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Estudo mostra efeitos da covid-19 na placenta e reflexos nos fetos

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Repro­dução: © Imagens/TV Brasil

Trabalho foi desenvolvido por pesquisadores do Paraná


Pub­li­ca­do em 11/06/2021 — 07:00 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

 Estu­do feito por pesquisadores da Pon­tif­í­cia Uni­ver­si­dade Católi­ca do Paraná (PUCPR), Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Paraná (UFPR) e do Insti­tu­to Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe (IPPPP) con­sta­tou que a covid-19 pode afe­tar a pla­cen­ta de ges­tantes, com reflex­os nos fetos. Entre ess­es reflex­os estão o nasci­men­to pre­maturo e até mes­mo a morte intraute­ri­na do bebê.

A pesquisa foi desen­volvi­da no Hos­pi­tal de Clíni­cas e no Hos­pi­tal Nos­sa Sen­ho­ra das Graças, em Curiti­ba, com con­sen­ti­men­to das pacientes e aprovação do Comitê de Éti­ca das insti­tu­ições.

A prin­ci­pal con­clusão do estu­do foi que na grande maio­r­ia das pacientes com for­ma ass­in­tomáti­ca ou leve da doença, que não pre­cis­aram de inter­nação, o vírus não teve qual­quer efeito para o bebê. “Não encon­tramos efeito nem a lon­go pra­zo e nem ime­di­ata­mente com a mãe que está em casa, já no finalz­in­ho da ges­tação, que está com covid e foi para o hos­pi­tal gan­har o bebê. A gente não encon­trou nen­hum even­to adver­so”, disse à Agên­cia Brasil a pro­fes­so­ra Lucia de Noron­ha, da Esco­la de Med­i­c­i­na da PUCPR, uma das coor­de­nado­ras do estu­do.

Prati­ca­mente todas as mães que que foram hos­pi­tal­izadas com uma for­ma mod­er­a­da ou grave de covid-19 tiver­am even­tos adver­sos, seja um par­to pre­mat­u­ra­mente induzi­do, porque o bem-estar fetal esta­va com­pro­meti­do, seja a per­da do bebê. “Foi o even­to mais raro, mas acon­te­ceu nas for­mas mod­er­adas e graves que neces­si­taram de hos­pi­tal­iza­ção. As for­mas leves não tiver­am prob­le­mas, o que é uma exce­lente notí­cia, porque sig­nifi­ca que a imen­sa maio­r­ia das mães vai ter seus bebês nor­mal­mente”, afir­mou Lúcia.

Ela chamou a atenção para o fato de que todas as mul­heres com for­mas mod­er­adas e graves da doença tin­ham comor­bidades, como obesi­dade, dia­betes e hiperten­são. “Mas os bebês não mor­reram por causa da comor­bidade e sim por causa da covid. As mães tiver­am for­ma grave porque tin­ham comor­bidades”, disse. Entre as mul­heres ass­in­tomáti­cas ou com casos leves da covid-19 nem todas tin­ham comor­bidades.

Foco

O foco do tra­bal­ho era obser­var o efeito sobre a pla­cen­ta das mul­heres grávi­das. Os pesquisadores encon­traram alter­ações na pla­cen­ta, decor­rentes da doença vas­cu­lar da covid-19. “A covid é uma doença vas­cu­lar e a pla­cen­ta é o pul­mão do bebê. É por onde o bebê res­pi­ra e recebe nutri­entes, por meio dos vasos da mãe. Se a covid-19 afe­ta os vasos da mãe, o bebê pas­sa a não rece­ber nutri­entes nem oxigênio. O bebê entra em hipó­fise fetal”, expli­cou a pro­fes­so­ra. Nesse momen­to, segun­do ela, o médi­co tem de tirá-lo da bar­ri­ga da mãe, para sal­var a vida dele. É o par­to pre­maturo induzi­do.

Os pesquisadores bus­caram enten­der como a pla­cen­ta, estando no meio, entre o bebê e a mãe, era afe­ta­da pela covid-19. “É a for­ma grave da doença que faz essa lesão vas­cu­lar impor­tante. E essa lesão vas­cu­lar é no cor­po todo da mãe, incluin­do a pla­cen­ta, que é a comu­ni­cação da mãe com o bebê. E os vasos têm de estar saudáveis”, acres­cen­tou Lúcia.

Nova etapa

Na eta­pa pre­lim­i­nar do tra­bal­ho, foram estu­dadas 40 pacientes, sendo 20 com covid-19 e 20 sem a doença, na mes­ma época, com as mes­mas comor­bidades, para enten­der o que era comor­bidade e o que era covid-19. Essas mul­heres já estavam grávi­das quan­do a pan­demia foi declar­a­da no Brasil. Ago­ra, em uma segun­da fase da pesquisa, serão estu­dadas 60 pacientes afe­tadas pela doença e 60 que têm teste neg­a­ti­vo. Difer­ente­mente das pacientes da primeira eta­pa do tra­bal­ho, essas  engravi­daram durante a pan­demia.

As novas pacientes serão acom­pan­hadas pelos pesquisadores em todos os momen­tos da ges­tação e da doença. Elas incluem mul­heres com e sem comor­bidades. Os cien­tis­tas pre­ten­dem estu­dar de maneira mais pro­fun­da tam­bém as for­mas mais leves da doença, para ver se a con­clusão de que não não há con­se­quên­cia nen­hu­ma para o bebê está cor­re­ta.

Lúcia de Noron­ha adiantou que a ideia é acom­pan­har ain­da o desen­volvi­men­to do bebê, no perío­do de puer­i­cul­tura, para ver se vai crescer da mes­ma for­ma que out­ras cri­anças. “Ao que tudo indi­ca, não tem prob­le­ma nen­hum nas for­mas leves. A gente quer olhar min­u­ciosa­mente para tudo isso”, disse a pesquisado­ra.

O estu­do Asso­ci­a­tion between Covid-19 preg­nant women symp­toms sever­i­ty and pla­cen­tal mor­pho­log­ic fea­tures foi pub­li­ca­do no per­iódi­co Fron­tiers in Immunol­o­gy, revista cien­tí­fi­ca que é refer­ên­cia em imunolo­gia.

Edição: Graça Adju­to

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