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Museu do Amanhã apresenta a visitantes maior bioma tropical do mundo

Repro­dução: © Tomaz Silva/Agência Brasil

Mostra revela biodiversidade e conhecimento na região amazônica


Pub­li­ca­do em 18/12/2021 — 15:45 Por Cristi­na Indio do Brasil — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

Quem vis­i­tar o Museu do Aman­hã, na Praça Mauá, região por­tuária do Rio, poderá faz­er uma viagem ao maior bio­ma trop­i­cal do mun­do com a exposição tem­porária Fru­tur­os — Tem­pos Amazôni­cos, em sete áreas, apre­sen­tan­do a bio­di­ver­si­dade em toda a sua exten­são e o con­hec­i­men­to pre­sente na região. A mostra propõe novas descober­tas na relação entre a flo­res­ta e o cli­ma, mas chama atenção para a urgên­cia da sua con­ser­vação.

O pas­seio começa em um cenário com sil­hue­tas de árvores inun­dadas pelas cheias. No teto, vê-se uma sucuri e um piraru­cu, enquan­to sons de seres aquáti­cos envolvem o vis­i­tante no ambi­ente amazôni­co. Tam­bém no começo da exposição, a atenção do vis­i­tante-via­jante vai ser atraí­da por uma fol­ha real de coc­colo­ba, árvore region­al, de cer­ca de 1,60 metro (m), uma das maiores fol­has do mun­do.

Na sequên­cia, o con­ta­to é com vários obje­tos usa­dos por povos indí­ge­nas. Nas pare­des, pla­cas indicam a quan­ti­dade de idiomas fal­a­dos na Amazô­nia. Como a exposição tem uma série de exper­iên­cias inter­a­ti­vas, ali o via­jante vai poder ouvir o som de instru­men­tos indí­ge­nas ao se aprox­i­mar de cada um, entre eles um tam­bor e uma flau­ta.

Em mais um esque­ma inter­a­ti­vo, sen­ta­do ao redor da car­ac­ter­i­za­ção de uma sumaú­ma, con­sid­er­a­da uma das maiores árvores da Amazô­nia, o vis­i­tante verá como vivem as comu­nidades que habitam a flo­res­ta, como os agricul­tores, os extra­tivis­tas e os ribeir­in­hos. A viagem con­tin­ua por um bal­cão sin­u­oso que remete a um rio com três aflu­entes. Cada um deles rep­re­sen­ta um fator que colo­ca em risco a preser­vação do bio­ma. Um vídeo pro­je­ta­do no local mostra a expan­são das pasta­gens e a con­strução de grandes obras de infraestru­tu­ra.

A exposição reser­va ain­da um ambi­ente fes­ti­vo que retra­ta a cul­tura local em difer­entes aspec­tos. Ali, o vis­i­tante con­hecerá as músi­cas e danças da região, a culinária, a pro­dução literária e as roupas usadas em ocasiões espe­ci­ais de fes­ta, como a do povo Ashanin­ka e uma de apre­sen­tações de marabaixo. Poderá ver tam­bém um pedaço da cor­da do Círio de Nazaré. Para a cri­ança­da, a diver­são está garan­ti­da tam­bém em pula-pulas em for­ma de vitória-régia, com a pre­sença de um boto cor-de-rosa.

Quase ter­mi­nan­do o pas­seio, a pro­jeção de vídeos traz depoi­men­tos de habi­tantes da região e as suas per­spec­ti­vas para o futuro. Em mais uma inter­ação, a asso­ci­ação do poten­cial da bioe­cono­mia com os saberes tradi­cionais e cien­tí­fi­cos surge com o Jogo do Piraru­cu. Ain­da na sala, o públi­co verá uma estru­tu­ra que remete à Torre Atto, que tem 325 met­ros e é usa­da para o mon­i­tora­men­to de dados mete­o­rológi­cos, quími­cos e biológi­cos.

No fim, uma exper­iên­cia com real­i­dade vir­tu­al em uma peque­na mal­o­ca o vis­i­tantes par­tic­i­pa de um jogo em que pre­cisa cole­tar uma série de pro­du­tos na flo­res­ta ao se tornar um avatar de um indí­ge­na.

Preparação

Repro­dução: Mostra fala dos difer­entes tem­pos que coex­is­tem na Amazô­nia, diz o curador Leonar­do Menezes — Tomaz Silva/Agência Brasil

Segun­do o curador da exposição e dire­tor de de Con­hec­i­men­to e Cri­ação do Museu do Aman­hã, Leonar­do Menezes, a mostra começou a ser tra­bal­ha­da em 2017, quan­do tiver­am iní­cio as via­gens à região para retratar as difer­entes dimen­sões atu­ais da Amazô­nia e quais são os cenários que se abrem para o futuro.

“A exposição fala sobre os difer­entes tem­pos que coex­is­tem na Amazô­nia hoje e sobre como podemos cri­ar um novo mod­e­lo de desen­volvi­men­to socioe­conômi­co, basea­do em três eixos: no con­hec­i­men­to cien­tí­fi­co, nos saberes e práti­cas das pop­u­lações tradi­cionais e no com­pro­mis­so com a flo­res­ta em pé”, disse Menezes na cer­imô­nia em que a exposição foi apre­sen­ta­da para ipara con­vi­da­dos.

