crescem 34% no país


Pub­li­ca­do em 19/06/2023 — 07:22 Por Lucas Pordeus León — Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

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Mar­co na luta con­tra a vio­lên­cia no trân­si­to no Brasil, a Lei Seca com­ple­ta 15 anos nes­ta segun­da-feira (19). Para lem­brar a data, o Cen­tro de Infor­mações sobre Saúde e Álcool (Cisa) divul­gou dos­siê sobre os aci­dentes provo­ca­dos pelo uso de álcool no país. Os dados foram cole­ta­dos do Min­istério da Saúde.  

O doc­u­men­to rev­ela que 10.887 pes­soas perder­am a vida em decor­rên­cia da mis­tu­ra de álcool com direção em 2021, o que dá uma média de 1,2 óbito por hora.

“Esse número é altís­si­mo se a gente con­sid­er­ar que as mortes atribuí­das ao álcool por aci­dente de trân­si­to são com­ple­ta­mente evitáveis. É só você não beber”, diz o psicól­o­go e pesquisador do Cisa, Kaê Leopol­do. Segun­do o lev­an­ta­men­to, cer­ca de 5,4% dos brasileiros relataram diri­gir após beber, índice que tem apre­sen­ta­do esta­bil­i­dade no país.

Ape­sar de alar­mante, a taxa de mortes por 100 mil habi­tantes de 2021 foi 32% menor que a de 2010, quan­do a Lei Seca ain­da tin­ha ape­nas dois anos. O número de mor­tos por ano caiu de sete para cin­co por 100 mil habi­tantes no perío­do.

Para Kaê, o número ain­da é exces­si­va­mente alto, mas “a gente pre­cisa enten­der que a tendên­cia é de redução. Vem sem­pre existin­do uma tendên­cia de redução ao lon­go dos 10 anos anal­isa­dos”, acen­tua.

Hospitalizações em alta

O total de hos­pi­tal­iza­ções cresceu 34% no perío­do, pas­san­do de 27 para 36 inter­nações a cada 100 mil habi­tantes. A pesquisa mostra, tam­bém, que esse cresci­men­to foi pux­a­do por aci­dentes com ciclis­tas e moto­ci­clis­tas, uma vez que caíram as hos­pi­tal­iza­ções de pes­soas que estavam em veícu­los e de pedestres envolvi­dos em aci­dentes cau­sa­dos pelo con­sumo de álcool.

O pesquisador do Cisa opina que a expan­são das hos­pi­tal­iza­ções envol­ven­do ciclis­tas e moto­ci­clis­tas pode estar rela­ciona­da ao aumen­to da fro­ta no perío­do.

“Prin­ci­pal­mente na questão dos moto­ci­clis­tas, que rep­re­sen­tam um caso que merece atenção espe­cial. Cresceu o total de moto­boys e de entre­gadores. Eles pas­saram a tra­bal­har em horários que, às vezes, há out­ras pes­soas dirigin­do embria­gadas [cujos veícu­los]  podem [atin­gir] moto­boys”, desta­ca Kaê.

Diferenças

Os números de óbitos e hos­pi­tal­iza­ções vari­am bas­tante de acor­do com o esta­do. Enquan­to Tocan­tins (11,8), Mato Grosso (11,5) e Piauí (9,3) reg­is­tram mais de nove óbitos a cada 100 mil habi­tantes por aci­dentes moti­va­dos pelo con­sumo de álcool, Amapá (3,6), São Paulo (3,5), Acre (3,5), Ama­zonas (3,2), Dis­tri­to Fed­er­al (2,9) e Rio de Janeiro (1,6) não chegam nem a qua­tro óbitos por 100 mil habi­tantes.

Em relação a hos­pi­tal­iza­ções, elas podem vari­ar de 85,2 a cada 100 mil pes­soas, como no Piauí, até 11,8 a cada 100 mil no Ama­zonas. A difer­ença é de mais de sete vezes entre os dois esta­dos. Para o pesquisador, é difí­cil enten­der essa difer­ença.

“Temos alguns indica­tivos como imple­men­tação de políti­cas públi­cas, fis­cal­iza­ção, den­si­dade de blitzes, fatores cul­tur­ais, fro­ta de veícu­los e qual­i­dade da fro­ta e das estradas. Tudo isso entra no cál­cu­lo e afe­ta na diver­si­dade dessas taxas de óbitos e hos­pi­tal­iza­ções”, argu­men­ta.

A sociólo­ga Mar­i­ana Thibes, coor­de­nado­ra do Cisa, diz que as autori­dades locais devem aumen­tar a fis­cal­iza­ção nas ruas e imple­men­tar cam­pan­has de edu­cação.

“A edu­cação da pop­u­lação tem um impor­tante papel na segu­rança viária e, em relação à fis­cal­iza­ção, sabe­mos que quan­do não há con­tinuidade o impacto na redução de mortes viárias tende a diminuir, ape­sar da existên­cia de leis”, opina.

Perfil das vítimas

O per­fil das víti­mas de aci­dentes envol­ven­do con­sumo de álcool é majori­tari­a­mente mas­culi­no. Isso porque 85% das hos­pi­tal­iza­ções envolvem home­ns, enquan­to 89% das mortes cau­sadas pelo álcool são de pes­soas do sexo mas­culi­no. “Em relação à faixa etária, a pop­u­lação entre 18 e 34 anos de idade é a mais afe­ta­da”, infor­ma o estu­do.

O Cen­tro de Infor­mações sobre Saúde e Álcool aler­ta que não há um vol­ume seguro para ingestão de bebidas alcoóli­cas antes de diri­gir. Arthur Guer­ra, psiquia­tra e pres­i­dente do Cisa, acen­tua que muitas pes­soas acred­i­tam que a pou­ca ingestão de álcool não inter­fere na capaci­dade de diri­gir.

“Em peque­nas quan­ti­dades, o álcool já é capaz de alter­ar os reflex­os do con­du­tor e, con­forme a con­cen­tração de álcool no sangue, [ele] se ele­va e aumen­ta tam­bém o risco de envolvi­men­to em aci­dentes de trân­si­to graves, uma vez que provo­ca diminuição de atenção, fal­sa per­cepção de veloci­dade, aumen­to no tem­po de reação, sonolên­cia, redução de visão per­iféri­ca e out­ras alter­ações neu­ro­mo­toras”, final­i­zou.

Edição: Kle­ber Sam­paio

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