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Pesquisadora vê redução de mensagens de ódio de grupos extremistas

Repro­dução: © Rove­na Rosa/Agência Brasil

Investigações têm sido as responsáveis, avalia a especialista


Pub­li­ca­do em 15/04/2023 — 09:35 Por Daniel Mel­lo — Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

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As inves­ti­gações con­tra os gru­pos que incen­ti­vam ataques a esco­las e for­mas semel­hantes de vio­lên­cia têm con­segui­do reduzir a cir­cu­lação desse tipo de con­teú­do na inter­net. Essa é a avali­ação da pesquisado­ra Michele Pra­do. Ape­sar de con­tas que foram sus­pen­sas terem rea­pare­ci­do, ago­ra, segun­do ela, os extrem­is­tas têm restringi­do o aces­so aos con­teú­dos. “Algu­mas con­tas foram recri­adas por usuários que eu acom­pan­ho já há muito tem­po. A maio­r­ia deles está deixan­do as con­tas pri­vadas”, diz.

Michele mon­i­to­ra gru­pos que pro­movem e incen­ti­vam ataques des­de 2020. A pesquisado­ra faz parte do Mon­i­tor Do Debate Políti­co no Meio Dig­i­tal da Uni­ver­si­dade de São Paulo (USP) e é auto­ra dos livros “Tem­pes­tade Ide­ológ­i­ca — Bol­sonar­is­mo: A alt-right e o pop­ulis­mo ilib­er­al no Brasil” e “Red Pill — Rad­i­cal­iza­ção e Extrem­is­mo”.

Em platafor­mas de jogos online, que parte dess­es gru­pos usam para comu­ni­cação, os próprios extrem­is­tas têm reti­ra­do os con­teú­dos do ar de for­ma a evi­tar a iden­ti­fi­cação. “Às vezes o próprio cri­ador do servi­dor descon­fia que tem infil­tra­dos e der­ru­ba [o servi­dor]”, con­ta a pesquisado­ra a par­tir do mon­i­tora­men­to feito nas últi­mas sem­anas.

Para Michele, diminuir o aces­so a con­teú­dos que inci­tam à vio­lên­cia é uma for­ma de reduzir o risco de ataques. “Quan­to mais con­teú­do inspira­cional cir­cu­la, mais poten­ci­ais imi­ta­dores a gente tem. Então, o fato de ter con­segui­do der­rubar esse con­teú­do que inspi­ra, atua de for­ma pos­i­ti­va para a gente ten­tar diminuir o poten­cial de novos aten­ta­dos”, desta­cou. Ela está tra­bal­han­do em um relatório para aju­dar a embasar as ações do Min­istério da Justiça nesse sen­ti­do.

Uma medi­da que Michele con­sid­era útil para reduzir a cir­cu­lação desse tipo de con­teú­do na rede é a cri­ação de um ban­co com a iden­ti­fi­cação dig­i­tal de con­teú­dos que já ten­ham sido apon­ta­dos como inci­ta­dores de vio­lên­cia. “Então, você cria um ban­co de dados com as impressões dig­i­tais e man­da para essa platafor­ma. Ela pre­cisa ter um com­pro­mis­so para que quan­do um con­teú­do dess­es subir, ela própria o der­rube sem que haja neces­si­dade de denún­cia de usuários”, defende.

Comunidades de ódio

Segun­do a pesquisado­ra, essas comu­nidades reúnem jovens entre 10 e 25 anos de idade, de acor­do com o que eles mes­mos declar­am ness­es espaços de dis­cussão. Ess­es ado­les­centes se rela­cionam por afinidade com temas como a mis­antropia. “Um ódio à humanidade. Ódio ao ser humano. Esse é a prin­ci­pal car­ac­terís­ti­ca” enfa­ti­za a pesquisado­ra. Há ain­da a mis­oginia, de ódio a mul­heres, e o anti­s­semitismo, de ódio a judeus.

Michele expli­ca que há jovens que estão pre­dis­pos­tos ou real­mente come­tem ataques, como tam­bém há out­ros que se dedicam a cri­ar e dis­sem­i­nar con­teú­dos para incen­ti­var a rad­i­cal­iza­ção. “Tem pes­soas que estão ali só para pro­duzir e dis­sem­i­nar con­teú­do inspi­rador. Os edits [vídeos], que eles chamam, armas, os mar­cadores estéti­cos. Tem gente que está só para dis­sem­i­nar con­teú­do instru­cional, com instruções de como você vai deixar a sua arma mais letal, como você tem que faz­er para pro­duzir o maior número de víti­mas”, detal­ha.

São ess­es indi­ví­du­os que, segun­do ela, dis­tribuem o con­teú­do ide­ológi­co lig­a­do à extrema dire­i­ta mundi­al e, muitas vezes, sabem de antemão dos aten­ta­dos. “Ess­es que só fazem isso são uma espé­cie de catal­isadores. Às vezes eles sabem com ante­cedên­cia que o aten­ta­do vai acon­te­cer tal dia, qual é a pes­soa, o nome do agres­sor”, expli­ca ela sobre os mate­ri­ais dis­sem­i­na­dos como for­ma de incen­ti­var essas ações vio­len­tas.

Essas men­sagens tam­bém são dis­tribuí­das por redes soci­ais e usam, muitas vezes, uma estéti­ca chama­da de fash­wave, com cores bril­hantes e visu­al que remete a déca­da de 1980. Os con­teú­dos desse tipo têm sido uma mar­ca da extrema dire­i­ta em diver­sas partes do mun­do, como entre os apoiadores do ex-pres­i­dente norte-amer­i­cano Don­ald Trump.

Edição: Marce­lo Brandão

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