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Para Dino, mudança de planejamento do DF possibilitou terrorismo

Repro­dução: © Val­ter Campanato/Agência Brasil

Segundo ele, alteração do GDF foi de última hora


Pub­li­ca­do em 09/01/2023 — 18:09 Por Marce­lo Brandão — Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

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O min­istro da Justiça, Flávio Dino, atribuiu ao gov­er­no do Dis­tri­to Fed­er­al as respon­s­abil­i­dades dos atos ter­ror­is­tas vis­tos ontem (8) na Esplana­da dos Min­istérios. Segun­do ele, a mudança de plane­ja­men­to das forças de segu­rança públi­ca do DF foi deter­mi­nante para pos­si­bil­i­tar a invasão e destru­ição dos pré­dios públi­cos.

Em cole­ti­va de impren­sa, real­iza­da na tarde hoje (9), no Min­istério da Justiça, Dino rela­tou uma reunião prévia entre forças fed­erais e dis­tri­tais para acer­tar o plane­ja­men­to opera­cional. Essa reunião ocor­reu no fim da sem­ana e ficou acer­ta­do que os man­i­fes­tantes não entrari­am na Esplana­da, have­ria um blo­queio no cam­in­ho que leva ao Con­gres­so Nacional e à Praça dos Três Poderes.

“Infe­liz­mente, hou­ve uma avali­ação das autori­dades locais de que seria pos­sív­el, na últi­ma hora, mudar o plane­ja­men­to. Esse plane­ja­men­to foi mod­i­fi­ca­do e isso ense­jou que essas pes­soas descessem até próx­i­mo do Con­gres­so Nacional e, em segui­da, o descon­t­role que vocês viram”, afir­mou Dino. Ele evi­tou diz­er que essa mudança de plane­ja­men­to foi crim­i­nosa, mas disse que a tragé­dia ocor­ri­da ontem pode­ria ter sido evi­ta­da se o com­bi­na­do com o gov­er­no fed­er­al tivesse sido cumpri­do.

“O que eu vi era que o con­tin­gente poli­cial esta­va abso­lu­ta­mente descon­forme com a decisão toma­da de deixar que eles descessem a Esplana­da. Tan­to é que quan­do os efe­tivos foram ampli­a­dos, uma hora e meia após o iní­cio dos episó­dios, rap­i­da­mente a situ­ação foi con­tro­la­da. O que mostra que era abso­lu­ta­mente evitáv­el se não fos­se uma mudança de plane­ja­men­to de últi­ma hora”. O min­istro afir­mou que as razões dessa mudança estão sendo inves­ti­gadas.

Dino disse ain­da que pre­tende devolver a gestão da segu­rança públi­ca do DF, ago­ra sob inter­venção fed­er­al, ao gov­er­no local “o quan­to antes”. Segun­do ele, haverá “revisão” nas polí­cias do DF, sobre­tu­do na Polí­cia Mil­i­tar. Ima­gens da invasão mostram poli­ci­ais inertes, per­mitin­do os vân­da­los invadi­rem o Con­gres­so Nacional sem serem inco­moda­dos.

Força Nacional

Dino anun­ciou ain­da o incre­men­to de cer­ca de 500 poli­ci­ais da Força Nacional de out­ros esta­dos, que chegarão a Brasília para atu­ar na segu­rança da Esplana­da e da Praça dos Três Poderes. Com isso, a polí­cia mil­i­tar do DF retomará suas ativi­dades de roti­na. “Nós recebe­mos a colab­o­ração de gov­er­nadores de aprox­i­mada­mente dez esta­dos, que já enviaram con­tin­gentes mobi­liza­dos por Por­taria que eu editei ontem e vou edi­tar out­ras, para for­t­alec­i­men­to da Força Nacional”.

Investigações

As inves­ti­gações seguirão apu­ran­do as respon­s­abil­i­dades pelos atos anti­democráti­cos de ontem. A Polí­cia Fed­er­al já tem a relação dos con­tratantes dos ônibus que troux­er­am man­i­fes­tantes de out­ros esta­dos. Essas pes­soas serão chamadas para depor e aju­dar a polí­cia a iden­ti­ficar os finan­ciadores dess­es atos. Quarenta ônibus foram apreen­di­dos, alguns já sain­do de Brasília.

Além dis­so, a Advo­ca­cia Ger­al da União (AGU) aguar­da os lau­dos da perí­cia dos pré­dios inva­di­dos e depreda­dos. Caberá à AGU cobrar dos respon­sáveis os danos provo­ca­dos. Além dos danos mate­ri­ais, como vidraças, mesas e cadeiras que­bradas, há uma grande quan­ti­dade de patrimônio históri­co destruí­da ou desa­pare­ci­da. Várias obras de arte e pre­sentes de chefes de Esta­do estrangeiros ao Brasil, expos­tos no inte­ri­or dess­es pré­dios, foram destruí­dos.

Capitólio Brasileiro

O min­istro chamou o episó­dio de ontem de “Capitólio brasileiro”, em alusão à invasão do Con­gres­so dos Esta­dos Unidos, em 2021, por apoiadores de Don­ald Trump, der­ro­ta­do nas eleições pres­i­den­ci­ais na ocasião. “Nós vive­mos ontem o Capitólio brasileiro. Com difer­enças. Não hou­ve óbitos e com mais pre­sos aqui do que lá”. Até o momen­to, cer­ca de 1,5 mil pes­soas foram pre­sas. Dessas, 209 pre­sas ontem, em fla­grante, e out­ras 1,2 mil sendo ouvi­das hoje, deti­das pela polí­cia.

Dino lem­brou que os ter­ror­is­tas que van­dalizaram os pré­dios públi­cos são apoiadores do ex-pres­i­dente Jair Bol­sonaro, der­ro­ta­do nas eleições do ano pas­sa­do. E afir­mou, mes­mo sem acusá-lo de come­ter algum crime, que seu dis­cur­so con­tra a democ­ra­cia ple­na e as insti­tu­ições, sobre­tu­do ao Supre­mo Tri­bunal Fed­er­al, gan­haram cor­po nos atos de ontem.

“Numa análise políti­ca é óbvio que ness­es anos todos o ex-pres­i­dente Jair Bol­sonaro e todos aque­les que o seguem diri­gi­ram fre­quentes palavras con­tra o Supre­mo. Palavras têm poder, prin­ci­pal­mente quan­do são de um pres­i­dente da Repúbli­ca. Vimos que esse dis­cur­so fre­quente nas redes soci­ais gan­hou braços, per­nas, tiros e bom­bas ontem. É como se fos­se a migração do uni­ver­so do ódio nas redes soci­ais para a vida mate­r­i­al”.

Edição: Clau­dia Fel­czak

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