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Pesquisa mostra importância de áreas verdes urbanas para a saúde

Repro­dução: © Rove­na Rosa/Agência Brasil

Cidades com mais verde têm menos internações por males respiratórios


Pub­li­ca­do em 25/05/2023 — 07:02 Por Alana Gan­dra – Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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Estu­do real­iza­do por pesquisadores da Pon­tif­í­cia Uni­ver­si­dade Católi­ca do Paraná (PUCPR) rev­ela que há menos inter­nações hos­pi­ta­lares por doenças res­pi­ratórias em municí­pios com mais áreas verdes. A pesquisa, que envolveu ciên­cia de dados, usou bases de infor­mações públi­cas como o Depar­ta­men­to de Infor­máti­ca do Sis­tema Úni­co de Saúde do Brasil (Data­sus), o Insti­tu­to Brasileiro de Geografia e Estatís­ti­ca (IBGE), a Sec­re­taria Nacional de Trân­si­to e o Insti­tu­to Água e Ter­ra (IAT) do Paraná.

O obje­ti­vo do tra­bal­ho era avaliar como a infraestru­tu­ra verde urbana (IVU), com­pos­ta por praças, par­ques, jardins plane­ja­dos, frag­men­tos flo­restais, reser­vas flo­restais urbanas, bosques e arboriza­ção, impacta na saúde da pop­u­lação.

“Com­bi­namos várias infor­mações e fize­mos um estu­do que envolve apli­cação de ciên­cias de dados, real­izan­do, primeiro, uma análise mul­ti­vari­a­da de tais dados e, depois, análise de padrão. E cheg­amos à con­clusão com base ness­es estu­dos”, disse à Agên­cia Brasil a engen­heira civ­il Luciene Pimentel, pro­fes­so­ra do Pro­gra­ma de Pós-Grad­u­ação em Gestão Urbana da PUCPR e uma das autoras da pesquisa.

A pesquisa usou tam­bém dados cen­sitários, porque o estu­do, que envolvia somente a questão das inter­nações por doenças res­pi­ratórias, anal­isou tam­bém indi­cadores de pobreza. “Encon­tramos resul­ta­dos inter­es­santes nesse sen­ti­do. Na ver­dade, os municí­pios que têm índices de pobreza mais altos tam­bém apre­sen­tam mais inter­nações hos­pi­ta­lares na com­para­ção com municí­pios em que os índices são menores.”

A pesquisa envolveu 397 dos 399 municí­pios paranaens­es, porque dois apre­sen­tavam fal­has de dados. As infor­mações foram cole­tadas em 2021 e 2022, sendo os resul­ta­dos divul­ga­dos ago­ra. Arti­go ref­er­ente ao estu­do, inti­t­u­la­do Ecosys­tems ser­vices and green infra­struc­ture for res­pi­ra­to­ry health pro­tec­tion: A data sci­ence approach for Paraná, Brazil (Serviços ecos­sistêmi­cos e infraestru­tu­ra verde para a pro­teção da saúde res­pi­ratória: Uma abor­dagem de ciên­cia de dados para o Paraná, Brasil, em tradução livre), foi pub­li­ca­do na liga inter­na­cional de revis­tas cien­tí­fi­cas MDPI e pode ser aces­sa­do na ínte­gra neste link.

O estu­do é assi­na­do por Luciene Pimentel e pelos pro­fes­sores Edil­ber­to Nunes de Moura e Fábio Teodoro de Souza, da PUCPR, e pelo doutoran­do da mes­ma uni­ver­si­dade Muri­lo Noli da Fon­se­ca.

Importância

Luciene salien­tou a importân­cia do resul­ta­do, porque a Orga­ni­za­ção Mundi­al da Saúde (OMS) repor­ta 4 mil­hões de mortes anu­ais por doenças res­pi­ratórias, das quais 40% são por doenças pul­monares obstru­ti­vas crôni­cas. “O mun­do inteiro está muito pre­ocu­pa­do com essa situ­ação.”

Ain­da de acor­do com a OMS, 99% da pop­u­lação mundi­al res­pi­ram ar que excede os lim­ites de qual­i­dade recomen­da­dos. Além de inúmeros prob­le­mas de saúde, a poluição atmos­féri­ca causa 7 mil­hões de mortes anu­ais em todo o mun­do.

Luciene ressaltou a existên­cia de uma dúvi­da na lit­er­atu­ra cien­tí­fi­ca sobre até que pon­to a veg­e­tação real­mente con­tribui para diminuir a poluição do ar, ten­do em vista que as doenças res­pi­ratórias são forte­mente conec­tadas com esse prob­le­ma nas áreas urbanas, ou se a for­ma como se dis­põe a veg­e­tação urbana pode até pio­rar a saúde res­pi­ratória pela dis­per­são de pólen.

A pro­fes­so­ra disse acred­i­tar que os resul­ta­dos do estu­do podem sub­sidiar políti­cas públi­cas voltadas para a sus­tentabil­i­dade ambi­en­tal e a gestão da saúde urbana. A redução das taxas de inter­nações por doenças res­pi­ratórias traz acopla­da a redução dos cus­tos com hos­pi­tal­iza­ções por agravos de saúde e out­ras infecções, poden­do con­tribuir ain­da para a que­da das fal­tas ao tra­bal­ho e à esco­la.

Continuidade

A equipe de pesquisadores pre­tende dar con­tinuidade ago­ra ao estu­do envol­ven­do a cap­i­tal paranaense, Curiti­ba, em escala intrau­r­bana, e não mais munic­i­pal, com par­tic­i­pação da rede de pesquisa Novos Arran­jos de Pesquisa e Ino­vação, finan­cia­da pela Fun­dação Araucária, no âmbito de emergên­cias climáti­cas. Será medi­da, por exem­p­lo, a dis­tribuição de pólen na cidade. De acor­do com Luciene, as medições serão usadas para anal­is­ar dados em uma escala mais detal­ha­da.

“O que esta­mos queren­do faz­er ago­ra é começar a olhar por tipolo­gia de doenças res­pi­ratórias, como a asma, por exem­p­lo, que tem aumen­ta­do muito no mun­do. A asma é uma doença que pre­ocu­pa. Na faixa de cri­anças, que inter­es­sa à nos­sa pesquisa, a doença vai com­pro­m­e­ter a vida adul­ta. Asma não tem cura, é doença crôni­ca. A pes­soa vai depen­der de remé­dios o tem­po todo. Enquan­to cri­anças, fal­tam à esco­la por causa da doença; os pais fal­tam ao tra­bal­ho”, disse Luciene.

As doenças res­pi­ratórias têm sinais difer­entes. Daí a razão de o estu­do con­tin­uar, no sen­ti­do de esmi­uçar os detal­h­es. O obje­ti­vo dos pesquisadores, mais adi­ante, é esten­der a pesquisa para out­ros esta­dos do país. “A ideia é ter­mos uma pesquisa nacional.”

Edição: Nádia Fran­co

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