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Guia orienta sobre mudança no rastreamento do câncer de colo do útero

Nova versão é lançada nesta quinta-feira (8)

Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 08/01/2026 — 08:02
Rio de Janeiro
Brasília (DF), 15/08/2025 - Ministério da Saúde oferta tecnologia inovadora 100% nacional para detectar câncer do colo do útero no SUS. Medida do programa Agora Tem Especialistas, novo teste molecular de DNA-HPV será implementado de forma gradativa em 12 estados. Por ser mais moderno e eficaz, substituirá o Papanicolau. Foto: João Risi/MS
Repro­dução: © João Risi/MS

A Fun­dação do Câncer lançou nes­ta quin­ta-feira (8) nova ver­são atu­al­iza­da do Guia Práti­co de Pre­venção do Câncer de Colo do Útero, como parte do Janeiro Verde, mês de con­sci­en­ti­za­ção e pre­venção da doença. O guia teve a primeira edição lança­da em 2022, quan­do se fala­va de vaci­nação con­tra o HPV (papi­lo­mavirus humano), vírus que afe­ta a pele e as mucosas — a infecção sex­ual­mente trans­mis­sív­el mais comum no mun­do — e o ras­trea­men­to com o exame Papan­i­co­lau, que uti­liza­va a citolo­gia, méto­do vigente à época.

A nova ver­são do guia visa a ori­en­tar profis­sion­ais de saúde na tran­sição de ras­trea­men­to, que sub­sti­tuirá grad­ual­mente o exame Papan­i­co­lau pelo teste mol­e­c­u­lar de DNA-HPV.

“Tan­to a vaci­nação quan­to o méto­do de ras­trea­men­to rece­ber­am muitas mudanças nesse perío­do, prin­ci­pal­mente em 2025. Hou­ve uma ampli­ação para vaci­nação do públi­co-alvo con­tra o HPV”, disse a con­sul­to­ra médi­ca da Fun­dação do Câncer, Flávia Miran­da Cor­rêa.

Segun­do ela, em relação ao ras­trea­men­to foram incor­po­ra­dos ao Sis­tema Úni­co de Saúde (SUS), em 2024, os testes mol­e­c­u­lares (DNA-HPV) para detecção do HPV oncogêni­co (tipos de HPV com poten­cial capaci­dade de causar câncer de colo do útero). A par­tir de setem­bro do ano pas­sa­do, começou o proces­so de imple­men­tação”.

O proces­so de imple­men­tação dos testes mol­e­c­u­lares para detecção do HPV oncogêni­co foi ini­ci­a­do em setem­bro do ano pas­sa­do, por meio de um núcleo cri­a­do na Sec­re­taria de Atenção Espe­cial­iza­da em Saúde, do Min­istério da Saúde, e ocor­rerá de for­ma grada­ti­va, disse Flavia Cor­rêa, douto­ra em Saúde Cole­ti­va da Cri­ança e da Mul­her pelo Insti­tu­to Nacional de Saúde da Mul­her, da Cri­ança e do Ado­les­cente Fer­nan­des Figueira, da Fun­dação Oswal­do Cruz (IFF/Fiocruz). Primeiro foram elen­ca­dos municí­pios de 12 esta­dos para começar essa imple­men­tação basea­da.

Eles estão em difer­entes está­gios de evolução desse proces­so. Ago­ra começaram as con­ver­sas com mais 12 esta­dos para ter apoio do min­istério e começar a imple­men­tação”. Flavia desta­cou que nos lugares em que o ras­trea­men­to mol­e­c­u­lar (DNA-HPV) não tiv­er chega­do ain­da, con­tin­uarão val­en­do as regras baseadas no ras­trea­men­to citológi­co (Papan­i­co­lau).

O guia atu­al­iza­do da Fun­dação do Câncer já incor­po­ra as recomen­dações das novas Dire­trizes Brasileiras para o Ras­trea­men­to do Câncer do Colo do Útero, aprovadas pela Comis­são Nacional de Incor­po­ração de Tec­nolo­gias no Sis­tema Úni­co de Saúde (Conitec), que pre­veem a sub­sti­tu­ição grad­ual do exame de Papan­i­co­laou pelo teste de DNA-HPV no SUS.

De acor­do com o cirurgião oncológi­co e dire­tor exec­u­ti­vo da Fun­dação do Câncer, Luiz Augus­to Mal­toni, enquan­to o Papan­i­co­lau iden­ti­fi­ca alter­ações celu­lares quan­do elas já estão pre­sentes, o novo exame mol­e­c­u­lar detec­ta a infecção pelo HPV, “amplian­do a capaci­dade de detecção pre­coce e a efe­tivi­dade das estraté­gias de pre­venção”.

