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Professores dão dicas para lidar com a ansiedade às vésperas do Enem

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© Agên­cia Brasil (Repro­dução)

Sugestões incluem descanso, boa alimentação e planejamento


Pub­li­ca­do em 12/01/2021 — 06:10 Por Mar­i­ana Tokar­nia — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

Lidar com a ansiedade antes de faz­er o Exame Nacional do Ensi­no Médio (Enem) ficou ain­da mais com­pli­ca­do este ano, em meio à pan­demia do novo coro­n­avírus. Por isso, pro­fes­sores recomen­dam que os estu­dantes des­cansem, ali­mentem-se bem e que sep­a­rem com ante­cedên­cia tudo que pre­cis­arão levar no dia do exame.

Como pro­fes­so­ra, o que estou pas­san­do para os meus alunos é o que a gente con­seguiu estu­dar, nós estu­damos até sex­ta-feira (8). A par­tir de ago­ra é orga­ni­zar a cane­ta, a más­cara, o álcool em gel. Olhar o seu Cartão de Con­fir­mação da Inscrição para ver onde vai faz­er a pro­va. Ver­i­ficar se con­hece o lugar, se sabe como chegar. Se orga­ni­zar para a pro­va, para não deixar para a últi­ma hora”, diz a pro­fes­so­ra de por­tuguês da Esco­la Estad­ual Amélio de Car­val­ho Baís, de Cam­po Grande (MS), Letí­cia Cin­tra.

De acor­do com o coor­de­nador pedagógi­co do ProEn­em, Lean­dro Vieira, uma for­ma de ten­tar driblar a ansiedade é se sen­tir min­i­ma­mente prepara­do. Então, além de sep­a­rar os itens para levar no dia do exame, a sem­ana pode ser volta­da para a revisão de con­teú­do. “Faz­er provas ante­ri­ores, rev­er provas de anos ante­ri­ores, assun­tos que mais caem pode ger­ar con­fi­ança nos alunos”, diz. No site do Insti­tu­to Nacional de Estu­dos e Pesquisas Edu­ca­cionais Aní­sio Teix­eira (Inep) estão disponíveis todas as provas apli­cadas e os respec­tivos gabar­i­tos.

Vieira recomen­da tam­bém que os estu­dantes ten­ham uma estraté­gia para faz­er a pro­va. Isso aju­da a chegar no dia e saber como con­duzir o exame, sem perder tem­po. “A gente vê muitos alunos que chegam para o dia da pro­va e acabam fican­do muito ner­vosos, muito ansiosos e acabam não con­seguin­do se con­cen­trar naque­le momen­to. Impor­tante que vá para a pro­va saben­do por onde vai começar”, diz.

A dica do pro­fes­sor é começar pela redação, pois é a úni­ca pro­va que não é pos­sív­el resolver de maneira ráp­i­da. Ele recomen­da que os estu­dantes dediquem cer­ca de uma hora para essa pro­va e que, em segui­da, resolvam as questões com que têm mais afinidade, para garan­tir o acer­to das questões fáceis. Neste domin­go (17) serão apli­cadas as provas de redação, lin­gua­gens e ciên­cias humanas. No dia 24, os can­didatos farão as provas de matemáti­ca e ciên­cias da natureza.

Para o pro­fes­sor de história do CEL Inter­cul­tur­al School, Rômu­lo Bra­ga, a prin­ci­pal dica é não se com­parar com os demais can­didatos. Segun­do ele, de for­mas difer­entes, a pan­demia cau­sou impacto em todos os estu­dantes do país. “Não dá para usar a mes­ma métri­ca do ano pas­sa­do. As coisas estão incon­stantes e incer­tas. Não é saudáv­el se adi­antar e ficar ansioso em relação aos resul­ta­dos. Este ano, todos terão resul­ta­dos difer­entes, alguns um pouco para mais e out­ros para menos. Ain­da virão out­ras apli­cações do Enem mes­mo em 2021”, diz.

