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Fronteira Cerrado: expansão do agro no coração hídrico do Brasil

Série começa em Balsas (MA), 2º município que mais desmata no país

Lucas Pordeus León – envi­a­do espe­cial
Pub­li­ca­do em 03/11/2025 — 07:00
Bal­sas (MA)
Balsas (MA), 09/10/2025 – Lavoura de cultivo de soja avança sobre a vegetação do cerrado na região do Vão do Uruçuí, nos Gerais de Balsas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Repro­dução: © Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Bal­sas, municí­pio no extremo sul do Maran­hão (MA), pas­sou por uma trans­for­mação rad­i­cal nos últi­mos 25 anos. Ela é um dos epi­cen­tros da fron­teira agropecuária no Brasil que, segun­do estu­dos, impul­siona o des­mata­men­to do Cer­ra­do e con­tribui para colo­car em risco a segu­rança hídri­ca do país.

O cen­tro urbano aglom­era o comér­cio volta­do ao agronegó­cio, além das sedes de gigantes do mer­ca­do de ali­men­tos mundi­ais, como a holan­desa Bunge. A cer­ca de 2 quilômet­ros (km) dali, estão os bair­ros for­ma­dos por residên­cias humildes onde se con­cen­tra o grosso dos tra­bal­hadores, que cos­tu­mam recla­mar da ele­vação dos preços nos últi­mos anos, em espe­cial do aluguel.

Agên­cia Brasil vis­i­tou o municí­pio e entre­vis­tou lid­er­anças locais, comu­nidades tradi­cionais, empresários do agronegó­cio e os gov­er­nos munic­i­pal e estad­ual para enten­der como esse pro­gres­so se rela­ciona a danos ambi­en­tais que já impactam o Brasil.

Balsas: campeã de desmatamento

A aber­tu­ra de novas áreas para grãos e pasta­gens colo­ca Bal­sas entre os campeões do des­mata­men­to do Cer­ra­do. De acor­do com o Relatório Anu­al do Des­mata­men­to no Brasil (RAD 2024), do Map­Bio­mas, foi o segun­do municí­pio que mais des­ma­tou no país nos últi­mos dois anos, mes­mo após uma que­da de 56% em 2024, quan­do foram suprim­i­dos 16 mil hectares (ha), o equiv­a­lente a 45 cam­pos de fute­bol por dia.

Mes­mo com a redução, Bal­sas des­ma­tou no ano pas­sa­do o dobro de seis anos atrás. E dados do Insti­tu­to Nacional de Pesquisas Espa­ci­ais (Inpe) indicam que o des­mata­men­to no municí­pio aumen­tou 30% entre agos­to de 2024 e jul­ho de 2025 — ape­sar da que­da de 11,49% no Cer­ra­do como um todo.

Brasília (DF), 01/11/2025 - Gif Balsas - Especial Fronteira Cerrado. Arte Agência Brasil

Já o Maran­hão foi, pelo segun­do ano con­sec­u­ti­vo, o esta­do que mais suprim­iu veg­e­tação nati­va do Brasil, chegan­do a 17,6% do total des­mata­do em 2024, o que rep­re­sen­tou 218 mil hectares, área bem maior que a cidade de São Paulo (152 mil ha).

Brasília (DF), 01/11/2025 - Infográficos - especial Fronteira Cerrado. Arte Agência Brasil

Ao mes­mo tem­po, Bal­sas abri­ga as nascentes da segun­da mais impor­tante bacia hidro­grá­fi­ca do Nordeste: a Bacia do Rio Par­naí­ba, cujo cur­so d’água per­corre 1.400 km de exten­são entre Maran­hão e Piauí.

Maior municí­pio do esta­do, Bal­sas com­põe a chama­da região do Matopi­ba, nome dado pelas ini­ci­ais do Maran­hão, Tocan­tins, Piauí e Bahia, e que reúne a área pri­or­itária para expan­são do agronegó­cio no Brasil. Em 2024, 42% de toda a per­da de veg­e­tação nati­va do país – e 75% do des­mata­men­to do Cer­ra­do — ocor­reu nes­sa área, segun­do o RAD 2024.

Com mais de 100 mil habi­tantes, a expan­são do agronegó­cio colo­cou o municí­pio como o ter­ceiro maior PIB do Maran­hão, atrás ape­nas da cap­i­tal, São Luís, e de Imper­a­triz, que tem pop­u­lação três vezes maior. Assim como ocorre em out­ras regiões do Matopi­ba, a fron­teira agrí­co­la trans­for­mou a pais­agem, a econo­mia e a sociedade do sul do Maran­hão.

 

Brasília (DF), 01/11/2025 - Infográficos - especial Fronteira Cerrado. Arte Agência Brasil

Maior biorrefinaria de etanol de milho da América Latina

A expan­são econômi­ca de Bal­sas foi coroa­da, em agos­to deste ano, pela inau­gu­ração da maior bior­re­fi­nar­ia de etanol de mil­ho da Améri­ca Lati­na e a primeira do tipo no Nordeste. A usi­na da empre­sa Inpasa tem capaci­dade para proces­sar 2 mil­hões de toneladas de mil­ho e sor­go por ano e pro­duzir 925 mil­hões de litros de etanol à base de grãos.

