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Com timidez do setor privado, universidades lideram patentes no Brasil

UFMG montou laboratório para avaliar danos da tragédia de Brumadinho
Repro­dução: © Divulgação/UFMG

Dos 25 maiores depositantes de patentes, 19 são universidades públicas


Pub­li­ca­do em 04/07/2021 — 11:03 Por Léo Rodrigues — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

No mês pas­sa­do, a Uni­ver­si­dade Fed­er­al de Minas Gerais (UFMG) rece­beu um novo prêmio por seus números de patentes deposi­tadas. Os méri­tos da insti­tu­ição de ensi­no e pesquisa, fre­quente­mente recon­heci­dos em rank­ings rela­ciona­dos à ino­vação, chamou atenção dessa vez da Clar­i­vate Ana­lyt­ics, uma empre­sa amer­i­cana ded­i­ca­da a anális­es sobre pesquisa cien­tí­fi­ca e pro­priedade int­elec­tu­al em todo o mun­do. A hon­raria foi entregue com base em um lev­an­ta­men­to que desta­cou a uni­ver­si­dade brasileira que reg­istrou o maior número de patentes no Insti­tu­to Nacional de Pro­priedade Indus­tri­al (Inpi) entre 2010 e 2019.

Os dados de pedi­dos de depósi­tos de patentes de invenções feitos por res­i­dentes no Brasil rev­e­lam uma real­i­dade que pos­si­bili­ta leituras por ângu­los dis­tin­tos. De um lado, o pro­tag­o­nis­mo das uni­ver­si­dades públi­cas dão sinais claros da excelên­cia cien­tí­fi­ca de seus pesquisadores. De out­ro, a baixa par­tic­i­pação do setor pri­va­do lev­an­ta pre­ocu­pações sobre o futuro da ino­vação no país.

“Con­sidero uma dis­crepân­cia. A gente não tem um par­que indus­tri­al tec­no­logi­ca­mente bem desen­volvi­do no país, como já poderíamos ter. Esse papel de pesquisa e desen­volvi­men­to tec­nológi­co aca­ba muito ocu­pa­do pela uni­ver­si­dade. É difer­ente dos Esta­dos Unidos e da Europa, onde as indús­trias investem forte­mente em desen­volvi­men­to tec­nológi­co”, diz Alexan­dre Dan­tas, assis­tente téc­ni­co da Dire­to­ria de Patentes do INPI.

Vin­cu­la­do ao Min­istério da Econo­mia, o Inpi é respon­sáv­el pelo reg­istro e con­cessão de patentes no Brasil. Um recorte mais recente, com base nos dados do órgão con­sol­i­da­dos entre 2014 e 2019, rev­ela que 19 dos 25 maiores deposi­tantes de patentes res­i­dentes no país são uni­ver­si­dades públi­cas. A UFMG lid­era tam­bém nesse perío­do, segui­da de per­to pelas duas prin­ci­pais insti­tu­ições paulis­tas de ensi­no supe­ri­or: a Uni­ver­si­dade Estad­ual de Camp­inas (Uni­camp) e a Uni­ver­si­dade de São Paulo (USP).

A lista de deposi­tantes res­i­dentes abrange todos aque­les que pos­suem sede do país. Por­tan­to, estão incluí­das empre­sas multi­na­cionais que pos­suem unidades em solo brasileiro. Mas nen­hum delas ocu­pa as primeiras posições. No grupo dos seis primeiros, estão ain­da a Uni­ver­si­dade Fed­er­al da Paraí­ba (UFPB), a Petro­bras e a Uni­ver­si­dade Fed­er­al de Camp­ina Grande (UFCG), que começou a apre­sen­tar números robus­tos a par­tir de 2017. Por essa ascen­são, a insti­tu­ição tam­bém foi lem­bra­da pela Clar­i­vate Ana­lyt­ics na mes­ma pre­mi­ação que con­sagrou a UFMG. A empre­sa con­cedeu à UFCG uma menção hon­rosa em razão do cresci­men­to recente.