Aulas em ano de pandemia

O ano de 2020 não foi como os demais, nem para os estu­dantes, nem para os pro­fes­sores. Esco­las e cursin­hos preparatórios tiver­am que se adap­tar. “Foi um ano extrema­mente cansati­vo”, diz Vieira. “Foi um ano de vários testes, de ten­ta­ti­va e erro, daqui­lo que fun­ciona­va ou não fun­ciona­va no dia a dia. Real­mente foi um ano cansati­vo para os pro­fes­sores e acho que esse cansaço tam­bém se refletiu nos alunos. A gente tem um Enem que nun­ca foi tão tarde. O Enem nor­mal­mente é no começo de novem­bro, então, são prati­ca­mente três meses a mais de estu­dos do que eles estão acos­tu­ma­dos”, acres­cen­ta.

“Às vezes min­ha von­tade era pular da tela para den­tro da casa do aluno, para falar com ele, para motivá-lo a abrir a câmera, para tro­car de roupa, sair do pija­ma”, diz Bra­ga. “A maior desvan­tagem é a fal­ta de con­ta­to. Aque­le aluno que está desmo­ti­va­do, mas que se moti­va com a pre­sença de out­ros, com a pre­sença de um pro­fes­sor que ele gos­ta muito, tudo isso foi evi­ta­do”.

Já Letí­cia Cin­tra pre­cisou de fato ir à casa de estu­dantes para evi­tar que eles aban­donassem os estu­dos. “Não perdemos ninguém, porque a  esco­la fez uma bus­ca ati­va. Se o estu­dante fica­va 15 dias sem aces­sar o con­teú­do, a gente ia atrás dele, ia à casa do aluno para levar ativi­dade”, afir­ma. Ela con­ta que pre­cisou tam­bém adap­tar os próprios horários porque havia alunos que só tin­ham aces­so à inter­net no fim do dia, quan­do os pais chegavam em casa com celu­lar. “Aten­dia aluno às vezes até as 23h. Aten­dia aos sába­dos e domin­gos”.

Em um ano em que ter aces­so à inter­net fez difer­ença, as desigual­dades ficaram mais evi­dentes. De acor­do com lev­an­ta­men­to feito pela platafor­ma de bol­sas de estu­dos e vagas no ensi­no supe­ri­or Quero Bol­sa, 77,8% dos estu­dantes que se inscrevem no Enem têm inter­net em casa e smart­phone ou com­puta­dor. Eles têm, por­tan­to, a conexão e o apar­el­ho para con­seguir aces­sar o mate­r­i­al desen­volvi­do para ensi­no a dis­tân­cia. Já os demais  22,8%, por fal­ta de infraestru­tu­ra, não con­seguem assi­s­tir às aulas online. Os dados são do ques­tionário socioe­conômi­co do Enem 2019.

Enem 2020

Ao todo, cer­ca de 5,8 mil­hões de estu­dantes estão inscritos no exame. O Enem 2020 terá uma ver­são impres­sa, nos dias 17 e 24 de janeiro, e uma dig­i­tal, real­iza­da de for­ma pilo­to para 96 mil can­didatos, nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro.

As medi­das de segu­rança ado­tadas em relação à pan­demia do novo coro­n­avírus serão as mes­mas tan­to no Enem impres­so quan­to no dig­i­tal. Haverá, por exem­p­lo, um número reduzi­do de estu­dantes por sala, para garan­tir o dis­tan­ci­a­men­to entre os par­tic­i­pantes. Durante todo o tem­po de real­iza­ção da pro­va, os can­didatos estarão obri­ga­dos a usar más­caras de pro­teção da for­ma cor­re­ta, tapan­do o nar­iz e a boca, sob pena de serem elim­i­na­dos do exame. Além dis­so, o álcool em gel estará disponív­el em todos os locais de apli­cação.

Quem for diag­nos­ti­ca­do com covid-19, ou apre­sen­tar sin­tomas dessa ou de out­ras doenças infec­to­con­ta­giosas até a data do exame, não dev­erá com­pare­cer ao local de pro­va e sim entrar em con­ta­to com o Inep pela Pági­na do Par­tic­i­pante, ou pelo tele­fone 0800–616161, e terá dire­ito a faz­er a pro­va na data de reapli­cação do Enem, nos dias 23 e 24 de fevereiro.

Edição: Graça Adju­to

Agên­cia Brasil / EBC


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