Além dis­so, a usi­na tem capaci­dade para pro­duzir mil­hares de toneladas de pro­du­tos para nutrição ani­mal e de óleo veg­e­tal. Segun­do a prefeitu­ra de Bal­sas, mil empre­sas se reg­is­traram na cidade nos primeiros seis meses do ano atraí­das pela nova usi­na, cresci­men­to de 33% em relação ao mes­mo perío­do de 2024.

A Inpasa ocu­pa uma exten­sa área na beira da rodovia BR-230, com suas impo­nentes tor­res de refi­no de grãos. A com­pan­hia se apre­sen­ta como líder na tran­sição energéti­ca por pro­duzir com­bustív­el sem car­bono, ten­do já emi­ti­do 1,3 mil­hão de crédi­tos de descar­boniza­ção pelo pro­gra­ma Ren­ov­aBio do gov­er­no fed­er­al.

Balsas (MA), 08/10/2025 – A biorefinaria da Inpasa, especializada na produção de etanol e óleos vegetais a partir do milho. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Repro­dução: Bal­sas (MA), 08/10/2025 – A bior­re­fi­nar­ia da Inpasa, espe­cial­iza­da na pro­dução de etanol e óleos veg­e­tais a par­tir do mil­ho — Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Em con­tra­parti­da, ambi­en­tal­is­tas avaliam que a nova usi­na vai pres­sion­ar a região por ain­da mais des­mata­men­to do Cer­ra­do para pro­dução dos bio­com­bustíveis e out­ros pro­du­tos veg­e­tais, o que pode prej­u­dicar ain­da mais o futuro da segu­rança hídri­ca da região.

Enquan­to o agronegó­cio expande a econo­mia, os serviços e a indús­tria de Bal­sas, comu­nidades rurais da região seguem viven­do, em alguns casos, sem água potáv­el. Como nas comu­nidades de Bacateiras e Angi­cal, em São Félix de Bal­sas, a cer­ca de 200 km da cidade.

A pro­fes­so­ra Maria de Lour­des Mace­do Madeira, de 61 anos, disse que a comu­nidade gan­hou um poço arte­siano da Dio­cese de Bal­sas, mas que não con­segue apoio para insta­lar o equipa­men­to. Os moradores seguem reti­ran­do água do Rio Bal­sas de jumen­to, como há pelo menos sete décadas.

“A gente pega água no jumen­to para con­sumo da casa, coz­in­har, beber, para tudo. Não é água trata­da. É dia e noite pegan­do água nesse jumen­to, para todas as casas. Para faz­er con­strução, é a maior difi­cul­dade do mun­do, por causa da água. Só temos água com sufi­ciên­cia no perío­do da chu­va”, lamen­tou.

As águas de Balsas

Após per­cor­rer mais de 300 km sem sair do municí­pio de Bal­sas em meio a lavouras de mono­cul­turas que se per­dem no hor­i­zonte, a reportagem con­heceu comu­nidades tradi­cionais que vivem há décadas no Cer­ra­do maran­hense e pres­en­cia­ram a chega­da da agri­cul­tura mecan­iza­da e de larga escala a par­tir da déca­da de 1990.

Balsas (MA), 09/10/2025 – Vista de fazendas de cultivo de soja ao longo da rodovia MA-007. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Repro­dução: Bal­sas (MA), 09/10/2025 – Vista de fazen­das de cul­ti­vo de soja ao lon­go da rodovia MA-007. — Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Nos­sa equipe cru­zou 100 km de estra­da de ter­ra, cor­tan­do diver­sas fazen­das a par­tir do cen­tro do povoa­do de Bata­vo, nome dado ao pro­je­to que ini­ciou a col­o­niza­ção do extremo sul baiano com apoio estatal.

Ao final, cheg­amos no Vão do Uruçu, no Alto Gerais de Bal­sas, onde estão parte das cer­ca de 50 nascentes do Rio Bal­sas. Nes­sa região, ain­da é pos­sív­el pres­en­ciar porções de Cer­ra­do nati­vo em meio às comu­nidades tradi­cionais do Bre­jão, São Pedro, Limpeza e Manoel Gregório, entre out­ras, que ficam próx­i­mos a cur­sos d´água cristal­i­nos em meio a belas ser­ras pedregosas que rompem, even­tual­mente, as planí­cies cha­padas do bio­ma propí­cias para mono­cul­tura.

Entre os moradores dessa região, é gen­er­al­iza­do o temor pelo futuro das águas do Cer­ra­do. O agricul­tor famil­iar José Car­los dos San­tos, de 52 anos, chegou ao local com os pais quan­do ain­da era bebê. A família migrou de regiões mais ári­das do Piauí.

“Esta­mos ven­do que a água está sumin­do. O Cer­ra­do está aca­ban­do e a gente está pedin­do aju­da para quem vive den­tro do Poder para que pos­sam faz­er algo pelo Cer­ra­do, pela natureza”, disse o agricul­tor, que vive com a esposa e dois fil­hos no local.

