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Voluntários se solidarizam e ajudam população de Petrópolis

Repro­dução: © Tomaz Silva/Agência Brasil

Doações chegam a todo momento em carros, ônibus e caminhões


Pub­li­ca­do em 19/02/2022 — 08:33 Por Viní­cius Lis­boa – Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

Quase qua­tro dias após a tem­pes­tade que cau­sou um número de víti­mas que não para de crescer, as ruas de Petrópo­lis ain­da são cenário da destru­ição cau­sa­da pela força da água que der­rubou encostas, aumen­tou o nív­el de rios e inva­diu casas e lojas.

Além da lama e dos estra­gos cau­sa­dos pelo tem­po­ral, no entan­to, tam­bém podem ser vis­tos por toda a parte os esforços de vol­un­tários que lev­am água, comi­da e itens de higiene para pon­tos de apoio mon­ta­dos em diver­sas partes da cidade.

Voluntários organizam distribuição de donativos em solidariedade às vítimas e desabrigados das chuvas em Petrópolis, na comunidade da 24 de Maio.
Repro­dução: Dona­tivos chegam à comu­nidade da 24 de Maio — Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

As doações chegam em car­ros par­tic­u­lares, cam­in­hões, ônibus, vans e cam­in­honetes, que cir­cu­lam pela cidade da região ser­rana em bus­ca de abri­gos ou pon­tos de dis­tribuição de ces­tas bási­cas.

A fro­ta inclui car­ros de órgãos públi­cos, asso­ci­ações pri­vadas, igre­jas e orga­ni­za­ções não gov­er­na­men­tais, que con­tam com a aju­da dos moradores para descar­regar engrada­dos de água min­er­al, ces­tas de ali­men­to não perecív­el, roupas e out­ros itens de neces­si­dades bási­cas.

A pres­i­dente da Asso­ci­ação de Moradores da Comu­nidade 24 de Maio, a aposen­ta­da Odete da Sil­va, de 65 anos, con­ta que rece­beu uma doação de água de sua anti­ga patroa, que mora no Rio de Janeiro.

Ao se deparar com as neces­si­dades de sua comu­nidade, ela começou a divul­gar os itens para doações, e a quan­ti­dade que chegou foi tão grande que foi pre­ciso orga­ni­zar um pon­to de apoio.

“A creche me cedeu duas salas, e aí foi crescen­do. Graças a Deus, esta­mos aqui com um núcleo mar­avil­hoso, mon­ta­do por mim e a min­ha comu­nidade”, con­ta ela, que recebe as doações no Colé­gio Munic­i­pal­iza­do Augus­to Meschick.

“Nos­sas doações estão sendo des­ti­nadas para os moradores da Rua Nova, Rua 24 de Maio e Rua Primeiro de Maio. Mas se algu­ma out­ra comu­nidade estiv­er pre­cisan­do, ven­ha aqui”, disse Odete.

A comu­nidade 24 de Maio voltou a ficar em aler­ta ontem, quan­do nova­mente as sirenes soaram com a chu­va que con­tin­ua a cair na cidade. Odete cobra que téc­ni­cos vis­to­riem as casas dos moradores, porque muitos estão com medo e não sabem se devem ou não deixar suas casas.

Enquan­to con­ce­dia a entre­vista, Odete acom­pan­ha­va a chega­da de mais dona­tivos, envi­a­dos pela Cen­tral Úni­ca das Fave­las (Cufa). A par­tir da rua de baixo, menos afe­ta­da pela enx­ur­ra­da, os vol­un­tários da Cufa orga­ni­zaram um cordão humano para que um pas­sasse os man­ti­men­tos para o seguinte, trans­portan­do dezenas de qui­los de doações mor­ro aci­ma.

Voluntários organizam distribuição de donativos em solidariedade às vítimas e desabrigados das chuvas em Petrópolis, na comunidade da 24 de Maio.
Repro­dução: Vol­un­tários orga­ni­zam dis­tribuição de dona­tivos em sol­i­dariedade às víti­mas e desabri­ga­dos em Petrópo­lis — Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

O tra­bal­ho de orga­ni­zar as doações que chegavam com o empen­ho cole­ti­vo era reforça­do por Môni­ca Cristi­na Januário, de 49 anos, que está abri­ga­da na casa de uma tia com os qua­tro fil­hos.

Ela con­ta que a família con­seguiu fugir cin­co min­u­tos antes de um desliza­men­to que soter­rou sua casa. Abri­ga­da na comu­nidade, ela se enga­jou em par­tic­i­par do tra­bal­ho para diminuir o sofri­men­to de famílias como a dela.

“Eu per­di tudo, mas a gente não pode ser um ser humano egoís­ta. Tô aqui aju­dan­do firme e forte a quem pre­cisa”, disse ela, que está desem­pre­ga­da.

Portas fechadas na Rua Teresa

Môni­ca mora­va na Rua Nova, poucos met­ros aci­ma de uma das prin­ci­pais ruas de Petrópo­lis, a Rua Tere­sa. Quan­do a tem­pes­tade caiu sobre a cidade, a lama que desceu das encostas na Rua Nova e ruas aci­ma soter­rou casas e inva­diu lojas nes­sa via que é uma das ruas mais famosas de Petrópo­lis.

