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Dificuldade de acesso agrava crise sanitária em Manaus, diz prefeito

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© Dhyeizo Lemos / Sem­com (Repro­dução)

Para Davi Almeida, desafios logísticos não devem ocorrer mais no país


Pub­li­ca­do em 19/01/2021 — 15:04 Por Alex Rodrigues — Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

O prefeito de Man­aus, Davi Almei­da, disse hoje (19) que o enfrenta­men­to ao novo coro­n­avírus no Ama­zonas é difi­cul­ta­do pelo que ele clas­si­fi­cou como o “iso­la­men­to” do esta­do em relação ao resto do país – afas­ta­men­to que ele asso­ciou à preser­vação da Amazô­nia.

“Este povo que preser­va a flo­res­ta e que vive no iso­la­men­to é punido por preser­var”, declar­ou Almei­da durante a cer­imô­nia que mar­cou o iní­cio da vaci­nação dos primeiros 20 mil profis­sion­ais da rede munic­i­pal de saúde. “A punição foi tão grande que pag­amos com mortes”, acres­cen­tou.

Ao falar sobre as difi­cul­dades de aces­so e os desafios logís­ti­cos para trans­portar insumos hos­pi­ta­lares de out­ras regiões do país para Man­aus, Almei­da disse não crer que qual­quer out­ra cidade brasileira ven­ha a enfrentar prob­le­mas como os reg­istra­dos na cap­i­tal ama­zo­nense na sem­ana pas­sa­da, quan­do hos­pi­tais públi­cos e pri­va­dos chegaram a ficar sem oxigênio med­i­c­i­nal.

“Em nen­hu­ma cidade do Brasil vai acon­te­cer o que acon­te­ceu com Man­aus porque [no resto do país], em 36 horas, qual­quer cam­in­hão, qual­quer trans­porta­do­ra, entre­ga o pro­du­to de que hoje pre­cisamos”, disse o prefeito ao criticar a não-pavi­men­tação da BR-319, rodovia que liga Man­aus a Por­to Vel­ho (RO).

Segun­do Almei­da, depois que o aumen­to do con­sumo de oxigênio med­i­c­i­nal super­ou a capaci­dade de pro­dução das fornece­do­ras locais, parte do pro­du­to pas­sou a ser adquiri­do de out­ras regiões e trans­porta­do até Belém, de onde é lev­a­do para Man­aus em bal­sas, em uma viagem que chega a durar cin­co dias.

“Em cin­co dias mor­rem todos”, disse Almei­da. “Será que o Brasil e o mun­do não percebem que aqui­lo que dev­e­ria con­tar a nos­so favor em função da preser­vação ambi­en­tal, serviu como uma sen­tença de morte” disse Almei­da, que com­ple­tou “Que lóg­i­ca há nis­so?” disse o prefeito, crit­i­can­do as man­i­fes­tações pop­u­lares con­trárias ao fechamen­to de ativi­dades não-essen­ci­ais ocor­ri­das em Man­aus, em dezem­bro.

“Muito do que esta­mos pas­san­do hoje ocorre em função de questões políti­cas. Se lá atrás tivésse­mos obe­de­ci­do aque­le decre­to [do gov­er­no estad­ual] de dis­tan­ci­a­men­to, não teríamos pas­sa­do por este vex­ame”, comen­tou Almei­da, clas­si­f­i­can­do os atos como “movi­men­tos de insub­or­di­nação e des­obe­diên­cia civ­il”.

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Prefeitu­ra de Man­aus ini­cia cam­pan­ha de vaci­nação con­tra Covid-19 Fotos: Dhyeizo Lemos / Sem­com — Dhyeizo Lemos / Sem­com (Repro­dução)

Vacinas

Man­aus rece­beu 40 mil dos­es das 256 mil unidades da vaci­na con­tra o novo coro­n­avírus que o Min­istério da Saúde entre­gou ontem (18) a noite ao gov­er­no do Ama­zonas. Ao par­tic­i­par, esta man­hã, da cer­imô­nia de vaci­nação dos primeiros profis­sion­ais da rede munic­i­pal de saúde, Almei­da disse que esper­a­va que a cap­i­tal ama­zo­nense recebesse um maior vol­ume de imu­nizantes, já que a cidade con­cen­tra mais da metade da pop­u­lação e o maior número de hos­pi­tais do esta­do – para se ter ideia, não há Unidades de Ter­apia Inten­si­va (UTI) no inte­ri­or do esta­do.

“Não enten­demos a divisão de ape­nas 40 mil dos­es para a cidade e esper­amos que, nas próx­i­mas divisões, Man­aus seja mel­hor con­tem­pla­da”, disse o prefeito, acres­cen­tan­do que só em Man­aus há mais de 56 mil profis­sion­ais de saúde. Como cada pes­soa pre­cisa rece­ber duas dos­es da vaci­na para desen­volver pro­teção con­tra o vírus, a prefeitu­ra foi obri­ga­da a rev­er seus planos.

“Íamos a 43 pon­tos de saúde faz­er a vaci­nação [dos profis­sion­ais do setor]. Com a diminuição do número de vaci­nas, vamos repro­gra­mar, nas próx­i­mas horas, para irmos até as unidades de saúde e, já esta tarde, vaci­n­ar­mos majori­tari­a­mente aque­les que estão dire­ta­mente envolvi­dos no enfrenta­men­to a covid-19, aque­les que estão na lin­ha de frente”, disse o prefeito, rev­e­lando estar em con­ta­to com o gov­er­nador de São Paulo, João Dória, e com rep­re­sen­tantes de um lab­o­ratório far­ma­cêu­ti­co par­tic­u­lar, para ten­tar adquirir mais dos­es da vaci­na.

De acor­do com o prefeito, a sec­re­taria munic­i­pal de Saúde tem capaci­dade para vaci­nar até 60 mil pes­soas por sem­ana. Mes­mo assim, ele acred­i­ta que a difi­cul­dade de adquirir o pro­du­to no mer­ca­do inter­na­cional retar­dará o momen­to em que toda a pop­u­lação estará vaci­na­da.

“A vaci­nação de toda a pop­u­lação vai acon­te­cer durante um ano, no mín­i­mo. Até porque não há fab­ri­cação de vaci­na sufi­ciente para o mun­do. Eu acred­i­to que, em um ano, ain­da não ten­hamos vaci­na­do todo mun­do”, comen­tou o prefeito.

Para a secretária munic­i­pal de Saúde, Shá­dia Fraxe, o momen­to requer que a pop­u­lação redo­bre os cuida­dos, seguin­do as ori­en­tações bási­cas. “Como médi­ca, digo que a primeira dose da vaci­na não nos garante imu­nidade. Tomem cuida­do. Não relax­em. Não depositem todos os cuida­dos na primeira dose. Qua­torze ou 20 dias após tomar a primeira dose é pre­ciso tomar a segun­da. E são necessários mais 40 dias para [a pes­soa adquirir] imu­nidade. Por­tan­to, deixo aqui este reca­do: man­ten­ham o dis­tan­ci­a­men­to social, o uso de más­caras, a lavagem das mãos. Todos pre­cisamos nos pro­te­ger e pro­te­ger nos­sas famílias e nos­sos ami­gos”.

Edição: Bruna Saniele

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