Con­heci­do como Zé Car­los, o agricul­tor plan­ta quase tudo que con­some e vive em meio a inúmeros pés de fru­tos típi­cos do Cer­ra­do, como Bacuri, Can­deia e Buri­ti, além de com­ple­men­tar a ren­da pre­stando serviços para fazen­das da região.

Repro­dução: Vão do Uruçu: comu­nidades tradi­cionais, nascentes do Rio Bal­sas e Cer­ra­do nati­vo e grandes plan­tações con­vivem no ter­ritório - Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Pro­fun­do con­hece­dor das plan­tas e ani­mais do bio­ma, Zé Car­los lev­ou nos­sa equipe até algu­mas das nascentes do Rio Bal­sas que, nes­sa local­i­dade, é um cur­so d’água estre­ito se com­para­do com o largo tre­cho do rio que cor­ta a área urbana do municí­pio.

Em uma das prin­ci­pais nascentes, o bar­ro úmi­do tomou o lugar da água que, de uns anos pra cá, bro­ta do sub­so­lo ape­nas no perío­do da chu­va. Segun­do Zé Car­los, ela não fica­va sem água nem mes­mo no final do perío­do da seca.

“Essa nascente jor­ra­va água cor­rente com abundân­cia. Hoje a gente vê que nos­so rio está pedin­do socor­ro. Quer­e­mos traz­er uma solução para bar­rar o des­mata­men­to e as grandes lavouras que exis­tem na cos­ta do rio”, afir­mou.

Pesquisas identificam redução da vazão de rios

A análise dos moradores do Vão do Uruçu é con­fir­ma­da por dados de equipa­men­tos do Serviço Geológi­co Brasileiro (SGB) que medem as vazões dos rios de, aprox­i­mada­mente, 70% da rede hidrológ­i­ca nacional.

Dados de sete rios da região do Piauí (PI) e do Maran­hão (MA), incluí­do os rios Par­naí­ba e Bal­sas, mostram a que­da sus­ten­ta­da nas vazões dos cur­sos d’água des­de a déca­da de 1970.

“Ape­sar de a gente ter ver­i­fi­ca­do que a chu­va está se man­ten­do estáv­el ness­es locais, temos obser­va­do que a vazão, tan­to as mín­i­mas, quan­to as médias e as máx­i­mas, estão numa tendên­cia de diminuição. Con­tin­uan­do essa tendên­cia, é óbvio que isso, em algum momen­to, vai ter prob­le­ma”, expli­cou à Agên­cia Brasil o hidról­o­go do SGB Cláu­dio Dam­a­s­ceno.

Já o estu­do da Ambi­en­tal Media, com base em dados da Agên­cia Nacional de Águas (ANA), cal­cu­lou que a Bacia do Par­naí­ba, onde está o Rio Bal­sas, perdeu 24% da vazão média em 40 anos.

Em agos­to deste ano, o Min­istério da Inte­gração e do Desen­volvi­men­to Region­al anun­ciou o inves­ti­men­to de R$ 995 mil­hões para revi­tal­iza­ção ambi­en­tal e de nave­g­a­bil­i­dade do Rio Par­naí­ba no âmbito do Pro­gra­ma de Acel­er­ação do Cresci­men­to (PAC).  A expec­ta­ti­va é de que as obras ten­ham iní­cio ain­da neste ano.

O geó­grafo Ronal­do Bar­ros Sodré, pro­fes­sor da Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Maran­hão (UFMA), estu­da o impacto do des­mata­men­to no Cer­ra­do maran­hense e desta­ca que há uma crise hídri­ca silen­ciosa em anda­men­to.

“A expan­são da fron­teira agrí­co­la sobre o sul e tam­bém sobre o leste do Maran­hão tem provo­ca­do o desa­parec­i­men­to de nascentes, a redução dos diver­sos cur­sos d’água e con­fig­u­ran­do, assim, uma crise hídri­ca que é silen­ciosa, mas cres­cente”, avalia.

O geó­grafo da UFMA avalia que o Rio Bal­sas, assim como out­ros rios maran­hens­es, está em uma situ­ação pre­ocu­pante que afe­ta o equi­líbrio hidrológi­co de toda região do Maran­hão e Piauí. Ain­da assim, para ele, é pos­sív­el que a pro­dução agropecuária seja com­patív­el com a sus­tentabil­i­dade hídri­ca. “Des­de que tam­bém ven­ha somar com práti­cas agroecológ­i­cas de inte­gração da lavoura e pecuária com flo­res­ta, o mane­jo de baixo impacto, incluin­do nes­sa gov­er­nança ter­ri­to­r­i­al as comu­nidades e povos tradi­cionais, que his­tori­ca­mente são guardiões das águas”, con­cluiu.

“Passou a boiada” aqui, diz fazendeiro

Os moradores ouvi­dos pela reportagem nos Vãos do Uruçu e do Uruçuí apre­sen­tam relatos semel­hantes. Segun­do eles, as grandes fazen­das assor­eiam nascentes e olhos d’águas para expandir a pro­dução.

