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Show no Rio liga canções de várias épocas a obra de Machado de Assis

Repro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

Cantos Fluminenses será apresentado hoje no Centro Artur Távola


Pub­li­ca­do em 13/01/2023 — 07:40 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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Com ingres­sos pop­u­lares (R$ 20 a inteira e R$ 10 a meia-entra­da) e clas­si­fi­cação livre, o Cen­tro da Músi­ca Car­i­o­ca Artur Távola, local­iza­do na Tiju­ca, zona norte do Rio, recebe hoje (13), às 19h, o espetácu­lo Can­tos Flu­mi­nens­es. O show faz uma lig­ação entre com­posições musi­cais sobre a cap­i­tal do esta­do e o livro Con­tos Flu­mi­nens­es, do escritor Macha­do de Assis. Há tradução na Lín­gua Brasileira de Sinais (Libras) para pes­soas com defi­ciên­cia audi­ti­va.

Os can­tores Mar­i­ana Bal­tar, Wladimir Pin­heiro e Lui Coim­bra encar­nam os per­son­agens das canções, acom­pan­hados por Luís Barce­los, no ban­dolim e cavaquin­ho, e Mar­cos Suzano, na per­cussão. Para Mar­i­ana Bal­tar, “can­tar o nos­so Rio de Janeiro, com inspi­ração nos con­tos de Macha­do de Assis, é mer­gul­har em cer­tas minú­cias e detal­h­es da cidade; é con­tar um boca­do da nos­sa história de for­ma deli­ciosa e espe­cial”.

A pro­du­to­ra musi­cal Rena­ta Grec­co, ide­al­izado­ra do espetácu­lo do qual tam­bém é dire­to­ra, con­tou que a inspi­ração surgiu um dia, quan­do desceu o bair­ro de Laran­jeiras, onde mora, para levar o fil­ho à esco­la, e viu, em frente à Rua Car­doso Júnior, um pedaço de tril­ho de trem fora do asfal­to. Ime­di­ata­mente, aqui­lo a reme­teu ao escritor Macha­do de Assis, de quem sem­pre foi fã, e que morou no bair­ro viz­in­ho do Cosme Vel­ho.

“Sou apaixon­a­da por Macha­do de Assis. Foi um cro­nista excep­cional no tem­po dele e com tex­tos que são total­mente con­tem­porâ­neos. Os per­son­agens de Macha­do, a gente iden­ti­fi­ca eles hoje no super­me­r­ca­do, na rua”. Olhan­do os tril­hos do trem, Rena­ta pen­sou: “Tem uma história do Macha­do queren­do ser con­ta­da por mim”. A decisão então foi con­tar as histórias de Macha­do ref­er­entes ao Rio de Janeiro por meio de músi­cas.

Ponte

O Rio de Macha­do de Assis em canções faz uma ponte entre com­posições feitas sobre a cidade e o livro, um dos primeiros do escritor. Rena­ta sele­cio­nou músi­cas do can­cioneiro brasileiro dos anos 30 e 40 até os tem­pos atu­ais que tivessem relação com os con­tos e chegou a uma lista grande que incluía em torno de 40 a 50 canções. “Fui fazen­do um roteiro que desse esse pas­seio pelo Rio de Janeiro”.

show tem sub­tex­tos dos con­tos de Macha­do de Assis e out­ros que são fal­a­dos durante o espetácu­lo por Wladimir Pin­heiro, que tam­bém é ator. Além dis­so, são pro­je­tadas ima­gens do fotó­grafo Marc Fer­rez, da época de Macha­do de Assis, envol­ven­do a trans­for­mação pela qual a cidade do Rio foi pas­san­do. “Algu­mas canções têm a ver com o enre­do de alguns con­tos, com alguns per­son­agens”. Por exem­p­lo, um con­to famoso de Macha­do se inti­t­u­la A Mul­her de Pre­to e tra­ta da infi­del­i­dade, tema recor­rente na obra do escritor. Para ilus­trá-lo, foi escol­hi­da a canção Bei­jo Sem, de Adri­ana Cal­can­ho­to.

As via­gens de bonde, mostradas em vários con­tos de Macha­do, estão pre­sentes nas músi­cas E o 56 Não Veio, de Wil­son Batista, Lá Vem o Ipane­ma e na jocosa Shop­ping Móv­el, de Luiz­in­ho To Blow e Cláu­dio Guimarães. “Eu fui bus­can­do faz­er ess­es para­le­los entre a época de Macha­do e essas canções e march­in­has que tam­bém tin­ham a car­ac­terís­ti­ca de faz­er uma crôni­ca de sua época, com os cro­nistas atu­ais, que são ess­es com­pos­i­tores mar­avil­hosos”, con­tou Rena­ta.

O mais famoso dos con­tos, Miss Dol­lar, é rep­re­sen­ta­do no show por Pra Que Dis­cu­tir com Madame?, de Harol­do Bar­bosa e Janet de Almei­da, e o amor ide­al­iza­do, por Eu Son­hei Que Estavas Tão Lin­da, de Lamar­tine Babo e Fran­cis­co Mat­toso. Ain­da no roteiro estão as músi­cas Praça Mauá, de Aldir Blanc e Moa­cyr Luz, Ser­tane­ja (Nenê), de Cat­u­lo da Paixão Cearense e Ernesto Nazareth, e Mocin­ho Boni­to, de Bil­ly Blan­co.

Na internet

O pro­je­to foi lança­do ini­cial­mente em for­ma­to dig­i­tal, em 2020, durante a pan­demia de covid-19, e teve uma apre­sen­tação exper­i­men­tal em agos­to do ano pas­sa­do no Imper­a­tor – Cen­tro Cul­tur­al João Nogueira, no Méi­er, zona norte car­i­o­ca, con­tem­pla­do den­tro da Lei Aldir Blanc. Hoje chega ao Cen­tro da Músi­ca Car­i­o­ca Artur Távola, den­tro do edi­tal Retoma­da Cul­tur­al 2, da Sec­re­taria de Esta­do de Cul­tura e Econo­mia Cria­ti­va.

O espetácu­lo será trans­for­ma­do ago­ra em dis­co. Rena­ta adiantou que a meta é, em segui­da, faz­er o lança­men­to do dis­co levan­do o show para out­ros espaços cul­tur­ais do Rio, além de ir para São Paulo e out­ras cidades do país. “É só ale­gria. Cada vez, ele cresce mais; cada vez, o show fica mais gos­toso”, afir­mou.

Edição: Graça Adju­to

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