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Frequência de meninas ao médico é 18 vezes maior que a dos meninos

Repro­dução: @Agência Brasil / EBC

Entidade quer que jovens do sexo masculino frequentem urologistas


Pub­li­ca­do em 07/09/2022 — 09:29 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

Ouça a matéria:

Pesquisa inédi­ta fei­ta pela Sociedade Brasileira de Urolo­gia (SBU) com dados do Sis­tema de Infor­mação Ambu­la­to­r­i­al do Min­istério da Saúde rev­ela que o número de con­sul­tas de meni­nos ado­les­centes, de 12 a 18 anos, ao urol­o­gista é 18 vezes menor que o de atendi­men­tos de gine­col­o­gis­tas a meni­nas da mes­ma faixa etária.

Em 2021, foram reg­istra­dos 189.943 atendi­men­tos fem­i­ni­nos por gine­col­o­gis­tas na faixa etária de 12 a 18 anos, con­tra 10.673 atendi­men­tos mas­culi­nos por urol­o­gis­tas nes­sa mes­ma faixa etária. Em 2020, foram 165.925 atendi­men­tos de meni­nas por gine­col­o­gis­tas e 7.358 atendi­men­tos de meni­nos por urol­o­gis­tas.

Amplian­do o lev­an­ta­men­to para a bus­ca por atendi­men­to médi­co, as meni­nas entre os 12 e os 19 anos vão quase duas vezes e meia a mais ao médi­co que os meni­nos da mes­ma idade. Números de 2020 do Sis­tema de Infor­mação Ambu­la­to­r­i­al (SIA) do Min­istério da Saúde rev­e­lam que o aces­so das meni­nas entre 12 e 19 anos ao SUS foi quase 2,5 vezes maior que o dos meni­nos: 10.096.778 de meni­nas, con­tra 4.066.710 de meni­nos.

Inde­pen­den­te­mente da faixa etária, o homem procu­ra menos o médi­co para con­sul­tas de roti­na, o que faz com que ele ten­ha uma expec­ta­ti­va de vida de menor. “As mul­heres vivem, em média, sete a dez anos mais do que os home­ns. A gente perce­beu que isso ocorre porque o homem não procu­ra faz­er os exam­es necessários, como as mul­heres fazem”, disse o pres­i­dente da SBU, Alfre­do Canali­ni, à Agên­cia Brasil.

Para os médi­cos, não adi­anta faz­er cam­pan­ha ape­nas para o homem adul­to, já que esse com­por­ta­men­to é reflexo de toda uma história de vida que começa logo depois que o meni­no larga o pedi­atra.

Canali­ni afir­ma que, ao con­trário das meni­nas, que as mães lev­am à gine­col­o­gista para serem avali­adas tão logo entram na ado­lescên­cia e men­stru­am, os meni­nos “ficam meio à deri­va”. “O ado­les­cente do sexo mas­culi­no não vai ao médi­co”.

#VemProUro

Neste mês, a SBU real­iza a quin­ta edição da cam­pan­ha #Vem­ProUro, que enfa­ti­za a importân­cia de o meni­no ir ao médi­co na ado­lescên­cia. Este ano, a cam­pan­ha abor­da a relevân­cia dos cuida­dos com a saúde gen­i­tal e repro­du­to­ra e visa, prin­ci­pal­mente, os pais, para que ten­ham con­sciên­cia da neces­si­dade de levar não só as fil­has, mas tam­bém os fil­hos, a um atendi­men­to médi­co pre­ven­ti­vo – e não ape­nas quan­do ficam doentes.

A cam­pan­ha se enga­ja ain­da na luta con­tra os cânceres provo­ca­dos pelo HPV, incen­ti­van­do os respon­sáveis a levarem seus fil­hos ado­les­centes para serem vaci­na­dos.

O coor­de­nador da cam­pan­ha, Daniel Sus­lik Zyl­ber­sztejn, acred­i­ta que, com o pas­sar do tem­po, a cam­pan­ha con­tribuirá deci­si­va­mente para uma mudança de cul­tura de cuida­dos à saúde dos meni­nos, equiparan­do ao que vemos hoje nos cuida­dos à saúde das meni­nas ado­les­centes.

Durante o mês, serão real­izadas ações online de esclarec­i­men­to à pop­u­lação no per­fil da SBU nas redes soci­ais (@portaldaurologia). No site, a SBU tam­bém terá con­teú­dos volta­dos para os ado­les­centes.

Na avali­ação do pres­i­dente da enti­dade, é pre­ciso uma mudança de com­por­ta­men­to social. Sem o hábito de ir ao urol­o­gista quan­do jovens, os pais acabam não levan­do seus fil­hos home­ns para exam­es de roti­na. “Inves­ti­men­to em saúde não é tratar mais doença, mas evi­tar mais doenças. Tratar da saúde de uma pes­soa não é só curar essa pes­soa quan­do ela está doente, mas é tam­bém pre­venir que a doença ocor­ra”, avalia Canali­ni.