Apon­ta­do como um dos poucos empresários que demon­stra inter­esse na preser­vação dos cur­sos d’água, o fazen­deiro Paulo Antônio Rick­li, de 56 anos, chegou a Bal­sas no iní­cio da expan­são agrí­co­la, em 1995. Assim como muitos out­ros empresários de Bal­sas, ele veio da região Sul do país no iní­cio da col­o­niza­ção do Matopi­ba.

Dono de duas fazen­das que somam quase 12 mil hectares, Rick­li plan­ta soja, mil­ho, arroz e cria gado. Ele diz que a pro­dução ocu­pa aprox­i­mada­mente 55% da área das pro­priedades dev­i­do às ser­ras que cor­tam a região – e porque escol­heu man­ter as áreas de preser­vação interli­gadas entre elas.

Balsas (MA), 09/10/2025 – Trator trabalha em fazenda de cultivo de soja na região da Batavo. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Repro­dução: Bal­sas (MA), 09/10/2025 – Tra­tor tra­bal­ha em fazen­da de cul­ti­vo de soja na região da Bata­vo — Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

“Achamos mel­hor preser­var algu­mas áreas para dar con­tinuidade às reser­vas, para elas não ficarem todas sep­a­radas, unif­i­can­do as reser­vas para for­mar um blo­co grande para preser­var as espé­cies, tan­to veg­e­tais quan­to ani­mais, quan­tos os cur­sos d’água”, expli­cou.

Paulo con­ta que adquir­iu a segun­da fazen­da em 2016 no Vão do Uruçu, per­to das nascentes do Rio Bal­sas, e que naque­le ano “tudo era fecha­do pelo Cer­ra­do”.

“Infe­liz­mente, o pes­soal veio com out­ra men­tal­i­dade, de aproveitar o máx­i­mo. Diminuiu muito o Cer­ra­do de 2018 para cá. Pas­sou a boia­da, como disse o ex-min­istro do Meio Ambi­ente. Mui­ta gente que até tin­ha as áreas preser­vadas resolveu ir até o lim­ite, e alguns exced­er­am o lim­ite”, rela­tou.

Ele se ref­ere à frase do atu­al dep­uta­do Ricar­do Salles (PL-SP), ex-min­istro do gov­er­no Jair Bol­sonaro, ao defend­er a flex­i­bi­liza­ção das leis ambi­en­tais durante a pan­demia de covid-19.

O fazen­deiro Paulo Antônio Rick­li acred­i­ta, por out­ro lado, que “a maio­r­ia” respei­ta a leg­is­lação ambi­en­tal, mas ficou impres­sion­a­do com a quan­ti­dade de licenças para des­mata­men­to dos órgãos estad­u­ais emi­ti­das nos últi­mos anos.

“Algu­ma coisa acon­te­ceu nes­sas sec­re­tarias de meio ambi­ente que o negó­cio desan­dou. Áreas que não podi­am ter sido des­matadas, áreas de veredas, com nascentes de rio, que não pode­ri­am ter sido jamais des­matadas, foram des­matadas recen­te­mente, mas eu diria que, de um modo ger­al, as grandes fazen­das tem as reser­vas ain­da bem preser­vadas”, disse Rick­li.

Na avali­ação do empresário, fal­ta maior rig­or na fis­cal­iza­ção. “Esta­do é frouxo na fis­cal­iza­ção. Não fis­cal­iza dire­ito, ou vem fis­calizar e não autua”.

Desmatamento autorizado em áreas protegidas

O pro­je­to Tamo de Olho — que reúne orga­ni­za­ções ambi­en­tal­is­tas — anal­isou cer­ca de 2 mil Autor­iza­ções para Supressão de Veg­e­tação (ASV) emi­ti­das pela Sec­re­taria de Meio Ambi­ente do Maran­hão e iden­ti­fi­cou que 51% delas foram emi­ti­das com algu­ma área sobre­pos­ta a Reser­va Legal (RL), Área de Pro­teção Per­ma­nente (APP), Unidades de Con­ser­vação (UCs) ou Ter­ras Indí­ge­nas (TI) e quilom­bo­las. E Bal­sas se desta­ca, com quase metade dessas sobreposições.

“Mes­mo den­tro da legal­i­dade, temos vários prob­le­mas com per­da con­sid­eráv­el do Cer­ra­do maran­hense”, disse a secretária-exec­u­ti­va do Tamo de Olho, a geó­grafa Deb­o­ra Lima, em audiên­cia públi­ca real­iza­da no municí­pio.

A Sec­re­taria de Meio Ambi­ente do Maran­hão afir­mou à Agên­cia Brasil que não recon­hece ess­es números do Tamo de Olho e que pre­cis­aria anal­is­ar a metodolo­gia do estu­do. “Nen­hum dess­es números con­fir­ma o que a gente tem aqui com dados ofi­ci­ais, inclu­sive de órgão licen­ci­ador”, argu­men­ta o secretário Pedro Cha­gas.

Ele faz uma pon­der­ação sobre pos­síveis erros: “alguns con­ceitos desse lev­an­ta­men­to estão dis­tor­ci­dos, temos vários tipos de unidades de con­ser­vação. As de pro­teção inte­gral, por exem­p­lo, é impos­sív­el de autor­izar a supressão de veg­e­tação. Quan­to às reser­vas legais, ela é declaratória do pro­du­tor, que pode depois faz­er a mudança dessa reser­va, des­de que man­ten­ha o per­centu­al mín­i­mo exigi­do”.