Para Menezes, o mod­e­lo de desen­volvi­men­to nos últi­mos 50 anos não ger­ou riquezas, des­ma­tou mais de 20% da flo­res­ta e não priv­i­le­giou os saberes tradi­cionais de pes­soas que há milênios inter­agem com a flo­res­ta. “Pesquisas cien­tí­fi­cas rev­e­lam que ter­ritórios indí­ge­nas, por exem­p­lo, têm as maiores taxas de con­ser­vação da bio­di­ver­si­dade”, afir­mou, durante a cer­imô­nia de apre­sen­tação da mostra para con­vi­da­dos.

Objetos

A exposição é a que tem o maior número de obje­tos da história do Museu do Aman­hã a par­tir do reaproveita­men­to de peças de out­ras mostras que já pas­saram por lá, e a data da aber­tu­ra coin­cide com o aniver­sário de seis anos deste impor­tante espaço cul­tur­al da cidade.

No pas­seio, o vis­i­tante vai ver que a mostra não está restri­ta ao Brasil, porque a Amazô­nia se espal­ha por oito país­es e um ter­ritório e tem, atual­mente, mais de 30 mil­hões de habi­tantes, mil­hares de espé­cies de plan­tas, o que a trans­for­ma em uma das regiões de maior bio­di­ver­si­dade do mun­do.

Repro­dução: Mostra Fru­tur­os — Tem­pos Amazôni­cos abrange saberes de oito país­es, sem se restringir ao Brasil — Tomaz Silva/Agência Brasil

O obje­ti­vo da exposição é estim­u­lar o públi­co a refle­tir sobre as pos­si­bil­i­dades de se envolver em um mod­e­lo de desen­volvi­men­to que con­serve a flo­res­ta em pé, prin­ci­pal­mente pela união entre ciên­cia e saberes tradi­cionais. Por isso, vai rece­ber estu­dantes. “Como é que essa pau­ta de Fru­tur­os-Tem­pos Amazôni­cos chega na favela? Como ela chega para várias cri­anças e ado­les­centes que sofr­eram proces­so de evasão nas esco­las? É sobre isso que a gente está pen­san­do, quan­do fala em con­vivên­cia. Como a gente faz essa dis­cussão chegar aqui para os viz­in­hos do museu?”, ques­tio­nou Lua­na Génot, con­sul­to­ra para Con­vivên­cia da insti­tu­ição.

Para a indí­ge­na Van­da Orte­ga, da etnia Wito­to, é pre­ciso val­orizar como os povos orig­inários olham para a Amazô­nia. “A gente tem que falar das pes­soas, porque são elas que man­têm a flo­res­ta de pé. É a par­tir do modo de vida dessas pop­u­lações que vivem às mar­gens dos rios e em seus ter­ritórios que ain­da é pos­sív­el con­tem­plar o verde que se tem na região da Amazô­nia”, afir­mou.

Repro­dução:
Uten­sílios de povos indí­ge­nas da Amazô­nia fazem parte da mostra no Museu do Aman­hã — Tomaz Silva/Agência Brasil

O vice-pres­i­dente exec­u­ti­vo de Relações Insti­tu­cionais e Comu­ni­cação da Vale e pres­i­dente do Con­sel­ho do Insti­tu­to Cul­tur­al Vale, Luiz Eduar­do Oso­rio, desta­cou que, quan­do se real­iza uma exposição como esta, man­tém-se um diál­o­go e se traz um olhar sobre a cul­tura da flo­res­ta, que tem riquezas cul­tur­ais muito rep­re­sen­ta­ti­vas da pre­sença humana na região, mas tam­bém onde se con­vive com a dev­as­tação, que pre­cisa ser com­bat­i­da, e com o garim­po ile­gal. “Nos­sas empre­sas pre­cisam ser preser­vadas e as grandes empre­sas têm um papel fun­da­men­tal nis­so”, afir­mou.

O cien­tista Paulo Artaxo, que é o con­sul­tor cien­tí­fi­co chefe da exposição, apon­ta como maior destaque da mostra a inte­gração entre o bio­ma amazôni­co, o cli­ma, as pop­u­lações tradi­cionais e os mais de 30 mil­hões de pes­soas que moram na região. “A exposição mostra os con­fli­tos, as áreas de equi­líbrio que exis­tem e, desse pon­to de vista, inte­gra todos os prin­ci­pais fatores que mar­cam o desen­volvi­men­to da região amazôni­ca.”

Associação

O dire­tor-pres­i­dente do Insti­tu­to de Desen­volvi­men­to e Gestão (IBG), que admin­is­tra o Museu do Aman­hã, Ricar­do Piquet, disse que a pro­pos­ta de pen­sar o futuro, a par­tir da cri­ação dessa insti­tu­ição da prefeitu­ra do Rio, espal­hou-se pelo mun­do e hoje está asso­ci­a­da a diver­sos out­ros equipa­men­tos cul­tur­ais. “A Fun­dação em Ams­ter­dam, que se chama Muse­um of Tomor­row Inter­na­tion­al, coor­de­na uma aliança de museus de ciên­cia ori­en­ta­dos para o futuro, como o Museu do Aman­hã. É nis­so que a gente vê a ideia genial do museu, ao falar do aman­hã, que provo­cou inqui­etações em out­ros museus”, disse.

A exposição Fru­tur­os — Tem­pos Amazôni­cos é uma real­iza­ção do Museu do Aman­hã, em parce­ria com o Insti­tu­to de Desen­volvi­men­to e Gestão, a Prefeitu­ra do Rio, o Insti­tu­to Cul­tur­al Vale, por meio da Lei de Incen­ti­vo à Cul­tura, do Insti­tu­to de Pesquisa Ambi­en­tal da Amazô­nia (Ipam), da Agên­cia France Press, da Globo e da Agên­cia Sapi­ens.

 

Edição: Nádia Fran­co

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