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Movimento global lança desafio no Dia Mundial do Câncer

CAMPANHA PELO DIA MUNDIAL DO CÂNCER
© Arqui­vo pes­soal (Repro­dução)

Campanha tem participação da Fundação do Câncer e do Inca


Pub­li­ca­do em 04/02/2021 — 05:40 Por Alana Gan­dra e Lud­mil­la Souza — Repórteres da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro e São Paulo

O movi­men­to glob­al União Inter­na­cional para o Con­t­role do Câncer (UICC) lança este ano o Desafio dos 21 dias, pelo Dia Mundi­al do Câncer, lem­bra­do hoje (4).

O desafio faz parte de uma cam­pan­ha lança­da em 2019, com o títu­lo “Eu sou, eu vou: Jun­tos, todas as nos­sas ações são impor­tantes”, e desta­ca que o “eu” não sig­nifi­ca somente indi­ví­du­os, mas qual­quer cidade, orga­ni­za­ção ou enti­dade que queira par­tic­i­par do esforço de con­sci­en­ti­za­ção e edu­cação sobre a doença. A cam­pan­ha estim­u­la tam­bém ini­cia­ti­vas que dimin­u­am os índices de câncer no mun­do.

No Brasil, a cam­pan­ha da UICC con­ta com o apoio da Fun­dação do Câncer, que está lançan­do tam­bém hoje sua cam­pan­ha 21 ações para 2021.

Em entre­vista à Agên­cia Brasil, o médi­co Luiz Augus­to Mal­toni, dire­tor exec­u­ti­vo da Fun­dação do Câncer, disse que o foco da cam­pan­ha da fun­dação este ano é incen­ti­var as medi­das de pre­venção, para que se adotem hábitos de vida saudáv­el. “A gente sabe que isso cor­re­sponde a uma pro­porção muito grande de situ­ações que podem diminuir entre 30% e até 50% os casos novos de câncer anual­mente, se todo mun­do fiz­er”, afir­mou Mal­toni.

Parâmetros

A meta para este ano é estim­u­lar as pes­soas a adotarem ess­es novos hábitos de vida. “Cada vez mais pen­sar em uma ali­men­tação saudáv­el, não fumar, quem fuma deixar o hábito, evi­tar o exces­so de bebi­da alcoóli­ca, agre­gar ativi­dade físi­ca reg­u­lar. Com isso, você tam­bém estará con­tribuin­do para out­ros fatores de risco que são o sobrepe­so e a obesi­dade”.

O tema da cam­pan­ha 21 ações para 2021 é “Eu sou resiliente e vou ino­var”, obser­van­do que ape­sar das difi­cul­dades com a pan­demia de covid-19, é pos­sív­el e necessária a bus­ca pela saúde. O dire­tor da fun­dação lem­brou que além da esti­ma­ti­va de surg­i­men­to de 625 mil casos novos de câncer em 2021, no Brasil a pop­u­lação enfrenta uma pan­demia de dimen­são glob­al.

A cada mês, a Fun­dação do Câncer vai divul­gar nas mídias soci­ais e em seu site vídeos, entre­vis­tas, lives e even­tos. Haverá tam­bém divul­gação de histórias de pacientes que con­seguiram vencer doenças como o câncer, a par­tir da mudança de hábitos de vida.

Inca

Insti­tu­to Nacional do Câncer José Alen­car Gomes da Sil­va (Inca), vin­cu­la­do ao Min­istério da Saúde, tam­bém aderiu à cam­pan­ha glob­al. A insti­tu­ição vai divul­gar em sua pági­na na inter­net os 21 desafios, um a cada dia, com o obje­ti­vo de mel­ho­rar a saúde dos brasileiros, apoiar alguém com câncer e enten­der mel­hor a doença.

A par­tir de hoje (4), durante 21 dias, será colo­ca­do um desafio por dia na pági­na do Inca. Serão dadas dicas para cada desafio, diari­a­mente, pela equipe do insti­tu­to. “Se todo mun­do exper­i­men­tar uma coisa difer­ente, nem que seja por um dia, quem sabe se ani­ma a mudar o com­por­ta­men­to para sem­pre em sua vida. Essa é a ideia da cam­pan­ha”, infor­mou a chefe da Coor­de­nação de Pre­venção e Vig­ilân­cia do Inca, Liz Almei­da.

Exames de rotina

Até novem­bro do ano pas­sa­do, a vida seguia nor­mal para a jor­nal­ista Keila Mendes. Ape­sar de enfrentar um ano de pan­demia, com dois fil­hos em iso­la­men­to com ela ten­do aulas online, a nova roti­na já esta­va esta­b­ele­ci­da e ela con­tin­u­a­va a tocar a vida. Mas, aos 41 anos, desco­briu um câncer de mama em está­gio avança­do. Ela con­ta que, ain­da assim, o que a aju­dou foi não ter se des­cuida­do dos exam­es de roti­na.

“Em setem­bro, ape­sar de ser um ano de pan­demia, eu já tin­ha agen­da­do a min­ha con­sul­ta de roti­na com o meu mastologista/ginecologista. Fiz todos os exam­es e o meu médi­co não perce­beu todas as alter­ações, ape­sar de já ter apre­sen­ta­do nos exam­es uma peque­na alter­ação na mama dire­i­ta”.

Mas Keila começou a ficar inco­moda­da com o vol­ume que esta­va sentin­do. “Come­cei a tocar. E aí resolvi ir em out­ra mas­tol­o­gista, dois meses depois. Ela pediu nova­mente uma ultra­ssono­grafia, no local indi­ca­do por ela, pois essa médi­ca já tin­ha perce­bido que tin­ha uma coisa erra­da. Fiz a ultra­ssono­grafia com uma bióp­sia e dias depois saiu o resul­ta­do: dia 9 de novem­bro eu fui diag­nos­ti­ca­da com câncer na mama dire­i­ta”.