O secretário do Meio Ambi­ente do Maran­hão acres­cen­tou que o órgão ambi­en­tal segue todas as leg­is­lações, e as autor­iza­ções para supressão de veg­e­tação são real­izadas de for­ma téc­ni­ca.

“Hoje, cada vez mais, há um con­t­role por ima­gens de satélites em tem­po real. Então, quem des­ma­ta ou quem faz a supressão sem autor­iza­ção é pronta­mente mul­ta­do e embar­ga­do”, com­ple­tou.

O Min­istério Públi­co do Maran­hão (MPMA) infor­mou à reportagem que abriu, em setem­bro deste ano, 24 proces­sos admin­is­tra­tivos para apu­rar des­mata­men­to e reparação de danos ambi­en­tais.

“A grande maio­r­ia dess­es pro­ced­i­men­tos (23) foi ini­ci­a­da a par­tir de Relatórios de Aler­ta de Des­mata­men­to sobre Pro­priedade Rur­al que iden­ti­ficaram supressão de veg­e­tação nati­va no Cer­ra­do, em tese, sem a dev­i­da Autor­iza­ção de Supressão de Veg­e­tação”, disse a insti­tu­ição.

Os casos sob apu­ração em Bal­sas, São Pedro dos Crentes e Tas­so Fragoso envolvem des­mata­men­tos de grande porte, de cen­te­nas de hectares. “Em pelo menos um caso, apu­ra-se a vio­lação de um embar­go ante­ri­or impos­to pelo Iba­ma”, com­ple­tou o MPMA.

Desenvolvimento supera prejuízos ambientais “pequenos”, diz ruralista

Para o rep­re­sen­tante dos empresários do agronegó­cio de Bal­sas, os bene­fí­cios soci­ais e econômi­cos da ativi­dade agrí­co­la no Sul do Maran­hão super­am os pre­juí­zos ambi­en­tais, que seri­am pequenos.

O pres­i­dente do Sindi­ca­to dos Pro­du­tores Rurais de Bal­sas (Sin­di Bal­sas), Air­ton Zam­ing­nan, nega que o Rio Bal­sas este­ja em risco e afir­ma que a ativi­dade respei­ta as leis ambi­en­tais, reforçan­do que pos­síveis irreg­u­lar­i­dades devem ser fis­cal­izadas e punidas.

Rio de Janeiro (RJ), 12/10/2025 – Entrevista com o presidente do Sindicato Dos Produtores Rurais De Balsas (Sindibalsas), Airto Zamignan., que atua no cultivo de soja. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Repro­dução: Rio de Janeiro (RJ), 12/10/2025 – Air­ton Zam­ing­nan, rep­re­sen­tante dos pro­du­tores rurais de Bal­sas: “Nos EUA não tem Área de Pro­teção Ambi­en­tal” — Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

“Ninguém quer destru­ir a natureza. Quem mais perde com algu­ma mudança climáti­ca somos nós. Existe mui­ta desin­for­mação. Usamos ape­nas 3,9% da área do esta­do aqui no sul do Maran­hão, cer­ca de 980 mil hectares de área plan­ta­da, e o setor traz bene­fí­cios para mais de 1 mil­hão de pes­soas”, disse Zam­ing­nan.

 

 

A lid­er­ança da agri­cul­tura da região de Bal­sas desta­ca que o Índice de Desen­volvi­men­to Humano (IDH) de Bal­sas quase dobrou entre 1990 e 2010, sain­do de 0,347 para 0,687, segun­do dados pub­li­ca­dos pelo IBGE.

“Se pegou a região mais pobre do esta­do mais pobre do Brasil e hoje ela se aprox­i­ma quase aos índices do Cen­tro-Oeste. É fab­u­loso o que ocor­reu com o desen­volvi­men­to e com a agri­cul­tura aqui. Temos três fac­ul­dades de agrono­mia em Bal­sas. Se não fos­se pelo agronegó­cio, provavel­mente elas não exi­s­tiri­am”, afir­ma o pro­du­tor de soja, mil­ho e cri­ador de gado.

Air­ton Zam­ing­nan rece­beu nos­sa reportagem em seu escritório, em Bal­sas. Fil­ho de pais gaú­chos, ele migrou do Sul do Brasil para o Sul do Maran­hão no iní­cio dos anos 1990. O empresário lamen­ta a pressão de gru­pos ambi­en­tal­is­tas con­tra o agronegó­cio.

Ele afir­ma “ter certeza” de que as prin­ci­pais Orga­ni­za­ções Não Gov­er­na­men­tais (ONGs) que atu­am na área ambi­en­tal no Brasil são um instru­men­to para prej­u­dicar a con­cor­rên­cia apre­sen­ta­da pelo agro nacional, desta­can­do que muitas delas são finan­ciadas por enti­dades estrangeiras.

