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Arte indígena ganha exposição em Petrópolis

Mostra reúne 250 obras de 54 artistas indígenas de diferentes etnias

Anna Kari­na de Car­val­ho — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 23/08/2025 — 17:46
Rio de Janeiro
Petrópolis (RJ), 23/08/2025 – Exposição Insurgências Indígenas – Arte, Memória e Resistência, no Sesc Quitandinha, em Petrópolis. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Repro­dução: © Tomaz Silva/Agência Brasil

A exposição “Insurgên­cias Indí­ge­nas: Arte, Memória e Resistên­cia” reúne, até fevereiro do ano que vem, 250 obras de 54 artis­tas indí­ge­nas de difer­entes etnias do Brasil nos espaços do Cen­tro Cul­tur­al Sesc Qui­tand­in­ha, em Petrópo­lis (RJ). O públi­co con­hecerá cri­ações dos povos Tukano, Desana, Tiku­na, Mbya Garani, Xavante, Kara­potó, Tupinam­bá, Palikur-Aruk­wayene, entre out­ros.

A ini­cia­ti­va de reunir artis­tas indí­ge­nas par­tiu do curador Marce­lo Cam­pos e da antropólo­ga San­dra Ben­ites, que pen­saram em diver­sas eta­pas até cul­mi­nar na exposição com­ple­ta na qual pin­turas, escul­turas, fotografias e insta­lações rep­re­sen­tam iden­ti­dades e memórias.

Na apre­sen­tação e aber­tu­ra, artis­tas e orga­ni­zadores con­vi­dam o públi­co a ter um novo olhar sobre os povos indí­ge­nas a par­tir da arte que pro­duzem.

‘’Essa mostra insur­gente é uma afir­mação de que temos dire­ito de exi­s­tir em nos­sa mul­ti­pli­ci­dade. São 525 anos de luta, acred­i­to que começamos a ocu­par esse espaço em for­ma de diál­o­go e não em for­ma de embate, então para você ocu­par é pre­ciso tam­bém entrar no jogo da col­o­niza­ção para assim faz­er que o diál­o­go acon­teça’’, ressaltou a curado­ra e antropólo­ga San­dra Ben­ites.

Petrópolis (RJ), 23/08/2025 – Artistas e curadores durante abertura da exposição Insurgências Indígenas – Arte, Memória e Resistência, no Sesc Quitandinha, em Petrópolis. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Repro­dução: Artis­tas e curadores durante aber­tu­ra da exposição Insurgên­cias Indí­ge­nas – Arte, Memória e Resistên­cia, no Sesc Qui­tand­in­ha, em Petrópo­lis. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

San­dra Ben­ites, da etnia Guarani, tam­bém con­tou que os encon­tros pre­lim­inares de Tata Ypy (em Guarani, “a origem do fogo”) tiver­am iní­cio em maio e fun­cionaram como rodas de con­ver­sa e com­par­til­hamen­to de saberes ances­trais, refletindo sobre a atu­al­i­dade do que é ser indí­ge­na no Brasil.

‘’Cada fogueira rep­re­sen­ta um espaço de tro­ca de saberes, preser­vação da memória oral e afir­mação da resistên­cia cul­tur­al’’, relem­bra Ben­ites.

Para o curador  Marce­lo Cam­pos, a plu­ral­i­dade e diver­si­dade da arte real­iza­da por indí­ge­nas, pre­cisa­va de um espaço con­jun­to para se cor­rela­cionar. “Ao traz­er artis­tas de norte a sul do país, a exposição amplia a vis­i­bil­i­dade da pro­dução artís­ti­ca indí­ge­na, ao mes­mo tem­po em que rela­ciona con­tex­tos dis­tin­tos, como as dis­cussões de gênero, dire­ito à ter­ra, memória, repa­tri­ação, tec­nolo­gias ances­trais em relação a cul­ti­vo dos ali­men­tos, entre out­ras lutas políti­cas, mostran­do as pau­tas recor­rentes no movi­men­to indí­ge­na”, diz.

Petrópolis (RJ), 23/08/2025 – Exposição Insurgências Indígenas – Arte, Memória e Resistência, no Sesc Quitandinha, em Petrópolis. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Repro­dução: Exposição Insurgên­cias Indí­ge­nas – Arte, Memória e Resistên­cia, no Sesc Qui­tand­in­ha, em Petrópo­lis. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Um dos artis­tas indí­ge­nas pre­sentes no ato da aber­tu­ra e como obras expostas, o guarani Xadalu Tupã Jekupé, lig­a­do ao povo que habita­va as mar­gens do Rio Ibi­ra­puitã, no Rio Grande do Sul, leva suas visões e inqui­etações das aldeias para a cidade em for­ma de arte urbana, mostran­do os con­trastes soci­ais entre a cul­tura indí­ge­na e a cul­tura oci­den­tal : ‘’Eu come­cei o movi­men­to de arte indí­ge­na urbana em Por­to Ale­gre no iní­cio dos anos 2000 e naque­le tem­po eu fazia algo por protesto. Pega­va os prob­le­mas da aldeia e trazia para a arte. Mas o impor­tante ago­ra, é ocu­par ess­es espaços, poder colo­car nos­sa nar­ra­ti­va com o nos­so pon­to de vista da nos­sa história’’, con­clui Xadalu, que faz parte de uma ger­ação de artis­tas ativis­tas volta­dos para o debate e luta con­tra o apaga­men­to da cul­tura indí­ge­na no Rio Grande do Sul.

Petrópolis (RJ), 23/08/2025 – A arquiteta Teka Mesquita durante abertura da exposição Insurgências Indígenas – Arte, Memória e Resistência, no Sesc Quitandinha, em Petrópolis. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Repro­dução: A arquite­ta Teka Mesqui­ta durante aber­tu­ra da exposição. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O artista ama­zo­nense, Rodri­go Duarte, trouxe seu olhar para a exposição com suas obras e tam­bém como assis­tente de curado­ria. Par­ticipou do proces­so de con­strução de lin­guagem e pro­dução da exposição. “O meu desafio de estar tra­bal­han­do com o Marce­lo Cam­pos, um grande curador e dire­tor do Museu de Arte do Rio e San­dra Ben­ites, primeira curado­ra indí­ge­na, foi traz­er as insurgên­cias indí­ge­nas na  arte, na memória e na resistên­cia como um lev­ante  poéti­co,  artís­ti­co, mas tam­bém políti­co.

Para quem vis­i­tou a exposição, como a arquite­ta Teka Mesqui­ta , a exper­iên­cia foi úni­ca. “Estou pro­fun­da­mente feliz e impacta­da com as obras que vi. sen­ti a importân­cia de ver de per­to esse acer­vo com tan­tos saberes vivos na nos­sa história. enten­der tudo isso é viv­er a cul­tura indí­ge­na como parte das nos­sas raízes’’.

 

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