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Museu Nacional completa 204 anos com exposição de baleia-cachalote

Repro­dução: © Car­oli­na Feital

Esqueleto do animal está exposto na Cidade das Artes


Pub­li­ca­do em 06/06/2022 — 17:04 Por Ake­mi Nita­hara – Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

Para comem­o­rar os 204 anos do Museu Nacional, insti­tu­ição muse­ológ­i­ca e de pesquisa mais anti­ga do país, foi aber­ta hoje (6) a exposição Que baleia é essa?, na Cidade das Artes, na Bar­ra da Tiju­ca, zona oeste do Rio de Janeiro. A sede do Museu, o Palá­cio Paço de São Cristóvão, na Quin­ta da Boa Vista, foi destruí­do por um incên­dio no dia 2 de setem­bro de 2018.

A exposição traz um esquele­to de baleia-cachalote — Phy­seter macro­cephalus — com 15,7 met­ros de com­pri­men­to, além de um mod­e­lo tátil da baleia em miniatu­ra e tex­tos explica­tivos sobre o exem­plar e hábitos da espé­cie e de out­ros cetáceos. O obje­ti­vo é aprox­i­mar o públi­co do Museu Nacional e tra­bal­har com as esco­las a edu­cação ambi­en­tal e a biolo­gia, com vis­i­tas agen­dadas.

Que Baleia é essa
Repro­dução: Que Baleia é essa — Car­oli­na Feital

A curado­ra da exposição, Juliana Sayão, que é biólo­ga e pesquisado­ra do Museu Nacional, enti­dade da Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio de Janeiro (UFRJ), desta­ca que a aquisição é fru­to da cam­pan­ha #Recom­põe, ini­ci­a­da no ano pas­sa­do para aju­dar a recom­por o acer­vo do museu, que tem foco na história nat­ur­al.

“Essa baleia é a primeira peça de grande porte que o museu recebe. A gente mon­ta aqui para que o públi­co já ten­ha um gostin­ho do que ele poderá ver quan­do o museu abrir suas novas exposições. A nos­sa ideia é que a baleia fique no hall de entra­da, ao lado da esca­da mon­u­men­tal, que é a peça arquitetôni­ca mais icôni­ca do Museu.”

De acor­do com a curado­ra, a cam­pan­ha já arrecadou cer­ca de mil peças de cun­ho expos­i­ti­vo e cien­tí­fi­co. A recom­posição do acer­vo vai bus­car novas abor­da­gens de pesquisa.

Que Baleia é essa
Repro­dução: Que Baleia é essa — Car­oli­na Feital

Baleia-cachalote

O esquele­to foi mon­ta­do no segun­do pavi­men­to do foy­er da sala de con­cer­tos da Cidade das Artes. Tra­ta-se de um macho adul­to com cer­ca de 80 toneladas, que encal­hou na Pra­ia de Curimãs, no municí­pio de Bar­ro­quin­ha (CE), em janeiro de 2014, ain­da vivo, mas não resis­tiu, sendo enter­ra­do no local.

A mon­tagem da exposição foi finan­cia­da pelo gov­er­no da Ale­man­ha, que apor­tou 24 mil euros para os cuida­dos necessários e trans­porte da ossa­da. A peça ficará expos­ta no local pelos próx­i­mos dois anos, com vis­i­tação às terças e quin­tas-feiras das 10h às 18h e aos sába­dos 10h às 16h, medi­ante agen­da­men­to prévio pelo e‑mail [email protected].

A biólo­ga Juliana Sayão expli­ca que a cachalote emite um dos sons mais altos do reino ani­mal, chegan­do a 197 decibéis, e é o maior ani­mal carnívoro que existe atual­mente, se ali­men­tan­do de grandes espé­cies que podem incluir lulas gigantes e até tubarões. A espé­cie pode chegar a 20 met­ros e é ficou muito con­heci­da por causa do livro Moby Dick, do escritor norte-amer­i­cano Her­man Melville.

