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MAM exibe exposição em realidade aumentada no Parque Ibirapuera

Repro­dução: © Museu de Arte Mod­er­na

Mostra Realidades e Simulacros é gratuita


Pub­li­ca­do em 22/07/2023 — 15:18 Por Elaine Patri­cia Cruz – Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

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Uma embar­cação usa­da por Pedro Álvares Cabral, árvores envoltas a uma enorme rede ou um dis­co voador pairan­do sobre as nos­sas cabeças. Quem for ao Par­que Ibi­ra­puera, em São Paulo, a par­tir deste sába­do (22), já vai se deparar com essas insta­lações, que fazem parte da nova exposição em car­taz no Museu de Arte Mod­er­na de São Paulo (MAM), chama­da de Real­i­dades e Sim­u­lacros. Mas essa exposição é difer­ente e ino­vado­ra: ela acon­tece ao ar livre, mas só poderá ser vista por meio da lente do celu­lar.

A exposição, em real­i­dade aumen­ta­da, vai fun­cionar como a con­heci­da brin­cadeira de caçar Poké­mons com o celu­lar. Um QRCode foi insta­l­a­do em um totem ao lado do MAM. Bas­ta mirar o celu­lar para esse QRCode que logo em segui­da apare­cerá uma tela com um mapa do par­que, indi­can­do, em amare­lo, onde estão insta­l­adas as noves obras que fazem parte da exposição. Aí bas­ta per­cor­rer o par­que e mirar a tela do celu­lar para o lugar indi­ca­do no mapa para começarem a sur­gir fig­uras ou sons que vão brin­car com o públi­co.

“A exposição é gra­tui­ta. Você chega per­to do mapa ou das pla­cas que foram insta­l­adas em cada uma das obras e usa o QRCode. Não é pre­ciso baixar nen­hum aplica­ti­vo no celu­lar. Só pre­cisa estar conec­ta­do na inter­net. E é pre­ciso per­mi­tir que a platafor­ma use a sua câmera, que ela use o GPS para te localizar e use a bús­so­la. Exige uma per­mis­são para que a platafor­ma pos­sa fun­cionar”, expli­cou Cauê Alves, curador-chefe do MAM. “Quan­do você se aprox­i­ma de uma obra, no mapa, a platafor­ma [que aparece no celu­lar] vai ficar amarela e aí é só clicar na lente para abrir a obra”, acres­cen­tou.

Entre as fig­uras que vão sur­gir na tela do celu­lar está o dis­co voador, obra chama­da Ras­ante e que foi cri­a­da pela artista Regi­na Sil­veira. A obra foi insta­l­a­da no entorno do museu, no Jardim de Escul­turas. “A min­ha obra é um UFO (sigla em inglês para obje­to voador não-iden­ti­fi­ca­do ou OVNI), um dis­co voador. É a ter­ceira vez em que faço um dis­co voador como uma ale­go­ria. E, dessa vez, pre­parei uma ani­mação sono­ra para ser vista como uma aparição, um enx­er­to no real. Achei que a mel­hor coisa que eu pode­ria colo­car é essa escapa­da imag­inária, no esti­lo dos anos 50, daque­les dis­cos voadores que sem­pre imag­i­namos em muitas ficções”, disse, em entre­vista à Agên­cia Brasil.

A embar­cação usa­da por Pedro Álvares Cabral na invasão à Améri­ca em 1500 pode ser vista no Lago do Ibi­ra­puera, próx­i­mo à fonte. Com seu Mon­u­men­to à Col­o­niza­ção, o artista Daniel Lima propõe um mon­u­men­to inver­so, que apon­ta para o modo como esse tipo de cel­e­bração rev­ela nos­sa men­tal­i­dade col­o­niza­da é inca­paz de pro­je­tar um futuro eman­ci­pa­do para o país.

As demais obras estão espal­hadas por out­ros espaços do par­que, como a Oca, a ponte, o Plan­etário e o pré­dio da Bien­al. “A ideia de faz­er a exposição do lado de fora tem vários aspec­tos. Tem um lado da democ­ra­ti­za­ção. É uma exposição gra­tui­ta, então isso a tor­na muito acessív­el ao públi­co. Tem tam­bém uma dimen­são lúdi­ca, de poder se rela­cionar com o par­que [Ibi­ra­puera] através do celu­lar. E tam­bém tem essa pos­si­bil­i­dade de explo­rar a tec­nolo­gia, em uma relação com a pais­agem e com a arquite­tu­ra do par­que. Acho isso impor­tante, de sobre­por ele­men­tos vir­tu­ais a esse ambi­ente do Ibi­ra­puera, que é uma local con­heci­do e em que as pes­soas fre­quen­tam. A exposição vai rein­ven­tar esse ambi­ente”, disse Mar­cus Bas­tos, um dos curadores da exposição, em entre­vista hoje (22) à Agên­cia Brasil.

São Paulo (SP) -Exposição Realidades e Simulacros no parque IbiraqueraFoto: Museu de Arte Moderna
Repro­dução: Mon­u­men­to à resistên­cia dos povos — Museu de Arte Mod­er­na

Realidades e Simulacros

Real­i­dades e Sim­u­lacros é a maior exposição deste ano do MAM, que está com­ple­tan­do 75 anos de existên­cia. “Esse é um momen­to muito impor­tante para o MAM porque esta­mos comem­o­ran­do 75 anos e, além dis­so, o Jardim de Escul­turas do museu está fazen­do 30 anos. Então, a ideia [com essa mostra] era ampli­ar essas escul­turas, de modo a furar a bol­ha, a atin­gir pes­soas que nor­mal­mente não viri­am em uma exposição tradi­cional. Esta­mos ocu­pan­do o Par­que Ibi­ra­puera inteiro”, disse Alves.

O nome da exposição se deve ao fato do “dig­i­tal hoje cri­ar novas real­i­dades”, expli­cou Bas­tos. “Quan­do você tem um obje­to dig­i­tal ele é con­cre­to, ele faz parte da nos­sa real­i­dade. O celu­lar mudou a maneira como a real­i­dade fun­ciona”, expli­cou.

“A gente acred­i­ta­va, no sen­so comum, que o sim­u­lacro era a fal­si­dade e que a real­i­dade era a ver­dade. E esta­mos mostran­do, com essa exper­iên­cia de real­i­dade aumen­ta­da, que o sim­u­lacro e a real­i­dade são com­ple­mentares. Não é um ou out­ro, mas um e out­ro. Então, essa é uma exper­iên­cia que é pres­en­cial, físi­ca e cor­po­ral, mas que só se dá na tela do celu­lar. Ela é uma ficção, mas que se fir­ma como parte da real­i­dade”, acres­cen­tou Alves.

A ideia é que a exposição, que fica em car­taz até o dia 17 de dezem­bro, pos­sa ir incluin­do out­ras obras. “Vamos ter aper­feiçoa­men­tos. Out­ras obras dev­erão entrar, aos poucos”, falou Alves.

Mais infor­mações sobre a exposição podem ser encon­tradas no site do MAM.

Edição: Valéria Aguiar

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