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Repro­dução: Grá­fi­co mostra evolução no reg­istro de patentes no Brasil. — Agên­cia Brasil

Como a Petro­bras é uma estatal, o setor pri­va­do começa a apare­cer na lista dos maiores deposi­tantes de patentes no país ape­nas a par­tir da séti­ma posição com a Whirlpool, fab­ri­cante de eletrodomés­ti­cos. No entan­to, os números da empre­sa reg­is­traram uma con­sid­eráv­el que­da em 2018 e 2019. Ape­nas mais três empre­sas apare­cem entre as 25 maiores deposi­tantes patentes no Brasil entre 2014 e 2019: CNH Indus­tri­al, Bosch e Vale. Há tam­bém duas enti­dades pri­vadas sem fins lucra­tivos: o Insti­tu­to de Tec­nolo­gia e Pesquisa (ITP) e o Cen­tro de Pesquisa e Desen­volvi­men­to em Tele­co­mu­ni­cações (CPqD). Amplian­do o lev­an­ta­men­to para os 40 primeiros, fig­u­ram out­ras empre­sas como Natu­ra, Ran­dom e Embraer.

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Repro­dução: Grá­fi­co mostra evolução no reg­istro de patentes no Brasil. — Agên­cia Brasil

Esse cenário dom­i­na­do pelas uni­ver­si­dades se for­mou em pouco mais de uma déca­da. Um lev­an­ta­men­to disponív­el no site da Fun­dação de Amparo à Pesquisa do Esta­do de São Paulo (Fape­sp) mostra que, de 2000 a 2005, ape­nas qua­tro fig­u­ravam entre os 15 deposi­tantes res­i­dentes com as mel­hores médias anu­ais. No perío­do entre 2013 e 2017, elas já eram 11 dos 15.

O número de patentes pedi­dos por res­i­dentes no Brasil estavam numa cres­cente entre 2015 e 2017, caiu em 2018 e voltou a subir no ano seguinte. Em 2019, foram total­iza­dos 5.465. Eles estão bem dis­tribuí­dos pelos prin­ci­pais cam­pos tec­nológi­cos: far­ma­cêu­ti­ca, med­i­c­i­na, quími­ca, biotec­nolo­gia, trans­porte, máquinas espe­ci­ais, engen­haria civ­il, engen­haria elétri­ca e eletrôni­ca e comu­ni­cação dig­i­tal.

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Repro­dução: Grá­fi­co mostra evolução no reg­istro de patentes no Brasil. — Agên­cia Brasil

Além dos 5.465 depósi­tos de patentes que foram solic­i­ta­dos por insti­tu­ições e empre­sas com sede no país, out­ros 19.931 pedi­dos vier­am de insti­tu­ições e empre­sas estrangeiras que não desen­volvem ativi­dades no Brasil. Sig­nifi­ca que ape­nas 21,5% do total de pedi­dos foram apre­sen­ta­dos por res­i­dentes. O índice é con­sid­er­a­do baixo por Alexan­dre Dan­tas.

“Nesse perío­do de pan­demia, tam­bém hou­ve um decrésci­mo. Em média, são cer­ca de 30 mil pedi­dos de depósi­tos por ano. E isso é bem abaixo do que reg­is­tram país­es como Esta­dos Unidos, Chi­na, Japão e Coréia, que são país­es de base tec­nológ­i­ca”, acres­cen­ta o assis­tente téc­ni­co do INPI.

O Brasil aparece ape­nas no 62º lugar entre 131 econo­mias na últi­ma edição do Índice de Ino­vação Glob­al. O país é super­a­do por todas as nações do Brics, blo­co for­ma­do por econo­mias emer­gente. que inclui Rús­sia, Índia, Chi­na e África do Sul, além do Brasil. Por out­ro lado, o Brasil ocu­pa o 28º lugar no rank­ing de qual­i­dade de seus pesquisadores e é o 24º na pro­dução de arti­gos e pesquisas citáveis, o que indi­ca um poten­cial cien­tí­fi­co.

O relatório foi pub­li­ca­do em setem­bro de 2020 pela Orga­ni­za­ção Mundi­al da Pro­priedade Int­elec­tu­al (OMPI), enti­dade vin­cu­la­da à Orga­ni­za­ção das Nações Unidas (ONU). O doc­u­men­to traz um capí­tu­lo sobre o Brasil assi­na­do pelo pres­i­dente da Con­fed­er­ação Nacional da Indús­tria (CNI), Rob­son Bra­ga de Andrade. “É necessário fornecer algu­ma pre­vis­i­bil­i­dade para a disponi­bil­i­dade de fontes de finan­cia­men­to”, escreveu.

Segun­do Andrade, os riscos asso­ci­a­dos a pro­je­tos de ino­vação são maiores do que para out­ros pro­je­tos de inves­ti­men­tos. No Brasil, eles se ele­vari­am ain­da mais em função de incertezas macro­econômi­cas e soci­ais. Ele cita, como um dos exem­p­los, as vari­ações brus­cas no orça­men­to do Con­sel­ho Nacional de Desen­volvi­men­to Cien­tí­fi­co e Tec­nológi­co (CNPq). “O sis­tema bancário tende a ser menos propen­so a finan­ciar pro­je­tos de ino­vação. Além dis­so, os ban­cos muitas vezes exigem garan­tias difí­ceis de encon­trar para novas empre­sas ino­vado­ras”, acres­cen­ta.