O biól­o­go Antônio Car­los Amân­cio, que coor­de­na­va a ONG que reg­istrou a baleia encon­tra­da jun­to ao esta­do do Ceará e foi respon­sáv­el pela mon­tagem do esquele­to na exposição, expli­ca que o esta­do de con­ser­vação do ani­mal esta­va muito bom, com 96% da estru­tu­ra óssea preser­va­da após a recu­per­ação, fei­ta seis anos após a baleia ter sido enter­ra­da.

fóssil berthasaura
Repro­dução: Fós­sil Berthasaura — Felipe Cohen Pro­je­to MNV

“A primeira exposição dela ao públi­co vai ser ago­ra. O esquele­to pas­sou um ano sendo prepara­do até estar pron­to para ser a faz­er a mon­tagem final. Por ser um museu de história nat­ur­al, é muito comum ter esquele­tos, ani­mais de taxi­der­miza­dos. O Museu nacional tin­ha um esquele­to de baleia em sua exposição e que, infe­liz­mente, se perdeu no incên­dio. Hou­ve a neces­si­dade de ter a reposição de um ani­mal dessa mag­ni­tude, de um bicho grande de mais de 14 met­ros para recom­por essa exposição.”

Reconstrução do Museu Nacional

Antes da visi­ta à exposição, a dire­to­ria do Museu Nacional atu­al­i­zou o anda­men­to da recon­strução da insti­tu­ição, em entre­vista cole­ti­va. De acor­do com o dire­tor do Museu, Alexan­der Kell­ner, até o momen­to foram arrecada­dos cer­ca de 60% do val­or esti­ma­do que será necessário para a recon­strução do Palá­cio, do total de R$ 380 mil­hões.

“O grande prob­le­ma é que, para começar as obras, tem que plane­jar muito, a gente não sai con­stru­in­do assim. E esse plane­ja­men­to está enfo­ca­do na neces­si­dade — que nós sabe­mos que ter­e­mos — que é de mostrar um museu super bacana, super mod­er­no, com a ver­tente históri­ca que quer­e­mos preser­var. E isso deman­da um cer­to plane­ja­men­to. Quer­e­mos ser um museu de história nat­ur­al e antropolo­gia com ver­tente históri­ca, inclu­si­va, ino­vado­ra, sus­ten­táv­el”.

Kell­ner expli­ca que o novo acer­vo foi divi­di­do em qua­tro ver­tentes: históri­ca; meio ambi­ente; uni­ver­so; e vida e diver­si­dade cul­tur­al. Para mon­tar uma exposição com­ple­ta, são necessárias cera de 10 mil peças e o Museu Nacional con­seguiu, até o momen­to, cer­ca de mil.

“Esta­mos em uma cam­pan­ha bem com­plexa, que é obter novos exem­plares para as nos­sas exposições e é fun­da­men­tal que a gente enten­da que temos que mere­cer este novo acer­vo. E nós só vamos mere­cer o acer­vo se  fiz­er­mos o nos­so dev­er de casa, que é recon­stru­ir o palá­cio com as mel­hores nor­mas de segu­rança para pes­soas e, tam­bém, para um novo acer­vo. Temos que mostrar o mun­do que o Brasil apren­deu e que ago­ra esta­mos unidos para recon­stru­ir o primeiro museu brasileiro”.

fóssil berthasaura
Repro­dução: Fós­sil berthasaura — Felipe Cohen Pro­je­to MNV

Reconstrução

A coor­de­nado­ra do pro­je­to Museu Nacional Vive, Lúcia Bas­tos, apre­sen­tou o anda­men­to da recon­strução e disse que a primeira parte da obra, que com­preende a facha­da prin­ci­pal e a cober­tu­ra do Palá­cio, será entregue a tem­po das comem­o­rações do bicen­tenário da Inde­pendên­cia, em 7 de setem­bro.

“Con­cluí­mos uma eta­pa e depois vamos con­tratan­do, em para­le­lo, as obras para as out­ras fachadas, cober­turas e esquadrias. O pro­je­to da área inter­na fican­do pron­to em 2023. O pro­je­to está sendo desen­volvi­do e já tem a aprovação do Insti­tu­to do Patrimônio Históri­co e Artís­ti­co Nacional. Então isso é muito pos­i­ti­vo”.

De acor­do com ela, a Bib­liote­ca está quase pronta, fal­tan­do ape­nas o sis­tema de ar-condi­ciona­do, cujos recur­sos já foram con­segui­dos. Sobre o novo cam­pus, para onde será trans­feri­da toda a parte de pesquisa do Museu Nacional, a área ain­da está pas­san­do pelas obras de infraestru­tu­ra, mas já está em fun­ciona­men­to no local a parte admin­is­tra­ti­va, para a qual foi con­struí­da um pré­dio mod­u­lar pro­visório.

Obras no Palácio do Museu Nacional
Repro­dução: Obras no Palá­cio do Museu Nacional — Felipe Cohen Pro­je­to MNV

Edição: Maria Clau­dia

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