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Defasagem nos estudos pela pandemia pode ser recuperada, diz pesquisa

Repro­dução: © Arquivo/ Agên­cia Brasil

Pesquisa comparou ritmo de aprendizagem pré, pós e durante pandemia


Pub­li­ca­do em 03/05/2023 — 06:40 Por Ana Cristi­na Cam­pos – Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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Cri­anças que fre­quen­taram o segun­do ano da pré-esco­la em 2020, com nove meses de ativi­dades remo­tas dev­i­do à pan­demia de covid-19, tiver­am per­da de 6 a 7 meses de apren­diza­gem em lin­guagem e matemáti­ca se com­para­das àque­las que viven­cia­ram o mes­mo perío­do da pré-esco­la em 2019, com ensi­no pres­en­cial.

O dado sobre o rit­mo de apren­diza­gem das cri­anças antes, durante e depois da pan­demia mostra ain­da que aque­las que fre­quen­taram o segun­do ano da pré-esco­la em 2022, com a vol­ta das ativi­dades pres­en­ci­ais, tiver­am gan­ho de 1 a 2 meses, na com­para­ção com os alunos do mes­mo perío­do leti­vo em 2019.

As infor­mações são do estu­do Recom­posição das apren­diza­gens e desigual­dades edu­ca­cionais após a pan­demia covid-19: um estu­do em Sobral/CE, pro­duzi­do por pesquisadores do Lab­o­ratório de Pesquisa em Opor­tu­nidades Edu­ca­cionais da Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio de Janeiro (LaPOpE).

Emb­o­ra os dois gru­pos de cri­anças (2020 e 2022) ten­ham vivi­do ao menos parte da pré-esco­la com ensi­no remo­to, os resul­ta­dos sug­erem que as ações real­izadas pela rede de ensi­no para mit­i­gar os impactos da pan­demia sur­tiram efeito nas cri­anças que con­cluíram a eta­pa em 2022.

Apoia­da pela Fun­dação Maria Cecil­ia Souto Vidi­gal, a pesquisa esti­mou os efeitos da pan­demia no cur­to e médio pra­zo e traz evidên­cias inédi­tas sobre a recu­per­ação do apren­diza­do, com destaque para a qual­i­dade da edu­cação ofer­ta­da.

Para chegar aos resul­ta­dos, o estu­do acom­pan­hou o desen­volvi­men­to de 1.364 cri­anças matric­u­ladas na rede públi­ca munic­i­pal de Sobral (CE), que fre­quen­taram o segun­do ano da pré-esco­la entre 2019 e 2022.

A pesquisa obser­vou que o grupo de cri­anças que viven­ciou o segun­do ano da pré-esco­la em 2020 – com maior perío­do remo­ta­mente – apren­deu o equiv­a­lente a 39% em lin­guagem e 48% em matemáti­ca, se com­para­do àquele que fre­quen­tou esta eta­pa em 2019, de modo pres­en­cial. Já o grupo que ter­mi­nou a pré-esco­la em 2022 apren­deu o equiv­a­lente a 111% em lin­guagem e 115% em matemáti­ca, na com­para­ção com o grupo que fre­quen­tou o segun­do ano da eta­pa em 2019.

De acor­do com os pesquisadores, os resul­ta­dos mostram os efeitos da reaber­tu­ra das esco­las sobre os rit­mos de apren­diza­gem. As cri­anças do grupo de 2020, por exem­p­lo, que viven­cia­ram o primeiro ano da pré-esco­la pres­en­cial­mente, sofr­eram com a inter­rupção das ativi­dades pres­en­ci­ais e a ofer­ta remo­ta na con­clusão da eta­pa edu­ca­cional.

Segun­do Mar­i­ane Koslin­s­ki, pesquisado­ra do LaPOpE e uma das respon­sáveis pelo estu­do, as incertezas da pan­demia, as inter­rupções nas ativi­dades, pres­en­ci­ais ou não, e todo o perío­do de adap­tação ao mod­e­lo remo­to impactaram dire­ta­mente no rit­mo de apren­diza­gem dessas cri­anças, que tiver­am apren­diza­gem aquém daque­las que con­cluíram a eta­pa em 2019.

