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Mutirão inclui quase 16 milhões de brasileiros no Censo 2022

Repro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

Operação abrangeu terra Yanomami, favelas e condomínios de luxo


Pub­li­ca­do em 25/06/2023 — 17:32 Por Well­ton Máx­i­mo – Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

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Pre­vis­to para ser lança­do na próx­i­ma quar­ta-feira (28), o Cen­so 2022 do Insti­tu­to Brasileiro de Geografia e Estatís­ti­ca (IBGE) esteve a um pas­so de ser com­pro­meti­do. A fal­ta de apoio para aces­so dos recenseadores a áreas remo­tas ou car­entes e resistên­cia de alguns cidadãos abaste­ci­dos por notí­cias fal­sas por pouco fiz­er­am o equiv­a­lente a quase um esta­do do Rio de Janeiro deixar de ser con­ta­do.

Ao lon­go dos últi­mos três meses, suces­sivos mutirões do IBGE e do Min­istério do Plane­ja­men­to con­seguiram revert­er a situ­ação. Uma série de forças-tare­fas incluiu, de últi­ma hora, 15,9 mil­hões de brasileiros no cen­so. Ao todo, foram três oper­ações espe­ci­ais. A primeira bus­cou alcançar brasileiros na Ter­ra Indí­ge­na Yanoma­mi, que nun­ca tin­ham sido recensea­d­os. As out­ras procu­raram reduzir a taxa de não respos­ta em dois ambi­entes opos­tos, mas com resistên­cia a recenseadores: fave­las e con­domínios de luxo.

“Nes­ta sem­ana, vamos deixar para trás infor­mações de 13 anos atrás, do Cen­so de 2010. Para for­mu­lar políti­cas públi­cas, con­hecer as deman­das da pop­u­lação e atu­ar em emergên­cias, pre­cisamos de infor­mações atu­al­izadas. O recensea­men­to é essen­cial para con­hecer quem somos, quan­tos somos e como somos hoje. Não como éramos”, diz o asses­sor espe­cial do Min­istério do Plane­ja­men­to, João Villaverde.

Indígenas

Real­iza­do em março, o recensea­men­to na Ter­ra Indí­ge­na Yanoma­mi incluiu 26.854 indí­ge­nas no cen­so, dos quais 16.560 em Roraima e 10.294 no Ama­zonas. O mutirão foi essen­cial para atu­alizar a pop­u­lação indí­ge­na no Brasil, esti­ma­da em 1,65 mil­hão de pes­soas segun­do bal­anço par­cial apre­sen­ta­do em abril. O número com­ple­to só será divul­ga­do em jul­ho, quan­do o IBGE apre­sen­tará um bal­anço especí­fi­co do Cen­so 2022 para a pop­u­lação indí­ge­na.

A oper­ação na Ter­ra Yanoma­mi foi com­plexa, mas con­seguiu, pela primeira vez na história, recensear 100% da etnia no ter­ritório. Por envolver difi­cul­dades de aces­so a aldeias aonde só se chega de helicóptero, o mutirão foi coor­de­na­do por cin­co min­istérios e reuniu 110 servi­dores fed­erais dos seguintes órgãos: Polí­cia Rodoviária Fed­er­al, que forneceu os helicópteros; Min­istério da Defe­sa, que forneceu o com­bustív­el; guias do Min­istério dos Povos Indí­ge­nas; servi­dores da Sec­re­taria de Saúde Indí­ge­na da Fun­dação Nacional dos Povos Indí­ge­nas (Funai); além dos próprios recenseadores do IBGE.

Real­iza­do de 7 a 30 de março, o mutirão foi necessário porque o recensea­men­to tradi­cional não con­seguia chegar a todas as aldeias yanoma­mi. Por causa das oper­ações para reti­rar os garimpeiros e do remane­ja­men­to de helicópteros para as ações de res­gate human­itário, o cen­so teve de reduzir o rit­mo em fevereiro, quan­do cer­ca de ape­nas 50% da pop­u­lação do ter­ritório havia sido con­tabi­liza­da.

Favelas

Nas fave­las, o cen­so esbar­ra­va em out­ras difi­cul­dades. Além da fal­ta de segu­rança em alguns locais, muitos moradores não que­ri­am abrir a por­ta para o recenseador porque tin­ham rece­bido fal­sas notí­cias de que teri­am bene­fí­cios soci­ais can­ce­la­dos. Out­ro prob­le­ma, prin­ci­pal­mente em áreas mais den­sas, era a fal­ta de endereços nas comu­nidades. Muitas vezes, os recenseadores não tin­ham infor­mação sobre novas mora­dias surgi­das nos últi­mos anos, como puxad­in­hos e lajes num mes­mo ter­reno.

“O que impe­dia a entra­da dos recenseadores na favela era a fal­ta de conexão dos recenseadores e do Poder Públi­co com as pes­soas que moram lá. Além dis­so, havia a fal­ta de con­sci­en­ti­za­ção das pes­soas por fal­ta de uma expli­cação que alcançasse os moradores das fave­las da importân­cia do cen­so e de respostas sin­ceras e obje­ti­vas”, anal­isa o Mar­cus Vini­cius Athayde, dire­tor do Data Favela e da Cen­tral Úni­ca adas Fave­las (Cufa), que aux­il­iou o IBGE no mutirão.

