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Orquestras apostam em concertos online e interativos durante pandemia

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Repro­dução: © Divul­gação FOSB

Concerto inédito da Orquestra Sinfônica Brasileira pode ser visto hoje


Pub­li­ca­do em 07/07/2021 — 08:00 Por Léo Rodrigues — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

Enquan­to salas de con­cer­to ain­da se encon­tram de por­tas fechadas dev­i­do à pan­demia de covid-19, orques­tras vêm desen­vol­ven­do nova relação com os seus públi­cos. As corti­nas se abrem pelas telas da tele­visão, do com­puta­dor, do celu­lar e as notas musi­cais, antes ecoadas em ambi­entes fecha­dos, gan­ham novos espaços.

Com trans­mis­são online, não há lim­ites físi­cos e até mes­ma novas for­mas de inter­ação são pos­síveis: somente nes­ta sem­ana, estreia um con­cer­to inédi­to da Orques­tra Sin­fôni­ca Brasileira, ao pas­so que a Orques­tra Ouro Pre­to prepara uma apre­sen­tação vir­tu­al em que o repertório será escol­hi­do pelo públi­co em tem­po real.

Grava­do no The­atro Munic­i­pal de Niterói, o con­cer­to da Orques­tra Sin­fôni­ca Brasileira poderá ser aces­sa­do pelas suas redes soci­ais. A estreia será hoje (7), às 20h. A par­tir desse dia e horário, amantes da músi­ca eru­di­ta poderão escol­her o mel­hor momen­to para apre­ciar inter­pre­tações da obra de Paul Dukas, Heitor Vil­la-Lobos, Gilber­to Gagliar­di, Richard Strauss e Charles Goun­od. Des­de que começou a crise san­itária, esta é ape­nas a ter­ceira apre­sen­tação da Orques­tra Sin­fôni­ca Brasileira em que os músi­cos se reuni­ram.

“No iní­cio da pan­demia, cada um grava­va de sua casa. Ago­ra, mes­mo sendo uma apre­sen­tação online, os ensaios são pres­en­ci­ais. Isso traz uma moti­vação nova para o grupo, uma sin­to­nia maior. Os músi­cos estão muito felizes por tocarem jun­tos nova­mente”, diz a maest­ri­na Priscila Bom­fim, con­vi­da­da para reger a Orques­tra Sin­fôni­ca Brasileira pela segun­da vez em sua car­reira.

Ape­sar do reen­con­tro, o momen­to ain­da inspi­ra cuida­dos e apre­sen­ta desafios. Os pro­to­co­los de segu­rança, que incluem o uso de más­caras, limi­tam a expres­sivi­dade facial. “É uma per­da para os mae­stros. Por exem­p­lo, a res­pi­ração e os movi­men­tos com a boca. Os nos­sos movi­men­tos se restringem muito mais ao olhar e às nos­sas mãos. Foi uma exper­iên­cia difer­ente nesse sen­ti­do. Pre­cisamos usar muito mais os recur­sos das mãos, pois esta­mos com nos­sa expres­sivi­dade reduzi­da”, comen­ta Priscila.

Um dos prin­ci­pais destaques do novo con­cer­to, para a maest­ri­na, é uma músi­ca de Gilber­to Gagliar­di. “Rep­re­sen­ta bem a cul­tura nordes­ti­na e brasileira. Podemos sen­tir, em uma mes­ma obra, diver­sos cli­mas cri­a­dos pelos naipes de metais na orques­tra e a per­cussão. É uma obra muito impor­tante para o repertório de metais porque Gilber­to Gagliar­di era trom­bon­ista e vin­ha de uma família de trom­bon­istas. Acho que o públi­co vai se iden­ti­ficar muito. É um rit­mo que já está den­tro do brasileiro”.

Fun­da­da em 1940, a Orques­tra Sin­fôni­ca Brasileira é con­sid­er­a­da um dos con­jun­tos sin­fôni­cos mais impor­tantes do país. Além dos con­cer­tos, o grupo tam­bém desen­volve pro­je­tos com obje­tivos soci­ais e educa­tivos. Suas ativi­dades têm sido via­bi­lizadas por meio de instru­men­tos da Lei Fed­er­al de Incen­ti­vo à Cul­tura, como o Insti­tu­to Cul­tur­al Vale e diver­sos apoiadores e patroci­nadores, como a Nova Trans­porta­do­ra do Sud­este (NTS) e a Brook­field.