A pesquisado­ra desta­cou, no entan­to, que a recu­per­ação do rit­mo de apren­diza­gem das cri­anças que con­cluíram a edu­cação infan­til em 2022 chama ain­da mais atenção. “É curioso porque, como as cri­anças do grupo de 2020, as do ano pas­sa­do tam­bém viver­am parte da eta­pa no regime remo­to”, disse Mar­i­ane, em nota.

“O que os resul­ta­dos indicam é que, provavel­mente, as ações da rede de edu­cação de Sobral foram impor­tantes para mit­i­gar os efeitos da pan­demia e acel­er­ar o rit­mo de desen­volvi­men­to dessas cri­anças”, com­ple­tou.

Entre as ações, a pesquisado­ra desta­cou pro­gra­mas de bus­ca ati­va, ampli­ação da ofer­ta de tem­po inte­gral e a imple­men­tação de novo cur­rícu­lo para a Edu­cação Infan­til alin­hado àBase Nacional Comum Cur­ric­u­lar (BNCC).

Os pesquisadores reforçam ain­da que os resul­ta­dos do estu­do não devem ser inter­pre­ta­dos como um retra­to do que acon­te­ceu no resto do país. “A ausên­cia de coor­de­nação nacional nos anos de pan­demia ger­ou um cenário extrema­mente desafi­ador para os gestores munic­i­pais e as respostas para os desafios da pan­demia foram muito desiguais e incon­sis­tentes quan­do com­para­mos esta­dos e municí­pios pelo país”.

Para a ger­ente de Con­hec­i­men­to Apli­ca­do e espe­cial­ista em edu­cação infan­til da Fun­dação Maria Cecil­ia Souto Vidi­gal, Beat­riz Abuchaim, o desafio neste momen­to ultra­pas­sa as esferas edu­ca­cionais. “Diver­sas evidên­cias mostram que a pan­demia afe­tou desigual­mente as famílias em questão de ren­da, aces­so a serviços e a redes de apoio. Tudo isso trouxe impactos para o desen­volvi­men­to e apren­diza­gem das cri­anças”, afir­mou Beat­riz, em nota.

“Nesse sen­ti­do, as ações devem ser integradas e con­tem­plar diver­sas esferas e níveis de gov­er­no. A respon­s­abil­i­dade por mon­tar essa estraté­gia não pode ser só da área de edu­cação”, acres­cen­tou.

Recomendações

Os pesquisadores apre­sen­tam uma série de recomen­dações para os gestores de difer­entes níveis a fim de mit­i­gar os prob­le­mas apon­ta­dos. Para o Min­istério da Edu­cação é recomen­da­do que haja um pro­tag­o­nis­mo na elab­o­ração de um plano nacional de recu­per­ação de apren­diza­gem com aporte de recur­sos e apoio téc­ni­co para guiar as ações das sec­re­tarias estad­u­ais e munic­i­pais de edu­cação.

Já as sec­re­tarias estad­u­ais de edu­cação devem, entre out­ros pon­tos, ofer­e­cer apoio téc­ni­co e finan­ceiro para que os municí­pios ela­borem e imple­mentem suas estraté­gias. As sec­re­tarias munic­i­pais de edu­cação, por sua vez, devem imple­men­tar pro­gra­mas de bus­ca ati­va de cri­anças com foco na edu­cação infan­til e elab­o­rar diag­nós­ti­cos sobre os efeitos da pan­demia no desen­volvi­men­to das cri­anças e nas taxas de aban­dono e evasão esco­lar.

Os dire­tores e pro­fes­sores podem pro­mover maior inte­gração entre famílias e esco­las incor­po­ran­do estraté­gias bem-suce­di­das de comu­ni­cação com famílias uti­lizadas durante a pan­demia.

Edição: Denise Griesinger

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