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Ministros falam sobre ações para combater desmatamento na Amazônia

Repro­dução: © Fabio Rodrigues-Pozze­bom/Agên­cia Brasil

Coletiva foi realizada após divulgação de alta no desmatamento


Pub­li­ca­do em 18/11/2021 — 21:10 Por Pedro Rafael Vilela — Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

Os min­istros do Meio Ambi­ente, Joaquim Leite, e da Justiça e Segu­rança Públi­ca, Ander­son Tor­res, realizaram uma cole­ti­va de impren­sa para falar sobre ações do gov­er­no no com­bate ao des­mata­men­to da Flo­res­ta Amazôni­ca. Nes­ta quin­ta-feira (18), o Insti­tu­to Nacional de Pesquisas Espa­ci­ais (Inpe) divul­gou que a taxa de des­mata­men­to na Amazô­nia Legal Brasileira (ALB) teve um cresci­men­to de 21,97% em 2021.

Segun­do Leite, os números ain­da não refletem a atu­ação mais recente da Força Nacional no com­bate a crimes ambi­en­tais. “Os números que foram apre­sen­ta­dos hoje são números que tiver­am uma alta que não refletem exata­mente a atu­ação dos últi­mos meses, que nós esta­mos sendo mais pre­sentes. E a Força Nacional, jun­to com Iba­ma e ICM­Bio, têm atu­a­do em 23 municí­pios de for­ma per­ma­nente”.

Ele prom­e­teu rig­or na fis­cal­iza­ção e clas­si­fi­cou os números do INPE como “ina­ceitáveis”. “Quer­e­mos deixar claro que o gov­er­no fed­er­al irá atu­ar de for­ma con­tun­dente con­tra qual­quer crime con­tun­den­te­mente o crime ambi­en­tal na Amazô­nia”, afir­mou Joaquim Leite. Em segui­da, ele acres­cen­tou que descon­hecia a infor­mação pre­vi­a­mente. “Eu tive con­ta­to com o dado hoje, exata­mente como vocês devem ter tido aces­so”.

Já o min­istro da Justiça e Segu­rança Públi­ca enfa­ti­zou que a pas­ta prepara um novo plane­ja­men­to opera­cional para inten­si­ficar mais a fis­cal­iza­ção. “Esta­mos read­e­quan­do as nos­sas forças e subire­mos para essas regiões de des­mata­men­to. O Esta­do brasileiro vai subir com força ambi­en­tal”.

O min­istro do Meio Ambi­ente foi ques­tion­a­do por jor­nal­is­tas o moti­vo pelo qual o relatório do INPE, com data de 27 de out­ubro, só ter sido tor­na­do públi­co hoje. A data do doc­u­men­to é ante­ri­or ao perío­do da Con­fer­ên­cia das Nações Unidas sobre Mudanças Climáti­cas (COP26), ocor­ri­da em Glas­gow, na Escó­cia, entre os dias 1º e 12 de novem­bro.

“Talvez ten­ha sido por cautela que o Inpe ten­ha atrasa­do a divul­gação dess­es dados para algu­ma revisão, mas eu não ten­ho essa infor­mação do Inpe. O que eu ten­ho infor­mação é que foi divul­ga­do hoje e nós esta­mos aqui deixan­do claro que esse número é ina­ceitáv­el e nós vamos com­bat­er total”, disse Joaquim Leite.

Dados

De acor­do com o Inpe, o des­mata­men­to na Amazô­nia atingiu 13.235 quilômet­ros quadra­dos entre agos­to de 2020 e jul­ho de 2021. O número rep­re­sen­ta uma alta de 21,97% na com­para­ção com o perío­do ante­ri­or, quan­do foi des­mata­da uma área total de 10.851 quilômet­ros quadra­dos. O vol­ume de área de flo­res­ta dev­as­ta­da nesse últi­mo perío­do cor­re­sponde a cer­ca de 8 vezes o taman­ho do municí­pio de São Paulo.

A esti­ma­ti­va é real­iza­da por meio do Pro­je­to de Mon­i­tora­men­to do Des­mata­men­to na Amazô­nia Legal por Satélite (Prodes), que uti­liza ima­gens do satélite Land­sat ou sim­i­lares para reg­is­trar e quan­tificar as áreas des­matadas maiores que 6,25 hectares.

Segun­do Inpe, o Prodes con­sid­era como des­mata­men­to a remoção com­ple­ta da cober­tu­ra flo­re­stal primária por corte raso, inde­pen­den­te­mente da futu­ra uti­liza­ção destas áreas. A esti­ma­ti­va da taxa 2021 foi cal­cu­la­da a par­tir da análise de 106 cenas pri­or­itárias de todos os esta­dos da Amazô­nia Legal. Esta é a quar­ta alta anu­al con­sec­u­ti­va de des­mata­men­to na Amazô­nia, a maior sequên­cia deste o iní­cio das medições, em 1988.

De acor­do com os dados, o Pará foi respon­sáv­el por 39,72% do des­mata­men­to no perío­do anal­isa­do, com mais de 5,2 mil quilômet­ros de quadra­dos de flo­res­ta destruí­da. Em taman­ho de área atingi­da, apare­cem na sequên­cia Ama­zonas (2,3 mil km2), Mato Grosso (2,2 mil km2) e Rondô­nia (1,6 mil km2). Jun­tos, ess­es qua­tro esta­dos cor­re­spon­dem a 87,2% do des­mata­men­to esti­ma­do na Amazô­nia Legal, segun­do o INPE.

Críticas

Em nota, o Obser­vatório do Cli­ma, rede da sociedade civ­il for­ma­da por 70 enti­dades, criti­cou as ações do gov­er­no na preser­vação da flo­res­ta. “O resul­ta­do é fru­to de um esforço per­sis­tente, plane­ja­do e con­tín­uo de destru­ição das políti­cas de pro­teção ambi­en­tal no regime de Jair Bol­sonaro”, disse Mar­cio Astri­ni, secretário-exec­u­ti­vo do Obser­vatório.

“Difer­ente­mente da pro­pa­gan­da que o gov­er­no e seus ali­a­dos no agro e na indús­tria levaram à COP26, em Glas­gow, o Brasil real é este, da ter­ra arrasa­da, da vio­lên­cia con­tra pop­u­lações tradi­cionais e do crime orga­ni­za­do agin­do sem con­t­role na Amazô­nia”, acres­cen­tou.

*Matéria alter­a­da às 21h27 para esclarec­i­men­to de infor­mação

Edição: Clau­dia Fel­czak

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