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Podemos abre procedimento disciplinar contra deputado Arthur do Val

Repro­dução: © Ale­sp

Deputado estadual fez comentários machistas sobre ucranianas


Pub­li­ca­do em 05/03/2022 — 12:48 Por Marce­lo Brandão — Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

O Podemos, par­tido do dep­uta­do estad­ual Arthur do Val (SP), decid­iu abrir pro­ced­i­men­to dis­ci­pli­nar inter­no con­tra ele por declar­ações sex­is­tas sobre as mul­heres ucra­ni­anas, refu­giadas da guer­ra. As declar­ações, divul­gadas ontem (4), foram envi­adas por ele em um grupo de What­sApp e logo vazaram para a impren­sa. O par­tido con­sider­ou as falas do dep­uta­do “gravís­si­mas e ina­ceitáveis”.

“Gravís­si­mas e ina­ceitáveis são as declar­ações do dep­uta­do estad­ual Arthur do Val, que foram divul­gadas na impren­sa. Não se resumem ao com­ple­to desre­speito à mul­her, seja ucra­ni­ana ou de qual­quer out­ro País, mas de vio­lações pro­fun­das rela­cionadas a questões human­itárias, em um momen­to em que esse povo enfrenta os hor­rores da guer­ra”, afir­mou o par­tido, em nota.

“O Podemos repu­dia com veemên­cia as declar­ações e, com base nelas, instau­ra de ime­di­a­to um pro­ced­i­men­to dis­ci­pli­nar inter­no para apu­ração dos fatos. Até este momen­to o par­tido não havia con­segui­do con­ta­to com o dep­uta­do, que esta­va em voo”, final­i­zou o Podemos.

Declarações

Arthur do Val, que é pré-can­dida­to ao gov­er­no de São Paulo, foi à Ucrâ­nia em meio ao con­fli­to instau­ra­do no país e chegou a postar uma foto nas redes soci­ais onde estaria aju­dan­do a pro­duzir coquetéis molo­tov para o com­bate con­tra os Rus­sos. Ao deixar o país, na fron­teira com a Eslováquia, o dep­uta­do envi­ou um áudio a ami­gos, elo­gian­do a beleza das refu­giadas. Em segui­da, afir­mou que pre­tende voltar ao Leste Europeu e disse que as mul­heres são “fáceis” por serem pobres.

“Assim que essa guer­ra pas­sar eu vou voltar pra cá. E detal­he, elas olham. E são fáceis, porque elas são pobres. E aqui min­ha car­ta do Insta­gram, cheio de inscritos, fun­ciona demais. Não peguei ninguém, a gente não tin­ha tem­po, mas colei em dois gru­pos de minas e é ina­cred­itáv­el a facil­i­dade”.

Ele descreveu a fila dos refu­gia­dos da Ucrâ­nia como supe­ri­or, em ter­mos de aparên­cia, à “fila da mel­hor bal­a­da do Brasil na mel­hor época do ano”. Além dis­so, disse que a recep­cionista do hotel onde ficou hospeda­do teria “dado em cima” dele. “Meu Deus, não é pos­sív­el que isso está acon­te­cen­do”, afir­mou em segui­da, em tom de admi­ração.

Reações no Brasil

As declar­ações do dep­uta­do causaram indig­nação no Brasil assim que vier­am a públi­co. Pelo Twit­ter, a min­is­tra da Mul­her, Família e Dire­itos Humanos, Damares Alves, clas­si­fi­cou o dep­uta­do como “nojen­to, baixo, sujo” e pediu a cas­sação do seu manda­to.

A Assem­bleia Leg­isla­ti­va de São Paulo (Ale­sp) afir­mou, em nota, que o episó­dio será trata­do “com rig­or e seriedade pelas esferas de inves­ti­gação do Par­la­men­to”. “A Ale­sp se sol­i­dariza com as mul­heres, em espe­cial as ucra­ni­anas, e reforça sua luta em defe­sa e pro­teção de todas, rep­re­sen­tadas por con­quis­tas históri­c­as, ações efe­ti­vas e leis em vig­or”, final­i­zou, em nota.

A rejeição ao dep­uta­do foi taman­ha que motivou uma nota de repú­dio do senador Mar­cos do Val (Podemos-ES). Na nota, além de con­denar as declar­ações, ele esclarece o seu não par­entesco com Arthur. “Aproveito para reforçar a todos que, eu e o dep­uta­do, Arthur do Val, nem de longe, temos qual­quer par­entesco. Ape­nas a coin­cidên­cia do mes­mo sobrenome”.

“Momento de empolgação”

Ao desem­bar­car em São Paulo, na man­hã de hoje (5), Arthur do Val, foi ques­tion­a­do pela impren­sa sobre suas declar­ações. Ele afir­mou ter cometi­do “um erro em um momen­to de empol­gação”.

“Não é isso que eu pen­so. O que eu falei foi um erro em um momen­to de empol­gação. A impressão que está pas­san­do aqui é que eu cheguei lá, tin­ha um monte de gente, e eu falei ‘quem quer vir comi­go que eu vou com­prar algu­ma coisa’. Não é isso. Eu fui pra faz­er uma coisa, man­dei um áudio infe­liz e a impressão que pas­sou é que fui faz­er out­ra coisa”.

Ele afir­mou que a “mis­são” que motivou sua viagem foi em um con­tex­to e o áudio que envi­ou a ami­gos, assim que saiu da Ucrâ­nia, era em um con­tex­to difer­ente. “Não foi a mel­hor das pos­turas, mas é um áudio pri­va­do”, acres­cen­tou.

Edição: Clau­dia Fel­czak

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