Mes­mo o Ban­co Nacional de Desen­volvi­men­to Econômi­co e Social (BNDES) dire­ciona a maior parte do crédi­to para inves­ti­men­tos em infraestru­tu­ra e expan­são da capaci­dade pro­du­ti­va das empre­sas. Andrade apon­ta que o vol­ume des­ti­na­do à ino­vação nun­ca rep­re­sen­tou mais de 4% ou 5% do total disponi­bi­liza­do pela insti­tu­ição finan­ceira.

Ele defende mais políti­cas públi­cas que asse­gurem crédi­to para empre­sas ino­vado­ras e tam­bém maior inves­ti­men­to públi­co na com­pra de tec­nolo­gias capazes de estim­u­lar o desen­volvi­men­to de out­ras tec­nolo­gias. Out­ros prob­le­mas que ele elen­ca envolvem as difi­cul­dades dos investi­dores difer­en­cia­rem bons pro­je­tos de ino­vação e a quase ausên­cia de fun­dos de cap­i­tal de risco no país, cuja função é canalizar grandes somas de din­heiro em direção a novos negó­cios de alto risco e alta rentabil­i­dade.

Parcerias

Após a entre­ga do prêmio pela Clar­i­vate Ana­lyt­ics, a reito­ra da UFMG San­dra Regi­na Goulart Almei­da declar­ou ao site da própria insti­tu­ição que a patente é um indi­cador da excelên­cia cien­tí­fi­ca. “De um lado, com­pro­va nos­sa capaci­dade de pro­duzir con­hec­i­men­to orig­i­nal e ino­vador e, de out­ro, a nos­sa com­petên­cia para pro­tegê-lo”.

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 Repro­dução: Reito­ria da UFMG — Luiza Bongir/Universidade Fed­er­al de Minas Gerais/Divulgação

Pro­duzir con­hec­i­men­to orig­i­nal e pro­tegê-lo é parte do proces­so de ino­vação, mas o cam­in­ho não se encer­ra aí. O próx­i­mo desafio é faz­er a patente chegar ao mer­ca­do. Como a uni­ver­si­dade não é uma indús­tria, ela depende de parce­rias que são for­mal­izadas através de con­tratos de trans­fer­ên­cia e licen­ci­a­men­to de tec­nolo­gia. Além dis­so, em alguns casos, é pre­ciso obter aval de órgãos de con­t­role.

“Ter uma patente não é garan­tia de com­er­cial­iza­ção de pro­du­to. Ela garante o dire­ito de explo­ração, impedin­do ter­ceiros de explo­rar sem a sua autor­iza­ção. Mas para você poder com­er­cializar o pro­du­to é pre­ciso obser­var a leg­is­lação. Na indús­tria far­ma­cêu­ti­ca, por exem­p­lo, você pre­cis­ará de autor­iza­ção da Agên­cia Nacional de Vig­ilân­cia San­itária, a Anvisa. Então ter patente sobre um medica­men­to não é o mes­mo que ter autor­iza­ção para com­er­cial­izá-lo. A patente não dá nen­hu­ma garan­tia de que ele se tornará um pro­du­to nas prateleiras das far­má­cias”, expli­ca Alexan­dre.

Difer­ente dos pedi­dos de depósi­to de patentes, as infor­mações sobre os proces­sos de trans­fer­ên­cia de tec­nolo­gia não estão disponíveis ao públi­co. Os con­tratos são cel­e­bra­dos entre empre­sas e uni­ver­si­dades e nem sem­pre o INPI pre­cisa ser comu­ni­ca­do. No entan­to, a Lei Fed­er­al 10.973/2004, con­heci­da como Lei de Ino­vação Tec­nológ­i­ca, esta­b­elece que as insti­tu­ições pre­cisam prestar con­tas ao Min­istério da Ciên­cia, Tec­nolo­gia e Ino­vações (MCTIC). Algu­mas insti­tu­ições com mel­hor estru­tu­ra con­seguem orga­ni­zar e disponi­bi­lizar seus dados. A Uni­camp, por exem­p­lo, con­tabi­li­zou 48 con­tratos de licen­ci­a­men­to para trans­fer­ên­cia de tec­nolo­gia em 2020.