Em abril deste ano, ela foi recon­heci­da como patrimônio cul­tur­al ima­te­r­i­al da cidade do Rio de Janeiro, con­forme decre­to assi­na­do pelo prefeito Eduar­do Paes. Atual­mente é com­pos­ta por cer­ca de 70 músi­cos. A seleção ocorre por meio de audições anun­ci­adas por edi­tais, sem­pre que há vagas a serem preenchi­das.

Você decide

Out­ra atração para os apre­ci­adores dos con­cer­tos acon­te­cerá no sába­do (10), às 20h30. A Orques­tra Ouro Pre­to se propôs a realizar pela primeira vez uma exper­iên­cia difer­ente: as músi­cas serão definidas pelo públi­co durante o even­to. A votação do repertório ocor­rerá por uma enquete que será ger­a­da por meio do Youtube, platafor­ma usa­da para a trans­mis­são.

“Nas décadas de 80 e 90, ficou muito famoso o pro­gra­ma de tele­visão Você Decide, em que o públi­co escol­hia o final da história. Inspi­ra­dos nis­so, vamos faz­er o nos­so Você Decide. São os desafios que essa pan­demia nos impõe. Esta­mos ten­tan­do pen­sar novas saí­das para esse for­ma­to vir­tu­al e imag­i­namos uma maneira de tornar essa apre­sen­tação mais inter­a­ti­va”, expli­ca o mae­stro Rodri­go Tof­fo­lo.

O pal­co de onde ocor­rerá a trans­mis­são é o do Sesc Pal­la­di­um, em Belo Hor­i­zonte. “Quem podia imag­i­nar que seria pos­sív­el votar em um con­cer­to entre uma músi­ca de Beethoven e de Mozart, ou então as mais pedi­das do A‑Ha? Que tal Bea­t­les x Rolling Stones?”, per­gun­ta uma chama­da nas redes soci­ais da Orques­tra Ouro Pre­to.

Com 21 anos de existên­cia, a Orques­tra Ouro Pre­to foi fun­da­da por pro­fes­sores na Uni­ver­si­dade Fed­er­al de Ouro Pre­to (Ufop) e é con­heci­da por repertórios que vão muito além da músi­ca clás­si­ca, incluin­do ver­sões para suces­sos do rockjazz, de rit­mos brasileiros e de músi­cas que ficaram famosas no cin­e­ma. Essa diver­si­dade faz com que, entre seus prin­ci­pais tra­bal­hos, este­jam adap­tações de com­posições de Vival­di, Bea­t­les e Mil­ton Nasci­men­to. Ao lon­go de sua tra­jetória, foram grava­dos 11 CDs e sete DVDs. Um dess­es DVDs, bati­za­do de Valen­cianas, foi grava­do ao vivo jun­to com o can­tor Alceu Valença e acabou receben­do o Prêmio da Músi­ca Brasileira de 2015.

No iní­cio da pan­demia, no ano pas­sa­do, a Orques­tra Ouro Pre­to par­al­isou suas ativi­dades. A retoma­da ocor­reu aos poucos e já são 15 even­tos online, que somam mais de 500 mil visu­al­iza­ções. Será, no entan­to, a primeira exper­iên­cia em que o públi­co par­tic­i­pará da escol­ha do repertório. O for­ma­to gera um desafio adi­cional: ensa­iar um número bem maior de músi­cas.

“Preparamos 30 peças e serão 15 desafios. A prin­ci­pal brin­cadeira será Bea­t­les con­tra Rolling Stones. Serão qua­tro batal­has entre as duas ban­das. E tem algu­mas estreias. Por exem­p­lo, o repertório dos Rolling Stones nós nun­ca tocamos. Ter­e­mos desafios de músi­ca eru­di­ta tam­bém”, diz Rodri­go.

Edição: Graça Adju­to

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