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Fiocruz: resposta rápida a pandemias requer investimento constante

Repro­dução: © Tomaz Silva/Agência Brasil

Fiocruz promoveu hoje webnário para debater a pandemia em transição


Pub­li­ca­do em 20/04/2022 — 19:27 Por Viní­cius Lis­boa — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

A capaci­dade de respos­ta ráp­i­da a situ­ações de emergên­cia em saúde públi­ca, como a pan­demia da covid-19, requer um inves­ti­men­to per­ma­nente em ciên­cia, tec­nolo­gia e ino­vação, defend­eu hoje (20) a pres­i­dente da Fiocruz, Nísia Trindade, na aber­tu­ra do web­nário “A pan­demia covid-19 em tran­sição”, pro­movi­do pela fun­dação.

“A gente tem essa ilusão de que a respos­ta [à pan­demia] é ráp­i­da. Ela pre­cisa ser ráp­i­da, mas ela não vem do nada, vem de uma base”, afir­mou Nísia. “É fun­da­men­tal o inves­ti­men­to per­ma­nente e con­stante em ciên­cia, tec­nolo­gia e ino­vação. Nada da respos­ta ocor­reu sem um históri­co e sem inves­ti­men­tos ante­ri­ores. Isso se apli­ca à vaci­na hoje total­mente nacional­iza­da pela Fiocruz a par­tir do acor­do com a Uni­ver­si­dade de Oxford e a AstraZeneca”.

A pres­i­dente da Fiocruz desta­cou que esse inves­ti­men­to pre­cisa estar asso­ci­a­do à pro­teção social e à saúde públi­ca, e disse que a pan­demia deixa como apren­diza­do a neces­si­dade de descen­tralizar os cen­tros de pro­dução de vaci­nas e incluir mais país­es, além de reforçar o mul­ti­lat­er­al­is­mo.

“Parece que esse dis­cur­so soa como uma retóri­ca ingênua nesse momen­to em que vive­mos uma guer­ra e em um mun­do mar­ca­do por con­fli­tos que se inten­si­fi­cam”, disse, citan­do a invasão da Ucrâ­nia. “Ain­da não sabe­mos a impli­cação dessa guer­ra , no caso a guer­ra na Ucrâ­nia, em relação a todo o esforço glob­al que pre­cisa ser feito”, acres­cen­tou.

Pandemia em transição

O web­nário dis­cu­tiu o cenário atu­al da pan­demia, mar­ca­do por uma que­da no número de casos e óbitos cau­sa­dos pela covid-19 em relação às ondas de trans­mis­são ante­ri­ores.

O pesquisador da Esco­la Nacional de Saúde Públi­ca da Fiocruz (Ensp/Fiocruz) Car­los Macha­do chamou atenção para o impacto que a doença teve sobre a pop­u­lação brasileira, que, ape­sar de rep­re­sen­tar menos de 3% da pop­u­lação mundi­al, somou mais de 10% das víti­mas da pan­demia em todo o mun­do.

“No momen­to atu­al, em diver­sos país­es e no Brasil, vive­mos um cenário bas­tante pos­i­ti­vo. No Brasil, a existên­cia do SUS [Sis­tema Úni­co de Saúde] per­mi­tiu não só diminuir o impacto da pan­demia na pop­u­lação como tam­bém avançar na vaci­nação”, disse, reforçan­do que o sis­tema públi­co de saúde pre­cis­ará de mais inves­ti­men­tos para lidar com as seque­las e casos de covid-19 per­sis­tente, além de aten­der aos pas­sivos cau­sa­dos por diag­nós­ti­cos e trata­men­tos para out­ras doenças que foram adi­a­dos durante a pan­demia.