A Rua Tere­sa recebe um grande número de vis­i­tantes por ser um polo de moda com preços pop­u­lares, e a tradição da ativi­dade têx­til criou no local uma cadeia de con­fecções que abastece as próprias lojas.

Repro­dução: Tra­bal­hos de des­ob­strução na Rua Tere­sa, blo­quea­da pela lama acu­mu­la­da — Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Dono de uma dessas con­fecções, Car­los Rober­to Alves, de 61 anos, ain­da não sabe se poderá reabrir sua empre­sa. Ele con­ta que a enx­ur­ra­da lev­ou os car­ros que usa­va para trans­portar as roupas até suas lojas, e o prob­le­ma maior é que a encos­ta desabou bem ao lado do local onde tra­bal­ha há 30 anos.

“Estou sem per­spec­ti­va, porque essa área está con­de­na­da. Eu ten­ho famil­iares que moram ali e estão desabri­ga­dos. Estou abri­g­an­do min­ha tia e meu pri­mo porque eles não têm para onde ir”.

Engen­heiro de for­mação, ele con­ta que a Rua Tere­sa “lhe deu sua vida”, porque foi nela que encon­trou seu cam­in­ho profis­sion­al.

“A Rua Tere­sa está no coração econômi­co da cidade. Tem o tur­is­mo e tem a Rua Tere­sa. Muitas indús­trias saíram de Petrópo­lis, e ficaram mais as con­fecções, micro e peque­nas empre­sas que se man­têm e aju­dam a man­ter a cidade através das ven­das”.

Limpeza

No pon­to mais críti­co da via onde Car­los tra­bal­ha, equipes de sal­va­men­to ain­da bus­cam desa­pare­ci­dos em meio a casas soter­radas e mui­ta lama. Já nas partes em que foi pos­sív­el ao menos iso­lar a lama em parte da calça­da, com­er­ciantes começam a chegar para avaliar os estra­gos e limpar a sujeira. É o caso de Mar­co Cesar da Sil­va, de 52 anos.

Dono de uma loja no cen­tro com­er­cial, ele con­ta que já tin­ha encer­ra­do o expe­di­ente e tra­bal­ha­va com ativi­dades inter­nas quan­do ouviu mui­ta gri­taria na rua. “Foi assus­ta­dor. Quan­do olhei pela janela, esta­va tudo toma­do de lama”, lem­bra ele, que perdeu peças que estavam na vit­rine quan­do a lama entrou na gale­ria. Ape­sar dis­so, ele con­ta alivi­a­do que os danos em sua loja param por aí.

Destruição nas lojas da Rua do Imperador, causada pela lama de deslizamentos de terra durante chuvas em Petrópolis.
Repro­dução: Destru­ição nas lojas da Rua do Imper­ador, cau­sa­da pela lama de desliza­men­tos de ter­ra durante chu­vas em Petrópo­lis — Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Mes­mo assim, Mar­co não crê que será pos­sív­el abrir a loja nas próx­i­mas duas sem­anas. “É um proces­so lento. Acred­i­to que só para depois, em março, quan­do limpar tudo. Para voltar à vida, e nem digo nor­mal, vai demor­ar pelo menos uns 15 dias para pen­sar em abrir a loja. Ain­da tem muito lixo”, con­ta ele, que ain­da pre­cisa cruzar uma poça de lama até as canelas para chegar à gale­ria em que tra­bal­ha, onde manequins ain­da vesti­dos com peças em pro­moção per­manecem em meio ao lamaçal.

A água cau­sou muito mais estra­go alguns met­ros abaixo, na prin­ci­pal rua do cen­tro de Petrópo­lis, a Rua do Imper­ador. Na tarde de ontem (17), tra­bal­hadores de diver­sas lojas lavavam uten­sílios e mobil­iários na calça­da, aprovei­tan­do um cur­to inter­va­lo sem chu­va.

Ger­ente de uma loja de pro­du­tos de beleza, Iris Brito con­ta que não foi pre­ciso mais do que 15 min­u­tos para que a água tomasse con­ta do esta­b­elec­i­men­to, que fica em um dos pon­tos mais movi­men­ta­dos da cidade.

“Foi muito rápi­do quan­do a chu­va veio. A água subiu 1,60 metro e perdemos muitos pro­du­tos. Só o que esta­va no alto se salvou. Foi um pâni­co. Res­gata­mos clientes, pes­soas da rua e colo­camos para den­tro, fomos todos para o segun­do andar”, con­ta ela.

Em meio a uma loja ain­da mar­ca­da pela lama no chão e nas pare­des, ape­sar dos esforços dos tra­bal­hadores para limpá-la, Iris fala das con­se­quên­cias para o comér­cio e com­er­ciantes: “Vamos demor­ar muito [a nos recu­per­ar]. Os empresários da cidade vão sofr­er muito com esse baque econômi­co. A econo­mia já está muito ruim e, com essa tragé­dia toda, vai pio­rar”.

Com mais difi­cul­dades para as lojas, ela teme pelos tra­bal­hadores que, como ela, depen­dem dos empre­gos, e faz um ape­lo. “Tem que ter o socor­ro para os empresários man­terem as lojas aber­tas e as pes­soas con­tin­uarem tra­bal­han­do. Só aqui são dez empre­ga­dos. Se [a loja] fechar, são dez pes­soas na rua”.

Edição: Denise Griesinger

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