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Covid-19: medo de contágio e perda de convívio podem gerar ansiedade

Repro­dução: © Rove­na Rosa/Agência Brasil

Ansiedade social é desafio na volta às atividades


Pub­li­ca­do em 10/10/2021 — 09:33 Por Cami­la Maciel – Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

Após lon­gos perío­dos de iso­la­men­to por causa da covid-19, o retorno às ativi­dades pres­en­ci­ais já é uma real­i­dade para muitos tra­bal­hadores que ficaram em casa na época mais críti­ca da pan­demia. Com a retoma­da, no entan­to, algu­mas pes­soas têm man­i­fes­ta­do o que se con­hece como ansiedade social. O medo da con­t­a­m­i­nação e a per­da da habil­i­dade de con­vívio são aspec­tos que podem explicar, neste momen­to, essa questão de saúde men­tal. O Dia Mundi­al da Saúde Men­tal, que ocorre neste domin­go (10), mar­ca a importân­cia de ter um olhar aten­to e sem estig­mas para o assun­to.

“A apreen­são, o descon­for­to, aque­la sen­sação de evi­tação, é muito comum para quem está retor­nan­do. [É pre­ocu­pante] quan­do essa ansiedade pas­sa a ser muito inten­sa, a pon­to de ger­ar reações físi­cas muito desagradáveis, muito inten­sas, que não pas­sam a par­tir do primeiro con­ta­to”, expli­ca Flávia Dalpi­co­lo, pro­fes­so­ra do Depar­ta­men­to de Neu­ro­ciên­cias e Ciên­cias do Com­por­ta­men­to da Fac­ul­dade de Med­i­c­i­na de Ribeirão Pre­to da Uni­ver­si­dade de São Paulo (USP).

Flávia, que é tam­bém psicólo­ga, expli­ca que os sin­tomas são sim­i­lares aos da ansiedade por razões diver­sas, como apreen­são, alter­ação no padrão de res­pi­ração e ele­vação da fre­quên­cia cardía­ca. “Só que [está] dire­ciona­da às situ­ações que envolvem con­tex­tos soci­ais, ou situ­ações envol­ven­do con­tex­tos de avali­ação de exposição, ou ain­da as situ­ações que envolvem um vol­ume maior de pes­soas, ou mes­mo qual­quer situ­ação, mes­mo que seja um con­ta­to mais ínti­mo, mas que exista a pos­si­bil­i­dade de uma avali­ação [exter­na].”

A pro­fes­so­ra acres­cen­ta que a ansiedade social cos­tu­ma ser mais fre­quente em pes­soas que já viven­cia­ram situ­ações na história de vida em que foi expos­ta ou ridic­u­lar­iza­da, como casos de bul­ly­ing, ou que têm habil­i­dades soci­ais deficitárias, como timidez ou intro­ver­são.

“Ago­ra, por con­ta da pan­demia, com o retorno das ativi­dades pres­en­ci­ais, os con­tex­tos soci­ais ficaram muito mar­ca­dos como perigosos, aver­sivos. Tem sido bas­tante fre­quente que pes­soas que nun­ca viven­cia­ram sen­ti­men­tos de ansiedade diante de encon­tros soci­ais ou de um vol­ume maior de pes­soas se sen­tirem ameaçadas. Sen­tirem que ali pode ser uma situ­ação de poten­cial risco, e aí, a par­tir dis­so, des­en­cadeiam-se reações de ansiedade”, afir­ma.

Retomada das aulas

A pro­fes­so­ra Sílvia Almei­da, de 56 anos, con­seguiu cumprir a maior parte das ativi­dades remo­tas com seus alunos na pan­demia. Em poucos momen­tos, pre­cisou estar pres­en­cial­mente na esco­la, des­de o iní­cio das restrições por causa do novo coro­n­avírus. Nesse perío­do, ela con­cil­iou as aulas de edu­cação físi­ca  na tela do com­puta­dor com os cuida­dos com a mãe e o tio, já idosos.

Com o retorno das aulas, no entan­to, sem enten­der ao cer­to o que se pas­sa­va, Sílvia encar­ou um proces­so rápi­do de adoec­i­men­to: ton­tu­ra, taquicar­dia, fraque­za, dores mus­cu­lares e crises agu­das de fibro­mi­al­gia. A fil­ha perce­beu a neces­si­dade de uma aju­da psiquiátri­ca e, após 20 dias de med­icação anti­de­pres­si­va e de psi­coter­apia, a pro­fes­so­ra começou a mel­ho­rar.

“Em alguns casos em que os sin­tomas estão muito inten­sos, a gente pre­cisa da avali­ação psiquiátri­ca soma­da à psi­coter­apia jus­ta­mente para diminuir a pre­sença dess­es sin­tomas”, expli­ca Flávia Dalpi­co­lo. A psicólo­ga acres­cen­ta que, em casos não patológi­cos, a ori­en­tação é a exposição grad­ual. “A gente não pre­cisa enfrentar tudo de uma vez, pode ser grad­ual­mente, mas a exposição, o enfrenta­men­to dess­es con­tex­tos, é o que nos per­mite desen­volver repertório, habil­i­dade, para lidar com esse novo nor­mal.”

Edição: Nádia Fran­co

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