...
quinta-feira ,15 janeiro 2026
Home / Saúde / Vacina magnetizada? Microchips na injeção? Veja os fatos sobre vacinas

Vacina magnetizada? Microchips na injeção? Veja os fatos sobre vacinas

capa_mitos_vacina

Repro­dução: © Arte — Agên­cia Brasil

Desinformação compartilhada em redes sociais afeta ritmo da vacinação


Pub­li­ca­do em 05/07/2021 — 06:00 Por Agên­cia Brasil — Brasília

Usuários de redes soci­ais estão com­par­til­han­do, em todo o mun­do, vídeos em que pes­soas que foram imu­nizadas con­tra a covid-19 fix­am moedas e out­ros pequenos obje­tos metáli­cos no braço. Segun­do afir­mam os usuários, o fato de con­seguirem fir­mar obje­tos sobre o local onde é apli­ca­da a vaci­na com­pro­varia a existên­cia de um cam­po mag­néti­co con­ti­do no imu­nizante.

As teo­rias são muitas: des­de microchips de iden­ti­fi­cação e nanorobôs de mon­i­tora­men­to a uma fan­ta­siosa conexão com a rede 5G que per­mi­tirá o ras­treio em tem­po real de cidadãos. O bil­ionário e filantro­pista cri­ador da Microsoft, Bill Gates, estaria por trás da supos­ta nova tec­nolo­gia, acred­i­tam alguns inter­nau­tas.

Mas é pos­sív­el que a vaci­na este­ja rela­ciona­da a algu­ma dessas afir­mações? A Agên­cia Brasil expli­ca.

Desinformação

Segun­do o imu­nol­o­gista Rena­to Kfouri, da Sociedade Brasileira de Imu­niza­ções (SBIm), o que acon­tece na ver­dade é uma onda de desin­for­mação que se propa­ga rap­i­da­mente nas redes soci­ais.

O médi­co infor­ma que não há qual­quer com­po­nente mag­néti­co na com­posição das vaci­nas, e que não é fisi­ca­mente pos­sív­el cri­ar um cam­po mag­néti­co no cor­po ao ser imu­niza­do. “Todas as vaci­nas disponíveis no mun­do, e as qua­tro disponíveis aqui no Brasil, têm em comum a alta segu­rança. São vaci­nas extrema­mente seguras, não rela­cionadas a efeitos colat­erais graves. Todas têm uma exce­lente eficá­cia na pre­venção das for­mas graves da covid-19”, afir­ma Kfouri.

O Min­istério da Saúde esclare­ceu à Agên­cia Brasil que é nor­mal que algu­mas vaci­nas mul­ti­dose — aque­las que vêm em fras­cos que são uti­liza­dos para mais de uma pes­soa — usem timeros­al — um con­ser­vante à base de mer­cúrio, que tem sido uti­liza­do durante décadas para evi­tar a con­t­a­m­i­nação por bac­térias e fun­gos. A quan­ti­dade, entre­tan­to, é insignif­i­cante e não tem capaci­dade de ger­ar os efeitos mostra­dos nos vídeos.

Assista na Agência Brasil

Mas por que as vacinas geram sintomas?

Na ver­dade, os sin­tomas são cau­sa­dos pela respos­ta imunológ­i­ca do cor­po. Ao recon­hecer o antígeno pre­sente na vaci­na, o cor­po auto­mati­ca­mente aciona as defe­sas nat­u­rais para lutar con­tra o inimi­go pre­sum­i­do.

Isso quer diz­er que as molécu­las pre­sentes na vaci­na acionam um alarme de peri­go. O cor­po não con­segue difer­en­ciar um vírus ati­vo das partícu­las imu­nizantes con­ti­das na vaci­na, seja ela basea­da na tec­nolo­gia de vírus ina­ti­va­do, pro­teí­na encap­su­la­da ou de RNA men­sageiro — as três prin­ci­pais tec­nolo­gias de fab­ri­cação de vaci­nas con­tra covid-19.

Ao perce­ber a pre­sença do “inva­sor”, o cor­po dá iní­cio a uma cas­ca­ta com­plexa de reações. Várias molécu­las de defe­sa são despe­jadas ime­di­ata­mente no sis­tema imunológi­co. O metab­o­lis­mo acel­era, e o cor­po corre para que os monóc­i­tos — as célu­las que atu­am como sol­da­dos para defend­er o organ­is­mo de vírus e bac­térias — cheguem ao cam­po de batal­ha o mais rápi­do pos­sív­el.

“Muitas doenças comuns no Brasil e no mun­do deixaram de ser um prob­le­ma de saúde públi­ca por causa da vaci­nação mas­si­va da pop­u­lação. Even­tu­ais reações, como febre e dor local, podem ocor­rer após a apli­cação de uma vaci­na, mas os bene­fí­cios da imu­niza­ção são muito maiores que os riscos das reações tem­porárias”, infor­ma o Min­istério da Saúde.

A luta geral­mente acon­tece na região onde o imu­nizante pen­etrou a cor­rente san­guínea, ou seja, no braço. A ardên­cia, dor local e a sen­sação de tem­per­atu­ra aumen­ta­da indicam onde a respos­ta imunológ­i­ca está sendo apli­ca­da.

É comum que os sin­tomas pós-vaci­na sejam idên­ti­cos aos da doença, já que o propósi­to do imu­nizante é exata­mente sim­u­lar uma invasão bac­te­ri­ana ou viral (no caso da covid-19) para “treinar” a respos­ta do cor­po con­tra a doença. A respos­ta, por­tan­to, con­diz com os efeitos que seri­am cau­sa­dos pelo vírus vivo, mas sem o risco da repli­cação descon­tro­la­da do agente inva­sor.

Algu­mas tec­nolo­gias de vaci­na, no entan­to, ger­am reações mais fortes do que out­ras dev­i­do à quan­ti­dade de mate­r­i­al viral con­ti­do nas dos­es.

Alimentos contra covid-19?

Segun­do infor­ma o Min­istério da Saúde, a gravi­dade da pan­demia é pro­por­cional à quan­ti­dade de fake news e desin­for­mação. Out­ro boa­to recente com­bat­i­do pelo min­istério é o que tra­ta sobre ali­men­tos que teri­am efeitos pos­i­tivos sobre a doença, o que não é fun­da­men­ta­do por nen­hu­ma pesquisa ou estu­do até o momen­to.

“A pop­u­lação deve tomar ain­da mais cuida­do com as infor­mações que recebe e com­par­til­ha no celu­lar e nas redes soci­ais, prin­ci­pal­mente aque­las que garan­tem uma solução mila­grosa, sem evidên­cia cien­tí­fi­ca. Por isso, vale reforçar que qual­quer trata­men­to deve ser indi­ca­do por profis­sion­al médi­co”, aler­ta a pas­ta.

O Min­istério da Saúde tam­bém adverte para o fato da vaci­na con­tra gripe não ter abso­lu­ta­mente nen­hum efeito imu­nizante sobre a covid-19 — desin­for­mação tam­bém propa­ga­da em redes soci­ais.

Edição: Pedro Ivo de Oliveira

 LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Saúde pública no RJ registra aumento nos atendimentos ligados ao calor

Dor de cabeça, náusea e tontura estão entre os possíveis sinais Ana Cristi­na Cam­pos — …

3b2c09210a068c0947d7d917357ae19d