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Conheça os critérios de correção da redação do Enem

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© Agên­cia Brasil (Repro­dução)

Com regras específicas de correção, redação pode ser o diferencial


Publicado em 13/01/2021 — 05:53 Por Mariana Tokarnia — Repórter da Agência Brasil — Rio de Janeiro

No domin­go (17), mil­hões de estu­dantes de todo o país farão a primeira pro­va da edição impres­sa do Exame Nacional do Ensi­no Médio (Enem) 2020. Além de respon­der às questões obje­ti­vas de lin­gua­gens e ciên­cias humanas, os par­tic­i­pantes farão a pro­va de redação, a úni­ca parte sub­je­ti­va do exame. Com critérios especí­fi­cos de cor­reção, a redação pode ser o difer­en­cial na nota dos estu­dantes. 

“A primeira coisa é que a pro­va não vai ter grandes mudanças na redação”, diz o pro­fes­sor e fun­dador do Lab­o­ratório de Redação, Adri­ano Chan. Na pro­va, os estu­dantes devem, a par­tir do tema pro­pos­to e dos tex­tos moti­vadores — que não podem ser copi­a­dos — escr­ev­er um tex­to em prosa do tipo dis­ser­ta­ti­vo-argu­men­ta­ti­vo. Os par­tic­i­pantes devem defend­er uma tese, ou seja, uma opinião a respeito do tema pro­pos­to, apoia­da em argu­men­tos con­sis­tentes. Devem tam­bém elab­o­rar uma pro­pos­ta de inter­venção social para o prob­le­ma apre­sen­ta­do no desen­volvi­men­to do tex­to.

“É um equívo­co o aluno acred­i­tar que pre­cisa saber bem do tema. Tem que saber ler bem o que está na pro­pos­ta, iden­ti­ficar os desafios que estão na pro­pos­ta em relação ao tema prin­ci­pal. Isso é muito impor­tante. Não é achar qual­quer prob­le­ma, mas um prob­le­ma den­tro do uni­ver­so pro­pos­to e rela­cionar esse desafio com o con­teú­do adquiri­do e apren­di­do”, afir­ma Chan.

“A estru­tu­ra não muda, o que vai alter­ar é a argu­men­tação que o estu­dante vai ter que con­stru­ir em função do tema. Eu acred­i­to que quan­do o aluno con­hece bem a estru­tu­ra da redação, o tema que vier ele vai con­seguir faz­er”, diz a pro­fes­so­ra Tatiana Nunes Câmara, de lín­gua por­tugue­sa e pro­dução tex­tu­al do Colé­gio Mopi.

Para os pro­fes­sores, os estu­dantes devem, na reta final para a apli­cação do exame, treinar a escri­ta, em papel, como será feito no dia da pro­va, usan­do más­cara de pro­teção facial, item obri­gatório este ano por causa da pan­demia do novo coro­n­avírus. “[Com as aulas sendo real­izadas de for­ma remo­ta], geral­mente o estu­dante tem de entre­gar a redação dig­i­ta­da e não está treinan­do a questão do exer­cí­cio motor de escr­ev­er a redação. É impor­tante que o aluno faça o treino da escri­ta no papel, até para que não seja pego de sur­pre­sa em relação ao tem­po”.

“Escr­ev­er de más­cara é difer­ente. Recomen­do treinar a redação de más­cara, con­tan­do o tem­po”, acres­cen­ta Tatiana. “Seria inter­es­sante ago­ra revis­tar as redações que fiz­er­am e foram cor­rigi­das pelos pro­fes­sores, para que pos­sam dar uma olha­da na estru­tu­ra e nas ori­en­tações. Acho que tam­bém vale a pena obser­var temas que as pes­soas têm fal­a­do ou assun­tos que estão mais em voga, faz­er uma espé­cie de retoma­da dess­es enfo­ques temáti­cos”, sug­ere.

Correção

Para aju­dar no preparo para a pro­va, os estu­dantes podem aces­sar a car­til­ha da redação do Enem 2020, divul­ga­da pelo Insti­tu­to Nacional de Estu­dos e Pesquisas Edu­ca­cionais Aní­sio Teix­eira (Inep). Na car­til­ha, estão detal­ha­dos os critérios de cor­reção da redação e como é fei­ta essa cor­reção. Estão disponíveis tam­bém exem­p­los de redação que tiraram a nota máx­i­ma, nota 1 mil, na edição do Enem de 2019.

Este ano, o Inep divul­gou tam­bém, de for­ma inédi­ta, as apos­ti­las de capac­i­tação dos cor­re­tores de redação, elab­o­radas para a edição de 2019. Assim, é pos­sív­el saber o que os cor­re­tores lev­am em con­sid­er­ação na hora de atribuir notas às provas.

As redações do Enem são avali­adas em cin­co com­petên­cias, cada uma vale 200 pon­tos: demon­strar domínio da modal­i­dade escri­ta for­mal da lín­gua por­tugue­sa; com­preen­der a pro­pos­ta de redação e aplicar con­ceitos das várias áreas de con­hec­i­men­to para desen­volver o tema, den­tro dos lim­ites estru­tu­rais do tex­to dis­ser­ta­ti­vo-argu­men­ta­ti­vo em prosa; sele­cionar, rela­cionar, orga­ni­zar e inter­pre­tar infor­mações, fatos, opiniões e argu­men­tos em defe­sa de um pon­to de vista; demon­strar con­hec­i­men­to dos mecan­is­mos lin­guís­ti­cos necessários para a con­strução da argu­men­tação; e elab­o­rar pro­pos­ta de inter­venção para o prob­le­ma abor­da­do, respei­tan­do os dire­itos humanos.