O coor­de­nador do Pro­gra­ma de Com­putação Cien­tí­fi­ca da Fun­dação (Procc/Fiocruz), Daniel Vil­lela, avaliou que não é pos­sív­el esper­ar uma ausên­cia de cir­cu­lação do SARS-CoV­‑2, dada a trans­mis­si­bil­i­dade de suas vari­antes e a pos­si­bil­i­dade de novas mutações sur­girem. No entan­to, ele con­sid­era que o mais prováv­el é a pro­gressão para um regime endêmi­co, em que a doença ocor­ra com uma reg­u­lar­i­dade pre­visív­el.

“O que se deve evi­tar é o cli­ma de que a pan­demia acabou, de ter um cenário de sta­tus de doença neg­li­gen­ci­a­da”, aler­tou, desta­can­do a neces­si­dade de avançar na vaci­nação de cri­anças. “Ain­da há bas­tante espaço para avançar. As cri­anças foram menos afe­tadas no iní­cio, mas elas foram, sim, afe­tadas, e pre­cisam de atenção”.

A pro­fes­so­ra da Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Espíri­to San­to Ethel Maciel abriu sua apre­sen­tação abor­dan­do a difi­cul­dade de esta­b­ele­cer qual seria o padrão endêmi­co de um vírus novo, que só pas­sou a cir­cu­lar a par­tir de 2019. “Não temos esse con­sen­so inter­na­cional. Ain­da está sendo con­struí­do”.

Ela defend­eu que a revo­gação do decre­to da Emergên­cia de Saúde Públi­ca de Importân­cia Nacional (Espin) no Brasil dev­e­ria ser coor­de­na­da com a Orga­ni­za­ção Mundi­al da Saúde (OMS) e com as unidades fed­er­a­ti­vas.

“Como a gente tem um organ­is­mo inter­na­cional que está anal­isan­do a emergên­cia, era muito mel­hor que a gente fizesse as coisas coor­de­nadas. Não esta­mos fazen­do. Não esta­mos fazen­do nem do pon­to de vista inter­na­cional nem inter­no. Corre o risco de o Min­istério da Saúde revog­ar o decre­to, e os gov­er­nadores man­terem os decre­tos estad­u­ais”, aler­tou.

A pro­fes­so­ra defende que a revo­gação leve em con­sid­er­ação a con­tinuidade de ações de vig­ilân­cia e acom­pan­hamen­to da doença, incluin­do casos de covid-19 per­sis­tente, cujo trata­men­to dev­e­ria ser feito em cen­tros espe­cial­iza­dos que ain­da não foram cri­a­dos. “Corre o risco de que, se a gente invis­i­bi­lizar a doença, isso nun­ca acon­teça”.

Para o pesquisador Eduar­do Car­mo, da Fiocruz Brasília, é pre­ciso lem­brar que, mes­mo com uma que­da nas mortes cau­sadas pela covid-19, elas ain­da se man­têm em níveis mais ele­va­dos que as de out­ros vírus res­pi­ratórios. E pon­der­ou que a tran­sição para o fim da pan­demia pode demor­ar mais dev­i­do ao relax­am­en­to das medi­das pre­ven­ti­vas e à redução da testagem. “A evolução do agente e da doença ain­da é impre­visív­el”, disse.

Inte­grante do Obser­vatório Covid-19 da Fiocruz, Raphael Guimarães defend­eu que ain­da é pre­ciso comu­nicar com clareza para a pop­u­lação que a pan­demia não acabou e desta­cou que o Brasil vive uma estag­nação da cober­tu­ra vaci­nal quan­do ain­da há esta­dos com menos de 70% da pop­u­lação com as duas dos­es da vaci­na, além de menos da metade da pop­u­lação elegív­el com dose de reforço. “O rebaix­a­m­en­to cria uma fal­sa impressão de que ago­ra está tudo bem, e de que, se está tudo bem, eu não pre­ciso me vaci­nar”.

Ele defende que o cenário pos­i­ti­vo com menos mortes e inter­nações deve servir para alin­har práti­cas de vig­ilân­cia e de atenção primária, além de preparar o sis­tema de saúde para aten­der a out­ros prob­le­mas de saúde que não foram descober­tos ou trata­dos durante a pan­demia.

Edição: Fer­nan­do Fra­ga

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