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Fiocruz: população jovem apresenta o maior risco de suicídio

Entre mulheres indígenas o risco aumenta, diz informe epidemiológico

Ana Cristi­na Cam­pos – Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 08/12/2025 — 07:02
Brasília
Migrarte 2018 - Encontro celebra o Dia Mundial do Refugiado e a Semana do Migrante. O evento acontece no Memorial dos Povos Indígenas. Na foto, índios da etinia Kariri Xokó, de Alagoas, fazem apresentação
Repro­dução: © Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Estu­do da Fun­dação Oswal­do Cruz (Fiocruz) indi­ca que a pop­u­lação jovem apre­sen­ta maior risco de suicí­dio, de 31,2 para cada 100 mil habi­tantes, aci­ma da taxa ger­al da pop­u­lação, que é de 24,7 por 100 mil habi­tantes. Entre home­ns jovens, o risco sobe para 36,8. No entan­to, é entre os indí­ge­nas que o prob­le­ma é maior.

O 2º Informe Epi­demi­ológi­co sobre a Situ­ação de Saúde da Juven­tude Brasileira: Saúde Men­tal, elab­o­ra­do pela Agen­da Jovem Fiocruz e pela Esco­la Politéc­ni­ca de Saúde Joaquim Venân­cio (EPSJV/Fiocruz), desta­ca que “o suicí­dio é um prob­le­ma de saúde sobre­tu­do entre a juven­tude indí­ge­na”. Essa pop­u­lação tem a maior taxa de suicí­dios no Brasil (62,7).

“Jovens indí­ge­nas, home­ns na faixa entre 20 e 24 anos, apre­sen­tam uma taxa altís­si­ma de 107,9 suicí­dios para cada cem mil habi­tantes”, dizem os pesquisadores.

O suicí­dio entre mul­heres jovens indí­ge­nas tam­bém é mais alto do que a de mul­heres de out­ras pop­u­lações, espe­cial­mente entre as mais jovens, de 15 a 19 anos (46,2 suicí­dios por cem mil habi­tantes).

Segun­do a pesquisado­ra da insti­tu­ição, Luciane Fer­rareto, questões cul­tur­ais podem ser atribuí­das aos altos índices entre os indí­ge­nas, além da demo­ra por um atendi­men­to no serviço de saúde.

“Os indí­ge­nas hoje têm muito aces­so à infor­mação, mas ain­da há muito pre­con­ceito con­tra eles na sociedade”, disse Luciane.

O estu­do descreve o per­fil de inter­nações hos­pi­ta­lares, mor­tal­i­dade e atendi­men­tos rela­ciona­dos à saúde men­tal nas unidades de atenção primária à saúde (APS) de brasileiros com 15 a 29 anos, entre 2022 e 2024.

Mais internações de homens jovens

De acor­do com a pesquisa, home­ns jovens rep­re­sen­tam 61,3% das inter­nações por prob­le­mas de saúde men­tal, com uma taxa de inter­nação de 708,4 por 100 mil habi­tantes, 57% mais alta que a taxa das mul­heres (450). Menos da metade dos jovens que se inter­nam por saúde men­tal fazem acom­pan­hamen­to médi­co e psi­cológi­co depois do perío­do hos­pi­ta­lar.

O abu­so de sub­stân­cias psi­coa­t­i­vas é a prin­ci­pal causa das inter­nações de home­ns jovens (38,4%). A maio­r­ia dess­es casos (68,7%) é cau­sa­do por abu­so de múlti­plas dro­gas. Em segui­da, vêm a cocaí­na (13,2%) e o álcool (11,5%). A maior causa da inter­nação das mul­heres é a depressão.

Em con­tra­parti­da, na juven­tude como um todo, o abu­so de dro­gas e transtornos esquizofrêni­cos têm o mes­mo peso nas inter­nações: 31% e 32%, respec­ti­va­mente.

Para a pesquisado­ra da Esco­la Politéc­ni­ca de Saúde, a alta taxa de inter­nação de home­ns jovens por abu­so de álcool e out­ras dro­gas está rela­ciona­da a uma com­bi­nação de fatores soci­ais, cul­tur­ais e econômi­cos.