“Por que todas essas exigên­cias ambi­en­tais só valem para os pro­du­tores brasileiros enquan­to eles [europeus] com­pram a soja dos amer­i­canos? Lá [nos EUA] não tem APP [Área de Preser­vação Ambi­en­tal]. Ou seja, essas orga­ni­za­ções cobram que os pro­du­tos brasileiros não sejam de áreas de des­mata­men­to, mas eles não cobram isso dos EUA”.

Zam­ing­nan cita ain­da o pro­je­to Adote uma Nascente, da Asso­ci­ação dos Pro­du­tores de Soja e Mil­ho do Esta­do do Maran­hão (Aproso­ja MA) em parce­ria a estatal Com­pan­hia de Desen­volvi­men­to dos Vales do São Fran­cis­co e do Par­naí­ba (Codevasf), que mapeou as 50 nascentes do Rio Bal­sas e prom­ete preser­var os cur­sos d’água da região.

Ques­tion­a­da pela Agên­cia Brasil, a Codevasf infor­mou que ain­da fal­tam recur­sos para mon­i­tora­men­to e recu­per­ação de áreas degradadas próx­i­mas às nascentes e que a ini­cia­ti­va se lim­i­tou a uma ação ini­cial em que foram plan­tadas mudas nati­vas e cer­ca­do o entorno de nascentes.

“Um dos maiores desafios do pro­je­to é o acom­pan­hamen­to pós-inter­venção em razão da dis­tân­cia e do difí­cil aces­so a algu­mas áreas, muitas delas local­izadas a mais de 300 km da sede do municí­pio de Bal­sas. Por esse moti­vo, a Codevasf pri­or­i­zou o tra­bal­ho de edu­cação ambi­en­tal e a mobi­liza­ção dos pro­pri­etários rurais”, infor­mou a estatal.

“Ilusão de desenvolvimento”

Em con­tra­parti­da, comu­nidades tradi­cionais, ambi­en­tal­is­tas, pesquisadores e movi­men­tos soci­ais têm denun­ci­a­do o alto preço a ser pago pelo atu­al mod­e­lo do agronegó­cio no Cer­ra­do, que vem sendo clas­si­fi­ca­do como bio­ma de sac­ri­fí­cio.

Atual­mente, 51% do Cer­ra­do man­tém a veg­e­tação nati­va. Quase metade dessa veg­e­tação remanes­cente está con­cen­tra­da no Matopi­ba, região que mais se des­ma­ta no Brasil. Espe­cial­is­tas aler­tam que essa tendên­cia colo­ca em risco a segu­rança hídri­ca do Brasil.

Para a pres­i­dente da Asso­ci­ação Cam­pone­sa (ACA) do Maran­hão, Fran­cis­ca Vieira Paz, que via­ja o sul do esta­do dan­do suporte a povos e comu­nidades tradi­cionais envolvi­das em con­fli­tos por ter­ra ou água, “o agronegó­cio é uma ilusão de desen­volvi­men­to”.

“O sul do Maran­hão, e o Maran­hão por inteiro, foi pego como zona de destru­ição, onde leis são flex­i­bi­lizadas em prol do agronegó­cio. Se nada mudar, haverá uma crise hídri­ca. Já está fal­tan­do água em muitos lugares”, disse.

Balsas (MA), 09/10/2025 – Francisca Vieira Paz, da Associação Camponesa (ACA), na comunidade Boa Esperança, no Vão do Uruçuí, área rural dos Gerais de Balsas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Repro­dução||: Bal­sas (MA), 09/10/2025 – Fran­cis­ca Vieira Paz, da Asso­ci­ação Cam­pone­sa (ACA), na comu­nidade Boa Esper­ança, no Vão do Uruçuí, área rur­al dos Gerais de Bal­sas. — Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Para Fran­cis­ca, os bene­fí­cios do agronegó­cio não alcançam toda a sociedade, e o mod­e­lo impos­to é exclu­dente e insus­ten­táv­el. “Se não hou­ver uma mudança rad­i­cal, vamos chegar ao final, daqui 20 anos, e as pes­soas vão se per­gun­tar: desen­volvi­men­to para quem? Já a destru­ição será para todos”, com­ple­tou.

Fran­cis­ca Vieira Paz mili­ta na defe­sa dos dire­itos humanos e de aces­so à ter­ra des­de os 16 anos, ten­do já sofri­do ameaças anôn­i­mas. “Abri mão de bus­car min­has fil­has na esco­la para não expor elas”, con­tou.

A rep­re­sen­tante cam­pone­sa chegou a ser expul­sa, ain­da cri­ança, das ter­ras em que os pais ocu­pavam no municí­pio de Aldeias Altas, no leste maran­hense.

Bispo narra conflito com agronegócio

Atual­mente, Fran­cis­ca acu­mu­la a mil­itân­cia na Asso­ci­ação Cam­pone­sa com o tra­bal­ho no Comitê de Defe­sa da Vida e dos Dire­itos Humanos (CDVDH), enti­dade man­ti­da pela Dio­cese de Bal­sas, que tem lon­go históri­co de apoio à luta dos povos do Cer­ra­do maran­hense.

O atu­al bis­po da Dio­cese de Bal­sas, Dom Valen­tim de Menezes, rece­beu a reportagem no hotel que esta­va hospeda­do em Imper­a­triz, há quase 400 km de Bal­sas, onde foi cel­e­brar mis­sa em hom­e­nagem à padroeira da cidade maran­hense.