Emb­o­ra o Índice de Ino­vação Glob­al aponte que o Brasil ain­da não pos­sui uma cul­tura sól­i­da de trans­fer­ên­cia de tec­nolo­gia e parce­rias de lon­go pra­zo, há exem­p­los bem suce­di­dos. Na pre­mi­ação da Clar­i­vate Ana­lyt­ics, a Petro­bras tam­bém foi agra­ci­a­da. A estatal rece­beu o prêmio Ino­vação Empre­sas em razão da sua expres­si­va colab­o­ração com uni­ver­si­dades. Um de seu prin­ci­pais par­ceiros é o Insti­tu­to Alber­to Luiz Coim­bra de Pós-Grad­u­ação e Pesquisa de Engen­haria da Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), com o qual fir­mou um primeiro con­vênio em 1977. Ao lon­go dos anos, essa colab­o­ração pos­si­bil­i­tou ino­vações para platafor­mas de petróleo, o desen­volvi­men­to de tec­nolo­gias de engen­haria e de sis­temas de infor­mação e a con­strução de novas insta­lações como o Cen­tro de Excelên­cia em Geo­quími­ca (Cegec) e o Lab­o­ratório de Tec­nolo­gia Oceâni­ca (LabO­ceano).

Se as parce­rias podem con­tribuir para o desen­volvi­men­to das empre­sas, tam­bém con­tribui para finan­ciar novas pesquisas e o ensi­no uni­ver­sitário. Os 48 con­tratos fir­ma­dos pela Uni­camp em 2020 ren­der­am R$ 1,9 mil­hão em gan­hos econômi­cos, sendo o maior val­or já con­tabi­liza­do pela insti­tu­ição. “Estes recur­sos são divi­di­dos em três: um terço vai para os inven­tores da tec­nolo­gia, um terço vai para a unidade de origem da tec­nolo­gia e um terço vai para a reito­ria. Atual­mente, a reito­ria dire­ciona este recur­so para a Ino­va de maneira a retroal­i­men­ta­r­mos as ativi­dades de for­t­alec­i­men­to dos laços uni­ver­si­dade-empre­sa”, infor­ma a Agên­cia de Ino­vação Ino­va Uni­camp.

Pandemia

Em meio à pan­demia de covid-19, o mun­do ini­ciou uma cor­ri­da pela ino­vação. Na bus­ca por enten­der o novo coro­n­avírus e cri­ar mecan­is­mos para enfren­tá-lo, incen­tivos sur­gi­ram de todos os lados. No Brasil não foi difer­ente. Ain­da que com bem menos recur­sos do que movi­men­tam os país­es mais desen­volvi­dos, insti­tu­ições cien­tí­fi­cas bus­caram artic­u­lações com gov­er­nos locais e mes­mo no setor pri­va­do para encon­trar soluções.

Nesse con­tex­to, a própria UFMG foi pre­mi­a­da em out­ubro do ano pas­sa­do pela Asso­ci­ação Brasileira da Pro­priedade Int­elec­tu­al (ABPI). Um mod­e­lo de son­da que prop­i­cia mais efi­ciên­cia ao proces­so de aspi­ração de secreções em pacientes inter­na­dos foi escol­hi­do como Patente do Ano, em uma seleção que priv­i­le­giou ino­vações que pode­ri­am con­tribuir para o enfrenta­men­to à pan­demia de covid-19. A insti­tu­ição cos­tu­ra ago­ra parce­rias com hos­pi­tais e empre­sas para faz­er a tec­nolo­gia chegar à sociedade.

“Nos­sa pesquisa está sem­pre pre­ocu­pa­da em resolver algum prob­le­ma da sociedade”, afir­ma o quími­co e pesquisador Rubén Dario Sin­is­ter­ra, que ocupou a função de Dire­tor da Coor­de­nado­ria de Trans­fer­ên­cia e Ino­vação Tec­nológ­i­ca (CTIT) da UFMG entre 2006 e 2010. O Depar­ta­men­to de Quími­ca da insti­tu­ição con­seguiu con­cluir o ciclo da pesquisa à trans­fer­ên­cia de tec­nolo­gia três vezes. Segun­do con­ta Rubén, duas delas são des­do­bra­men­tos de estu­dos sobre sis­temas de lib­er­ação con­tro­la­da, que per­mitem a elab­o­ração de medica­men­tos, como com­prim­i­dos e cáp­su­las, em que o fár­ma­co é absorvi­do pelo organ­is­mo de for­ma grad­ual.