Segun­do o pres­i­dente da SBU, para cada R$ 1 gas­to em med­i­c­i­na pre­ven­ti­va, econ­o­miza-se R$ 5 em trata­men­to de doenças avançadas. “Esse é um dado bom para a saúde públi­ca porque sig­nifi­ca econo­mia do din­heiro públi­co quan­do se faz um proces­so de pre­venção de doenças e diag­nós­ti­co pre­coce”, aler­tou.

ISTs

De acor­do com o coor­de­nador do Depar­ta­men­to de Urolo­gia do Ado­les­cente, José Muril­lo Bas­tos Net­to, é cada vez mais comum o atendi­men­to, em con­sultório ou no serviço públi­co de saúde, ado­les­centes com infecções sex­ual­mente trans­mis­síveis.

Em 2020, pesquisa con­duzi­da pela SBU com ado­les­centes con­sta­tou que 44% dos entre­vis­ta­dos não usaram preser­v­a­ti­vo na primeira relação sex­u­al e 35% não usam, ou usam rara­mente, o preser­v­a­ti­vo. Qua­tro em cada dez meni­nos (38,57%) dis­ser­am não saber sequer colo­car o preser­v­a­ti­vo.

“O sexo seguro pas­sa pelo avi­so de que o preser­v­a­ti­vo deve ser usa­do em todas as relações sex­u­ais”, afir­mou Canali­ni.

Entre as ISTs mais comuns estão sífil­is, her­pes sim­ples, can­cro mole, HPV, lin­fo­gran­u­lo­ma venéreo, gonor­reia, tri­comoníase, hepatite B e C e HIV.

Sondagem divul­ga­da pelo Insti­tu­to Brasileiro de Geografia e Estatís­ti­ca (IBGE), em jul­ho deste ano, mostra que, no perío­do de 2009 a 2019, o per­centu­al de esco­lares que usaram camis­in­ha na últi­ma relação sex­u­al caiu de 72,5% para 59%. Entre as meni­nas, a que­da foi de 69,1% para 53,5% enquan­to, entre os meni­nos, foi de 74,1% para 62,8%.

HPV

Meni­nos (de 11 a 14 anos) e meni­nas (de 9 a 14 anos) podem se vaci­nar con­tra o papi­lo­mavírus humano (HPV), a infecção sex­ual­mente trans­mis­sív­el mais comum. A imu­niza­ção aju­da na pre­venção con­tra o câncer de útero nas mul­heres e con­tra o câncer de pênis nos home­ns.

Dados do Pro­gra­ma Nacional de Imu­niza­ções (PNI) rev­e­lam que ape­nas 36% dos meni­nos tomaram as duas dos­es da vaci­na, con­tra 56,2% das meni­nas. A vaci­na con­tra o HPV é ofer­ta­da gra­tuita­mente no Sis­tema Úni­co de Saúde (SUS). Podem se vaci­nar tam­bém con­tra o HPV home­ns e mul­heres imunos­suprim­i­dos, de 9 a 45 anos, que vivem com HIV/Aids, trans­plan­ta­dos de órgãos sóli­dos ou medu­la óssea e pacientes oncológi­cos.

Além do câncer de colo de útero e de pênis, o HPV está asso­ci­a­do a cânceres de ânus e de oro­faringe. O vírus tem uma prevalên­cia mundi­al esti­ma­da em 11,7% e a faixa etária de maior prevalên­cia é nos menores de 25 anos. Por ser uma doença na maio­r­ia das vezes ass­in­tomáti­ca e com remis­são espon­tânea em até dois anos, muitas pes­soas igno­ram ter o prob­le­ma e o trans­mitem a seus par­ceiros.

Consulta

Edu­cação sex­u­al é um dos assun­tos trata­dos na con­sul­ta de um ado­les­cente do sexo mas­culi­no com o urol­o­gista.

De acor­do com a SBU, a con­sul­ta ao médi­co na idade dos 12 aos 18 anos é impor­tante para avali­ação de vários que­si­tos, entre eles, o desen­volvi­men­to físi­co e a nutrição, condições gerais de saúde, noções sobre a higiene cor­re­ta do cor­po e dos órgãos gen­i­tais, iden­ti­fi­cação e medi­das pre­ven­ti­vas para o desen­volvi­men­to de doenças futuras como os fatores hered­itários e com­por­ta­men­tais, exame tes­tic­u­lar e ori­en­tações sobre o autoex­ame para detecção de anor­mal­i­dades como varic­o­cele (veias dilatadas nos testícu­los que podem levar à infer­til­i­dade), hér­nias, testícu­los mal desci­dos e tumores no órgão (cuja idade de maior risco começa por vol­ta dos 14 a 15 anos).

Além dess­es temas, são abor­dadas ori­en­tações sobre ISTs, pater­nidade respon­sáv­el e pre­venção de gravidez inde­se­ja­da, uso cor­re­to do preser­v­a­ti­vo, fimose, exces­so de pele no pênis, dúvi­das sobre sex­u­al­i­dade e desen­volvi­men­to gen­i­tal, avali­ação da cader­ne­ta de vaci­nação, ori­en­tações a respeito do iní­cio da vida sex­u­al, entre out­ros assun­tos.

Edição: Lílian Beral­do

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