Segun­do a espe­cial­ista, a pressão por um ide­al de mas­culin­idade que val­oriza a força e a autossu­fi­ciên­cia gera grande angús­tia e difi­cul­ta que muitos busquem aju­da emo­cional ou psi­cológ­i­ca, levan­do-os a recor­rer ao uso de sub­stân­cias.

“Além dis­so, muitos dess­es jovens já são chefes de família. A fal­ta de opor­tu­nidades de tra­bal­ho, empre­gos precários, a insta­bil­i­dade finan­ceira e a sen­sação de fra­cas­so social aumen­tam as chances dess­es jovens uti­lizarem as dro­gas como for­ma de escape”, com­ple­men­ta.

Violência física e sexual na adolescência

No caso das mul­heres, Luciane desta­ca que a vio­lên­cia físi­ca e sex­u­al na ado­lescên­cia, prin­ci­pal­mente por famil­iares, leva ao adoec­i­men­to men­tal. “Já as mul­heres jovens, dos 22 aos 29 anos, podem ter que aban­donar estu­do e tra­bal­ho para cuidar de fil­hos ou de out­ros par­entes, porque não têm uma rede de políti­ca públi­ca de crech­es ou de acol­hi­men­to de idosos. Out­ro pon­to é que muitas mul­heres se envolvem em relações abu­si­vas que lev­am ao seu adoec­i­men­to. Tam­bém tem a questões de pre­cariza­ção dos empre­gos e o assé­dio no tra­bal­ho”, afir­mou a espe­cial­ista.

No perío­do anal­isa­do, ape­nas 11,3% dos atendi­men­tos de jovens nas unidades de saúde foram para tratar da saúde men­tal, enquan­to na pop­u­lação ger­al essa pro­porção é 24,3%. No entan­to, a taxa de inter­nações para a juven­tude foi de 579,5 casos para cada 100 mil habi­tantes, sendo que nos sub­gru­pos de 20 a 24 anos e 25 a 29 anos o val­or sobe, respec­ti­va­mente, para 624,8 e 719,7. Essas taxas são sig­ni­fica­ti­va­mente mais ele­vadas do que as da pop­u­lação adul­ta com mais de 30 anos (599,4).

Segun­do o coor­de­nador da AJF, André Sobrin­ho, os jovens são os que mais sofrem com saúde men­tal, vio­lên­cias e aci­dentes de tra­bal­ho, mas são tam­bém os que menos procu­ram e encon­tram cuida­dos em saúde, os que menos param de tra­bal­har quan­do estão doentes.

“Muitas vezes os jovens, a sociedade e o Esta­do agem como se eles tivessem que aguen­tar qual­quer coisa exata­mente por serem jovens”, afir­mou Sobrin­ho.

O informe anal­isou as bases de dados do Sis­tema Úni­co de Saúde (SUS) sobre inter­nações hos­pi­ta­lares, óbitos e atendi­men­tos na APS. Tam­bém usou dados do Cen­so 2022 do Insti­tu­to Brasileiro de Geografia e Estatís­ti­ca (IBGE) para as taxas de mor­tal­i­dade e de inter­nação.

Se precisar, peça ajuda

Qual­quer pes­soa com pen­sa­men­tos e sen­ti­men­tos de quer­er acabar com a própria vida deve bus­car acol­hi­men­to em sua rede de apoio, como famil­iares, ami­gos e edu­cadores, e tam­bém em serviços de saúde. De acor­do com o Min­istério da Saúde, é muito impor­tante con­ver­sar com alguém de con­fi­ança e não hes­i­tar em pedir aju­da, inclu­sive para bus­car serviços de saúde.

O Cen­tro de Val­oriza­ção da Vida (CVV) real­iza apoio emo­cional e pre­venção do suicí­dio, aten­den­do vol­un­tária e gra­tuita­mente todas as pes­soas que querem e pre­cisam con­ver­sar, sob total sig­i­lo, por tele­fone (188), e‑mail, chat e voip 24 horas todos os dias.

» Serviços de saúde que podem ser procu­ra­dos para atendi­men­to:

  • Cen­tros de Atenção Psi­cos­so­cial (Caps) e Unidades Bási­cas de Saúde (Saúde da família, Pos­tos e Cen­tros de Saúde);
  • UPA 24H, SAMU 192, Pron­to Socor­ro; Hos­pi­tais;
  • Cen­tro de Val­oriza­ção da Vida – 188 (lig­ação gra­tui­ta)
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