Público alvo

Flavia Cor­rêa infor­mou que o públi­co-alvo do novo exame de ras­trea­men­to DNA-HPV con­tin­ua o mes­mo no Brasil, abrangen­do mul­heres na faixa etária de 25 a 64 anos de idade. Out­ros país­es fixaram a idade ini­cial em 30 anos. Após estu­dos, o Brasil decid­iu man­ter o que já esta­va con­sol­i­da­do no país, prin­ci­pal­mente para não ter os dois méto­dos sendo usa­dos con­comi­tan­te­mente em uma mes­ma unidade de saúde. “As duas téc­ni­cas não podem coex­i­s­tir, porque senão vai haver mui­ta con­fusão e, inclu­sive, a pos­si­bil­i­dade de serem feitos os dois testes na mes­ma mul­her”, expli­cou.

A peri­od­i­ci­dade dos testes tam­bém é difer­ente. Na citolo­gia, ele tem de ser repeti­do de três em três anos após um resul­ta­do neg­a­ti­vo, depois de dois resul­ta­dos neg­a­tivos feitos no inter­va­lo de um ano.

“Os primeiros exam­es são anu­ais e, a par­tir daí, são trien­ais”. Com o exame mol­e­c­u­lar (DNA-HPV), mais sen­sív­el, sabe-se que 99% das mul­heres têm teste neg­a­ti­vo, não têm HPV, não têm lesão pre­cur­so­ra nem câncer e, por isso, pode-se ampli­ar o inter­va­lo do ras­trea­men­to para cin­co anos. Essa difer­ença é jus­ti­fi­ca­da pela maior sen­si­bil­i­dade do teste HPV.

Entre as mul­heres que tiverem resul­ta­do pos­i­ti­vo para os tipos mais perigosos e respon­sáveis por 70% dos casos de câncer de colo do útero, que são o HPV 16 e 18, em que há mais risco de lesão pre­cur­so­ra de câncer, o encam­in­hamen­to para exame de col­po­scopia é ime­di­a­to. A col­po­scopia per­mite, por meio de lentes de aumen­to, visu­alizar o colo do útero e a vagi­na de for­ma ampli­a­da e detal­ha­da e, com o uso de alguns reagentes, detec­tar lesões pre­cur­so­ras da doença.

Flavia Cor­rêa disse ain­da que além do HPV 16 e 18, existe um grupo de mais dez tipos de HPV, con­sid­er­a­dos pela Agên­cia Inter­na­cional de Pesquisa em Câncer (Iarc) respon­sáveis por 30% dos casos de câncer de colo de útero. As mul­heres com resul­ta­do pos­i­ti­vo para out­ros tipos de HPV oncogêni­co terão a citolo­gia reflexa proces­sa­da no mes­mo mate­r­i­al cole­ta­do para o teste mol­e­c­u­lar. Caso a citolo­gia apre­sente alter­ações, essas pacientes tam­bém serão encam­in­hadas para col­po­scopia. Mas se a citolo­gia for nor­mal, se não tiv­er nen­hu­ma alter­ação, a paciente repete o teste de HPV em um ano, em vez de cin­co anos, porque está em risco inter­mediário entre a mul­her que tem HPV 16 e 18 pos­i­ti­vo e aque­la que apre­sen­ta teste neg­a­ti­vo.

Pilares

O Brasil aderiu à Estraté­gia Glob­al para a Elim­i­nação do Câncer de Colo do Útero, lança­da em 2020 pela Orga­ni­za­ção Mundi­al da Saúde (OMS), e assum­iu metas até 2030 que incluem vaci­nar 90% das meni­nas até 15 anos de idade, ras­trear 70% das mul­heres com teste mol­e­c­u­lar e tratar 90% das pacientes diag­nos­ti­cadas com lesões pre­cur­so­ras ou câncer.

Flavia Cor­rêa desta­cou que a vaci­nação das meni­nas é a for­ma mais efi­caz de pre­venir o câncer de colo do útero “porque sim­ples­mente não ten­do uma infecção por HPV, o câncer não ocorre. É o que a gente chama de pre­venção primária”. Com a pan­demia de covid-19 e, nos anos seguintes, com o movi­men­to muito forte anti­vaci­na, a cober­tu­ra caiu. Ago­ra, o Pro­gra­ma Nacional de Imu­niza­ção (PNI) faz grande esforço em relação à meta de 2030 e, des­de o final do ano pas­sa­do, com duração pre­vista até o final do primeiro semes­tre de 2026, está fazen­do o res­gate dos ado­les­centes entre 15 e 19 anos que não foram vaci­na­dos até o momen­to con­tra o HPV.