O mutirão começou no fim de março, com o lança­men­to de uma cam­pan­ha na Favela de Heliópo­lis, em São Paulo, do qual par­ticipou a min­is­tra do Plane­ja­men­to, Simone Tebet. A oper­ação ocor­reu em 20 esta­dos e reg­istrou aglom­er­a­dos sub­nor­mais (nomen­clatu­ra ofi­cial do IBGE para fave­las) em 666 municí­pios. O número de habi­tantes só será con­heci­do em agos­to, quan­do o IBGE divul­gará um recorte do Cen­so 2022 para as fave­las.

Segun­do Athayde, a Cufa aju­dou primeira­mente por meio de uma cam­pan­ha chama­da Favela no Mapa, que usou as lid­er­anças estad­u­ais da enti­dade para con­sci­en­ti­zar os moradores de fave­las da importân­cia de respon­der ao cen­so. Em segui­da, a Cufa recrutou moradores de fave­las e lid­er­anças locais para atu­arem como recenseadores e col­herem os dados das comu­nidades onde moram. Tam­bém hou­ve mutirões de respostas em even­tos comu­nitários.

“Respon­der ao cen­so traz bene­fí­cios de vol­ta para o morador da favela, para seus viz­in­hos, para sua família, na medi­da em que o gov­er­no e as políti­cas públi­cas atu­arão de for­ma mais ade­qua­da para essa pop­u­lação”, desta­ca Athayde.

Condomínios

Por fim, o últi­mo flan­co de resistên­cia a recenseadores con­cen­tra­va-se em con­domínios de luxo, prin­ci­pal­mente em três cap­i­tais: São Paulo, Rio de Janeiro e Cuiabá. “His­tori­ca­mente, a taxa de não respos­ta, que é o morador que não atende ao recenseador, fica em torno de 5%. Isso em todos os país­es que fazem cen­so. Nes­sas três cidades, a taxa esta­va em 20% em con­domínios de alto padrão”, con­ta Villaverde, do Min­istério do Plane­ja­men­to.

No Cen­so 2022, a média nacional de não respostas esta­va em 2,6% segun­do bal­anço par­cial divul­ga­do em janeiro. No esta­do de São Paulo, alcança­va 4,8%, prin­ci­pal­mente por causa da recusa de moradores de con­domínios de ren­da ele­va­da.

Para con­tornar os prob­le­mas, o Min­istério do Plane­ja­men­to e o IBGE pro­mover­am uma cam­pan­ha maciça em redes soci­ais. Parte das inserções foi dire­ciona­da a sen­si­bi­lizar porteiros, que obe­de­cem a regras restri­tas para entra­da de estran­hos. Out­ra parte esclare­ceu que síndi­cos não têm o poder de proibir o morador de rece­ber o IBGE. “Muitas pes­soas que­ri­am aten­der ao cen­so, mas não sabi­am que o recenseador não tin­ha vin­do porque o síndi­co veta­va”, recor­dou Villaverde. Tam­bém hou­ve reporta­gens de quase 10 min­u­tos em tele­visões locais sobre o tema.

Segun­do o asses­sor espe­cial do Plane­ja­men­to, a mobi­liza­ção foi um suces­so. “Em uma dessas três cap­i­tais, con­seguimos reduzir a taxa de não respos­ta para menos de 5% em con­domínios de alta ren­da”, diz. A oper­ação para os con­domínios começou em 14 de abril e esten­deu-se até 28 de maio, últi­mo dia de cole­ta de dados para o Cen­so 2022.

Entraves

A real­iza­ção do Cen­so 2022 enfren­tou diver­sos entrav­es. Ini­cial­mente pre­vis­to para 2020, o recensea­men­to foi adi­a­do por causa da pan­demia de covid-19. Em 2021, o Supre­mo Tri­bunal Fed­er­al (STF) obrigou o gov­er­no ante­ri­or a realizar o cen­so em 2022.

Na época, o Min­istério da Econo­mia autor­i­zou R$ 2,3 bil­hões para o cen­so, mes­mo orça­men­to de 2019 que descon­sid­er­a­va a inflação acu­mu­la­da em dois anos. Com a cole­ta de dados ini­ci­a­da em 1º de agos­to, o Cen­so 2022 ini­cial­mente esta­va pre­vis­to para encer­rar-se em out­ubro do ano pas­sa­do. Com difi­cul­dades para a con­tratação, o paga­men­to e a manutenção de recenseadores, o fim do cen­so foi primeira­mente adi­a­do para fevereiro deste ano.

Com fal­ta de ver­ba e alta pro­porção de não recensea­d­os, o gov­er­no atu­al decid­iu faz­er uma suple­men­tação orça­men­tária de R$ 259 mil­hões ao IBGE. O Min­istério do Plane­ja­men­to tam­bém decid­iu seguir a recomen­dação do Con­sel­ho Con­sul­ti­vo do IBGE, for­ma­do por ex-pres­i­dentes do órgão, demó­grafos e acadêmi­cos, e esten­der a cole­ta de dados até o fim de maio. Em abril, uma série de remane­ja­men­tos inter­nos no órgão evi­tou um novo pedi­do de ver­bas pelo IBGE.

Des­de 29 de maio, o IBGE está rodan­do os dados, para a divul­gação na próx­i­ma quar­ta-feira. “No iní­cio do ano, o min­istério tomou a difí­cil decisão de seguir 100% das recomen­dações do Con­sel­ho Con­sul­ti­vo porque os dados col­hi­dos até então não garan­ti­am a qual­i­dade do cen­so. Ago­ra, com as oper­ações espe­ci­ais e o tem­po extra de cole­ta, temos a certeza de que o recensea­men­to está robus­to e em lin­ha com os parâmet­ros inter­na­cionais de qual­i­dade”, diz Villaverde.

Edição: Car­oli­na Pimentel

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