O exame detec­tou o car­ci­no­ma duc­tal inva­sor, grau 3. O grau sig­nifi­ca a agres­sivi­dade e veloci­dade com que o câncer cresce e a pos­si­bil­i­dade de metás­tase. “Meu oncol­o­gista disse que talvez esse tumor não ten­ha nem seis meses em mim, ele é de rápi­do avanço mes­mo. O câncer esta­va com o taman­ho de 8 cm por 6,5 cm, já esta­va grande e tin­ha chega­do à axi­la, tudo bem que lá esta­va no grau 1, não tem metás­tase, mas já esta­va na axi­la”.

Cada paciente recebe um tipo de pro­to­co­lo de trata­men­to. No caso de Keila, ela faz primeiro as quimioter­apias para reduzir o tumor. “Meu pro­to­co­lo são qua­tro quimioter­apias ver­mel­has, que são dro­gas mais fortes, e out­ras 12 bran­cas, que são dro­gas mais fra­cas. Como o tumor deu pos­i­ti­vo para hor­mônio, terei que faz­er um blo­queio hor­mon­al por dez anos [após o trata­men­to ini­cial], mas aí já é com com­prim­i­do”, detal­ha.

Até o momen­to, ela fez as qua­tro ver­mel­has e qua­tro bran­cas. “O tumor já está no taman­ho de 1cm por 1 cm. No final de março, ter­mi­no as “quimio” bran­cas e farei uma cirur­gia, provavel­mente terei que reti­rar ape­nas o quad­rante da mama dire­i­ta e será feito um estu­do da axi­la, para só depois definir se vou pre­cis­ar esvaz­iá-la”.

Com tan­tos pro­ced­i­men­tos, a jor­nal­ista tem se cuida­do bem para man­ter tam­bém a saúde men­tal. “Tratar o câncer é um pro­ced­i­men­to bas­tante inva­si­vo, que mexe demais com o emo­cional, sabe? Con­to com o auxílio de um psicól­o­go e até um psiquia­tra que me indi­cou um remé­dio para ter uma sobriedade, porque envolve muitos exam­es, muitas con­sul­tas, o proces­so é muito des­gas­tante, não só de desco­brir uma doença tão séria como essa, mas por todo o pro­ced­i­men­to que neces­si­ta ser feito”.

Ela con­ta ain­da que além do lado emo­cional, tem cuida­do bem do físi­co. “Estou com nutri­cionista espe­cial­ista em oncol­o­gista, fazen­do ativi­dade físi­ca três vezes por sem­ana, que é de extrema importân­cia, já que as dro­gas tam­bém atingem órgãos saudáveis, como o coração, então é impor­tante man­ter uma roti­na de exer­cí­cios e cuidar da mente, porque a cura começa pela mente. A min­ha [cura] já começou e é dessa for­ma que pre­firo encar­ar esta min­ha real­i­dade”.

Para ela, o suporte emo­cional é essen­cial. “Foi impor­tante nesse diag­nós­ti­co tão repenti­no, porque meus exam­es estavam todos em dia, foi impor­tante primeiro a min­ha atenção ao tocar a mama, mes­mo que meu médi­co ten­ha dito que esta­va tudo ok, por isso acho impor­tante que as pes­soas não des­cui­dem da saúde, mes­mo sendo um ano de pan­demia”.

Além das pre­cauções para a pre­venção con­tra o novo coro­n­avírus, Keila ago­ra dobra a atenção. “Por ser paciente oncológi­co, tomo todos os cuida­dos aonde vou, é super bem estu­da­do isso antes. Mas, ape­sar desse cuida­do todo, as pes­soas não podem se des­cuidar da saúde, mes­mo sendo pan­demia, pre­cisa sim faz­er os exam­es reg­u­lares, pre­cisa se tocar e se con­hecer e tam­bém seguir o seu instin­to”.

Para aju­dar out­ras pes­soas, a jor­nal­ista usa o seu per­fil no Insta­gram (@keila.mendes_) a fim de chamar a tenção sobre o tema e sua exper­iên­cia com a doença. “Ten­ho feito lives no meu Insta­gram, não para pacientes oncológi­cos, mas para divul­gar a min­ha história a pes­soas que estão saudáveis. Se você parar para pen­sar, três meses atrás eu esta­va bem, min­ha vida nor­mal e eu acha­va que a min­ha saúde esta­va toda ok, e de uma hora para out­ra tudo muda. Que esse 4 de fevereiro sir­va para aler­tar a todos da nos­sa vul­ner­a­bil­i­dade, da neces­si­dade que temos de nos olhar como pri­or­i­dade e de olhar para o out­ro com empa­tia. Dias difí­ceis virão, mas a certeza é de que depois virão dias de mui­ta saúde”.

Os 21 desafios esta­b­ele­ci­dos na cam­pan­ha da UICC são: Coloque cor no seu pra­to, Cheque sua cader­ne­ta de vaci­nação, Pra­tique med­i­tação em movi­men­to, Não esqueça o pro­te­tor solar, Faça um brinde saudáv­el, Se con­heça!, Dur­ma bem, Treine como campeões, Abra seus ouvi­dos, Elo­gie alguém, Ria em voz alta, Aposte na sal­a­da, de olho na sua saúde, Dedique-se às amizades, Faça algo difer­ente, Quem can­ta seus males espan­ta, Mexa-se, Relaxe, Coloque fibra em sua vida, Não faça nada e Agradeça.

Edição: Graça Adju­to

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