“Vai ser uma medi­da muito impor­tante, porque a gente sabe que quan­to mais cedo a cri­ança ou ado­les­cente for vaci­na­do con­tra o HPV, maior é a imu­nidade que se desen­volve”.

Disponív­el no SUS des­de 2014, a vaci­na quadri­va­lente pro­tege con­tra os tipos mais fre­quente­mente asso­ci­a­dos ao desen­volvi­men­to do câncer de colo de útero. No Brasil, meni­nas e meni­nos de 9 a 14 anos recebem dose úni­ca con­tra o HPV.

O segun­do pilar é o ras­trea­men­to, que gan­ha força com a incor­po­ração do teste mol­e­c­u­lar DNA-HPV. A con­sul­to­ra médi­ca da Fun­dação do Câncer salien­tou que, ao con­trário do Papan­i­co­lau, com sub­je­tivi­dade muito grande pelo fator humano e que pode apre­sen­tar resul­ta­dos fal­sos pos­i­tivos como neg­a­tivos, o exame mol­e­c­u­lar (DNA-HPV) é autom­a­ti­za­do e tem 99% de segu­rança, se der neg­a­ti­vo, de que a pes­soa não tem nem vai ter lesão pre­cur­so­ra ou câncer no perío­do de cin­co anos ou mais. “Essa mudança aprox­i­ma o Brasil de país­es como a Aus­trália, refer­ên­cia mundi­al, que já reg­istrou quedas expres­si­vas na incidên­cia da doença após ado­tar o novo exame como prin­ci­pal méto­do de ras­trea­men­to”, afir­mou Flavia.

O ter­ceiro pilar é o trata­men­to opor­tuno, que com­ple­ta a estraté­gia da OMS. Ele inclui des­de o mane­jo ade­qua­do de lesões pre­cur­so­ras até o aces­so rápi­do ao trata­men­to oncológi­co para os casos já avança­dos, asse­gu­ran­do que mul­heres iden­ti­fi­cadas com algu­ma alter­ação rece­bam o cuida­do necessário de for­ma ráp­i­da e efe­ti­va. Se for con­fir­ma­do o diag­nós­ti­co de lesão pre­cur­so­ra ou câncer e a mul­her não for sub­meti­da a trata­men­to, se rompe um elo dessa cadeia e não se está fazen­do pre­venção, disse a médi­ca.

“Não bas­ta só mudar o teste. Toda a rede de cuida­do e pre­venção do câncer do colo do útero tem que estar estru­tu­ra­da”.

Prioridades

Flavia lem­brou que a vaci­nação gra­tui­ta con­tra o HPV está disponív­el no SUS tam­bém para gru­pos pri­or­itários como pes­soas com HIV/Aids, trans­plan­ta­dos, pacientes oncológi­cos e víti­mas de abu­so sex­u­al (9 a 45 anos), além de usuários de PrEP (Pro­fi­lax­ia Pré-Exposição), medica­men­to antir­retro­vi­ral toma­do por pes­soas sem HIV para pre­venir a infecção. Para mul­heres na faixa de 20 a 45 anos, a vaci­na não está incor­po­ra­da ao SUS e elas terão de recor­rer ao setor pri­va­do de saúde. A par­tir dos 20 anos, a vaci­na é divi­di­da em três dos­es e a decisão deve ser com­par­til­ha­da entre a mul­her e o profis­sion­al de saúde que a acom­pan­ha, para avali­ação dos bene­fí­cios.

Como par­tic­i­pante do Grupo de Desen­volvi­men­to de Dire­trizes da OMS: Atu­al­iza­ção das Recomen­dações de Ras­trea­men­to e Trata­men­to da OMS para pre­venir o câncer de colo do útero”, Flavia Cor­rêa admi­tiu que os profis­sion­ais do sexo ain­da não estão incluí­dos nos gru­pos de vaci­nação no SUS. Mas, como rep­re­sen­tam um grupo de risco maior, ela acred­i­ta na pos­si­bil­i­dade de virem a ser incluí­dos na expan­são da vaci­nação con­tra o HPV.

Con­sulte aqui o Guia Práti­co de Pre­venção do Câncer do Colo do Útero, da Fun­dação do Câncer.

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