 

Imperatriz (MA), 13/10/2025 – Entrevista com Dom Valentim Fagundes de Menezes, o bispo da diocese de Balsas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Repro­dução: Imper­a­triz (MA), 13/10/2025 – Dom Valen­tim e a inspi­ração que car­rega na blusa: padre Óscar A. Romero, defen­sor de dire­itos humanos assas­si­na­do em 1980. — Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Dom Valen­tim ves­tia uma camise­ta do padre Óscar A. Romero, con­heci­do defen­sor dos dire­itos humanos e dos pobres de El Sal­vador, assas­si­na­do em 1980 enquan­to cel­e­bra­va uma mis­sa em um con­tex­to de efer­vescên­cia políti­ca no país cen­tro-amer­i­cano. Romero acabou can­on­iza­do pelo Papa Fran­cis­co em 2018.

O bis­po de Bal­sas se inspi­ra no sac­er­dote de El Sal­vador para con­duzir os fiéis do sul maran­hense. Ele desta­cou que o Maran­hão, jun­to com o Pará, é um dos esta­dos com mais con­fli­to por ter­ra do Brasil e que, des­de a décadas de 1950, a Igre­ja de Bal­sas atua apoian­do os povos do Cer­ra­do em dis­putas fundiárias.

Ten­do se tor­na­do bis­po de Bal­sas em 2020, Dom Valen­tim afir­ma que a expan­são da mono­cul­tura lev­ou à expul­são de muitos povos da região por meio da gri­lagem. Para ele, o agro chega como um “engo­do” de um pro­gres­so “sem sus­tentabil­i­dade”.

A posição da Igre­ja no municí­pio cria con­fli­to com as orga­ni­za­ções do agronegó­cio, que pedi­ram uma reunião com o Dom Valen­tim assim que ele assum­iu a Dio­cese de Bal­sas.

“Quan­do eu fui falar com o agro, eles vier­am para cima e botaram a igre­ja como cape­ta na vida deles. Todos ess­es anos o agro teve ações con­tra a igre­ja. É algo per­ma­nente. Fomos penal­iza­dos porque fui num debate na Câmara dos Vereadores e um empresário se negou a aju­dar em uma fes­ta nos­sa porque eu esta­va com ess­es ‘comu­nistas’. Existe a ilusão das elites de que elas podem con­tro­lar a igre­ja”.

Dom Valen­tim lid­era um pro­je­to para doar ou plan­tar 8 mil­hões de mudas na região até o final do seu bis­pa­do, em 2028. “Falei para eles que não pos­so frear o agronegó­cio e nem parar o Matopi­ba, mas pro­pus que nós plan­tásse­mos árvores para recu­per­ar o Cer­ra­do. Esta­mos avançan­do, mas ninguém abraçou a causa, esta­mos sós nes­sa luta”, disse.

O que diz a prefeitura de Balsas

Procu­ra­da pela Agên­cia Brasil para uma entre­vista pres­en­cial, a Prefeitu­ra de Bal­sas mar­cou uma con­ver­sa, por tele­fone, com a secretária de Meio Ambi­ente, Maria Regi­na Polo. Ela recon­heceu que existe um prob­le­ma hídri­co na região.

“Nós temos receio de que, a médio e lon­go pra­zo, isso aí pos­sa virar real­mente um prob­le­ma grave para nós e pos­sa afe­tar a longev­i­dade do nos­so rio”, disse a secretária.

Balsas (MA), 11/10/2025 – Sede da Prefeitura de Balsas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Repro­dução: Bal­sas (MA), 11/10/2025 – Sede da Prefeitu­ra de Bal­sas e seu lema: “Avanço e Opor­tu­nidade”. — Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Ao mes­mo tem­po, Maria Regi­na pon­der­ou que Bal­sas é o maior municí­pio do Maran­hão e um dos maiores do Brasil, com 13,1 mil­hões de km² de exten­são. “A gente pre­cisa obser­var pro­por­cional­mente esse des­mata­men­to”, disse.

A secretária munic­i­pal avaliou ain­da que a maior parte desse des­mata­men­to é legal, respei­tan­do os lim­ites da leg­is­lação, que per­mite des­matar até 80% de uma pro­priedade no Cer­ra­do. “Então, não sei até que pon­to o agronegó­cio é o vilão nesse con­tex­to”, argu­men­tou.

Maria Regi­na Polo acres­cen­ta que os pro­du­tores rurais de Bal­sas são par­ceiros na fis­cal­iza­ção dos incên­dios, que tam­bém são um grave prob­le­ma ambi­en­tal do Cer­ra­do. E argu­men­ta que o agronegó­cio é um cam­in­ho sem vol­ta, que trouxe empre­gos e ren­da para a região.

“Bal­sas é uma cidade que tem um comér­cio avança­do, indús­trias chegan­do e uma econo­mia total­mente volta­da para o agro. Eu acho que é um cam­in­ho sem vol­ta, não tem como o agro regredir. Nós temos é que, cada vez mais, deixar esse agro sus­ten­táv­el, com um aproveita­men­to mel­hor das pro­priedades, incen­ti­van­do a abrirem menos áreas, ape­sar de que essas aber­turas têm sido, na sua grande maio­r­ia, licen­ci­adas”.