Cada pro­va pas­sa por dois cor­re­tores. Caso haja uma difer­ença de mais de 100 pon­tos em relação à nota total da pro­va ou de mais de 80 pon­tos em relação a algu­ma das com­petên­cias, o tex­to pas­sa, então, por um ter­ceiro cor­re­tor. Se a difer­ença per­si­s­tir, a pro­va é avali­a­da por uma ban­ca com­pos­ta por três pro­fes­sores, que atribuirá a nota final do par­tic­i­pante.

Motivos para nota zero

Para par­tic­i­par de pro­gra­mas como o Sis­tema de Seleção Unifi­ca­da (Sisu), que ofer­ece vagas em insti­tu­ições públi­cas de ensi­no supe­ri­or, e o Pro­gra­ma Uni­ver­si­dade para Todos (ProUni), que con­cede bol­sas de estu­do em insti­tu­ições pri­vadas de ensi­no supe­ri­or, é necessário não ter tira­do zero na redação. A redação rece­berá nota zero se apre­sen­tar uma das car­ac­terís­ti­cas a seguir:

• fuga total ao tema;

• não obe­diên­cia ao tipo dis­ser­ta­ti­vo-argu­men­ta­ti­vo;

• exten­são de até sete lin­has man­u­scritas, qual­quer que seja o con­teú­do, ou exten­são de até dez lin­has escritas no sis­tema Braille;

• cópia de texto(s) da Pro­va de Redação e/ou do Cader­no de Questões sem que haja pelo menos oito lin­has de pro­dução própria do par­tic­i­pante;

• impropérios, desen­hos e out­ras for­mas proposi­tais de anu­lação, em qual­quer parte da fol­ha de redação;

• números ou sinais grá­fi­cos sem função clara em qual­quer parte do tex­to ou da fol­ha de redação;

• parte delib­er­ada­mente desconec­ta­da do tema pro­pos­to;

• assi­natu­ra, nome, ini­ci­ais, apeli­do, codi­nome ou rubri­ca fora do local dev­i­da­mente des­ig­na­do para a assi­natu­ra do par­tic­i­pante;

• tex­to pre­dom­i­nante ou inte­gral­mente escrito em lín­gua estrangeira;

• fol­ha de redação em bran­co, mes­mo que haja tex­to escrito na fol­ha de ras­cun­ho; e

• tex­to ilegív­el, que impos­si­bilite sua leitu­ra por dois avali­adores inde­pen­dentes.

Veja os temas das redações de anos ante­ri­ores:

Enem 2009: O indi­ví­duo frente à éti­ca nacional

Enem 2010: O tra­bal­ho na con­strução da dig­nidade humana

Enem 2011:  Viv­er em rede no sécu­lo XXI: os lim­ites entre o públi­co e o pri­va­do

Enem 2012: O movi­men­to imi­gratório para o Brasil no sécu­lo XXI

Enem 2013:  Efeitos da implan­tação da Lei Seca no Brasil

Enem 2014: Pub­li­ci­dade infan­til em questão no Brasil

Enem 2015: A per­sistên­cia da vio­lên­cia con­tra a mul­her na sociedade brasileira

Enem 2016: Cam­in­hos para com­bat­er a intol­erân­cia reli­giosa no Brasil e Cam­in­hos para com­bat­er o racis­mo no Brasil — Neste ano hou­ve duas apli­cações reg­u­lares do exame.

Enem 2017: Desafios para for­mação edu­ca­cional de sur­dos no Brasil

Enem 2018: Manip­u­lação do com­por­ta­men­to do usuário pelo con­t­role de dados na inter­net

Enem 2019: Democ­ra­ti­za­ção do aces­so ao cin­e­ma no Brasil

Enem 2020

Ao todo, cer­ca de 5,8 mil­hões de estu­dantes estão inscritos no exame. O Enem 2020 terá uma ver­são impres­sa, nos dias 17 e 24 de janeiro, e uma dig­i­tal, real­iza­da de for­ma pilo­to para 96 mil can­didatos, nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro.

As medi­das de segu­rança ado­tadas em relação à pan­demia do novo coro­n­avírus serão as mes­mas tan­to no Enem impres­so quan­to no dig­i­tal. Haverá, por exem­p­lo, um número reduzi­do de estu­dantes por sala, para garan­tir o dis­tan­ci­a­men­to entre os par­tic­i­pantes. Durante todo o tem­po de real­iza­ção da pro­va, os can­didatos estarão obri­ga­dos a usar más­caras de pro­teção da for­ma cor­re­ta, tapan­do o nar­iz e a boca, sob pena de serem elim­i­na­dos do exame. Além dis­so, o álcool em gel estará disponív­el em todos os locais de apli­cação.

Quem for diag­nos­ti­ca­do com covid-19, ou apre­sen­tar sin­tomas dessa ou de out­ras doenças infec­to­con­ta­giosas até a data do exame, não dev­erá com­pare­cer ao local de pro­va e sim entrar em con­ta­to com o Inep pela Pági­na do Par­tic­i­pante, ou pelo tele­fone 0800–616161, e terá dire­ito a faz­er a pro­va na data de reapli­cação do Enem, nos dias 23 e 24 de fevereiro.

Edição: Graça Adju­to

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