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No Dia do Idoso, médica dá dicas de como melhorar a qualidade do sono

Repro­dução: © Marce­lo Camargo/Agência Brasil

Pessoas com 65 anos ou mais devem dormir de 7 a 8 horas por noite


Pub­li­ca­do em 01/10/2022 — 10:08 Por Cami­la Maciel — Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

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Ao lon­go da vida, o sono adquire car­ac­terís­ti­cas que são próprias da idade. Na infân­cia e ado­lescên­cia, por exem­p­lo, são exigi­das mais horas de des­can­so para acom­pan­har o desen­volvi­men­to. Para os idosos, o adorme­cer é mais cedo, o des­per­tar tam­bém, e as inter­mitên­cias do sono são mais recor­rentes.

No Dia Mundi­al do Idoso, cel­e­bra­do em 1º de out­ubro, a Agên­cia Brasil con­ver­sou com a médi­ca Eri­ka Trep­tow, do Insti­tu­to do Sono, que expli­ca como pes­soas que já pas­saram dos 60 anos podem man­ter boas noites de sono ao ado­tar medi­das saudáveis.

Além da idade, out­ras questões soci­ais, econômi­cas e emo­cionais podem ter impacto na qual­i­dade do sono nes­sa fase da vida.

“Tem muito a questão da aposen­ta­do­ria com a mudança de roti­na, porque com o tra­bal­ho temos um horário para lev­an­tar, uma ativi­dade durante o dia e um horário para dormir. Isso pode mudar, pode pio­rar o padrão do sono. Temos tam­bém aque­la questão do nin­ho vazio que é muito fal­a­da depois que os fil­hos saem de casa”, exem­pli­fi­ca a médi­ca.

Pre­ocu­pações com din­heiro tam­bém cos­tu­mam prej­u­dicar o sono de idosos. Algu­mas doenças tam­bém podem atra­pal­har a noite. “Doenças urológ­i­cas; aque­las doenças que lev­am a um quadro de dor, como doenças mus­cu­loesqueléti­cas, artrose, dores na col­u­na”, enu­mera a espe­cial­ista.

A recomen­dação, de acor­do com a Fun­dação Nacional do Sono, nos Esta­dos Unidos, é que pes­soas com 65 anos ou mais dur­mam de 7 a 8 horas por noite.

Distúrbios

Eri­ka desta­ca que alguns dis­túr­bios do sono cos­tu­mam ser comuns com a idade mais avança­da. “Prin­ci­pal­mente a insô­nia, a apneia obstru­ti­va do sono. Nos idosos, ess­es dis­túr­bios são ain­da mais preva­lentes”, apon­ta a médi­ca. A apneia obstru­ti­va do sono, por exem­p­lo, atinge 60% da pop­u­lação com 65 anos ou mais, con­forme o Estu­do Epi­demi­ológi­co do Sono, feito pelo insti­tu­to.

A apneia obstru­ti­va do sono é um dis­túr­bio res­pi­ratório que provo­ca pausas recor­rentes na res­pi­ração, frag­men­tan­do o sono e cau­san­do sonolên­cia diur­na, cansaço, alter­ações da memória e de humor. Além dis­so, aumen­ta o risco para doenças metabóli­cas e car­dio­vas­cu­lares, como infar­to agu­do do miocár­dio e aci­dente vas­cu­lar cere­bral (AVC).

Out­ros dis­túr­bios con­heci­dos são o com­por­ta­men­tal do sono REM e o de movi­men­to. O primeiro caso ocorre quan­do o indi­ví­duo está dor­min­do e trans­porta para a vida real as ações viven­ci­adas no son­ho. Já o segun­do caso car­ac­ter­i­za-se por uma von­tade incon­troláv­el de mex­er prin­ci­pal­mente as per­nas no perío­do que ante­cede o iní­cio do sono.

“Quan­do se sus­pei­ta de um dis­túr­bio do sono, uma das primeiras coisas a faz­er é descar­tar­mos out­ro tipo de doença que o idoso pos­sa ter e que pode, às vezes, até estar aumen­tan­do o risco desse dis­túr­bio do sono. Por exem­p­lo, a apneia obstru­ti­va do sono é muito asso­ci­a­da com obesi­dade, a insô­nia é muito asso­ci­a­da com depressão, com ansiedade”, expli­ca Eri­ka.

Ela acres­cen­ta que é fun­da­men­tal a avali­ação clíni­ca e tam­bém pode ser necessária a real­iza­ção de out­ras anális­es. “Um dos exam­es é a polis­sono­grafia, que avalia o padrão de sono da pes­soa durante toda a noite e que pode ser feito tan­to num hos­pi­tal, num lab­o­ratório, como tam­bém no domicílio”, apon­ta.

A médi­ca tam­bém desta­ca que deve ser fei­ta uma lista de todos os medica­men­tos uti­liza­dos pelo idoso. “Alguns real­mente podem prej­u­dicar o sono, podem causar maior sonolên­cia ou podem causar maior risco de insô­nia. Só avaliar as med­icações e, às vezes, até um horário que a pes­soa está receben­do essa med­icação já pode faz­er uma grande difer­ença e traz­er bene­fí­cios”, ori­en­ta.

Mudanças

Medi­das cotid­i­anas podem aju­dar para uma boa qual­i­dade do sono. Uma delas é man­ter a roti­na. “Tan­to no horário de dormir quan­to no horário de lev­an­tar pela man­hã. É impor­tante man­ter essa roti­na tan­to nos dias de sem­ana quan­to nos finais de sem­ana”, desta­ca. A exposição ao sol tam­bém é recomen­da­da. “É como se nós avisásse­mos para o cor­po daque­la pes­soa que é o perío­do do dia, que é o perío­do de se man­ter aler­ta.”

Out­ra recomen­dação é não se man­ter em iso­la­men­to. “É extrema­mente impor­tante e saudáv­el para essas pes­soas que elas man­ten­ham gru­pos de ami­gos, gru­pos onde façam ativi­dades, con­ta­to com os famil­iares”, indi­ca. “Quan­do a gente se man­tém ati­vo durante o dia, a gente tem uma facil­i­dade no perío­do da noite para relaxar e adorme­cer”, com­ple­ta. A automed­icação não é recomen­da­da.

Edição: Lílian Beral­do

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