Ain­da segun­do a secretária, a chega­da da bior­re­fi­nar­ia Inpasa na cidade não deve aumen­tar a pressão para o des­mata­men­to, como temem ambi­en­tal­is­tas.

“Ess­es grãos, essas com­modi­ties, estavam sendo expor­tadas. Ago­ra, a Inpasa vai traz­er ess­es grãos para o mer­ca­do domés­ti­co. Vamos con­seguir uti­lizar ess­es grãos aqui. Além dis­so, com pro­dução de ração ani­mal pela Inpasa, o gado vai pre­cis­ar de menos pas­to para se ali­men­tar”, acres­cen­tou.

Gov­er­no do Maran­hão quer “equi­líbrio”

O gov­er­no do Maran­hão infor­mou à Agên­cia Brasil que recon­hece que o Maran­hão está na últi­ma fron­teira agrí­co­la do Brasil, o que tem lev­a­do à expan­são da mono­cul­tura no esta­do nos últi­mos anos, e defend­eu que o desafio é equi­li­brar cresci­men­to econômi­co com sus­tentabil­i­dade ambi­en­tal.

O secretário de Meio Ambi­ente do esta­do, Pedro Cha­gas, disse que toda a leg­is­lação é respeita­da e que existe grande pre­ocu­pação com os recur­sos hídri­cos do Maran­hão.

“A gente se pre­ocu­pa demais com a questão da segu­rança hídri­ca, uma vez que o Maran­hão tem quase 50% da água de todo o Nordeste. Sabe­mos que não é só por con­ta do des­mata­men­to, seja legal ou ile­gal, com os ile­gais sendo fis­cal­iza­dos de pron­to. Mas o prob­le­ma tam­bém é resul­ta­do das mudanças climáti­cas. Esse ano, por exem­p­lo, tive­mos a pior seca dos últi­mos oito anos no Maran­hão”, afir­mou.

Imperatriz (MA), 13/10/2025 – Vista de pescadores em atividade nas águas do Rio Tocantins. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Repro­dução: Imper­a­triz (MA), 13/10/2025 – Pescadores em ativi­dade no Rio Tocan­tins, segun­do maior cur­so d’água total­mente brasileiro. — Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Estu­do do Ambi­en­tal Media apon­ta que o Cer­ra­do perdeu, em média, 27% da vazão dos rios nas seis prin­ci­pais bacias da região entre 1970 e 2021. Desse total, 56% seria cau­sa­do pelo des­mata­men­to, sendo 43% resul­ta­do das mudanças climáti­cas.

O secretário acres­cen­tou que o esta­do atua com fis­cal­iza­ções con­tra o des­mata­men­to ile­gal, mas que tam­bém apoia pro­je­tos para man­ter a veg­e­tação nati­va, com o Pro­gra­ma Flo­res­ta Viva Maran­hão. “Incen­ti­va­mos a manutenção da flo­res­ta em pé e a val­oriza­ção dos pro­du­tos da socio­bioe­cono­mia”, com­ple­tou o respon­sáv­el pela pro­teção ambi­en­tal no esta­do.

Segun­do Cha­gas, o obje­ti­vo do gov­er­no estad­ual é dinamizar o mod­e­lo de negó­cios no Maran­hão, preser­van­do os recur­sos hídri­cos em parce­ria com a sociedade civ­il orga­ni­za­da, prin­ci­pal­mente nos Comitês das Bacias Hidro­grá­fi­cas.

“A gente faz de tudo para pro­te­ger as nascentes, primeiro, por meio de mapea­men­to, fis­cal­iza­ção e con­t­role, mas tam­bém por meio do Pro­gra­ma Flo­res­ta Viva, com a recu­per­ação de nascentes. Tudo isso fazen­do em parce­ria com a sociedade civ­il, porque é quem con­hece a real­i­dade de fato, lá de per­to dessas nascentes”, desta­cou Cha­gas.

Série especial

Esta reportagem é a primeira da série espe­cial Fron­teira Cer­ra­do, que inves­ti­ga como o avanço do agro no bio­ma está afe­tan­do os recur­sos hídri­cos do país. Até quar­ta-feira serão pub­li­ca­dos novos con­teú­dos — acom­pan­he!

A pro­dução dessa série foi via­bi­liza­da a par­tir da Seleção de Reporta­gens Nádia Fran­co, ini­cia­ti­va da Empre­sa Brasil de Comu­ni­cação que des­ti­nou R$ 200 mil para o custeio de con­teú­dos espe­ci­ais pro­duzi­dos por jor­nal­is­tas da empre­sa. De 54 pro­je­tos inscritos, oito foram sele­ciona­dos por um con­sel­ho edi­to­r­i­al.

A jor­nal­ista Nádia Fran­co era edi­to­ra da Agên­cia Brasil e dedi­cou 49 anos à comu­ni­cação públi­ca. Ela fale­ceu em agos­to de 2025.

 

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