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Câmara retoma trabalhos após retirada à força de Braga

Motta diz que ocupação da cadeira da Presidência foi abuso

Pedro Rafael Vilela — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 09/12/2025 — 22:16
Brasília
Brasília 27/11/2025 - Sessão do Congresso Nacional durante sessão plenária semipresencial para análise de vetos presidenciais. Presidentes, Hugo Motta e Davi alcolumbre. Foto Lula Marques/Agência Brasil
Repro­dução: © Lula Marques/Agência Brasil.

A Câmara dos Dep­uta­dos reto­mou os tra­bal­ho após o dep­uta­do Glauber Bra­ga (PSOL-RJ) ter sido reti­ra­do à força por agentes da Polí­cia Leg­isla­ti­va Fed­er­al.

O pres­i­dente da Câmara, Hugo Mot­ta (Repub­li­canos ‑PB) reabriu a sessão com delib­er­ação sobre um pro­je­to que tra­ta de Cadas­tro Ambi­en­tal Rur­al (CAR), para ten­tar esfri­ar os âni­mos. A expec­ta­ti­va é que o pro­je­to de lei que tra­ta da dosime­tria da pena dos con­de­na­dos no 8 de janeiro, entre eles o ex-pres­i­dente Jair Bol­sonaro, seja debati­do ain­da hoje. A pro­pos­ta pode reduzir as penas.

Já sen­ta­do de vol­ta na cadeira de pres­i­dente, depois da reti­ra­da de Bra­ga, Hugo Mot­ta se pro­nun­ciou pub­li­ca­mente sobre o ocor­ri­do.

“A cadeira da presidên­cia não per­tence a mim, ele per­tence à Repúbli­ca, per­tence à democ­ra­cia, per­tence ao povo brasileiro. E nen­hum par­la­men­tar está autor­iza­do a trans­for­má-la em instru­men­to de intim­i­dação, espetácu­lo ou des­or­dem. Dep­uta­do pode muito, mas não pode tudo. Na democ­ra­cia, ele pode tudo den­tro da lei e do den­tro do Reg­i­men­to. Fora dis­so, não é liber­dade, é abu­so. O pres­i­dente da Câmara não é respon­sáv­el pelos atos que levaram deter­mi­nadas cas­sações ao Plenário, mas é sim respon­sáv­el por garan­tir o rito, a ordem e o respeito à insti­tu­ição. E eu não per­mi­tirei que regras sejam ras­gadas ou que a Câmara seja avil­ta­da”, afir­mou.

Mot­ta disse ain­da ter deter­mi­na­do a apu­ração de exces­sos cometi­dos con­tra a cober­tu­ra da impren­sa. Durante a ocu­pação da cadeira por Bra­ga, o sinal da TV Câmara, que trans­mi­tia ao vivo a sessão em plenário, foi ime­di­ata­mente cor­ta­do e profis­sion­ais de impren­sa foram reti­ra­dos de for­ma obri­gatória, sem poder acom­pan­har a situ­ação. Há relatos de profis­sion­ais agre­di­dos por poli­ci­ais leg­isla­tivos.

Após ser reti­ra­do à força por poli­ci­ais leg­isla­tivos da cadeira da presidên­cia da Câmara, Glauber Bra­ga foi encam­in­hado para o Salão Verde, fora do plenário Ulysses Guimarães, com as roupas ras­gadas. Ele falou com a impren­sa no local, ao lado de dep­uta­dos gov­ernistas, onde fez duras críti­cas à ação.

“O sen­hor [Hugo Mot­ta], que sem­pre quis demon­strar, como se fos­se o pon­to de equi­líbrio, entre forças difer­entes, isso é uma men­ti­ra. Porque com os golpis­tas que seques­traram a mesa, sobrou docil­i­dade, ago­ra com quem não entra no jogo deles, é por­ra­da. Os caras ficaram 48 horas, eu fiquei algu­mas pou­cas horas, e já foi sufi­ciente para este tipo de ação”, afir­mou Glauber.

Em agos­to, dep­uta­dos e senadores de oposição per­noitaram nos plenários da Câmara e do Sena­do ocu­pan­do as mesas dire­toras das Casas, invi­a­bi­lizan­do a retoma­da dos tra­bal­hos leg­isla­tivos, em protesto con­tra a prisão domi­cil­iar do ex-pres­i­dente Jair Bol­sonaro.

Entenda

A ocu­pação de Bra­ga começou como protesto após Hugo Mot­ta anun­ciar que levaria ao plenário o pedi­do de cas­sação do dep­uta­do, jun­ta­mente com os proces­sos de Car­la Zam­bel­li (PL-SP) e Del­e­ga­do Ram­agem (PL-RJ), os dois últi­mos con­de­na­dos pelo Supre­mo Tri­bunal Fed­er­al (STF). Os casos não tem relação entre si. Bra­ga pode perder o manda­to por ter agre­di­do, com um chute, um mil­i­tante do Movi­men­to Brasil Livre (MBL), no ano pas­sa­do, após ser provo­ca­do.

“A votação da min­ha cas­sação com uma ineleg­i­bil­i­dade de oito anos não é um fato iso­la­do. Nesse mes­mo pacote, eles querem votar a anis­tia, que não é dosime­tria, levan­do a pos­si­bil­i­dade de que Jair Bol­sonaro só ten­ha dois anos de pena. Com­bi­na­do com isso, eles querem man­ter os dire­itos políti­cos de Eduar­do Bol­sonaro. Porque quan­do há o desliga­men­to por fal­tas, a pes­soa con­tin­ua elegív­el”, acres­cen­tou o dep­uta­do depois da reti­ra­da.

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