A últi­ma trans­fer­ên­cia de tec­nolo­gia, em meio à pan­demia de covid-19, decor­reu de uma deman­da dire­ta apre­sen­ta­da por uma empresária do esta­do São Paulo da indús­tria têx­til. Havia uma sub­stân­cia cuja patente tin­ha sido deposi­ta­da pela UFMG há cer­ca de 15 anos. Desen­volvi­da em parce­ria entre o Depar­ta­men­to de Quími­ca e a Fac­ul­dade de Odon­tolo­gia, suas qual­i­dades antimi­cro­bianas eram com­pro­vadas em testes com enx­aguantes bucais em pacientes. A empresária, no entan­to, bus­ca­va uma for­mu­lação capaz de com­bat­er o coro­n­avírus em super­fí­cies.

“Disse a ela: nun­ca tes­ta­mos con­tra vírus, mas acred­i­to que pos­sa ser antivi­ral”, diz Rubén. Ele não imag­i­na­va, con­tu­do, que pode­ria fun­cionar tão bem con­tra a covid-19. A sub­stân­cia, bati­za­da da Nanoa­t­iv, mostrou no ano pas­sa­do capaci­dade para pro­te­ger grandes ambi­entes por até 28 dias. Em oito meses, a empre­sa Erhena já bus­ca­va parce­ria para desen­volver os pro­du­tos: jun­to à Adel­bras, foi cri­a­da uma fita ade­si­va com o Nanoa­t­iv e foram feitos testes bem suce­di­dos no aero­por­to de Vira­co­pos, em Camp­inas. Ela foi afix­a­da em bal­cões de atendi­men­to, maçane­tas de por­tas, braços de poltronas de espera e cor­rimões de escadas, entre out­ras super­fí­cies.

A fita ade­si­va já está sendo com­er­cial­iza­da inclu­sive nos Esta­dos Unidos. Ago­ra estão sendo plane­ja­dos novos pro­du­tos como um creme que dev­erá pro­te­ger as mãos por oito horas, um spray para aplicar em teci­dos e sobre super­fí­cies e um polímero plás­ti­co para embalar ali­men­tos. “Em algum momen­to, um car­rega­men­to de fran­go brasileiro foi con­fis­ca­do lá na Chi­na porque foi encon­tra­do coro­n­avírus na super­fí­cie das embal­a­gens”, lem­bra Rubén,

Processo demorado

A veloci­dade com que as coisas acon­te­ce­r­am com o Nanoa­t­iv é exceção. A trans­fer­ên­cia de tec­nolo­gia geral­mente é um proces­so demor­a­do e que muitas vezes desacel­era por fal­ta de recur­sos. Segun­do Rubén, o setor pri­va­do pode aju­dar, mas o Esta­do tem um papel fun­da­men­tal. Ele diz acred­i­tar que a situ­ação vivi­da pelo Brasil, onde a par­tic­i­pação das empre­sas ain­da é tími­da, é parte de um con­tex­to de desen­volvi­men­to.

“Isso tam­bém ocor­reu nos Esta­dos Unidos. É típi­co de um proces­so que ain­da não se con­soli­dou. Falam­os que é um proces­so imaturo. Pre­cisamos capac­i­tar e for­mar pes­soas até na acad­e­mia para poder deposi­tar mais patentes. Temos empre­sas capazes tam­bém, mas fal­ta uma ori­en­tação políti­ca que mostre que a ino­vação é cen­tral. Eu estudei nos Esta­dos Unidos, vi como acon­tece lá e acred­i­to no tal­en­to brasileiro”.

Rubén real­i­zou seu pós-doutora­do no Mass­a­chu­sets Insti­tute of Tech­nol­o­gy (MIT), em Boston. Segun­do ele, as políti­cas públi­cas tor­nam a ino­vação em deter­mi­nadas áreas como um pro­je­to estratégi­co. “Mes­mo lá, sendo uma uni­ver­si­dade pri­va­da e ten­do uma inter­ação muito forte com empre­sas, a maior parte dos recur­sos para pesquisa vem do Esta­do amer­i­cano”. Ele cita o caso dos fár­ma­cos, onde os estu­dos clíni­cos são caros e muitas vezes depen­dem do apoio dos gov­er­nos, a exem­p­lo do que ocor­reu com as vaci­nas con­tra a covid-19. Somente a far­ma­cêu­ti­ca Mod­er­na rece­beu, no ano pas­sa­do, quase US$1 bil­hão do gov­er­no dos Esta­dos Unidos para realizar os testes com seu imu­nizante.

Edição: Aline Leal

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